sábado, 13 de fevereiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 21 parte III

—Ah não? —perguntou-lhe lady Fitzhugh em voz baixa e a olhou compreendendo tudo o que acontecia. Demi tinha vontade de gritar. —É um presente muito romântico, não acha?
—Sim, é — disse Anne suspirando. —Receber as atenções de um duque. Que poético!
—É romântico e poético? —perguntou Elizabeth.
—Claro que sim, tonta — exclamou Anne rindo. —É Le langage des fleurs!
—Sim, sim, mas não sou tonta, que significa?
—A linguagem das flores — explicou sua mãe. —E você, Elizabeth, saberia traduzi-lo se tivesse se aplicado mais em tuas aulas de francês. É um livro que explica o que simbolizam as plantas.
—Os apaixonados costumam se mandarem mensagens secretas entre eles — disse Anne encantada. —Está muito na moda. Então, Demi, já estão comprometidos?
—Anne! —repreendeu lady Fitzhugh. —Não tem por que nos contar, querida. Não é assunto nosso e nós respeitamos sua privacidade.
—Não estou comprometida com ele e nunca estarei. — Ela percebeu por seus rostos que não acreditavam nela. —Não há nada entre nós! Absolutamente nada!
Estava tão aborrecida que deixou o livro cair e ao fazer isso, entre suas páginas apareceu um pequeno ramalhete de flores envoltas em umas finas folhas de papel. As flores se espalharam ao redor do livro no chão.
—Você vê, Demi? —disse Anne. —Já mandou a primeira mensagem.
Demi recolheu as flores do chão e viu que acabavam de ser cortadas.
Devia tê-las colhido no caminho até lá. O pequeno ramalhete estava composto de flores de cor rosa e tinha uma única flor de um lilás escuro com tons amarelos. As movimentou entre seus dedos enquanto as outras mulheres se aproximavam dela para poder vê-las também.
—As cor de rosa são jacintos —disse-lhe Anne— e a lilás é uma columbina.
—O jacinto rosa significa que é um jogo — disse Elizabeth lendo o livro que tinha em suas mãos, — e a columbina significa «eu vou ganhar».
Tinha que reconhecer que o jogo das flores era uma ideia inteligente, mas era tão próprio dele proclamar-se ganhador antes de começar.
—Isto é tão excitante! —exclamou Elizabeth. —O próprio duque de Tremore está cortejando a nossa Demi!
—Isso é correspondência pessoal de Demi — recordou-lhe lady Fitzhugh a sua filha em um tom severo, — tão particular como se fosse uma carta. Deveria se envergonhar disso. Se desculpe com Demi e devolve o livro agora mesmo.
—Me desculpe, Demi — disse Elizabeth arrependida e devolveu-lhe o livro. —Esse assunto pertence somente a ti e ao duque.
—Não por muito tempo, querida irmã — disse Anne. —Se realmente o duque de Tremore está cortejando a nossa Demi, toda a cidade saberá daqui a alguns dias. Todo mundo está especulando sobre seu casamento desde que trouxe para limpar as esmeraldas ducais. Oh, Demi, se ainda não lhe fez o pedido, certamente tem intenção de fazer, se não, não teria te presenteado. Oh, falarão de ti em todos os jornais e de nós também.
—Receio que isso é verdade — disse resignada lady Fitzhugh, cuja atitude era totalmente oposta a de suas filhas. —Será melhor que nos preparemos para o assalto.
—Assalto? —perguntou Demi preocupada.
—Anne tem razão, querida Demi, se o duque te corteja, todos os teus movimentos serão observados e comentados, assim como os nossos. Nos encherão de visitas e falarão de nós até a satisfação nas notas de sociedade.
—Que bom — disse Elizabeth rindo. —Agora não nos faltarão pares de baile. Demi, você acha que o duque poderia nos apresentar seus amigos?
—Me envergonho de ti, Elizabeth, de verdade — disse lady Fitzhugh sentando-se ao lado de Demi e colocando afetuosamente a mão em seu braço. —Tem que entender tudo o que isto significa, querida. Você vai ser estudada, analisada e criticada. Tem que estar preparada para assumir que muitas dessas notas não sejam agradáveis. A inveja é um sentimento horrível e aqui tem em abundancia. Os duques são um bem raro e receio que as pessoas são muito gananciosas.
Demi olhou para o livro em seu colo. Ela não queria isso. Não queria que ele a cortejasse, não queria que fosse romântico, porque se fosse, ela sucumbiria inevitavelmente. Começava a pensar que talvez sentisse algo por ela e que tudo não tinha sido um recurso para satisfazer seu sentimento de honra. Ele não a amava, mas pelo modo como seu coração batia, sabia que ela poderia voltar a amá-lo.
—As fofocas não me preocupam nenhum um pouco — disse ela tentando endurecer seu coração. —Não há nada do que possam falar! Não existe nenhum romance, não estamos comprometidos e não vou me casar com ele. Quanto mais cedo todo mundo entender, melhor.
Bateu o livro com a mão e com um gesto irritado, abandou o salão deixando suas amigas surpreendidas por seu ataque de mal humor.
Um jogo requeria, no mínimo, de dois jogadores, disse a si mesma enquanto subia pela escada até seu quarto. Decidiu que simplesmente não jogaria. Não voltaria a se apaixonar por ele. Às vezes, inclusive um duque tinha que aceitar um não, como resposta.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Prazeres Proibidos #Spoiler Capitulo 22

