quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 16 parte II

Quando entrou em antika ouviu alguém armazenando e viu que o senhor Bennington tinha chegado ali antes que ela. Se surpreendeu ao ver-lhe, já que ninguém começava a trabalhar a essa hora. Se deu conta de que ele pensava o mesmo.
—Bom dia, senhorita Lovato, — saudou-a respeitosamente levantando o chapéu. —Não sabia que se levantava ao romper da aurora.
Demi notou que estava tenso e um pouco incomodado.
—Sou madrugadora. — Ela olhou perplexa as prateleiras que tinha detrás dele. Voltavam a estar cheia de peças de afresco quando ela estava convencida de que já tinha restaurado todos. — De onde saiu tudo isso? —perguntou surpresa apontando para as prateleiras.
O senhor Bennington parecia ainda mais incomodado, nem sequer se atrevia a olhá-la no rosto.
—Oh, as encontraram fazia algumas semanas. Sua senhoria ordenou que as guardassem aqui, mas esta manhã me pediu que as preparassem para serem transportadas a Londres, junto com as peças que o senhor e eu restauramos durante sua ausência.
Demi ao ouvir essas palavras, seu coração deu um pulo.
—O duque já retornou?
—Sim, chegou ontem à noite.
Ela mordeu o lábio e afastou o olhar, não devia demonstrar tanta alegria. Quando tem controlado suas emoções voltou a se concentrar no arquiteto.
—Mas por que vão levar estas peças a Londres?Acaso não quer que as restaure e as catalogue?
O homem se ruborizou.
—Acho que sua senhoria quer que estas peças fazem parte de sua coleção particular. Mas adiante encarregará que as restaurem em Londres. Agora o mais importante é que vá para o museu e a senhorita já tem muito o que fazer.
Demi entendeu imediatamente e apertou os lábios para evitar rir.
—Me alivia saber que não terei que me encarregar também delas — respondeu tentando parecer agradecida. —Tinha razão ao dizer que agora o museu é muito mais importante que a coleção particular do duque, assim que vou por mãos a obra.
Saiu da habitação e ele continuou preparando as peças. De volta a sua mesa, Demi começou a desenhar o afresco de Orfeu. O senhor Bennington lhe lembrava tanto seu pai que não pode evitar sorrir. As vezes os homens eram tão inocentes.
Logo que o arquiteto abandonou antika para tomar o café da manhã, Demi entrou para inspecionar de perto aqueles misteriosos afrescos. Tirou alguns dos fragmentos da cesta onde estava e rapidamente confirmou suas suspeitas: se tratava de pinturas eróticas.
Provavelmente, o afresco completo não teria nada que Demi não tivesse visto antes, mas não pode evitar começar a juntar as peças e tentar adivinhar que representavam.
Passado alguns minutos, tinha reunido peças o suficiente para ter uma ideia do desenho final. Nos afrescos romanos, a imagem de um casal despido fazendo amor não era incomum. Naquele afresco, a mulher estava encima do homem e rodeava com as pernas seus quadris enquanto ele lhe acariciava os seios. Uma postura comum, mas ao vê-la ali pintada, Demi começou a notar como o calor inundava todo seu corpo. Era o mesmo calor que sentia cada vez que Joseph a tocava, quando sonhava com seus beijos ou quando o espiava sem camisa.
«Lhe devolverei os óculos se me der um beijo.»
Mas ela não tinha feito isso e a satisfação que sentiu ao ganhar nesse momento já não a reconfortava. Quanto mais olhava a imagem do casal mais se arrependia de não tê-lo beijado. Só tinha que rodear-lhe o colo com os braços e colocar seus lábios aos dele, assim teria satisfeito sua curiosidade. Tinha tido a oportunidade de beijar Joseph e a deixou escapar. Três semanas de lições de baile, noite após noite e nem uma só vez ele tinha voltado a lhe propor. Tinha se comportado como um perfeito cavalheiro educado e distante, como se nunca tivesse pedido algo semelhante.
Ela iria embora em poucas semanas e sabia que provavelmente, nunca votaria a ter a oportunidade de beijar um homem como ele. E lamentou profundamente e jurou que se ele voltasse a pedir não hesitaria em aceitar.
Olhava a pintura e pensando em Joseph acariciou seus lábios com os dedos, como ele tinha feito. Fechou os olhos e imaginou que a beijava, que a acariciava e muito mais.
O barulho da porta se abrindo a sobressaltou e a obrigou a se despertar de seu sonho tão maravilhoso. Viu como Joseph entrava em antika e se dirigia ao armazenamento. Ao vê-la ali parou e depois de um breve instante, fechou a porta e caminhou até Demi.
Ela se deu conta do qual descuidada que tinha sido ao deixar a porta do depósito aberta, agora já não podia esconder as peças.
—Bom dia — ela disse, tentando disfarçar. —Vejo que já está de volta.
—Desde ontem a noite — respondeu ele.
Cruzou a habitação e quando parou na frente dela, Demi sentiu como se tivesse mil borboletas no estômago.
Tossiu e tentou esconder o afresco com seu corpo.
—Teve uma viagem agradável? —Rezou para não corar.
Ele se moveu um pouco par um lado e em sua boca se desenhou um meio sorriso travesso.
—Achava que a senhorita não tinha que ver isto — disse, encarando-a diretamente nos olhos. —O senhor Bennington foi bem cortês a respeito.
—Sim, estou convencida disso —respondeu ela olhando o queixo de Joseph. —Mas eu sou uma restauradora profissional.
—Acho que o senhor Bennington pensava na senhorita como uma jovem dama e não como uma restauradora.
