domingo, 1 de setembro de 2019

VIDA DE PRINCESA Capitulo 7


Depois, ele a abraçou, acalmando-a com palavras carinhosas e carícias ternas até que ela parasse de soluçar, embora nem tivesse percebido que estava chorando. O corpo dela relaxou lentamente, até que ela vacilou nos braços dele, enfraquecida.
Ele a abraçou por um longo e silencioso momento, enquanto as pernas dela bambeavam e a ligação entre seus corpos permanecia, lembrando-a que uma vez raramente era suficiente para aquele homem... mesmo quando a transa culminava em um prazer explosivo que a deixava totalmente exausta.
Finalmente, ele a levantou e começou a lavá-la com mãos gentis que tocavam cada centímetro dela como se ele quisesse assegurar sua possessão.
Ela tentou retribuir o favor, mas suas mãos estavam desajeitadas, seus movimentos canhestros por um tipo de cansaço que somente ele podia provocar. Ele desligou o chuveiro e saiu do box, com os braços ainda em torno dela.
Ela tentou se afastar para que pudesse se secar, mas ele também a ajudou. Então, ele a puxou para perto de seu corpo e caminhou para o quarto.
Eles foram para a cama juntos, e ela, sem perceber, se aninhou nos braços dele, fechando os olhos e adormecendo imediatamente.
Ela acordou algumas horas depois com um beijo na testa.
— Acorde, cara. Precisamos nos apressar ou não chegaremos no hospital antes da cirurgia.
Ela sentou-se, sentindo-se meio mal-humorada. Apesar do prazer da transa, seus sonhos haviam sido perturbadores, e ela não dormira bem. Ela sentia dor no abdome e desejou poder dormir mais. Porque, descansando ou não, pelo menos ela podia fugir da realidade em que vivia.
Ela logo ficaria menstruada, embora agora não estivesse tão regular, já que não usava mais pílulas. Mas ela sabia que a dor só pioraria a cada dia, até ficar insuportável, quando seu corpo começasse a sangrar.
Joseph já estava quase pronto e olhou por cima dos ombros.
— Mexa-se, Demetria.
Ela assentiu, estremecendo. Então, saiu da cama com vivacidade, sem deixar de olhar para ele. Pelo menos isso a agradava. Não podia imaginar a vida sem aquele homem, e proferiu essas palavras antes de conseguir evitá-las.
Ele parou.
— Mas não precisa. Depois da noite passada, é óbvio que podemos esquecer essa história de divórcio.
— Está dizendo que não está mais entediado comigo?
— Precisa perguntar, depois do que, aconteceu no chuveiro? — ele perguntou, com o sorriso diabólico.
Mas ela não retribuiu o sorriso. A transa no chuveiro fora incrível, e eles haviam passado o resto da noite nos braços um do outro. Só que ele não falou sobre isso.
Sexo. Era tudo que ele queria dela e, quando estava em oferta, ela era a esposa perfeita. Ele falou isso quando revelou que estava entediado... que o valor dela caíra significativamente depois que ela havia começado a rejeitá-lo. A noite anterior e a reação dele só sustentavam que a verdade não era uma realidade prazerosa.
Ela virou a cabeça.
— A noite passada não mudou nada.
Ele falou um verdadeiro palavrão e ela desviou o olhar dele.
Ele terminou dando de ombros, com um olhar frio e duro.
— Você não está me dizendo que ainda pensa que precisamos nos divorciar. Recuso-me a aceitar que esteja falando isso.
— Mas é o que digo — ela admitiu, com dor de cabeça.
Se os olhares pudessem ser letais, o que ele lançou para ela a teria matado. Ele parecia detestá-la, e não falou mais nenhuma palavra.
Simplesmente acabou de se vestir e saiu do quarto.
Movimentando-se o mais depressa que podia com as dores chegando perto do insuportável, ela se vestiu e o acompanhou. Encontrou-o lá embaixo, dando instruções aos assistentes.
— Os outros estão esperando no carro — ele falou quando a viu.
— Joseph.
— Não fale comigo, Demetria. — O veneno na voz dele a silenciou efetivamente.
Ele a detestava.
Ficou assim o resto da manhã, conseguindo apenas manter um véu de civilidade na frente da família. Quando não estavam perto de ninguém, mostravam uma violenta hostilidade recíproca.
O único bom momento foi rei Paul ter passado com êxito pela cirurgia, depois da qual pôde receber os familiares. Quando Denise se ofereceu para ficar no hospital, ele aceitou e mandou os demais para casa, com a sua característica dose de arrogância.
Apesar da melhora contínua do sogro, os dias seguintes foram um tormento para Demetria. De corpo e alma. Joseph ficava na suíte somente por aparência, mas havia uma muralha que os separava na cama... quando ele dormia ali. Ele também se recusava a falar com ela quando estavam sozinhos, exceto para tratarem dos seus deveres.
Se ela demonstrasse que ia entrar no campo pessoal, ele arrumava uma desculpa para sair... ou saía sem qualquer desculpa. Quando ele estava presente. O que não era frequente. Ela o via mais na companhia de outras pessoas.
Ele sempre tivera uma agenda muito ocupada, mas agora estava ainda pior. Ele tinha de cobrir as próprias responsabilidades e as do pai. Como líder no trabalho, não podia deixar de cumprir nenhum dever. Ele sempre dormiu menos que ela, mas agora ela imaginava que ele chegava a ficar sem dormir.
Os irmãos ajudavam como podiam, mas a função de Joseph na família demandava a maior parte das decisões, e os irmãos quase não sentiam o peso da responsabilidade e do estresse.
Independentemente do quanto a rejeição dele doesse, sentia-se mal por ele, preocupada, e desejava dez vezes por dia ter pedido o divórcio depois dessa crise. Ele se recusava a aceitar conforto ou ajuda dela de qualquer forma, e ela não o culpava; apenas queria ajudá-lo.
O pedido de divórcio arrasou o orgulho dele e feriu seu ego no momento em que ele menos podia lidar com esse tipo de dor. Ele precisava de toda força interior nas circunstâncias atuais, mas estava abalado pela raiva e pelo desprezo dela. Ela queria explicar que não era desprezo, mas a
dor causada pela endometriose e a tontura resultante dos remédios aniquilavam a sua capacidade de justificar qualquer coisa.
Era tudo o que podia fazer para vencer cada dia. Não tinha como brigar com o marido para colocar o casamento em dia... apenas convencê-lo de que não havia outro jeito.
De toda forma, não conseguia deixar de pensar que teria sido melhor pedir o divórcio a Joseph quando ele tivesse voltado de Nova York. Pelo menos poderia evitar toda a raiva e a hostilidade que sugam as energias num momento tão crítico.