"—O senhor disse que não a deserdou, mas fez sim. Eliminou-a de seu coração e nunca respondeu nenhuma de suas cartas. Como tampouco respondeu a minha.
Ele piscou diante a brutalidade de suas palavras.
—Espero que algum dia você entenda.
Demi se apoiou na cadeira, sem chegar a compreender seu ponto de vista.
—Não, não entendo. Não apenas abandonou sua filha, mas também me abandonou. Eu lhe escrevi pedindo ajuda e a única coisa que recebi foi uma carta de seus advogados. Quer que lhe diga o que dizia?
Ele tratou de responder, mas ela não o permitiu.
—Dizia, de um modo muito explícito, que eu não podia ser sua neta —continuou — e que qualquer outra tentativa de entrar em contato com o senhor para obter seu dinheiro seria inútil. Meu pai tinha acabado de morrer. Estava no meio do deserto do Marrocos, sem dinheiro, sem família, sem ninguém que me ajudasse. Lhe escrevi desde Tánger e durante dois meses esperei sua resposta tentando sobreviver com o pouco que tinha. Todas as antiguidades que papai tinha descoberto em Volubilis já as tinha vendido ao duque de Tremore ou a um museu de Roma e o pouco dinheiro que papai tinha para gastos já tinha se acabado.
Se dava conta que se estava ficando nervosa e muito emotiva, mas não se importava. Queria que soubesse como tinha-lhe ferido sua indiferença.
—Me vi obrigada a vender os livros e a equipe de meu pai para poder comprar comida e ter um lugar onde dormir, mas esperei, tinha a esperança de que meu avô, de que o senhor, me ajudaria. Entretanto, não ajudou. Me abandonou e me deixou sozinha, sem dinheiro e sem proteção. Sorte que o duque de Tremore queria contratar meu pai e mandou duas passagens para Inglaterra. Fui para Hampshire e trabalhei para ganhar meu sustento. O senhor me pergunta se posso entender o que fez e minha resposta é não. Não posso entendê-lo e acho que será impossível perdoá-lo.
—Sendo tão jovem você dar sua opinião muito convencida — gritou ele irritado. —Eu vim aqui de boa fé, com a intenção de corrigir o péssimo modo como me comportei contigo.
—Só veio aqui porque acha que vou me casar com um duque. Não há nenhum compromisso. Assim que…"

hehehehe tem alguem revoltada por aqui.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 21 parte II

—É muito amável de sua parte — disse sua anfitriã, tentando não parecer surpreendida que o duque tivesse decidido visitá-las.
—Eu vim a cidade para supervisionar a abertura de meu museu, só faltam umas semanas para o grande evento — disse ele, olhando-a. —Espero que possam vir.
—Claro. Será uma honra.
Demi se mexeu na cadeira. Desejava que fosse embora de uma vez antes que dissesse que não tinha ido ali conversar. Temia que deixasse descobrir suas intenções e pedisse a lady Fitzhugh e as suas filhas ficar a sós com ela. Isso seria muito humilhante, especialmente para ele, porque se fizesse isso, voltaria a recusá-lo. Mas logo se deu conta que ele não tinha intenções de fazer nada disso.
—Nesses últimos meses tenho estado tão ocupado trabalhando —disse ele — que não tinha tido tempo de cumprir com meus compromissos sociais, mas agora que o museu está quase acabado, espero ter a oportunidade de desfrutar da temporada. Na verdade, estou livre para aceitar qualquer convite.
Suas palavras, expressadas com tanta ênfase, fizeram que Demi levantasse a vista justo a tempo para ver como lady Fitzhugh mordia a isca. Antes que ela tivesse tempo de interromper a conversa, lady Fitzhugh estava dizendo:
—Verdade, senhor? Eu tenho previsto celebrar uma pequena festa de jogos de cartas logo, só meia dezena de nossos amigos. Eu temo que seja muito modesto para o senhor, mas gostaríamos de contar com sua presença.
—Será uma honra poder vir — disse ele, sorrindo satisfeito que Demi teve vontade de jogar-lhe o lápis.
Lady Fitzhugh estava surpresa, não só tinha tido a honra de convidar o duque, mas também que ele tinha aceitado.
—Lhe mandarei o convite — murmurou.
—Ficarei feliz em receber. — Olhou Demi por um momento e logo voltou a prestar atenção na anfitriã. —A senhorita Lovato trabalhou muito duro para que eu pudesse abrir o museu. Lamento que tenha tido tão pouco tempo para se divertir, fico feliz que agora tenha a oportunidade de conhecer a cidade.
—Nós vamos fazer de tudo para que ela fique muito bem, senhor — disse Elizabeth rindo-se entre os dentes.
—Estamos felizes de ter a senhorita  Lovato conosco. — Lady Fitzhugh respondeu e fez um olhar de crítica a sua filha.
—Esta é sua primeira visita a cidade, não é, senhorita Lovato? —Joseph focou agora toda sua atenção Demi.
—Sim — respondeu ela e deixou de fingir que estava desenhando. —Depois de tanto tempo encerrada no campo, eu morro de vontade de entrar na sociedade.
—Ah, suas palavras me lembraram um dos motivos de minha visita. — Ele procurou no bolso de seu casaco e tirou um pequeno pacote marrom atado com um discreto cordão bege. Se inclinou até ela e lhe deu. —Acredito que isto é seu.
Ela o aceitou, olhando-o confusa. Pela forma e peso do pacote viu que se tratava de um livro.
—Não sabia que tinha me esquecido de um livro quando parti.
—Talvez não — respondeu ele, confundindo-a mais ainda.
Ela levantou a vista e viu que ele tinha aquele meio que significava que estava lhe provocando.
—Não entendo.
Ele não disse mais nada. Em vez disso, se virou para Anne e Elizabeth.
—Ainda não começou a temporada, mas espero que as senhoritas, possam vir em algumas festas enquanto estão na cidade.
—Oh, sim — respondeu Anne nervosa. —Na verdade, dentro de três dias iremos a uma festa em Haydon Rooms.
—Me alegra ouvir isso. Agora, senhoras, me desculpem, mas tenho que ir. Eu temo que já roubei muito de seu tempo.
—Foi uma honra, senhor — respondeu lady Fitzhugh. Se levantou, suas filhas e Demi fizeram o mesmo. —Por favor, venha quando queira. Qualquer dia que preferir.
—Asseguro-lhe que virei. Tentarei vir quantas vezes quando puder, lady Fitzhugh — disse ele enquanto ficava de pé—. Diga, por favor, a seu marido que lhe espero no museu quando for conveniente para ele. Ah, e espero ansioso receber seu convite. Não se esqueça de mim, por favor.
Demi viu como as outras três mulheres se derretiam com seus modos, mas ele aguentou a vontade de suspirar entediada. Assim que esse era modo que tinha pensado de convencê-la. Iria se entreter com seus amigos, iria ser tão amável e tão condescendente que os chocaria com suas atenções. Iria se portar bem. Que horror.
—Lady Fitzhugh —saudou-a, — senhorita Fitzhugh, senhorita Elizabeth, senhorita Lovato. — Seus olhos se cravaram nela por um instante e Demi tentou lhe mostrar que se desse conta de que não gostava de seu plano, mas ele nem se abalou. — Senhoras —disse inclinando a cabeça, —foi um prazer.
Quando ele se foi, ninguém falou durante alguns segundos. Com certeza, Elizabeth foi a primeira a falar.
—O que ele te deu, Demi? —perguntou. —Você esqueceu algum livro em Hampshire?
—Elizabeth —repreendeu sua mãe. —Não é assunto nosso.
Demi tinha apenas uma dúzia de livros, tinha vendido quase todos depois da morte de seu pai. Os que tinham lhe restado gostava tanto deles que tinha certeza de não ter se esquecido de nenhum. Desfez o laço e desembrulhou o pacote; quando viu a capa tinha se confirmado todas as suas suspeitas.
—Não é meu —disse preocupada, —nunca o tinha visto.
Olhou o nome estampado em letras douradas.
—Le langage des fleurs, leu em voz alta e sentiu seu coração dando um pulo, — de Charlotte de la Tour.
Observou o desenho de flor-de-lis que tinha em baixo do título e então leu a dedicatória que ele tinha escrito.
Senhorita Lovato:
O mundo inteiro sabe que o inglês é uma das piores línguas em que pode expressar seus sentimentos. Certamente, eu já falo, assim que me vi obrigado a recorrer à outra linguagem para falar com a senhorita e por isso lhe dou este livro. No caso de desejar me responder, posso lhe sugerir DeCharteres? São os melhores floristas da cidade.
Seu servidor,
TREMORE
Demi mordeu o lábio. Aquela noite na estufa. Ele tinha lembrado. Percebeu que começava a perdoar-lhe, que via um pequeno raio de luz entre as nuvens e fechou o livro de repente. Tinha que se resolver, não queria que ele voltasse a magoá-la.
—Se este livro não é seu, deve ser um presente! —decidiu Elizabeth. —Oh, Demi, um presente do duque. Você é tão discreta! Não nos disse uma palavra.
Demi levantou a vista do livro e viu como as três a estavam observando.
—Não sei o que quer dizer.