—Já tinha visto dezenas destes em varias ocasiões — sussurrou. Que Deus a ajudasse. Não podia deixar de pensar no homem que estava na sua frente e em como queria que a tocasse igual à cena da sensual pintura.
—Excelente — comentou ele e antes que ela se desse conta, deu a volta e a colocou de frente ao afresco. —Eu gostaria de ouvir sua opinião sobre este, senhorita Lovato.
Demi olhou a imagem, incapaz de raciocinar e totalmente dominada de desejo. Ele tinha ficado atrás dela. Sentiu que começava a arder sua pele e os joelhos já não há sustentavam.
—Que opina da técnica do artista? —sussurrou-lhe ao ouvido. —Acha que só tem interesse histórico ou acha que poderia ter valor artístico?
Ela corou e tentou se afastar, mas ele colocou as mãos em seus ombros e a impediu.
—Vamos, senhorita Lovato, me dei sua opinião. Estamos na frente de uma representação de uns deuses ou são simplesmente um homem e uma mulher fazendo amor? —Ele se encostou contra suas costas. —Faça-me uma análise intelectual. Eu acho bastante erótico, mas eu imagino que a senhorita não se afeta com esse tipo de coisa.
Essas palavras lhe incendiaram como se tivessem jogado licor sobre uma chama ardendo.
—Por que acha que não me afeta a sensualidade desse afresco? —perguntou ela tentando se virar outra vez, mas ele a tinha bem presa e de novo a impediu. —Acha que sou tão fria? Acha que não tenho sentimentos?
—No pode me culpar —sussurrou ele em seu ouvido. —É muito hábil escondendo seus sentimentos, senhorita Lovato.
Ela respirou fundo e abraçou a si mesma para controlar seus tremores.
—Mas eu tenho. Tenho os mesmos desejos e os mesmos sonhos que qualquer mulher. Como pode pensar que não sou assim?
—Talvez seja porque não quis me beijar —murmurou e roçou-lhe os lábios em sua orelha. —Eu desejava, desejava com todas as minhas forças que me beijasse, mas não quis. E como já disse, eu sou um cavalheiro e como tal não está permitido beijá-la.
Ao ver que ela não respondia, ele se afastou e tirou as mãos de seus ombros.
—Me distraí de nossa conversa, senhorita Lovato— disse ele e encostou nele ao apontar os afrescos. —Quando que esta cor vermelha do fundo combina com ocre ou com cochinilla?
Ela olhava como ele acariciava com os dedos uma das peças.
—Ocre —suspirou. —Eu estou lhe atormentando com a promessa de um beijo?
—Profundamente. Mas fez bem em me lembrar que os amigos não se aproveitam de situações como aquela. É o que teria feito qualquer jovem dama.
Ela olhou ao homem e a mulher que apareciam no afresco.
—Suponho que sim —sussurrou, —mas que acha que teria feito Cleópatra?
Teve um longo silencio e depois o que parecia uma eternidade ele abaixou a cabeça e sussurrou-lhe no ouvido.
—Por que, senhorita Lovato? —murmurou. —Mudou de ideia? Esta me pedindo que a beije?
—Não, não sei o que estou pedindo.
—Me pareceu que sim, ou a tenha entendido mal. — Se aproximou do afresco para contornar a forma da mulher e ao fazer isso encostou outra vez em Demi. —Este desenho é especialmente bom. Não está de acordo?
—Não sabia que uma mulher tivesse que pedir a um homem que a beijasse.
Ela prendeu a respiração e esperou ansiosa pela sua resposta enquanto o dedo dele deslizava de cima a baixo da mulher pintada.
—E não é, a não ser que esse homem já tenha tentado beijá-la e tenha sido rejeitado. Então, a mulher tem que dar o próximo passo. —Afastou o dedo e avançou até ela. —Se quiser que a beije, senhorita Lovato, só tem que me pedir, alto e claro.
Na realidade já não estava mais apaixonada por ele, nem tampouco se importava o que ele pensava dela. Segura que já tinha beijado a muitas mulheres, seria um grande especialista. Odiaria que seu primeiro beijo fosse decepcionante.
Ela era consciente que entre eles não tinha nada mais que um jogo. Um jogo que ele agora estava dando entrada e Demi aceitou.
Tomou ar e virou-se para olhá-lo de frente. Se apoiou na prateleira que tinha atrás dela, levantou o queixo e o olhou nos olhos.
—Eu gostaria muito que me beijasse — disse-lhe com uma tranquilidade que não sentia na realidade.
Apertou os punhos e seu corpo ficou tenso, ansioso, esperando sua resposta. Viu como ele começava a sorrir, como brilhavam-lhe os olhos.
—Isso foi bastante claro.
Deu um passo até ela e o coração de Demi começou a bater com a força de um tambor somali quando ele tirou-lhe os óculos e os deixou na prateleira.
Ele acariciou-a no rosto e aproximou sua boca da sua. Ela sentiu uma estranha sensação no estômago, como se acabasse de saltar de um precipício. Seus lábios se juntaram.
Nunca em toda sua vida tinha experimentado algo tão especial, tão doce como aquilo. Era como se tivesse mil borboletas se agitando por todo o seu corpo.
Nesse momento se sentia viva, tinha todos os sentidos à flor da pele, queria se concentrar em cada caricia, em cada beijo até que nada mais importasse. O resto do mundo desapareceu num instante.
Ela absorveu seu aroma de sabonete de limão junto com seu sabor. Foi se sentindo menos tensa e abriu as mãos para poder tocar-lhe. Queria tocar seus fortes músculos contra suas palmas, sua respiração, a batida de seu coração.