A culpa por essa tardia percepção a arrasava, tornando mais difícil suportar a dor física, e algumas noites ela simplesmente ficava chorando sozinha na cama. Como o médico previu, a dor desse mês era pior do que a do anterior e alguns dias ela achava que não iria sobreviver.
Seus próprios deveres não desapareceram magicamente por conta da crise familiar, mas aumentaram.
E ela tinha de passar pelo menos parte do dia no hospital, onde tinha de manter as aparências.
Certa tarde estava saindo do quarto do rei Paul, quando encontrou com Joseph.
Ele parecia abatido de tanto cansaço, mas, quando a viu, colocou uma máscara de invencibilidade.
— Você precisa descansar — ela falou, em vez de cumprimentá-lo, colocando a mão no braço dele.
Ele se esquivou do toque dela com a testa franzida.
— Estou bem.
— Não, não está. Todos dizem que está se esforçando demais, mas ninguém sabe o que fazer a respeito.
— Não há nada a fazer. É meu dever cuidar do meu país enquanto meu pai está doente.
— Seus irmãos...
— Têm as próprias responsabilidades.
— Estão preocupados com você. Ele olhou para ela.
— Algum deles pediu para você vir conversar comigo?
— Sim — ela falou, suspirando. — Os dois, na realidade.
— Eu deveria saber que você não demonstraria preocupação.
— Eu me importo com você, Joseph.
— Certamente... não se importa.
Ela estremeceu diante da certeza do tom de voz dele e do cinismo de seu olhar.
— Sinto muito.
— Eu também. Agora, se me dá licença, só tenho vinte e cinco
minutos para ficar com meu pai.
— Vai para casa depois?
— Não.
— Precisa dormir um pouco.
— Está me convidando para a sua cama? Subitamente, a expressão dela mudou diante da ideia de compartilhar intimamente o corpo com ele, enquanto a dor a incomodava de forma incessante. Ele empalideceu, endurecendo o olhar.
— Bem, isso diz tudo, não?
— Não — ela conseguiu tocá-lo antes de ele se afastar. — Por favor, Joseph, me ouça.
Ele olhou para ela.
— Você não tem nada para me dizer que eu queira ouvir.
Uma severa pontada a atingiu e ela se escorou contra a parede na mesma hora. Não podia fazer isso agora. As casualidades aconteciam a todo momento e ela não podia deixar de evitar.
— Certo. Nos vemos mais tarde... seja quando for. — Encontrando ar para conseguir caminhar, ela saiu.
Joseph observou Demetria sair com um misto de raiva e incompreensão. Ela agia como se ele realmente a tivesse magoado, mas era ela quem queria o divórcio. Quando ela falou que nada havia mudado depois daquela incrível transa, ele ficou furioso.
Ela apenas o usou.
Saber disso doeu mais que qualquer outra coisa, e ele acabou ficando furioso. Ela não devia magoá-lo. Era mulher dele, carne de sua carne... osso de seu osso. Sua companheira quintessencial e amante... só que ela havia se transformado numa traidora.
A fúria causada por essa percepção não foi aliviada em seis dias. Ele andava como uma bomba prestes a explodir. Estava agradecido pela carga extra de trabalho, pois assim dava vazão à energia gerada pelas emoções contidas.
Não queria que os irmãos se preocupassem, mas não tinha intenção de diminuir o ritmo.
Seu pai e seu país precisavam dele, mesmo que sua esposa não precisasse.
Demetria acordou tarde da noite com uma dor horrível e a sensação de umidade no meio das pernas.
Estava com hemorragia.
Não era nada novo desde que havia começado a endometriose, mas, normalmente, se conseguisse se levantar e se trocar várias vezes durante a noite, não teria com que se preocupar. Estava tão cansada quando
foi se deitar que dormiu quatro horas seguidas.
Ela se esquecera de tomar os remédios para a dor e agora se lembrava deles.
Ela tentou levantar para cuidar de ambos os problemas, mas caiu de novo na cama, com um grito de dor preso na garganta. O menor movimento agravava sua agonia.
Mas ficar parada também doía. Tanto que ela quase perdia o ar por causa disso.
Ela olhou para a grande extensão da cama. Joseph não estava, claro. Ele geralmente não vinha deitar antes da madrugada, quando vinha. Dormia no escritório algumas noites e, depois daquele encontro no hospital, ele certamente não planejava outro durante a noite.
A dor a arrasava e ela gemia, as lágrimas molhavam seus olhos e sua face, enquanto contorcia o corpo. Se ao menos conseguisse pegar os remédios, mas não conseguia nem alcançar a mesa-de-cabeceira.
Como pôde ter esquecido de tomá-los?
Ela se arrastou até a beira da cama, mas muito lentamente. Qual era a distância até a mesa? A dor fazia tudo ao redor parecer embaçado. Talvez se rolasse. Ela tomou impulso com um dos lados da barriga e quase desmaiou de dor. Teria sido bom, ela pensou.
Ainda tonta, ela tentou completar o rolamento, mas acabou caindo da cama. Ela podia ouvir alguém chorando e queria ajudar, mas não podia se mexer. Ela tentou se concentrar na escuridão, mas mal podia ver a sombra da mesinha, que parecia mais longe do que quando estava na cama.
Ela tentou alcançar, os soluços presos na garganta, sem ajudar a amenizar a dor.
— Demetria? O que diabos está acontecendo? — A luz principal foi acesa, iluminando tudo.
A luz irritou os olhos dela, e ela os fechou, desmoronando no chão em calafrios, enquanto Joseph corria e falava em italiano.
— O que aconteceu? — Ele se abaixou ao lado dela, com a mão sobre o seu ombro. — Está sangrando. Vou chamar uma ambulância.
— Não! — Ela olhou para o marido alto e lindo, com os olhos tomados de lágrimas que ela tentava limpar para conseguir enxergá-lo. — Preciso dos meus remédios para dor... na... mesinha... — ela balbuciou diante de outra onda de pontadas.
— Remédios para dor não vão evitar o sangramento.
— Não precisa... é minha menstruação.
— O diabo. Está tendo uma hemorragia. Ele pegou o telefone e ela gritou.
— Não! Por favor, Joseph... — ela engasgou e então gemeu quando
a dor a castigou. — Apenas pegue... — Ela respirava fundo, tentando pegar mais ar para continuar. — A cama. Por favor. Dói... — Ela se aninhou em posição fetal.
Ele largou o telefone e ela sentiu um cobertor sobre o seu corpo. Ele a pegou, mas não a colocou na cama. Ele se dirigiu à porta.
— Aonde... vamos? — ela perguntou, sem forças.