ja to vendo tudo....Demi vai sofrer com as investidas do duque...
bjemi

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 21 parte I

Demi se foi de Tremore Hall apenas vinte minutos depois de deixar Joseph em antika. Ele não tentou vê-la antes que ela se fosse, pensou que o melhor seria era esperar alguns dias antes de segui-la a Chiswick. Assim os dois teriam tempo para pensar nessa situação e poderiam resolvê-la com mais calma. Ele sabia que não tinha sido muito romântico o modo que tinha lhe feito o pedido. Se quisesse convencer Demi, teria que melhorar nesse aspecto. Acreditando que em Enderby seria fácil falar com ela a sós, mas quando chegou ali, sua irmã mudou todos os seus planos.
Encontrou Viola fazendo as malas, rodeada de um montão de baús abertos e camareiras perambulando pela habitação.
—Ela já se foi? —perguntou-lhe a irmã. —Que você dizer com que ela se foi?
Viola negou com a cabeça sem se dirigir a ele.
—Não, não, Celeste, o vestido verde de seda não, quero o verde de lã.
Então se virou e concentrou toda a sua atenção em seu irmão, e lhe indiciou que se sentasse.
—Nossa querida Demi já foi para Londres. Dadas as circunstancias, lady Fitzhugh foi amável de convidá-la e de aceitar apresentá-la em sociedade.
Joseph franziu a testa e se sentou na cadeira sem se preocupar com os vestidos que esmagou quando sentou.
—Que circunstancias? —Olhou ao seu redor. —Você não vai para a cidade?
—Não, vou para Northumberland. Hammond teve uma espécie de acidente e devo ir imediatamente a Hammond Park. Ontem à noite recebi uma carta do doutor Chancellor.
—Que tipo de acidente?
—Ele foi baleado.
—Um acidente de caça?
—Não. — Viola mordeu o lábio e afastou a vista. Depois de um momento voltou a olhar Joseph diretamente nos olhos. —Participou de um duelo. Por uma mulher.
—Cretino! —Joseph bateu com força a cadeira. —Juro que vou matá-lo por isto. Quantas humilhações mais você vai ter que suportar?
Sua irmã parecia magoada e ele soltou violentamente o ar que não sabia que estava contendo. Hammond tratava sua irmã miseravelmente e esse duelo era a gota d’água que caia no vaso. Joseph não tinha nenhuma pena pelas feridas que tivesse sofrido seu cunhado.
—Eu lamento, Viola, mas Hammond é o pior canalha que conheço.
—Agora já não importa. — Ela encolheu seus ombros e continuou. —Eu estou tão contente de poder ver Demi por alguns dias! Tivemos um ótimo tempo juntas, ela lamentou muito que eu não pudesse acompanhá-la a Londres, depois de tudo. Passará a temporada com os Fitzhugh.
Se Demi ficasse na casa dos Fitzhugh ele iria ter tudo muito mais complicado. Não poderia estar a sós com ela e teria que tentar convencê-la a vista de toda a sociedade. Os falatórios e fofocas seriam enormes.
—Maldita seja!
Ele se deu conta do quão surpreendida o olhava ele irmã.
—Você parece muito desgostoso por estas noticias, Joseph. O que esta acontecendo? Você sabia que ela estava indo para a cidade. —Viola começou a rir. —Acaso esperava convencê-la para que voltasse a restaurar mosaicos e vasos contigo?
Joseph a olhou com um olhar ameaçador.
—Você trocou confidências com a senhorita Lovato?
—Confidencias? Não sei ao que esta se referindo. Que confidencias ela deveria ter compartilhado comigo? Aconteceu alguma coisa?
A grande maioria das mulheres teria faltado tempo suficiente para presumir que um duque tinha lhe pedido em casamento, especialmente na frente a irmã deste, mas era evidente que Demi não tinha dito nada a Viola. Sendo ele mesmo um homem muito reservado, agradou-lhe o comportamento discreto dela, mas Viola tinha que saber cedo ou tarde, assim que o melhor seria que ele mesmo dissesse. Antes que lesse em uma nota de sociedade.
—Você pediu Demi em casamento? —Um enorme sorriso iluminou-lhe o rosto e se levantou da cadeira em que estava sentada para dar-lhe um beijo em cada bochecha. —É maravilhoso!
—Não, não tanto — respondeu ele enquanto Viola voltava a se sentar. —Ela me rejeitou.
—Sério? Não posso entender por que, ela está… — Viola se calou sobre aquilo que iria dizer e de forma suspeita, olhou seu irmão. —Eu não sei se você pediu, ou não? Receio que simplesmente comunicou. Não adianta negar. — Antes que ele pudesse responder, ela continuou. —Te conheço muito bem, Joseph. Você se fez de mandão e autoritário e ela mandou você passear. — Viola começou a rir dele as gargalhas. —Oh, já sabia que gostava dela.
—Que bom que você esta passando tão bem com isto, mas você não deveria estar a meu favor?
—Não — respondeu ela sorrindo de orelha a orelha. —Estou totalmente do lado de Demi. Nós mulheres devemos nos apoiar em situações como esta. — Não deixou que Joseph respondesse e prosseguiu. —Há uma cosa que me intriga, se ela te recusou, porque você esta aqui?
Ele começava a se irritar que sua irmã achasse tão divertida suas desventuras.