Ele tomou seu queixo e ao acariciar-lhe o rosto, ela notou que tinha um calo no dedo indicador. Com o outro braço a rodeou pela cintura e a levantou, para tê-la assim mais perto, para sentir todo seu corpo contra o seu. Separou-lhe os lábios com os seus de um modo sensual, bebendo dela completamente e oferecendo-se por inteiro. Oh, como podia algo tão simples dar tanto prazer?
Demi o rodeou o colo com os braços e se agarrou a ele. Invadia-lhe uma sensação que nunca tinha sentido antes, mas era extremamente familiar. Sim, seu corpo parecia dizer-lhe que era daquilo que os poetas escreviam e que os artistas pintavam; daquela necessidade, do prazer que causava-lhe sentir seu corpo tão próximo do seu.
Ele acariciou seus cabelos e se apertou contra eles, rodeando-lhe com as pernas em uma tentativa de senti-lo ainda mais perto. Era como se seu corpo soubesse exatamente o que tinha que fazer, ainda que seu cérebro não tivesse nem ideia. Esfregou a perna de Joseph com seu pé e ele emitiu um gemido de prazer que se intercalou com o seu.
Com uma brusquidão que a surpreendeu, ele se afastou de repente e com a respiração entrecortada, finalizou o beijo. Afrouxou um pouco o abraço e começou a soltá-la. Ela não outro remédio que baixar a perna e apoiar-se no assoalho de novo.
Ainda acariciando-lhe o rosto, baixou a cabeça até encarar seu rosto em frente ao dela.
—Se da conta — perguntou, olhando-a diretamente nos olhos e ainda com a respiração acelerada — do poder que tem sobre mim quando decide usá-lo?
Ela se dava conta. Ela que tinha vivido por todo o mundo seguindo seu pai, que tinha lhe resignado a não ter nada, nem ninguém em sua vida, que tinha adorado um homem que a ignorava, ela tinha poder agora e o tinha sobre esse homem.
De repente, a simples e previsível Demi se sentia tão sedutora e misteriosa como Cleópatra e uma grande alegria floresceu em seu interior.
—Obrigada —sussurrou— por fazer que meu primeiro beijo tenha sido um dos melhores momentos de minha vida.
—É um grande elogio, mas acho que deveria soltá-la agora que ainda me sinto capaz de fazer. — Tirou a mão de seu rosto e deu vários passos para trás. —Me sinto muito honrado que tenha me escolhido para seu primeiro beijo, Demi — disse em voz baixa.
Demi viu então como abandonava a seriedade e surgia de novo em sua face aquela expressão atrevida.

—Em troca de lhe proporcionar um dos melhores momentos de sua vida, ficaria por mais um mês?


rolou o beijooooo e agora so piora entre esses dois.
hoje tenho prova no Detran de tarde e por isso postando cedo. boa sorte para mim.
ja to vendo o desejo consumindo o Joe e a Demi sem que ambos percebam.
bjemi

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 16 parte I

No domingo, Demi veio com os Bennington para a casa de sir Edward e lady Fitzhugh para tomar chá e como era de esperar, o principal assunto da conversa foi seu tão ilustre vizinho.
—Ontem fiquei sabendo de uma ótima noticia — disse a senhora Bennington introduzindo assim o assunto. —Minha boa amiga Margaret Treves me escreveu de Londres para me contar que o duque foi fazer em sua última visita a capital. — Se aproximou mais de seus ouvintes, ansiosa por dar a noticia. —Disse que levou as esmeraldas ducais a uma joalheria de Bond Street para que as limpassem. Isso só pode significar uma cosa.
—Sim —interrompeu Anne, —as notas de sociedade levam semanas especulando sobre quem será a afortunada. Quase todos acham que lady Sarah é a escolha mais acertada.
Demi apertou tão forte a taça ante a confirmação de que ela já tinha ouvido naquele dia na sala de música que temeu que se quebrasse.
—Ah, sim, a filha mais velha do marquês de Monforth — disse lady Fitzhugh. —Sim, suponho que poderia desempenhar bem o papel, mas não acho que seja seu tipo.
—Uma bela mulher sempre é o tipo de um homem — disse sir Edward e recebeu um olhar de reprovação de sua esposa.
Demi fechou os olhos e lembrou o que Viola tinha dito nessa noite.
«Você é o duque de Tremore e tem que se casar de acordo com tua posição, ainda que isso implique renunciar ao amor e ao carinho.»
Já fazia tempo que Demi sabia que ele ia ser casar com lady Sarah Monforth, mas ainda assim não podia evitar se aborrecer de novo. Ele não a amava, só ia se casar com ela para cumprir com suas obrigações.
Abriu os olhos, se sacudiu de raiva e deixou a taça encima da bandeja. Não era assunto seu.
—Sua amiga lhe contou mais detalhes? —perguntou lady Fitzhugh a senhora Bennington. —Aos seus vinte e nove anos de idade, o duque já tinha idade para se casar, mas já anunciaram seu compromisso?
—Não, ainda não, mas reconheço, lady Fitzhugh, que não sei mais nada.
—Bom, estou convencida de que escolheria a dama adequada.
—Oh, quem dera que não fizesse isso — exclamou Elizabeth. —Uma dama inadequada seria muito mais interessante.
—Elizabeth! — advertiu lady Fitzhugh.
—Dizem que lady Sarah é muito chata — continuou ela sem se calar.
—Elizabeth —interveio agora sir Edward, —não corresponde a nós criticar sua escolha de esposa.
—Suponho que tinha razão. Eu gostaria que ele frequentasse os bailes da cidade. Nossa prima Charlotte me contou que lord e lady Snowden vai com seus filhos as festas de Dorset cada ano. Por que não poderia nosso duque fazer o mesmo? Papai já o viu em varias ferias de agricultura e em corridas, mas eu tenho vivido toda minha vida em Wychwood e apenas o vi em um par de festas.