— Para o hospital, e pode parar de discutir. Não vou chamar uma ambulância se não quiser, mas precisa de um médico.
— Eu fui ao médico. Falei para você... meus remédios... preciso deles.
— Você precisa de muito mais que remédio para dor — ele gritou, sem parar de andar.
— Sim. Cirurgia. Hoje, não.
— Sim, hoje. Se é o que precisa, será hoje.
— Não pode.
— Por que não? — ele perguntou, em frente ao sistema de comunicação da porta deles.
— Não é seguro — ela olhou para ele, seu rosto se contorcia com outro espasmo de dor. — Por favor. Preciso dos remédios.
Ele olhou para ela com os olhos apertados.
— Precisa de um médico.
— Por favor — ela implorou com tanta dor que faria qualquer coisa pelos remédios.
Ele cerrou os dentes com força.
— Certo, mas acho melhor estar certa em relação a esse sangue. Não vou deixá-la morrer. Ouviu?
Ele voltou para o quarto cuidadosamente para não sacudi-la e a deitou gentilmente na cama, antes de abrir a gaveta da mesinha-de-cabeceira. Ele pegou um vidro com prescrição médica, abriu e pegou dois comprimidos.
Ele colocou o braço por trás dos ombros dela e a levantou suavemente, ajudando-a a tomar os remédios, como se não conseguisse fazer isso por conta própria. E a verdade era que não podia mesmo. Ela estava se controlando ao máximo para não gritar sua agonia.
Depois de ela tomar os remédios, Joseph a deitou gentilmente na cama.
— Há quanto tempo?
— De vinte a trinta minutos.
— Posso fazer mais alguma coisa?
Ela estava sentindo muita dor para se apegar ao fato de que o homem que lhe oferecia ajuda a tratara como leprosa nos dias anteriores.
— Água quente ajuda.
— Para beber ou tomar banho?
— Banheira... chuveiro também.
Ele assentiu e desapareceu no banheiro. Ela ouviu a água descendo e ele voltou, nu. Ela não conseguia entender, mesmo que tentasse.
— Vou tirar sua roupa.
— Certo — ela falou, entorpecida em razão do rápido efeito dos medicamentos, ingeridos sem comida.
Ele removeu o cobertor e as roupas dela com mãos cuidadosas. Ele praguejou ao ver quanto sangue havia no meio de suas pernas. Ele a observou implacavelmente.
— Tem certeza de que esse sangue é apenas menstruação?
— Sim.
Ele sacudiu a cabeça, mas não falou nada. Simplesmente a levantou da cama. Mesmo com toda suavidade, o movimento ainda a atingiu, provocando ondas de tontura, quando a dor a castigou novamente.
Ela gemeu.
Ele praguejou.
— Isso não pode ser normal, cara.
— Não falei que era normal — ela murmurou, com os olhos fechados e a cabeça apoiada nos ombros dele.
Estranhamente, ele não perguntou o que era.
— Estou surpresa — ela falou.
— Com o quê?
— Não está fazendo perguntas.
— Não faz ideia do quanto aparenta estar terrível, faz?
— Pareço terrível? — ela perguntou, com lágrimas rolando pela face. — Feia?
— Doente, mulher tola. Está branca feito papel e parece que até uma brisa pode derrubá-la.
— Dói.
— Eu sei. — E parecia arruinado por reconhecer isso, mas ela devia ter ouvido mal.
Por que se importaria por ela sentir dor, se a detestava?
Mas a forma como ele a segurava não era cruel nem impessoal. Ele a segurava como se ela fosse preciosa e, mesmo que fosse uma ilusão, ela se abraçou a ele, necessitando daquele conforto e muito fraca para fingir.
Ela não havia entendido para onde iam até ele parar no chuveiro já quente, e então ela compreendeu por que ele ficara nu. Ele planejava segurá-la enquanto tomava banho. Lágrimas de alívio rolaram sob os seus olhos fechados enquanto a água quente caía em sua pele.
Ele não a deixou sozinha com sua dor e ela sentia-se pateticamente agradecida. Ela manteve os olhos fechados, sem se importar por cair água no rosto. Ele jogava água na direção das pernas dela, para que pudesse limpar o sangue.
— Tem muito sangue — ele repetia em um tom de voz baixo.
— Fica pior todos os meses — ela disse, refletindo sobre a sua falta de constrangimento por vê-lo cuidando dela assim.
Mas quantas vezes ela havia desejado que ele estivesse lá para cuidar dela, que ele se importasse a ponto de perceber o quanto a menstruação dela passara a ser dolorosa e a confortasse por isso? Tais pensamentos eram fantasia antes, mas agora eram reais, e ela tinha dificuldade de lidar com eles.
Ele cuidou dela com uma eficiência e uma compreensão instintiva que causaram admiração em Demetria.
Ela não sabe por quanto tempo ficaram sob o chuveiro, mas em algum momento ele falou:
— Acho que já pode ir para a banheira. O sangramento parou ou diminuiu consideravelmente.
— Ele vem e volta — ela falou cansada, enquanto permitia que ele a levasse para a banheira.
Ele não a colocou lá como ela imaginava, mas entrou junto com ela. Ela murmurou algo em protesto.
— Não pode tomar banho sozinha nessas condições.
— Só quero ficar deitada aqui.
— E vai ficar... nos meus braços.
Ela não discutiu mais e ele a acomodou entre as suas pernas e com os braços em torno do dorso dela. Ele cuidou de tudo para ela. Ela suspirou aliviada, com os remédios fazendo efeito, e se recostou contra ele em paz.
Ela deveria se sentir culpada por deixar que ele cuidasse dela, mas era tão bom... tão certo para sentir-se culpada. E descansar em uma banheira não era nada mal para ele também, uma voz dentro de sua cabeça a convencia.
Conforme a dor passava e a sensação de bem-estar aumentava, ela se permitia relaxar.
— Isso é bom.
— Está se sentindo melhor?
— Sim — ela suspirou. — Mas vamos ter que sair logo.
— Por quê?
— Posso começar a sangrar novamente. Ele suspirou.
— Concordamos que essa menstruação não é normal.
— Não, não é.
— O que está acontecendo?
— Tentei contar no avião voltando de Nova York, mas você não quis ouvir. — O que era uma acusação, e não uma resposta, mas ainda doía o fato de ele estar tão pronto para abrir mão do casamento que sequer havia se importado com as razões dela.
— Não, eu teria me lembrado.
— Sim, tentei.
— Quando tentou me contar sobre essa horrível hemorragia e toda essa dor?—  ele perguntou, ainda parecendo duvidar dela.