—Se você acha que eu aceitarei um não como resposta é porque não me conhece bem, irmãzinha.
—Você tem razão, mas Demi tem todo o direito que a cortejem, sabe? Você não pode ir para o mundo ordenando as pessoas para que casem contigo. Um casamento não é uma escavação. Oh, como eu gostaria de poder ficar para ver o espetáculo.
—Sim, acho que sim — respondeu ele sem ver graça no assunto. —Não se preocupe, acho que as notas da sociedade te contarão com todos os detalhes. Antes que me esqueça, tenho que te perguntar uma coisa. Demi te mencionou alguma vez o nome de seu avô? Vou ter que procurar o barão para poder fixar os términos de nosso acordo.
—Lord Durand. Suas propriedades estão em Durham, acredito, mas eu descobri que ele esta agora na cidade. Sugeri a Demi que fosse visitar-lhe, mas ela me disse que não queria. Me contou que Durand se negou a reconhecê-la. Depois da morte de seu pai ela lhe enviou uma carta e recebeu uma resposta de um dos advogados dele dizendo que nem era nem seria nunca a neta do barão. Seus pais fugiram, assim que é evidente que Durand não aprovou esse casamento. Pode acreditar? Quase chorei quando me contou. Ali estava ela, sozinha em Tánger, ou onde quer que fosse, sem nada nem ninguém, e esse homem horrível escreveu-lhe para dizer que não esperasse nada dele.
Joseph se levantou. A ira inundava todo o seu corpo, mas quando falou sua voz soou firme, serena, perfeitamente controlada.
—Não sei por que — disse a Viola, — mas acho que Durand não se negará a reconhecê-la depois de falar comigo.
—Sim — concordou Viola olhando-o satisfeita, — estou convencida de que assim será. Mas Joseph —continuou com tacto, —não acho que Durand seja teu maior problema. Ainda tem que convencer Demi que te aceite.
Joseph jurou que isso tampouco seria um problema. Abandonou Enderby e se dirigiu até Londres. Jurou que Demi se tornaria sua duquesa, ainda que tivesse que cortejá-la diante de toda a alta sociedade britânica.
—Por todos os santos!
A exclamação fez com que Demi deixasse de desenhar Elizabeth e Anne, que estavam posando sentadas em frente dela em um dos salões da casa que os Fitzhugh tinham em Londres. Se virou e viu como lady Fitzhugh, que estava sentada numa cadeira a seu lado, olhava o cartão que acabava de entregar-lhe a empregada. Colocou a outra mão em cima de seu coração descontrolado e se reclinou em seu assento.
—O duque de Tremore veio nos fazer uma visita.
—Quê? —gritaram suas duas filhas de uma vez.
—Bom, não demorou muito — murmurou Demi.
—Com certeza ele veio te ver, Demi! —disse Elizabeth. —Nós temos vivido toda uma vida em Hampshire e nunca veio nos visitar.
—Deve ser isso —continuou sua mãe batendo o cartão nos dedos. —Eu apenas falei com um duque uma dúzia de vezes em todos esses anos e nunca nos tinha feito essa honra. —Guardou o cartão no bolso e se endireitou na cadeira. —Mande-o entrar, Mary. A um duque não se faz esperar.
Demi se deu conta que rápido a empregada abandonou a habitação, lady Fitzhugh e suas filham verificaram seus penteados e arrumaram os vestidos para receber o tão ilustre convidado. Ela não fez nada disso, ao contrario, pensou que era uma pena que esse dia não usasse o cabelo recolhido naquele coque que ele tanto odiava. Quando viu que Elizabeth fazia gestos para que ela tirasse os óculos, ela a ignorou e os deixou nos olhos.
Quando Joseph entrou na habitação, ela se levantou e lhe fez uma reverencia, igual a todas, logo se refugiou atrás de seu caderno de desenho enquanto lady Fitzhugh lhe apresentava as suas filhas e o convidava para se sentar.
Por cima do caderno, Demi observou as expressões de Anne e Elizabeth, abobalhadas olhando-o, enquanto Joseph se sentava a seu lado. Olhar aquelas meninas era como se ver refletida em um espelho. Porque que tinha ficado com essa mesma cara no dia que o conheceu. Era uma mistura de nervosismo, vergonha e tolice. Ele estava lindíssimo, estava muito elegante e parecia o grande duque que era. Usava um casaco azul com uma calça de um azul mais escuro, em cima, uma capa com pequenas listras douradas e como sempre, uma imaculada e impecável camisa branca. Apostaria que as meninas Fitzhugh se perguntavam se estavam sonhando.
«Acho que está mais que acostumado a causar este tipo de reações femininas por onde quer que vá», pensou Demi e então se deu conta de que tinha apertado tão forte o lápis contra o papel que tinha estragado o retrato de Elizabeth.
—Toca a campainha para que nos tragam um pouco de chá, Anne — ordenou lady Fitzhugh a sua filha mais velha, que parecia incapaz de se mover.
—Não, por favor, não se preocupe comigo — disse Joseph. —Não posso ficar muito tempo. Visitei minha irmã justo antes que ela fosse a Northumberland e me contou que a senhorita  Lovato estava com as senhoras na cidade. Só queria apresentar meus respeitos.