—Aparentemente, ele não gosta muito de frequentar atos da sociedade — reconheceu a senhora Bennington, — mas isso era muito raro em um duque.
—Certo — concordou lady Fitzhugh. —O velho duque gostava de frequentar as festas locais, mas nem todo mundo gosta das mesmas coisas e é perfeitamente aceitável que o novo duque não goste.
—Mas mamãe —replicou Elizabeth, —não acha que é estranho que passe tão pouco tempo em sua casa, ou que nunca tenha celebrado um baile ou uma caça? É muito raro, especialmente sendo como é um duque.
—O peso de suas obrigações deve ser difícil de suportar — disse sir Edward olhando sua filha. —Talvez quando entra em Tremore Hall vai para descansar com privacidade e não para passear por toda a cidade.
—Espero que se case logo — suspirou lady Fitzhugh. —Acredito que tudo irá melhorar quando tiver uma duquesa na mansão. Sua mãe era uma mulher muito bonita e atenciosa e enquanto viveu, celebraram muitas festas que vinham multidões de pessoas. Era uma mulher muito generosa. O velho duque ficou destroçado com sua morte. Ainda me recordo de como chorava no funeral, como um menino desconsolado, enquanto seu filho se mantinha ali de pé, estoico, sem dizer nenhuma palavra, sem derramar nenhuma lágrima. Doía o coração só de ver-lhe.
Demi mordeu o lábio e baixou a vista até sua taça. Isso era tão próprio de Joseph, estar sofrendo por dentro e ocultar. Ela lhe entendia perfeitamente, e ela tampouco gostava de perder o controle de suas emoções.
—Pobre homem! —disse a senhora Bennington. —Não me surpreende que não goste de passar muito tempo aqui. Com muitas más recordações.
—Demais —concordou Anne, —eu faria o mesmo. Não posso imaginar algo mais horrível que perder a sua mãe e que seu pai tornou-se um louco.
Incapaz de acreditar em seus ouvidos, Demi olhou surpresa para a menina.
—Anne! —repreendeu-lhe lady Fitzhugh. —O velho duque acabava de perder a sua amada esposa. Pobre homem, a pena fez que se comportasse de um modo um pouco estranho, nada mais. Não ficou louco.
—Os criados da mansão diziam que só falava com ela — disse a senhora Bennington. —De noite percorria os corredores de cima abaixo gritando seu nome. Falava dela como se ainda estivesse viva. Disse que o velho duque chegou a açoitar um lacaio que se atreveu a dizer-lhe que ela estava morta. Seu filho se viu obrigado a trancá-lo em uma parte da casa e também dizem que essa foi à única vez que viram o menino chorar. Depois disso, todas as responsabilidades recaíram sobre ele.
Oh, Deus. Demi pensou no menino, na coragem e na valentia deve ter tido, e logo pensou no homem em que tinha se tornado. Alguém que odiava fofocas e que lutava para manter sua privacidade. Olhou a taça que tinha na mão e algo dentro dela despertou.
—Não acho que devemos falar dessas coisas — disse enquanto deixava a taça sobre a mesa. —Perdeu a sua mãe e seu pai. A tristeza e o luto são algo muito íntimo e não um acontecimento social.
Lady Fitzhugh se virou até ela e apoiou a mão em seu ombro.
—Fez muito bem em nos repreender, querida. Não voltaremos a falar disso.
Demi não respondeu e a conversa se encaminhou para assuntos muito mais tranquilos e que ela não prestou nenhuma atenção. Se lembrou de seu pai, de como tinha se sentido profundamente triste de ter perdido sua esposa, mas conseguiu encontrar consolo em seu trabalho e em sua única filha. O pai de Joseph em troca se abandonou a essa tristeza, perdeu a sanidade e deixou seus dois filhos órfãos.
«O amor nunca deve estar encima da razão.»
Agora entendia a quê se referia quando falava da trágicas consequências do amor e também por que tinha medo de se apaixonar.
«Oh, Joseph.»
—Senhorita Lovato— a tirou de Elizabeth de seus pensamentos, — nos fale de suas viagens.
Demi agradeceu a mudança de assunto e tomou fôlego.
—O que gostaria de saber, senhorita Elizabeth?
—Muitas coisas. Verdade que na África se comem o coração das pessoas?
—Só os leões — respondeu tentando sorrir.
Durante as três semanas seguintes, as aulas de dança com Joseph se desenrolaram na mais absoluta correção entre um cavalheiro e uma dama; seus corpos na distancia apropriada. Demi comprovou que Joseph tinha razão. Se lhe olhava o rosto e falava com ele, não tropeçava tanto, ainda às conversas que agora mantinham eram totalmente inocentes. Demi perdeu negociações, as insinuações, as caricias e quando ele saiu em viagem de negócios a Surrey, viu que ficar sem Joseph era pior do que tinha imaginado.
Enquanto ele estava fora, Demi não pode deixar de pensar na tarde que passou na casa dos Fitzhugh. Quando estava trabalhando na biblioteca, aproveitava qualquer desculpa para dar um passeio pela galeria onde penduravam os retratos da família. Agora, com tudo o que sabia, os via diferentes. Se parava mais um pouco em frente aos de Joseph pequeno se partia a alma ao imaginar a dor que deve ter sentindo ao ter que trancar seu pai.
O trabalho lhe ocupava grande parte do dia, mas as tardes sem ele ficavam cada vez mais longas. Era uma boba, sentia falta de um homem que a considerava uma máquina. Mas de um modo estranho tinham se tornado amigos e cada dia, enquanto restaurava o mosaico ou reparava vasos, olhava pela janela da antika para ver se chegava.