— Quando tentei dizer que temos que terminar nosso casamento, mas aí você falou que queria terminar de qualquer forma, e isso não pareceu ter mais importância. — Por mais que tentasse, não conseguia encarar isso com tranquilidade.
Isso a arrasou, o que estava explícito na sua voz. O forte corpo dele foi tomado de tensão.
— Foi por isso que pediu divórcio? Por causa da dor e da hemorragia?






eu amo esse capitulo, pois aqui começa a reveleçao de tudo, por isso comentem por favor. sao os comentarios que anima quem escreve ou adapta as fics para voces lerem

domingo, 25 de agosto de 2019

VIDA DE PRINCESA Capitulo 6


Quando eles chegaram ao palácio, Demetria conseguiu sair do carro e caminhar ao lado de Joseph até o apartamento sem uma segunda troca de olhares e sem permitir que sua mão roçasse a dele. Isso o incomodava. Não gostava de ser ignorado pela esposa e ela ainda era esposa dele, independentemente do fato de querer fingir outra coisa.
Ele seguiu seu esguio corpo para dentro do apartamento com uma
forte sensação de ter sido usado.
Entretanto, ela parecia tão perdida — e isso o enfurecia tanto — que ele se importou.
— Devia ter vindo com Liam e Miley.
— Eu não queria — ela falou com aquela voz suave que provocava sua libido.
Mas teria sido infiel? Estaria apenas pensando nisso? Seria o pedido de divórcio uma preparação para entrar em outra relação? As perguntas o cegavam diante da possibilidade de ter perdido apenas o coração dela, mas o corpo ainda não.
— Eu notei — ele resmungou, decepcionado com ela em vários níveis.
— Queria ficar lá, caso acontecesse alguma coisa — ela retrucou com um suspiro, enquanto retirava os sapatos e caminhava descalça na sala de estar.
Quanto mais ela evitava o olhar dele, mais ele se irritava. O fato de ter de segui-la como um cão adestrado também não amenizava as coisas.
— Não teria feito diferença.
— Não foi o que você falou em Nova York.
— Estava com raiva.
— E descontando em mim. Eu percebi.
E em quem ela pensava que ele despejaria sua raiva, depois do pedido de divórcio? Em vez de fazer uma pergunta cuja resposta não queria ouvir, ele falou:
— Não gosto da ideia de ver você dormindo no sofá de uma sala de espera. Você estava tão desligada que nem percebeu quando cheguei na sala.
Entretanto, ela se aninhou no paletó dele, sussurrando seu nome e ele sentiu como se alguém tivesse chutado seu estômago. Como ainda podia buscar o conforto dele quando na noite anterior queria outra coisa?
— A segurança estava a postos o tempo todo. Ele já tinha tirado a gravata e se livrou do paletó que trazia o cheiro dela. Como seus corpos, depois que faziam amor. Ele não gostava de lembrar disso. Por razões que não conseguia entender, ele a desejava mais que nunca.
Podia estar enojado só de pensar em tocá-la. Mas, longe disso, ainda considerando a possibilidade de ela estar sozinha no sentido físico, a necessidade de carimbar a possessão no corpo dela novamente atiçava todos os seus sentidos.
— Não é esse o caso.
— Não há caso... não há por que discutir isso agora — ela se encaminhou ao banheiro, claramente demonstrando que ia se trocar lá, quando há alguns dias teria se despido na frente dele com naturalidade. — O que está feito está feito.
Ele supunha que era assim que ela considerava o fim do relacionamento deles, mas ele não aceitava.
— Concordamos em demonstrar união por enquanto.
— Demonstrar união não significa que vou aceitar ordens como se fosse um cachorro.
— Olhe para mim, droga! — ele explodiu, sentindo necessidade de conversar.
Ela virou rispidamente para fitá-lo, de cabeça erguida e com os lindos olhos verdes em posição de desafio.
Ele retribuiu o olhar, totalmente impaciente.
— Nunca a tratei dessa maneira!
— Não vamos abordar o assunto de como você me trata — ela falou, com sarcasmo. — Não importa mais.
— Está dizendo que quer o divórcio porque está infeliz com a forma como a trato no casamento? — Ele nunca havia pensado nisso. A fraca sensação de esperança que o percorria o deixava irritado, mas, ao mesmo tempo, animado.
Mas uma mulher não reclamaria das coisas que a incomodam antes de fazer algo drástico como pedir um divórcio? Especialmente uma mulher consciente como Demetria?
— Não pedi divórcio por causa da forma como me trata. Se você se lembrar, sequer pedi divórcio.
— Não venha discutir semântica comigo — ele resmungou. — Você falou que temos que nos divorciar.
— E temos.
— Mas não por causa da forma como a trato?
— Não.
Somente uma circunstância poderia levar uma mulher leal e responsável como Demetria a ignorar suas convicções e pedir o divórcio. Ela tinha de estar apaixonada por outro homem. O amor transformava as pessoas mais inteligentes e fortes em verdadeiros idiotas.
A ideia de Demetria amar outro homem dessa forma provocou um sentimento de ciúme tão forte que quase o possuía. Ele forçou-se a acalmar-se, sem desejar se entregar a essa fraqueza.
— Eu adoraria que fizesse um teste formal de gravidez.
— Não será necessário.
— Ficar menstruada não é garantia de que não esteja grávida.
— E se eu estiver grávida... ficaria chateado comigo? Ainda ficaria tão contente em se divorciar? — perguntou, com um sarcasmo que não era característico dela.
O orgulho o impedia de dar a resposta correta, então ele ficou calado. Ela suspirou.
— Foi o que pensei. Tenho certeza de que não estou grávida. Vamos deixar as coisas assim.
— Você tem feito alguma coisa para impedir a gravidez? — ele perguntou, em tom de suspeita.
Até onde iriam as desculpas dela?
— Não.
— Então há risco. Você vai fazer um exame.
Ela deu de ombros cansada, antes de falar:
— Se é o que quer, eu faço.
— O que quero não tem nada a ver com essa conversa.
— Bem, certamente ela não trata do que eu quero.
A expressão de Joseph demonstrava que ele pensava que a conversa era exatamente sobre isso. Ele agarrou os ombros de Demetria sem machucá-la fisicamente, mas causando uma angústia mental nela que ele não entenderia.
— Se você estiver grávida, não haverá divórcio. Era exatamente o que ela havia imaginado. Ela não entendia como conseguia sentir mais dor ainda, mas sentia. Ele deixou bem claro, sem permitir espaço para outras interpretações. Ela era importante para ele por sua capacidade de ser uma potencial incubadora para o herdeiro Scorsolini. Pelo seu filho, ele ficaria casado com a mulher que o entediava.
