quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Prazeres Proibidos Capitulo 3 parte II

—Assim que a conheci eu sabia que ia gostar de você. — exclamou a viscondessa ainda rindo— Temos que ser amigas.
Demi lhe devolveu o sorriso, agradecida e emocionada com tal possibilidade.
—Gostaria muito, lady Hammond. Nunca havia tido oportunidade de fazer amigos, tenho vivido em muitos lugares.
—Pode me chamar de Viola e eu chamarei você de Demi. Você se deu conta que nós duas temos nomes de flores? Já temos algo em comum.
—Mas não no amor por vasos.
—Não. Nisso você se parece muito mais com o Joseph, mas nunca conseguirei entender porque você acha tão fascinante estas peças de cerâmica.
—Bom, a cerâmica nos revela a história real de uma escavação…
—Não, não! —Viola levantou a mão para detê-la. —Já ouvi antes. Eu fugi dele alguns momentos atrás, não se lembra?
—É verdade. De acordo, não obrigarei você a escutar as grandezas da cerâmica samariana, nem como se limpa ou a pole.
—Certo, porque a verdade é que eu gostaria muito mais que você me falasse sobre você. Sir Edward me disse que você nasceu na Ilha de Creta.
Demi não pode evitar se sentir lisonjeada. Poucas vezes era o centro das atenções.
—Sim, meu pais estavam escavando em Knossos. Não lembro muito sobre essa escavação. Mas me lembro do calor e da aridez. Minha mãe me descrevia os campos e os bosques da Inglaterra. Soava celestial.
—Seus pais eram ingleses?
—Oh, sim. Eles se conheceram quando ele veio à Inglaterra para dar palestras sobre suas descobertas em Knossos. Havia sido nomeado Cavalheiro de Bath e estava em Londres para receber seus honorários. Depois de um namoro relâmpago escaparam e voltaram a Creta juntos.
—E que aconteceu com o resto da tua família?
—Eu… — hesitou e depois continuou— meu pai era órfão.
—E a família da sua mãe?
Demi ficou petrificada, pressionava o pincel tão forte que os seus pelos estavam totalmente liso sobre o mosaico. A menção da família de sua mãe lhe trouxe recordações de um dia horrível em Tánger e da carta que tinha recebido de uns advogados de Londres, dois meses depois da morte de seu pai.
“Obrigado pelo interesse demonstrado por lord Durand com relação à certa lady Lovato, que solteira era Jane Durand, de quem o senhor afirma que era a esposa de sir Henry Lovato. Sua confirmação é impossível, já que a honorável senhorita Durand permaneceu solteira até sua morte, na fazenda de seu pai em Durham, em 1805, com a idade de vinte anos. Não havia nenhuma possibilidade de que poderia ser sua mãe e lord Durand lamenta não poder lhe ser de maior ajuda neste assunto. Qualquer outro tentativa de ganhar dinheiro ou proteção do senhor é inútil.”
Ao se lembrar da carta, voltou a sentir todo o medo que sentiu naquele tempo, o nó que lhe apertava o estômago em pensar que estava sozinha, que o dinheiro estava se acabando, que ninguém ia ajudá-la e que já não tinha nada de valor. Nada, exceto a passagem para a Inglaterra.
Demi procurou esquecer as lembranças naqueles dias em Tánger. Não queria falar sobre a família de sua mãe ou sobre a vingança de se sentir ignorada e rejeitada.
—Mamãe nunca falava de seus parentes.
—Alguma coisa ela tinha que te dizer.
Pressionada, Demi admitiu:
—Disse que meu avô era um barão, nada mais. Minha mãe morreu quando eu tinha oito anos e meu pai e eu nunca falávamos dela.
—Um barão. Não sabe nem ao menos o seu nome, ou onde vivia?
—Não — mentiu.
—Mas isso é surpreendente! Que espécie de pai deixa sua filha sem família, sem recursos e sem proteção ao morrer e sem lhe dizer quem a pode ajudar?
—Meu pai não era tão inconsciente como você pensa! —gritou Demi, obrigada a defender seu pai— Era um homem sem igual, não podia imaginar que ia morrer tão de repente. Era o pai mais carinhoso que alguém poderia ter, você me ofende se disser o contrário.