Pela noite, quando estava na cama, voltava a pensar nele, em suas caricias em suas insinuantes palavras. Se lembrava de como tinha tentado convencê-la de que lhe desse um beijo e se arrependia de não tê-lo beijado. Pensava tanto nele e custava tanto a dormir que chegou a sentir a tentação de mudar de ideia e ficar, mas isso seria uma bobagem ainda maior. Ele ia se casar se ficasse a única coisa que conseguiria seria seu coração todo dilacerado.

Uma semana depois de sua partida, Demi estava tão absorta com seus pensamentos que estava farta de dar voltas na cama e apesar de que ainda não tinha amanhecido, se levantou e se vestiu. O melhor que o trabalho conseguia tranquiliza-la um pouco. O caminho para antika passou pela cozinho e pegou um bolo. «Oxalá já estivéssemos em dezembro», pensou.


pelo visto ninguem é a favor do casamento do duque com a Sarah. Calma Demi, calminha
ei gente, nao posso ficar fazendo maratona por alguns motivos.
  1. internet cai direto aqui no trabalho
  2. chefe nao quer que eu fique fazendo isso.
  3. tambem tenho que trabalhar
bjemi

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 15 parte II

Demi tentava recuperar seus óculos, mas ele não parava de mover o braço mantendo-os inalcançáveis. Ela ficou na ponta dos pés, mas ele era tão alto que não serviu de nada e Demi não se atrevia a saltar por medo de quebrá-los. Deixo de tentar e com os braços nos quadris, o olhou furiosa.
—Vamos ter que discutir outra vez sobre esse assunto?
—Não. —Joseph guardou os óculos no bolso de seu casaco. —Porque não penso devolvê-las até que finalizamos nossa aula de dança. Desta vez quero que dance sem os óculos.
—Mas não vejo nada.
Ele a apertou contra seu corpo.
—Consegue me ver?
Ela o olhou nos olhos: de perto pareciam de um verde escuro parecido com musgo, com lampejos dourados.
—Sim, mas…
—Bem, seu par é o único que tem que ver. — Deu um passo para trás tentando levá-la até o centro da sala, mas ela soltou sua mão e se negou a se mover.
Odiava não usar seus óculos, a partir de que tudo que ficava em um centímetro de dois metros ficava confuso para ela e isso fazia se sentir muito insegura. Mordeu o lábio inferior e olhou o bolso dele: tinha que haver um modo de recuperá-los.
Joseph leu-lhe o pensamento e negou com a cabeça.
—Não pense em tentar fazer isso.
Apesar da advertência, ela aproximou a mão de seu casaco, mas antes que pudesse abrir o bolso, ele agarrou seu pulso.
—Já tinha avisado — disse ele enquanto afastava a mão de seu bolso— e ignorou meu aviso. Nunca ignore um duque. Detestamos que nos ignorem.
O coração de Demi começou a bater com força. Ele a soltou, mas não se afastou. Ela sabia que devia retroceder, que o melhor seria que saísse da habitação, entretanto, ficou onde estava como se estivesse enfeitiçada. Que sentiria se ele a beijasse?
Até que ele eliminou a pouca distancia que tinha entre os dois ela não deu um passo para trás e logo outro, e outro. Mas ele a seguia, mantendo alguns poucos milímetros de separação entre os dois. Quando Demi topou com a parede, Joseph a pegou em seus braços.
—Corra — disse ele como se estivesse lendo seu pensamento. Apoiou as mãos na parede. —Agora corra, senhorita Lovato. Se puder.
Demi levantou a cabeça e o olhou diretamente nos olhos. Neles viu algo que lhe inquietou, lhe cativou e a fez tremer. Mas já não sentia medo.
—Se quisesse poderia recuperar seus óculos facilmente sabe?
Sua voz era suave e Demi supôs então que teria que não ignorá-lo e fugir quando teve a oportunidade.
—Como?
—As mulheres tem muito poder — disse ele quase para si mesmo. —Não entendo por que não o utilizam mais frequentemente.
—Que poder?
—Uma mulher pode conseguir qualquer coisa que quiser de um homem se souber fazer. Algumas mulheres nascem com esse instinto e outras não tem nem ideia de como utilizá-lo. Senhorita Lovato, a senhorita pertence ao segundo grupo. — Ele se aproximou ainda mais e ainda não a estava tocando, ela podia sentir o calor que irradiava de seu corpo. —Eu poderia ensinar-lhe a usar esse poder, se a senhorita quisesse.
—Se tem que a ver com minha educação nas artes da alta sociedade, me diga de uma vez — sussurrou ela. —Se não, deixe de jogar comigo.
—Estou jogando com a senhorita porque isto é um jogo. Não vou deixá-la ganhar, mas se quiser, posso ensinar-lhe como se joga.
Algo nessas palavras a arrepiou.
—Não sei de quê está falando. De verdade.
—O que realmente importa é se quer saber. Quer ser uma dama respeitável ou quer ser Cleópatra?
—Ambas.
—Ah. Uma resposta interessante e que levanta uma pergunta ainda mais interessante. Pode uma jovem ser cativante, misteriosa e respeitável de uma só vez?
—Por que não?
—Não sei. — Ele estreitou os olhos até que se via apenas neles um pequeno canal entre suas espessas pestanas. —Se lhe devolvo os óculos, que eu obtenho em troca?
—A satisfação de saber que fez é correto?
Ele riu.
—Não é o suficiente.
—Quê? —perguntou ela. —O que quer?
Seu olhar baixou até seus lábios.
—Que me oferece?