— Como quiser — ela estava tão cansada e desanimada que não tinha energia nem vontade de discutir.
Além disso, não importava. Sabia que não estava grávida. Fazer o exame não mudaria nada.
O corpo forte dele vibrava com uma tensão que ela não entendia.
— Você deve estar muito certa de que essa possibilidade não existe, pois a perspectiva de perder sua possível liberdade não parece chateá-la.
Além de se importar com o que revelava, ela suspirou.
— Talvez porque não esteja tão preocupada com isso.
— Embora tenha acabado de me falar que não está tomando nada para evitar.
— Não estou.
— Se isso é verdade, como pode estar certa?
— Não minto e estou certa.
— A única evidência seria sua menstruação.
— Não estou menstruada.
— Mas falou...
— Que tenho certeza de que não estou grávida — ela interrompeu, querendo acabar com a conversa para que pudesse tomar um banho. — Conheço meu corpo e a menstruação está vindo. Todos os sinais estão aí. — Incluindo a dor da endometriose. Felizmente, até então, sentia apenas as pontadas da outra noite.
— Como eu falei, sua menstruação não é garantia.
— Eu disse que vou fazer o exame. Não entendo por que estamos discutindo isso. Podemos acabar com essa conversa agora? Quero me trocar e ir dormir.
— Sim, concordou em fazer o exame, mas também me falou que queria muito um bebê meu. Não sei em que acreditar. Não entendo.
E não sossegaria enquanto não entendesse. Lágrimas que teriam sido impossíveis, pelo tanto que já havia chorado, arderam nos olhos dela.
— Eu queria ter um filho seu.
Ainda queria, o que fazia dela uma total estúpida e uma total perdedora.
— Queria... no passado.
— O que espera? Nenhuma mulher quer saber que está grávida de um homem que está entediado dela e do casamento.
Pelo menos ela não quereria, mas a ideia de ele impedir que partisse se estivesse grávida era tentadora, fazendo com que desejasse o impossível e se irritasse consigo mesma por isso. Entediado ou não, nunca deixaria a mãe de seus filhos ir embora.
— Não sei mais o que esperar de você, Demetria. Não a entendo — ele repetiu, com um tom de desnorteamento. — Pensei que a conhecesse bem, mas descobri que estava muito errado.
— Que diferença isso faz? Está entediado com o que conhece. Foi o que falou — ela virou e foi para o banheiro, fechando a porta nas suas costas, sem desejar que ele visse o quanto aquelas palavras a haviam magoado.
Ela tirou a roupa e entrou no box. Não porque queria outro banho, depois do longo que havia tomado no hotel, mas porque era o único local em que podia extravasar suas emoções com segurança.
Agradáveis cascatas de água quente molhavam seu corpo quando ela sentiu outra presença no local.
Ela virou, sua mente dizendo aos instintos que eles deviam estar enganados, mas não estavam. Joseph estava ali.
Ele estava maravilhosamente nu e a água caía em redemoinhos no seu peito bronzeado.
— Decidi não esperar para tomar banho.
— Saia — ela sussurrou.
— Por que deveria? Já fizemos isso juntos várias vezes.
— Mas tudo mudou.
— Ainda é minha mulher — e ela não entendia essa mensagem.
— Apenas temporariamente — ela falou para punir mais a si mesma do que a ele.
— Foi o que você falou.
— E você concordou. Disse que queria isso... o divórcio — ela falou, incapaz de esconder a dor dessa verdade.
— Talvez eu tenha falado precipitadamente. Não estou entediado com nenhum aspecto do nosso relacionamento, cara. Ainda não.
Aquilo era para que ela se sentisse melhor? Não conseguia, assim como o olhar de desejo dele.
— Quer sexo? — ela perguntou, chocada ao perceber.
— Por que a surpresa? É algo em que somos muito bom juntos.
— Mas você falou... — Ele dissera que o valor dela como parceira havia diminuído quando ela começou a rejeitá-lo, não que não a quisesse mais.
— Eu disse?
— Coisas que me magoaram.
— E o seu pedido de divórcio não me magoou? — ele perguntou.
Magoou? Provavelmente. Mas, então, por que queria sexo agora? Nada mais fazia sentido.
— Não entendo — ela falou. Ele apertou os olhos escuros.
— Bem-vinda ao clube.
— Não pode me desejar.
— É aí que você se engana, Demetria. Muito. — Ele se abaixou e beijou-a com sedução, moldando os lábios aos dela, deslizando as grandes mãos pela cintura dela para aproximá-la de sua nudez masculina.
Ela estava tão impressionada com esse rumo nos acontecimentos que não fez nada, nem brigou, nem concordou.
Ele levantou a cabeça, com a paixão revelada pelos olhos mais quente do que a água que os banhava.
— Qual é o problema? Você respondeu rapidamente na noite passada.
Como podia perguntar tamanha idiotice?
— Isso foi antes...
— Antes de me dizer que queria o divórcio?
— Sim. Não acho...
Ele cobriu a boca de Demetria com a mão molhada.
— Não quero que pense. Porque senão terei que pensar também, e não quero. Não quero pensar em nada.
E ela entendia... ou pensou que entendia. Se não estivesse tão
cansada, provavelmente teria previsto aquilo. Joseph precisava de conforto. Seu pai agonizava no hospital diante do futuro incerto e seu marido forte jamais admitira sentir medo. Ou nenhum outro sentimento.
A pergunta era o que faria em relação a isso.
Mas, mesmo fazendo essa pergunta, percebeu algo. Precisava de conforto também.
Ele não a amava e isso doía. A saúde do rei Paul estava em perigo e isso doía também. Mesmo se sobrevivesse à cirurgia, e as chances eram grandes... ela o perderia, juntamente com os demais Scorsolini, quando o casamento terminasse. Esse reconhecimento acrescentava mais dor ainda.
Seu coração padecia ainda mais quando ela reconhecia que as cunhadas floresceriam em suas funções novas, teriam seus filhos e mais crianças depois. Tudo sem ela por perto para experimentar, ainda que de forma substitutiva, o amor familiar.
Denise e Paul finalmente ficariam juntos... era óbvio para qualquer pessoa que estavam apaixonados, como sempre estiveram. Mas ela não estaria por perto para regozijar-se com eles. Novamente, estaria observando de fora.
Tentaria preencher sua vida com esforços menos significativos, mas os ventos frios da solidão já sopravam na sua alma. Porque o mais devastador de tudo seria ver Joseph casando novamente e tendo seus filhos, que não seriam dela.
A dor era tão intensa que se tornou física, estremecendo seu corpo, enquanto Joseph olhava nos seus olhos, com uma expressão indecifrável, exceto pela necessidade física que ardia no seu olhar.