Viola se calou. Depois de um momento disse:
—Fez bem em me repreender, Demi. Me sinto envergonhada. Minha única desculpa é que me preocupa ver uma jovem moça sozinha, sem proteção, obrigada a trabalhar, mas não devo intrometer em suas coisas. Por favor, aceite minhas desculpas.
Na verdade parecia envergonhada e Demi reconsiderou.
—Claro.
—Vocês ficaram em Creta depois da morte de sua mãe?
—Não, nós fomos da ilha alguns meses depois. Papai não podia ficar ali. Tinha muitas lembranças. Destruiu seu coração quando mamãe morreu.
—E a dor era obsessiva? —perguntou Viola em um tom meio agressivo— Eram felizes, mas quando ela morreu ele abandonou suas obrigações, seus filhos? Acaso sua tristeza lhe fez perder o juízo?
Demi estava surpresa em frente essa repentina troca de tom da conversa.
—Que perguntas tão estranhas! Claro que estava triste, mas nunca abandonou suas obrigações. Nunca me ignorou, nem perdeu o juízo.
Viola sacudiu a cabeça como se ela tivesse terminado uma conversa particular.
—Confesso que estava pensando em outra pessoa. Eu sinto. Onde você foi quando deixou Creta?
—Para a Palestina. Também estivemos em Petra, Síria, Mesopotâmia, Túnez e Marrocos. As grandes escavações geralmente duram vários anos, mas depois da morte da minha mãe, meu pai era incapaz de passar muito tempo no mesmo lugar.
—Mas o que aconteceu com a sua vida social?
—Nunca tivemos muito. Alguns jantares ocasionais com uns amigos do papai em Roma, isso é tudo.
—Nenhuma festa? Nenhum baile?
—Lamento nunca fui a nenhum. —Demi negou com a cabeça, sorrindo— Nem sei dançar. Não tive muitas oportunidades para ir no meio do deserto. Estou mais acostumada à companhia de asnos, camelos, árabes e velhos e pesados arqueólogos.
—Você teve uma vida fascinante Demi, mas há tantos prazeres que você perdeu…
—Talvez, mais eu aproveitei cada momento. Sinto falta do meu pai, mas acho que ele gostaria de vir para a Inglaterra se não tivesse morrido. Ele queria que eu conhecesse este lugar. Por isso aceitei a oferta do duque de vim para cá.
—Já foi em Londres?
—Não. Viajei com uma caravana de temperos desde o Marrocos a Tánger, depois peguei um barco até Portsmouth e vim diretamente a Tremore Hall.
—Uma caravana de temperos! —Viola começou a rir.
Demi a olhou perplexa.
—Eu disse algo engraçado?
Ainda rindo, a outra mulher negou com a cabeça.
—Divertido? Oh, Demi! Você disse as coisas mais extraordinárias; como se viajar em caravanas fosse a coisa mais normal do mundo.
—Bom, é normal, —respondeu ela rindo junto com ela— talvez ainda não aqui, em Hampshire.
As risadas foram diminuindo e a viscondessa olhou pensativa para Demi.
—Marrocos, Palestina, Creta. Não posso evitar pensar que você deve se encontrar Tremore Hall bastante aborrecida em comparação.

só sei que assim que chegar o proximo capitulo, voces vao xingar tanto o Joe, mas tanto que ja to ate com dó dele antecipadamente
bjemi

5 comentários:

  1. Realmente Demi teve uma vida muito interessante e já viajou bastante.
    Este capítulo está envolto em suspense, não só por aquela conversa estranha de Viola (será que aquilo foi o que aconteceu com o pai dela), mas também por aquele pensamente de Demi em relação à família da mãe... misterioso

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  2. Eita...você me deixou curiosa agora...o que será que o Joe vai aprontar...kkkk ❤️
    Eu adoreiiii tudo
    Posta logo
    Beijos

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  3. Ja to shippando a amizade entre a demi e a viola, e tu me deixou mega curiosa pro próximo capítulo então posta logo

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  4. Ansiosa para o próximo

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