Demi umedeceu os lábios e notou como a respiração dele se acelerava.
—Três dias — sussurrou. —Dou-lhe mais três dias.
—Três dias? Não é muito generoso de sua parte, senhorita Lovato.
Ela tinha que se manter firme, tinha que ser forte.
—Três dias. Nem um dia a mais.
—Uma semana.
—Três dias.
—Não. Que mais pode me oferecer?
Ele abaixou a cabeça aproximado-se cada vez mais. Desta vez ela ia permitir que a beijasse. Já começava a sentir a mesma excitação que a inundava quando o observava as escondidas com a luneta. Quando sonhava que ele um dia a beijasse e por um momento, tudo se assemelhava a esse sonho.
Em uma tentativa de ganhar um pouco de espaço, Demi se apertou contra a parede, mas não lhe serviu de nada. Sua própria imaginação a estava traindo. Queria que ele a beijasse, queria saber como era na realidade aquele homem que tinha estado perseguindo em seus sonhos. Era uma idiota, apesar do dano que ele lhe tinha feito queria que ele a beijasse.
Joseph inclinou sua cabeça um pouco mais e então ela recordou que aquilo era só um jogo, o dele e que ela estava a ponto de perder. Maldito fora em jogar assim quando ela nem sequer era capaz de girar o rosto e ir embora dali.
—Lhe devolverei os óculos se… — Se deteve quando seus lábios quase se roçavam. —Se a senhorita me der um beijo.
Fruto do desespero e pensando só em fugir de todos os sentimentos que ele lhe estava despertando, Demi ficou na ponta dos pés e lhe deu um casto beijo no canto dos lábios.
—Aí está — disse enquanto se apertava. —Agora me devolva os óculos.
—Não, não. Acho que está muito equivocada. Isso não foi um beijo.
—Para mim foi.
—Para mim não e acho que o que se refere a beijos eu sei muito mais que a senhorita.
—Não brinque. — Demi se ofendeu ante ao comentário.
—Brincando? —riu ele. —Não estou brincando. Na realidade isso é a última coisa que quero fazer nesse momento, especialmente com a senhorita. Na verdade é que estou fazendo grandes esforços para me controlar.
—Mentiroso — disse ela incrédula.
—É verdade. Estou sendo distinto e estou me esforçando por controlar a vontade que tenho de beijá-la.
—É distinto imprensar uma dama contra uma parede e tentar chantageá-la para que a beije?
—Nem sequer a estou tocando e a senhorita sabe muito bem que não vou chantageá-la. Já disse-lhe que devolveria os óculos ao finalizar nossa lição. No que se refere a estar empresada, não está, pode ir quando queira. Eu não há impedirei.
—Eu… — Se calou e engoliu saliva. —Eu não acho que isto seja um jogo. — Continuava sem se mover.
—Mas é. A senhorita e eu estamos enfrentando uma dura luta e é incapaz de se dar conta do poder que tem sobre mim.
Ela não conseguia entender o que ele queria dizer.
—A única coisa que sei é que estamos jogando o seu jogo e com suas regras.
—Ao contrario, as regras vão sempre a seu favor, porque, como cavalheiro, não está me permitindo beijá-la e a senhorita em troca pode me torturar eternamente com a promessa de um beijo.
Ela levantou a cabeça e o olhou intrigada. Não saber se ele estava dizendo a verdade ou se apenas queria provocá-la. Dizia que as mulheres tinham um grande poder sobre os homens, mas ela nunca tinha se sentido assim na frente dele, muito pelo contrario. A tentação de comprovar se isso era certo era muito grande e Demi decidiu tentar.
Umedeceu os lábios lentamente e desta vez foi ela que se apertou contra ele.
—Se refere a isto? —Suspirou de um modo sensual enquanto se repetia que somente era um jogo. —Estou lhe atormentando?
—É uma grande aluna, senhorita Lovato. — Ele estava muito quieto.
—Isso é um elogio a minha inteligência, senhoria? Me sinto lisonjeada.
—Devo confessar-lhe que agora mesmo sua inteligência é a última coisa que me preocupa. Deus, vai me beijar ou não?
—Não será necessário.
Então Demi se afastou e sorrindo mostrou-lhe os óculos que tinha na mão.
A fisionomia de surpresa de Joseph foi sua maior satisfação e antes que ele pudesse raciocinar e reclamar seu beijo, ela escorreu por debaixo de seus braços. Colocou os óculos, o encarou diretamente nos olhos e desfrutou de seu triunfo.
—Eu acho que ganhei essa partida, senhor.
Deu meia volta e saiu da sala.
—Isto é apenas o começo, senhorita Lovato—gritou-lhe ele rindo. —Apenas o começo.



olha olha esses dois...JOSEPH ESQUECEU QUE É UM DUQUE? isso se chama falta de sexo. agora vá ate sua amante liberar sua tensao man e deixa a Demi na dela.

nao sei, algo me diz que tem pessoas que tao animadas e empolgadissiiiiiiiiiimas(imitando o Luigi Lombardi LFMB) para ler o capitulo 19...só acho
bjemi 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Prazeres Proibidos Capitulo 15 parte I

Demi não sabia o que esperar de suas aulas de dança, mas acreditava que sobre tudo consistia em aprender alguns passos. Estava totalmente equivocada.
—Que quer que eu faça? —perguntou, olhando surpresa para Joseph.
—Que caminhe. — E dizendo isso, a pegou pelo braço e a levou fora da sala, até o início do enorme corredor.
—Que tonta sou eu —murmurou ela, —pensava que ia me ensinar a dançar.
—E ensinarei, mas primeiro quero ver como caminha.