— Eu quero você, cara. Se for honesta consigo mesma... vai admitir que me quer também.
Ela olhou para baixo, seguindo os olhos dele. Seus seios estavam corados por desejo, os bicos rígidos e avermelhados. Eles ansiavam sob o olhar apaixonado dele, a pele latejava com o sangue que pulsava sob ela e os bicos dos seios gritavam uma necessidade de alívio gerado pelo toque dele.
Milhões de lembranças sobre como era ter as mãos e a boca dele em suas zonas erógenas a atormentavam. E o que ele não podia ver, mas ela podia sentir era a forma como sua parte mais íntima tinha inchado e também pulsava com a necessidade de ser preenchida por ele, ligada a ele.
Sua dor emocional e sua necessidade física eram geradas pelo profundo amor que sentia por ele. Não importava o fato de ele não retribuir esse amor. Era uma parte muito forte do seu ser para ignorar e cada emoção causada por esse sentimento brigava por supremacia.
Uma promessa de solidão vazia que as lágrimas nunca aliviariam.
— Sim, eu o quero — ela falou com certo desespero.
Ele não esperou mais, e desceu até a boca de Demetria com a velocidade e o poder de uma força armada, enquanto gemia pelo contato completo com ela. Seus lábios devoraram os dela, seu corpo masculino imprimia uma mensagem de necessidade sexual no dela.
Era uma necessidade que encontrou ávida resposta nela e Demetria não ficou passiva, mas o tocou como se fosse a última vez. Ela se deleitou com o contraste que seus dedos encontraram entre a pele bronzeada dele e pêlos encaracolados que marcavam seu corpo masculino, tão diferente do dela. Um corpo de homem, o epítome da perfeição masculina, para os sentimentos dela.
Ela percorreu os traços marcados pela rigidez muscular de Joseph, lembrando novamente como era seu corpo. Ela não sabia como viveria o resto de sua vida sem isso. Era tão especial... tão perfeito que ela sempre chorava em razão da pura beleza das sensações que ele gerava nela.
Lágrimas brotaram em seus olhos e ela piscou para livrar-se delas, enquanto a água quente escondia qualquer vestígio de suas perturbações. A mão dela rondava a excitação dele, suas unhas mexiam com o ninho de pêlos negros de onde vinha seu membro. O corpo forte dele tremia e sons de necessidade troavam em seu peito.
Era incrível como ela adorava aqueles sons. Estava viciada neles e passou horas na cama com ele, ouvindo, observando, prestando muita atenção às reações dele para que pudesse ter mais... e mais... e mais.
As mãos dele também estavam ocupadas, moldando os seios dela e acariciando áreas sensíveis que ele conhecia tão bem. Era como se ele soubesse que aquele momento era especial, uma oportunidade única que poderia não ocorrer novamente, porque ele a tocava com tanto cuidado, que a excitava a ponto de ferver. E ela emitia os próprios sons de desejo, gemidos e sussurros que se misturavam à batida da água.
Ela perdia o controle a cada momento, até que se tornou uma massa viva, ofegante e palpitante de necessidade sexual feminina. Ela gemeu contra os lábios dele por causa de seu toque, pedindo mais com o movimento do corpo e acariciando com avidez o corpo dele, com todo o fogo que a queimava por dentro.
O som dos gemidos sexuais de Demetria enlouquecia Joseph, enquanto ela se tornava selvagem para ele. Sempre fora incrivelmente responsiva... quando deixava que ele a tocasse, mas agora havia uma qualidade nova na sua resposta. O corpo dela tremia e sacudia, e suas mãos passeavam por todo o corpo dele, tão quentes sobre a sua pele que ele sentia chamuscar.
Ela o tocava com um desespero furioso. Como se nunca o tivesse tocado... ou não fosse tocá-lo nunca mais.
Mas ele ignorou o último pensamento diante do quanto ela o queria. Esse tipo de desejo não era obtido em uma tentativa de se fazer amor... ou em cem. Ele devia saber. Ele a desejava da mesma forma.
Sempre a desejaria.
E sua esposa tímida e respeitável estava praticamente subindo no corpo dele em uma tentativa de unir seus corpos. Estava totalmente fora de controle e ele se recusava a acreditar que ela podia dar uma fração sequer daquela reação a outro homem. Ela podia pensar que queria outra pessoa por razões que ele ainda precisava descobrir, mas era ele que podia tocar o centro da sua alma com uma simples mão em seu seio.
Foi assim desde a primeira vez em que ele a tocou com a intenção de seduzi-la.
A ligação sexual dos dois era muito forte para ser quebrada, muito primitiva para ser explicada ou até compreendida em um nível intelectual. Talvez ela tivesse se controlado mais nos últimos meses do que no começo, mas quando permitia que ele se aproximasse... era despedaçada. Talvez não de forma tão espetacular quanto agora, mas definitivamente de maneira muito forte para ele acreditar que ela pudesse desejar outro homem.
Ela não podia reagir da mesma forma com outra pessoa e ainda responder de um modo tão primoroso a ele... não sua esposa, uma mulher que passou a vida escondendo as reações emocionais. Isso ia de encontro a tudo que ele conhecia dela.
A menos que ela pensasse no outro homem enquanto Joseph a tocava... a menos que ela o estivesse usando para aliviar uma necessidade que não poderia abrandar de outra forma.
Ele não sabia de onde esse pensamento tinha vindo, mas detonou o poder de uma bomba nuclear em sua cabeça. Não, droga. Ele não acreditaria nisso. Porém, fazia sentido para uma mulher que pediu divórcio e logo depois fez amor como se fosse morrer se não tivesse o toque dele.
Ele interrompeu o beijo e a levantou para uma posição em que sua ereção pudesse ter acesso à entrada de seu corpo escorregadio. Tinha de possuí-la... nem mesmo os pensamentos perturbadores podiam amenizar suas necessidades, mas ele não podia permitir que ela o usasse assim. Não deixaria que essa situação fosse verdadeira para eles.
— Diga meu nome... peça para que eu a penetre. Ela abriu os olhos, mostrando-se confusa.
— O... quê?
— Quem sou eu? — ele perguntou com a voz rouca.
— Amore mio.
As palavras o atingiram como uma bigorna... era assim que ela
chamava o outro homem ou estava dizendo que Joseph era seu amor? Ele podia contar nos dedos das mãos as vezes em que ela se referira a ele daquela forma, e nenhuma delas nos últimos seis meses.
— Meu nome, diga.
Ela curvou os lábios suavemente, sua expressão era uma mistura que ele não podia decifrar. Parecia que exultação e tristeza eram expressas por seus olhos verdes, mas isso não fazia sentido para ele.