Joseph vai APRONTAR! pobre Demi.

presentinho de carnaval guys
bjemi

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 20 parte II

—E o que me diz de lady Sarah? —atacou ela. —Acaso não iria se casar com ela?
—Suponho que Viola te contou. Não tem importância, nem sequer tinha lhe declarado isso e agora já não vou falar.
—Não estava apaixonado por ela e ainda assim ia se casar. E quer a mim menos ainda e também está disposto a se casar comigo. Tanto faz uma esposa como outra? Ah, e não nos esqueçamos de incluir a amante ocasional.
—Amor, amor — replicou ele impaciente. —O que é o amor? Me explique se puder. Você tinha me dito que o amor tinha te destruído o coração. Me fale sobre esse amor. 
—Aquilo não era amor! —gritou ela. —Era uma fascinação, um sonho estúpido que só era possível em minha imaginação, já que você não sentia nada por mim. Eu já sabia, mas…
—Quê? —A expressão de surpresa de Joseph mostrou-lhe que, sem querer, tinha-lhe confessado seu mais profundo segredo.
Agora não se importava, o que outra pessoa pensava dela era a mesma coisa.
—Sim, Joseph — admitiu ela encarando-o diretamente nos olhos sem se envergonhar de seus sentimentos. Ao menos tinham sido sinceros. —Eu sentia tudo isso por ti. Que Deus me ajude, eu fiquei fascinada por você, me enfeitiçou desde o primeiro dia em que te vi. Estupidez de minha parte, mas você vê.
Ele a olhava totalmente estupefato e de algum modo, isso aumentou a ira de Demi.
—Incrível, verdade? Eu, entre todas as mulheres, querendo um duque. Eu, uma mulher sem dinheiro, sem influencias, sem família, ou sem uma que a reconheça. Eu, uma mulher séria, desinteressante, sem nenhum atrativo, cujo destino lógico era acabar sendo uma solteirona porque era tão atraente como um inseto em cima de uma folha!
Viu que ele se alterava levemente o semblante e se animou a continuar.
—Sim, estava do lado de fora da sala de música nessa noite, quando você e sua irmã estavam falando sobre mim. Eu ouvi tudo, cada palavra. Se lembra da conversa, senhoria?
Então ele compreendeu tudo e surgiu em seu rosto um gesto de tristeza.
—É verdade que eu disse isso — murmurou ele e caminhou até ela, —admito, mas já tinha me esquecido. Não teve importância.
—Talvez não teve para ti, mas para mim teve muita. — Estava tão chateada que não percebia o quão inútil que era nesse momento falar daquela noite. Tinha-lhe machucado que ele tivesse começado a falar de suas obrigações quando para ela o que tinha acontecido entre os dois tinha sido espontâneo e maravilhoso. —Eu me lembro que também disse que eu era como uma máquina, uma criatura sem nenhum atrativo físico. «Patética» foi à palavra que você usou.
Ele deu outro passo e a pegou pelos ombros, sacudindo-a suavemente, como se achasse que estava histérica, quando na realidade ela estava muito tranquila.
—Me escuta, Demi —disse, — me dói que me ouviu dizer algo tão horrível e desconsiderado, mas até então não te conhecia. Quero dizer que ainda que te conhecesse, eu não sabia como era realmente. — Interrompeu-se e a soltou. Pegou os braços do corpo e depois de respirar fundo, voltou a tentar. — É verdade que eu disse tudo isso, mas eu disse por que você tentava passar sempre despercebida. Isso era tudo o que falamos. Viola me contou que queria te ajudar a procurar um marido e perguntou minha opinião…
—E você falou com cabelos e sinais. Você disse a sua irmã que procurar marido era inútil. — Ela riu ferida. —Pelo visto não era tão inútil, posto que você mesmo parece ter intenções de se casar comigo. Que estranha é a vida!
Ele deu um passo para trás e com as mãos nas costas, era a viva imagem de um duque.
—Acredite em mim, eu lamento muito pelas minhas palavras. O que eu disse foi cruel e desconsiderado e me dou conta de que a feri profundamente. Mas te asseguro que não queria fazer. Desde esse dia, como eu dizia antes, comecei a sentir uma forte atração por ti, tão forte que às vezes achava que estava ficando louco. Talvez seja só uma loucura passageira, mas uma loucura no fim das contas. Te desejo tanto, eu… —Soltou o fôlego tão bruscamente que toda a aparência ducal desapareceu. —Deus, depois de tudo o que aconteceu, tenho que te explicar?
—Não, acredito que posso confirmar que tua opinião sobre mim tenha mudado radicalmente. Mas quanto tempo custará a tornar a mudar? Quanto tempo durará tua «loucura passageira»? Quanto tempo custará para voltar a me tornar um inseto para ti?
—Eu não penso isso de ti! —gritou ele. —Um homem não pode mudar de opinião? Eu mudei. Quando te olho não vejo um inseto, vejo a…
—Não precisa me bajular, senhoria — interrompeu-lhe ela. Não sabia se sentia capaz de escutar seus elogios. —Não é necessário. Não, eu não fiquei com o coração partido quando descobri o que pensava de mim, só me doeu o orgulho. Aquilo não era amor, era uma fascinação e eu já me recuperei dela.