Essa era a última coisa que Demi desejava fazer, mas quando viu que ele coloca as mãos em sua costa e começou a andar, não teve outro remédio a não ser segui-lo.
—Para dançar bem, senhorita Lovato— continuou, —tem que andar bem. Dançar não é mais que caminhar com música.
Só tinham dado alguns passos quando Joseph parou.
—Por que parou? —perguntou Demi.
Ele não respondeu, mas virou-se para ela e a rodeou com suas mãos. Colocou uma encima do diafragma e a outro no final de sua costa. Ao notar o contacto ela ficou sem respiração. Ele não deve ter se dado conta, porque apertou ainda mais as mãos contra seu corpo e em um tom muito pragmático, disse:
—Lembre-se sempre de manter a coluna erguida. Esta noite não é uma restauradora tentando restaurar um velho vaso de bronze, e sim uma jovem dama desfrutando de um agradável passeio.
Então ele a soltou, mas a pele dela continuava quente ali onde ele a tinha tocado e Demi se sentia capaz de tudo menos de se imaginar que era uma jovem dama passeando. Tentou caminhar como ele lhe dizia, mas seu coração ressoava em seu peito como se estivesse estado correndo durante horas.
Não estava acostumada que a tocassem isso era tudo, disse a si mesma. Nos últimos dias ele a tinha tocado varias vezes e ela sempre se surpreendia o muito que ela gostasse disso. Se derretia só de pensar que tinha sentido quando ele a acariciou no rosto ou agora, quando tinha colocado suas mãos sobre seu corpo. Ela não queria se sentir assim, não queria que ele lhe fizesse se sentir assim.
Percorreram o corredor inúmeras vezes sem dirigindo-se apenas a palavra, apenas para as correções que ele fazia. Queixo para cima, ombros para atrás, sem correr.
Ela não o olhava, só o olhava ele pelo canto do olho, mas ele sim a observava detalhadamente. Quando achava ter percorrido aquele corredor umas mil vezes, finalmente disse para ele parar.
—Excelente, senhorita Lovato— comentou e indicou-lhe que voltasse para a sala. —A senhorita tem uma graça natural, acredito que dançará muito bem. Me atreveria a aconselhar-lhe que usasse espartilho, isso lhe ajudaria a manter a coluna ereta. Além do mais, se não usa, seu par de dança se escandalizará quando lhe por as mãos na sua cintura e a nota sem a peça.
Joseph caminhou até a chaminé e começou a dar corda a caixa de música.
—Mas procure não apertá-lo muito. Não gostaria que desmaiasse no meio do baile por falta de ar.
—Não acho que seja apropriado que o senhor faça comentários sobre minha roupa íntima — disse ela com a maior dignidade que foi capaz.
Ele fez uma pausa no que estava fazendo e a olhou diretamente nos olhos.
—Acho que estava comentando algo sobre a ausência de roupa íntima — respondeu ele serio, ainda com um meio sorriso apontando.
Ela tinha visto outras poucas vezes esse sorriso travesso. Começava a gostar dele e não pode evitar sorrir.
Joseph deixou a caixa encima da mesa e começou a sussurrar a música.
—A valsa é uma dança muito simples — disse-lhe enquanto se colocava em frente a ela. Pegou sua mão direita em sua esquerda e colocou a outra em sua cintura. Demi ficou nervosa no mesmo instante.
—Relaxe, senhorita Lovato.
—Estou relaxada — mentiu.
—De verdade? Pois seu corpo parece achar o contrario. — Ele afrouxou seu abraço. —Não se preocupe, não tenho nenhuma intenção de violá-la. Pelo menos agora — se corrigiu. —Relaxe.
Demi queria, mas a ideia de que ele não quisesse violá-la agora, mas sim em outro momento não ajudava muito. Se sentia tonta, como se tivesse bebido mais vinho que o normal. Se lembrou de que naquela mesma tarde, na colina, ele quase a tinha beijado. Agora era nitidamente consciente da mão dele na sua costa e tinha que controlar-se para não sair correndo. De repente, a sala tinha aumentado demais de temperatura. Demais para dançar.
—Quando se dança uma valsa — continuou Joseph como se não tivesse notado que ela tinha re ruborizado, — o primeiro é manter a distancia apropriada. Tem que estar a um pé de seu acompanhante, justo como estamos agora. Ponha a mão em meu ombro.
Ela hesitou um instante antes de apoiar a mão em seu escuro casaco verde. Podia notar contra sua palma os fortes músculos de seu ombro e lembrou a forma que tinha sem camisa. O tinha desenhado muitas vezes e conhecia cada parte de seu torso, mas ao tocá-lo sentiu como se um estranho fogo o queimava por dentro e teve que se concentrar para escutar o que ele dizia.
—A segunda coisa que deve lembrar é que eu mando e a senhorita me segue. Seu corpo vai aonde o meu lhe conduz.
—Acho que gostaria mais se fosse o contrário.
—Verdade? —murmurou ele. —Essa sim que é uma ideia interessante, senhorita Lovato. Talvez algum dia lhe permita. — Voltou a colocar a mão e levantou o braço adotando a postura previa ao inicio dança. —Os passos da valsa são muito simples, é uma contagem de um, dois, três. Assim.
Joseph começou a se mover levando ela com ele, mas ela só olhava os pés e ele parou um instante.
—A terceira coisa e a mais importante é que tem que me olhar, senhorita Lovato, não para o assoalho.
—Mas e seu eu lhe pisar?
—Sobreviverei, estou seguro. Não se preocupe, se errar só estou eu para vê-lo e já sabemos que a senhorita não se importa com o que eu penso. — Joseph começou a se mover de novo levando ela. —Um, dois, três — contava ele ao ritmo da melodia e os dois iam completando as figuras da valsa ao longo de toda a sala. —Um, dois, três.