— Joseph... meu príncipe.
Então, ela se inclinou para frente para reconectar os lábios deles e o beijou com uma desesperada paixão, devorando sua boca, antes de mordiscar seu queixo e passar para a orelha.
— Faça amor comigo, Joseph. Por favor. Seja meu... nem que seja por pouco tempo.
A voz dela tinha um som estranho, como se não fosse meramente sexo que pedia, mas ele não entendia o que mais ela queria. Ele podia dar-lhe sexo. Na realidade, estava louco para fazê-lo. Ele nivelou o corpo dela ao seu pênis e a penetrou com urgente força.
Ela gemeu, sua cabeça caindo sobre os ombros, sua expressão de contentamento agonizante.
— Você se encaixa tão bem em mim, amante.
— Você parece... perfeito... dentro de mim... — ela sussurrou enquanto ele se movia para frente e para trás.
Demetria pensou que poderia morrer de paixão. Se morresse, seria a forma de ir... muito melhor que a dor gerada pela endometriose todos os meses.
A sensação de tê-lo dentro dela era incrível. Ela e Joseph haviam feito amor várias vezes, de várias formas, mas nunca nada tão primitivo e básico como daquela vez. Não havia cama para ampará-los. Ele sequer usava a parede para apoiá-la, como fizera nas outras vezes em que haviam transado no chuveiro, apenas a pura força animal.
Era como se estivessem em um mundo totalmente à parte de qualquer coisa normal, de qualquer coisa que tivessem vivido antes. Eles ficaram cercados de vapor, como uma neblina aquecida, enquanto a água caía por seus corpos, unidos por uma extasiante intimidade.
Ela gemeu quando ele penetrou mais e atingiu aquela zona especial de prazer dentro dela.
— Está bem, mi moglie. Derreta-se para mim. Mostre-me o lado que ninguém mais vê. — A boca dele estava sobre o pescoço dela, sugando, lambendo, mordiscando e provocando arrepios de sensações para as áreas mais sensíveis do seu corpo.
Ela travou os tornozelos por trás dele e montou nele... ele
estremeceu dentro dela... ela apertou a ereção dele dentro do seu corpo... ele guiava o corpo dela com um forte aperto em seus quadris e bumbum.
Ela abriu os olhos para olhar para ele e viu que a cabeça dele estava jogada para trás como a dela, seu rosto tomado por um intenso prazer sexual. Ela se inclinou para frente e bateu no peito dele em um gesto tão primitivo que mesmo no seu estado avançado de paixão... a chocou.
Ele, no entanto, não ficou chocado; limitou-se a gemer e aumentar o ritmo, penetrando nela com toda força. Era tão intenso que ela sentia como se estivesse prestes a cair em milhões de pedaços.
Ela sentiu uma forte tensão percorrendo seu corpo, uma sensação de pular de uma experiência para a outra, viajando em um precipício e então flutuando, quando seu corpo estremeceu ao redor dele e ela gritou seu nome. Ela estava caindo muito rapidamente e gritou de pavor.
Ele a apertou mais forte e ela passou os braços com mais força em torno de seu pescoço, a única sensação de realidade em um universo que explodia de prazer. Ele ficou em silêncio quando gozou, seus dentes à mostra em um sorriso feroz que falava de forma mais eloquente que qualquer palavra como ele se sentia.







quero tanto ver a reação de voces quando o joe quebrar a face

domingo, 18 de agosto de 2019

VIDA DE PRINCESA Capitulo 5


Miley veio correndo até Demetria quando ela e Joseph chegaram à porta que dava para a sala de espera.
Ela olhou para Demetria e a abraçou forte.
— Vai ficar tudo bem. Ele precisa de um marca-passo, como você sabe, mas é um homem forte. Vai ficar bem.
Demetria deixou a cunhada abraçá-la, agradecida por um contato humano que não era motivado pela necessidade de fazer fachada para a imprensa.
— Não sei o que farei se ele morrer — ela sussurrou.
Ela não queria falar aquilo e ficou impressionada com as próprias palavras. Estava acostumada a proteger seus sentimentos, mas suas emoções estavam muito à flor da pele para serem totalmente escondidas.
— Ele não vai morrer, querida. Não fale assim. — Miley confortou Demetria e ela sentiu lágrimas nos olhos.
Ela não conseguia se lembrar da última vez em que alguém reconhecera que ela era dotada de sentimentos. Que a tocara para confortá-la. Certamente, Joseph não. Ele agia como se seu coração fosse feito de ferro e duas vezes mais duro do que deveria ser.
Os pais de Demetria nunca a haviam confortado quando ela era criança. Ela devia esconder todos os medos e jamais admitir a dor.
— Podemos vê-lo?
— Liam está com ele agora. Ele está dormindo, mas pode vê-lo. Ele está pálido, mas está bem. Demetria aquiesceu e foi para o quarto do rei Paul sem esperar para ver se Joseph a seguira. Ele e sua forte presença ao lado dela foi logo percebe-la. Havia uma ligação entre ambos que ela duvidava que o divórcio pudesse cortar... pelo menos da para ela.
Ela abriu a porta e entrou silenciosamente. Havia uma meia-luz por trás da cama do rei, que estava imóvel, dormindo. Sua normalmente cor bronzeada dava lugar a uma palidez que ressaltava os círculos pretos sob os seus olhos.
— Ele parece tão fraco — a voz de Joseph estava nada de emoção.
— Sim, mas vai ficar bem — falou Liam.
E Demetria se pegou rezando: "Por favor, Senhor, permita que ele fique bem." Liam se aproximou do irmão e sussurrou:
— Eles marcaram a cirurgia para amanhã de manhã.
— Nicholas e Selena já terão chegado?
— Sim. E Denise também.
— Ela vem?
— Sim.
— Selena ficará bem num voo tão longo? Liam deu um meio-sorriso.
— De acordo com Nicholas, ela insiste que está lívida, e não doente. Miley diz o mesmo.
— Miley está certamente doente com a gravidez. Estou surpreso por tê-la deixado vir.
Liam suspirou.
— Não havia como impedi-la, mas quero levá-la para o palácio para descansar assim que possível.
— Sim — Joseph se aproximou da cama do pai e tocou seu braço. — Que bom que o enjoo de Selena não está tão forte!
Demetria foi pega de surpresa diante dessas palavras e sentiu um nó na garganta.
— Ele vai ficar bem. Acredite, Joseph — falou Liam, mostrando que também não fora enganado pelo comentário do irmão.
Joseph não falou nada. Sua atenção estava toda concentrada no pai, imóvel na cama.
Liam apertou o ombro do irmão e saiu do quarto.