—Maldição, Demi, para de me interromper! Eu sinto pela dor que te causei, que pelo que parece foi muita, mas isso não altera meus planos. Nos casaremos logo que seja possível. Não vou ignorar o que a honra e o dever me obrigam a fazer.
Demi não respondeu. Se abaixou para recolher o avental e o colocou. Quando tinha feito todos os laços voltou a falar.
—Mais uma vez acho que tudo gira ao seu redor. Seu dever, seu bom nome, seus herdeiros, seu título, suas obrigações. Acho o que aconteceu entre nós dois é algo sórdido, a não ser que nos casemos, claro; nesse instante sua honra ficará satisfeita. Mas sobre tudo, quer se casar porque se sente culpado.
Ela viu como o acusava de repente. Tomou ar e prosseguiu.
—No entanto eu não me sinto realmente culpada. Não me sinto arruinada. Na verdade, até você começar a falar de honra e do dever me sentia maravilhosamente bem. Eu sabia o que eu queria e como você, lutei para ter. Para você talvez tenha sido desonroso, mas você não é a minha desonra. O que aconteceu entre nós… — sua voz falhou, mas respirou fundo e continuou—… foi maravilhoso, de verdade. Foi a coisa mais excitante e bonita que nunca tinha me acontecido antes e não permitirei que a transforme em algo que eu deva me envergonhar. Não me casarei contigo porque apesar dessa atração que você sente por mim, você não me ama, nem sequer sente carinho por mim. Não me casarei com um homem só para satisfazer sua honra e seus remorsos.
—O amor não tem nada a ver com tudo isso. Estamos falando de honra e do dever.
—Pois eu não serei honra de nenhuma homem. — Caminhou até a coluna onde estava pendurado seu casaco. —Obrigada pela proposta, senhoria, mas não vou me casar com o senhor. Esta é minha última palavra. Considere-se liberado de qualquer dever.
Com o casaco sobre os ombros saiu de antika sem dizer mais nada.
Joseph ficou olhando a porta que Demi acabava de fechar com uma súbita batida. Ainda não acreditava no que acabava de acontecer. Ele se sentia traído e com raiva. O que ela esperava que ele fizesse? Acaso pensava que era um bruto que só a usaria e em seguida lhe pagaria como se fosse uma prostituta? Que a abandonaria como se não lhe importasse? Que a transformaria em sua cortesã? Deus, isso tinha lhe ferido muito. Pensar que ela acreditava que ele fosse capaz de fazes essas coisa o feria muitíssimo.
Embora ele também a tinha ferido. Ela tinha sentido algo por ele e certamente suas duras palavras tinham-lhe feito muito mal. Mas tinha tentado lhe explicar que até então não a conhecia, não de verdade. Que para ele só era mais uma pessoa que estava aos seus serviços e a tratava de acordo com isso. E sim, nesse momento sobre ela não era muito lisonjeira, mas não tinha conhecimento que ela estava do lado de fora da sala escutando o que ele havia dito.
«Um inseto.» Era verdade que tinha dito isso, mas agora já não a via assim. Não podia perceber? Ela já não era essa discreta empregada que fazia tudo o que ele pedia que o escutava como se ele fosse um deus, que realizava seu mais mínimo desejo sem hesitar.
Tinha se transformado diante de seus olhos. Tinha se transformado na mulher mais atraente e desejável que ele nunca tinha conhecido. Inclusive agora, quando se dava conta das consequências do que acabaram de fazer, continuava desejando-a com todas as suas forças, inclusive agora, quando as coisas que mais valorizava neste mundo, o futuro de seu título, seu nome, seu possível filho ilegítimo, estavam em perigo, inclusive agora, continuava desejando-a.
Sim, ela tinha se transformado em sua obsessão. Era uma mulher brilhante e apaixonada que tinha ferido profundamente.
Essas não eram as melhores circunstancias em que um homem podia se declarar e seguramente a única coisa que tinha conseguido tinha sido feri-la de novo. Falar de obrigações e pagamentos não era muito romântico e que envolver sua amante na conversa tampouco tinha ajudado. Nem sequer tinha tido a oportunidade de dizer-lhe que fazia muito tempo que não via Marguerite e que tinha-lhe mandado uma carta dando por finalizada sua relação.
Tinha sido presunçoso de sua parte pensar que ela diria que sim sem hesitar, mas maldita seja, ele era um duque. Só os duques reais, os príncipes e o rei estavam acima dele. Não era tão estranho que dadas as circunstancias, ele tivesse dado por feito que ela aceitaria sua proposta.
Joseph se aproximou da mesa que tinha ficado encurralada contra a parede. Pegou seu casaco, o colocou e saiu de antika.
O sol despontava no horizonte e Joseph se deteve para se deleitar com esse surgimento de cores avermelhados. Era o dia de Epifanía. Muito apropriado, pensou enquanto caminhava até a casa.
Se casar com Demi era o correto, o que a honra ditava. Agora, a única coisa que tinha que fazer era encontrar um modo de convencê-la. Joseph tinha o pressentimento de que isso não iria ser nada fácil.