Demi se sentia bastante desajeitado dando voltas sem sentido, e inclusive depois de tê-lo pisado e tê-lo feito que parasse incontáveis vezes, ele não se mostrou impaciente nem um instante. Simplesmente lhe dizia que voltasse a tentar. Uma e outra vez.
—Já está fazendo muito bem — a tranquilizou dando corda pela terceira vez a caixa de música. —Sabia que seria uma boa dançarina.
—O senhor é um bom professor — reconheceu ela ao vê-lo de novo em sua frente. —Só desejaria não me sentir tão desajeitada e insegura.
—Isso requer prática. —Voltou a pegar-lhe na mão e começaram a dançar. Joseph tinha que se lembrar constantemente que olhasse ele e não chão.
—É que acho que o único modo de não pisar-lhe é se olho onde ponho os pés— confessou ela. —Mas não importa o que faça, temo que quando acabe a noite vai estar cheio de contusões.
—Então deveria apreciar o sacrifício que estou fazendo pela senhorita.
Ela o olhou com fingida preocupação.
—Oh, coitado. Com certeza está sofrendo muitíssimo, ainda poderia ser pior. Eu poderia pesar cem quilos.
A mão dele apertou a cintura dela.
—Isso seria uma pena — murmurou e a olhou, —ainda continuaria tendo esses olhos incríveis.
O coração dela deu um pulo e quase tropeçou de novo.
—Dança muito bem — disse ela para mudar de assunto. Não queria que ele lhe elogiasse pois sabia que não eram sinceros. — Por que não gosta de dançar?
—Na verdade é que dançar eu gosto, o que eu não gosto são suas consequências.
—A que se refere? Que consequências?
—As mesmas que me obrigam a evitar as damas com tendência a desmaiar. Ser um duque rico e além de mais solteiro me transforma numa presa perfeita em um baile. Tudo o que faço, tudo o que digo, é estudado e analisado em todas as notas da sociedade. Se danço com uma dama, as velhas fofoqueiras espalham rumores na mesma velocidade que a música e se por acaso eu desfruto de sua companhia e danço outra vez com ela, já estou perdidamente apaixonado; se danço uma terceira vez, meu casamento é iminente.
—Isso é uma loucura.
—Ainda é pior para a dama em questão. As fofocas sempre se concentraram mais nela. Não importa o quão bela seja, doce ou educada, sempre haverá uma mãe maldosa que acredita que sua filha seria muito mais adequada para ser minha duquesa.
—Suponho que isso é inevitável — riu-se ela.
—Sim, é assim. Por isso não danço.
—Bom, já que aqui não hã ninguém que nos veja e possa criticar-lhe, deveria tentar desfrutar desta noite.
—Já estou fazendo isso.— Apertou-lhe a mão mais forte. —Acredite, estou desfrutando muito.
Antes que Demi pudesse pensar numa resposta, a música foi se desvanecendo até desaparecer por completo. Joseph parou e afastou a mão de sua cintura, mas não soltou a outra; seus dedos continuavam entrelaçados quando lhe disse:
—Nenhuma falha.
—É verdade! —exclamou ela surpreendida. —Bem, eu esqueci de contar os passos.
—Exatamente. — Ele caminhou até o lado. —Quando finaliza a dança, seu par a escolta até seu lugar. — Acompanhou suas palavras com ações, como se realmente estivessem num baile. Soltou-lhe a mão e fez-lhe uma reverencia. Ela supôs que provavelmente ela também devia saudar-lhe, assim que cruzou um tornozelo atrás do outro e o cruzou os joelhos brevemente.
—Não, não, senhorita Lovato— disse ele sorrindo. —Tem que dobrar os joelhos completamente. Depois de tudo, sou um duque. Se supõe que seu joelho quase deveria tocar o chão.
Ela se abaixou de novo, com uma saudação muito mais pronunciada.
—Está desfrutando disto, realmente?
—Sim, muito — admitiu ele quando ela se levantou. Olhou seus lábios e seu sorriso desapareceu por completo. —Desde que me acusou tão severamente de tentar me aproveitar de nossa amizade estou querendo me vingar. Tenho que aproveitar a mais mínima ocasião para fazer isso.
Essa tarde ela não tinha querido repreender-lhe, só tinha sido uma tentativa desesperada de sair da situação. Ele tinha desejado beijá-la e o pior de tudo é que ela o desejava com todas as suas forças.
—Eu não fiz isso.
—Eu não vou voltar a brigar com a senhorita, por isso não vou morder a isca. Ainda sim me vejo obrigado a lembrá-la que uma dama nunca, nunca contradiz um duque.
—Há muitas regras, não é? —perguntou ela tentando parecer relaxada. —Eu li todos os seus livros de etiqueta, mas ainda me sinto intimidada. Há algo mais que deveria saber?
—Sim — respondeu ele aproximado-se dela. —Como já disse em outra ocasião, uma dama que queira estar na moda nunca usa óculos quando vai a um baile. — Ele ignorou seus protestos e tirou-lhe os óculos. —Tente usá-los o menor tempo possível e se puder acostume a ficar sem eles.
—Eu li que uma dama deve saudar sempre aos seus conhecidos. Como espera que eu faça isso sem poder vê-los?

e o flerte rola solto, sem que os dois percebam, olha olha que isso ainda vai dar MUITOS problemas e dor de cabeça....ne Joseph....
entao, eu ia postar apenas nas segundas pois os comentarios haviam sumido, mas agora nao irei mais....o que nao quer dizer que eu nao possa mudar de ideia again.....