Esta corretissimo senhor Joseph.vai gastar saliva, dinheiro, tempo, paciencia....
bjemi

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 20 parte I

Demi notou que ele se levantava e abriu os olhos. Já começava a amanhecer e viu que ele estava de pé perto da mesa, de costas para ela.
Se apoiou sobre seu cotovelo e contemplou seu torso nu. Estava tão perto que podia ver perfeitamente sem seus óculos, tão perto que poderia tocá-lo. Tinha uns ombros muito grandes, pensou ela e uns quadris mais estreitos que os seus. Desde o primeiro instante que o viu na escavação se deu conta do atrativo que poderia ser um homem sem camisa. Mas apesar de toda a sua força, a tinha abraçado com doçura e a tinha acariciado com requinte. Sem o calor de seu corpo começou a sentir o frio da habitação, mas bastou lembrar do que tinha acontecido entre eles para voltar a se sentir confortável. Isso a fez sorrir.
Bocejando, se mexeu e afastou o casaco dele, que ainda a cobria, com intenção de começar a se vestir.
—Eu pensei que estava dormindo — disse ele sem se virar.
—Não. — Ela rodeou-lhe os quadris com as pernas por trás e se abraçou as suas costas. Nessa manhã se sentia feminina, bonita e absurdamente feliz. Estava contente e tudo parecia bem. Era fantástico como ter relações com um homem podia conseguir tudo isso. Era algo extraordinário.
Ela descansou seu rosto em suas costas e se deu conta de quão tenso que ele estava desde que o tinha abraçado. Afastou a cabeça preocupada.
—Joseph?
Ele se separou bruscamente dela e só a olhou um momento antes de se abaixar para pegar sua camisa do chão.
—Esta tudo bem com você?
Joseph se ergueu e vestiu a camisa. Então a olhou, tossiu e tornou a afastar a vista.
—Eu machuquei você — disse olhando através da janela. —Me perdoe, não era minha intenção.
Por que estava tão preocupado? Ele tinha lhe machucado, mas muito pouco e só durante um momento.
—Oh, não. — Sob a mesa e para tranquiliza-lo, Acariciou-lhe o braço. —Não foi nada. Estou perfeitamente bem, Joseph. — Desviou até seu torso e voltou a se sentir um pouco tímida. —Na verdade é que me sinto maravilhosamente bem — confessou sorrindo e se atreveu a acariciar-lhe o peito. Tocou a pele quente que ainda não sido coberta com a camisa e olhou esperando que ele se desse conta de quais eram suas intenções.
Ele não a olhou. Apertou os lábios e voltou a se abaixar para recolher seu casaco.
Ela o olhou durante um instante.
—Joseph, por favor, não se preocupe comigo. A dor foi insignificante.
—Fico feliz em saber.
Ele acabou de vestir-se sem encará-la.
Demi voltou a se sentir incomodada. Virou-se e começou a arrumar suas roupas. Primeiro vestiu o corpete e logo depois o vestido. Os dois se vestiram em silencio. Quando os dois estavam prontos ele apoiou as mãos sobre seus ombros por um instante e ela se surpreendeu de que ele a tocasse. Mas voltou a se afastar e colocou sua gravata, levantou a gola da camisa e fez o nó.
—Joseph, o que aconteceu?
Ele terminou de ajeitar seu pescoço e então pegou suas mãos e as levou aos seus lábios para beijá-las.
—Eu assumo toda a responsabilidade do que aconteceu — disse ele e soltou-lhe as mãos. —Não precisa se preocupar com teu futuro.
Ela o olhou surpresa sem entender do que ele estava falando.
—Meu futuro?
Ele pegou seu casaco do solo.
—Nos casaremos assim que terem lido os proclames. Celebraremos a cerimônia aqui na capela ducal, se você achar bom. Se preferir a capela da cidade, só tem que me dizer.
Joseph estava lhe propondo casamento? Ela não podia acreditar no que estava ouvindo. Soava tão desapaixonado que Demi não sabia se acabava de falar de casamento ou estava comentando o tempo. A doce sensação que a tinha inundado ao despertar já desaparecido completamente.
Ele colocou o casaco, se virou e caminhou até a janela.
—Até o dia do casamento você terá que viver em outro lugar — disse, olhando o firmamento ainda escuro. — Enderby estará bem. Não seria apropriado que estivesse aqui. Eu explicarei tudo a Viola. Devido à grande diferença de classe que há entre você e eu haverá falatórios e lamentavelmente, não posso evitar.
Ele se calou, continuava de costas e Demi não podia distinguir bem sua expressão. Não entendia por que ele estava falando de casamento, mas se lembrou do que ele tinha dito a sua irmã de que nunca se casaria por amor e supôs que, antes de poder considerar sua proposta, teria que saber uma coisa. Tomou fôlego e perguntou:
—Esta me propondo casamento porque você se apaixonou por mim?
Ele virou a cabeça, mas não a olhou na face.
—A estas alturas já deve ter percebido que eu..., que eu..., bom..., sinto uma forte..., uma grande paixão, sim..., isso..., uma forte atração por você e que te desejo intensamente.
—Entendo — Demi não sabia qual era a etiqueta para recusar uma proposta de casamento, mas com certeza no mínimo, tinha que ver o rosto da pessoa que rejeitava. Se abaixou e pegou os óculos do bolsinho do avental, que ainda estava no chão. Com os óculos no rosto caminhou até ele e acariciou-lhe o braço. —O desejo é maravilhoso, Joseph; mas não é o suficiente. Não me casarei contigo.
—Agora já não temos escolha. — Ele não a olhava. —Eu eliminei qualquer outra alternativa para ambos.
—Você fala como se eu não tivesse tido nada a ver com tudo isso. Foi uma decisão de nós dois, Joseph, eu também te desejo intensamente, mas isso é tudo. Sem amor, não vejo nenhuma razão para que tenhamos que nos casar.
Ele colocou na frente dela e em sua expressão não tinha nem um pouco de afeto, só via uma férrea determinação de fugir com ela. Uma expressão que ela conhecia muito bem.
—Você tem que reconhecer que não podemos fazer nada. Teremos que nos casar. Não temos escolha.
—Eu não tenho que fazer nada. Suas obrigações e suas normas não se aplicam a minha vida, senhoria — disse ela tentando parecer tão fria como ele. —Já sei que o casamento é a resposta mais habitual diante de situações como esta, mas há outras opções. Ninguém tem que saber o que aconteceu. Eu irei a Londres tal como tinha previsto e…
—Isso é para não mencionar. Agora mesmo poderá estar grávida de um filho meu. Ou você não tinha pensado nisso?
Deus santo, não tinha pensando nisso. Inconscientemente acariciou sua barriga e sentiu uma emoção até então desconhecida. Uma mistura de esperança e medo e entendeu que tinha que ser forte e não permitir que as circunstancias marcassem seu destino ou o de seu possível bebê.
—Não sabemos se estou grávida — respondeu ela. —Além do mais você é um bom homem e sei se necessário, você iria cuidar de nós. Filhos ilegítimos de homens de sua classe não sofrem penúrias.
—Por Deus, Demi, de que está falando? Você pretende se tornar minha amante?
Antes que ela pudesse responder, Joseph respondeu por ela.
—Você não pode ser minha amante. Se isso fosse possível, claro que eu cuidaria de ti. Te compraria uma casa e te daria dinheiro, mas isto esta fora de questão.
—Você parece familiarizado com os detalhes de ter uma amante. —A dúvida a consumiu e ela perguntou. —Tem alguma agora? Uma amante?
—Eu tinha, sim —respondeu ele com toda a dignidade que correspondia a um duque. —Mas eu não há vejo desde…
—Ela tem…? —Fez-se um nó no estômago de Demi, mas se obrigou a acabar a pergunta, — ela tem algum filho que possa…? — Não pode continuar. Tapou a boca com as mãos e se virou.
—Não. — Ele respondeu a pergunta que ela não tinha acabado de formular. —Marguerite não tem filhos, nem meus nem de ninguém. Demi, isso agora não tem importância. Eu arruinei sua reputação e não vou permitir que viva com a vingança de ter um filho ilegítimo. Assim que tal como te disse, temos que nos casar.
Ela se colocou do outro lado da mesa para que esta servisse de barreira entre os dois e se virou para olhá-lo.
Ele não a seguiu, mas permaneceu onde estava.
—Aparentemente, é neta de um barão. Viola me disse que não sabe quem é, mas o encontraremos. O obrigaremos que te reconheça e obteremos sua permissão para nos casarmos. Uma mera formalidade, dadas as circunstancias, mas necessária afinal. Negociarei com ele os términos de teu dote e quando tivermos nos casado, te assegurarei um generoso salário para teus gastos. Como minha esposa, terás sempre todo meu apoio.
Demi começou a sentir como a ira e a frustração invadiam todo o seu corpo. Ele estava falando como se ela não pintasse nada ali.
—Não é um pouco exagerado que nos casemos? Reconheço que não sou uma especialistas nesses assuntos, mas acho que os homens de tua posição não se casam com mulheres como eu, e sim as paga para irem embora.
Ele empurrou a mesa de carvalho que tinha entre os dois com tanta força que se movimentou até bater contra a parede. Ela não se mexeu.
Deu um passo até ela e a cadeira seguiu o mesmo destino da mesa. Demi continuava sem se mover, olhando-o diretamente nos olhos só há alguns passos de distancia.
—Você acaba de insultar minha honra e a sua própria — disse furioso em voz baixa. —Se acha que vou descer tão baixo como para pagar-te pelos serviços prestados como se fosse uma qualquer está muito enganada.
—Você é o único que faz isso. Não para de falar de acordos e de pagamentos sem se importar quais sejam meus sentimentos a respeito. Aceitar que tenha a responsabilidade pelo meu filho é uma coisa, me casar contigo é outra muito diferente. E totalmente desnecessária.
—Você era virgem, por todos os santos! Se acha que eu sou capaz de tomar a inocência de uma dama e em seguida não fazer a coisa correta, é porque você não me conhece.


duque ta furioso com a Demi.....2 pessoas de sangue quente da nisso. o que sera que vai acontecer agora? façam suas apostas.bjemi