Demetria se moveu para ficar ao lado de Joseph e colocou a mão na face do rei Paul. Estava quente, e isso a confortava. Eles ficaram assim por alguns minutos, os dois tocando o rei, sem se tocarem.
Então Demetria foi para o outro lado do quarto rezar, com uma fé incerta. Liam voltou e sussurrou algo no ouvido de Joseph. Joseph assentiu e falou alguma coisa, e Liam saiu.
Ele a encarou.
— Liam e Miley vão voltar para o palácio. Ela quer que ele descanse e não irá sem ele.
— Que bom que ele vai, então.
— Falei que você iria também.
— Prefiro ficar.
— Este é meu lugar.
— Meu também.
— Não depois de hoje à noite.
Ela sentiu como se tivesse apanhado dele.
— Eu amo o rei Paul. Você sabe disso. Quero ficar aqui com você.
— Precisa descansar — respondeu Joseph, tão duro quanto uma rocha.
— Não vou dormir. Não poderia.
— Não seja boba, menina. Vá para casa e volte pela manhã — a voz rouca veio da cama e os joelhos de Demetria bambearam quando ela ouviu.
Ela cruzou o quarto correndo e pegou a mão dele.
— Rei Paul...
— Quantas vezes... — ele fez uma pausa, respirando ofegante. — Falei para você me chamar de papai.
— Eu...
— Certamente não é pedir demais — Joseph comentou com a voz controlada que ela sabia que escondia raiva.
Ela nunca se sentiu confortável em chamar o rei de papai, mas agora ainda mais... seria muito errado. Ela logo sairia totalmente da família.
Sim, como ela poderia negar a ele um pedido tão simples? A resposta era: não podia.
— Desculpe, papai, mas quero ficar com você.
— Precisa descansar.
— Preciso ficar com você.
— Não discuta, ele está doente.
— Eu sei, mas também sei que só está falando isso para fazer as coisas a seu modo — ela acusou o teimoso marido.
O rei Paul riu sem forças, expressando cansaço nos olhos azuis.
— Essa é minha nora. É perfeita para o meu filho.
As palavras doíam, porque, de acordo com Joseph, ela não era nada perfeita, mas Demetria esboçou um sorriso.
— Por favor, deixe-me ficar.
— Preciso falar sobre alguns assuntos com meu filho. Caso aconteça algo. Não vou sossegar se não souber que você não descansou.
— Não fale como se fosse morrer, por favor.
— Todos temos que enfrentar a morte, cedo ou tarde, filha.
— Mas quero que seja mais tarde. Liam falou que você ficará bem. Os médicos falaram.
O rei deu de ombros.
— A cirurgia costuma ser bem-sucedida, mas sempre existem riscos em situações assim. Será a vontade de Deus.
— Não acredito que seja a sua hora.
— Eu também não, cara, mas eu seria negligente se não conversasse alguns assuntos de última hora com meu herdeiro.
Demetria olhou para Joseph. Não sabia por quê. Ele não era mais o seu defensor... se é que um dia foi. Certamente não podia esperar nenhum tipo de conforto daquela direção, mas estava acostumada a contar com ele.
Os olhares deles se cruzaram e os olhos sombrios dele não expressavam nada. Ela piscou e virou a cabeça, incapaz de lidar com aquilo, como se tivesse percebido que seu casamento podia não ter sido perfeito, mas que sempre tivera intimidade. Agora, reconhecia que ela havia acabado.
Sempre que os olhares deles se cruzavam antes, ela via o reconhecimento de si mesma e seu lugar na vida e nos olhos dele. Não ver nada disso agora fazia com que ela percebesse que talvez o casamento deles fosse mais do que ela imaginava, mas, de qualquer forma, havia acabado agora.
— Vá para casa e descanse. É o que quero — falou o rei Paul, conseguindo parecer arrogante e no controle da situação, mesmo debilitado.
— Eu vou sair — ela falou, sabendo que ele entenderia isso como obediência. Ela havia convivido muito tempo com políticos para saber como aparentar uma promessa sem que ela significasse nada.
Ela sairia... do quarto do hospital.
— Bom.
Ela se inclinou e beijou a face do rei.
— Fique bem, papai. Por todos nós.
— Farei o possível. Ela forçou outro sorriso.
— Tenho certeza disso.
Ela não conseguiu encarar Joseph novamente.
— Nos vemos depois — ela falou, saindo do quarto. Ela foi direto para a sala de espera, onde sabia que encontraria os outros, e despachou Liam e Miley.
Demetria se acomodou na sala de espera. Aninhou-se no sofá e assistia à televisão como se ela criasse um ruído branco no pano de fundo dos seus pensamentos infelizes.
Ela acordou ao som de vozes.
Demetria sentou-se. Um paletó que havia sido colocado sobre ela caiu de seus ombros. Ela estava tomada pelo cheiro de Joseph e pelo calor de seu paletó, que a confortou naquela hora. Ele deve tê-la encontrado mais cedo e a cobriu.
Ele virou para olhar para ela, mesmo sem que Demetria tivesse feito nenhum ruído. Seu rosto era uma máscara impenetrável.
— Você não voltou para o palácio.
— Eu nunca disse que voltaria.
— Falou que ia sair.
— E saí — ela olhou para longe dele, sem conseguir lidar com esse Joseph distante. — Do quarto do hospital.
— Mas não do hospital.
— Não.
— Por que não?
— Queria estar aqui, caso acontecesse algo.
— Você viu papai e supus que tinha ido embora com Liam.
Ela deu de ombros, deixando o paletó cair mais um pouco.
— Não sou responsável por suposições de dois homens levados pela crença arrogante de que o resto do mundo vai mudar de planos simplesmente porque eles ditam.
Denise gargalhou.
— Isso, Demetria. Não deixe esse meu filho mandão achar que manda totalmente em você.
— Sem chances, mamãe.
Demetria tinha quase certeza de que fora a única a ouvir o tom rouco de Joseph, mas, para os seus ouvidos, fora tão alto que era como se ele tivesse gritado o quanto não gostava dela.
— Fico contente em ouvir isso. Você parece muito com seu pai, achando que controla o mundo e todas as pessoas. A vida não funciona assim e, certamente, pela primeira vez na vida, talvez Paul esteja percebendo isso.
— Ele está mais do que ciente disso. Posso assegurar — falou Joseph, com a voz firme.
— E você, meu filho?
— Fique contente em saber que ele e eu estamos conscientes de que nossos desejos não mudam o mundo.
O rosto de Denise demonstrou suave preocupação.
— Sinto muito, Joseph. Momentos assim são difíceis, mas Paul ficará bem. Acredite.
— Espero que esteja certa.
— Sempre estou certa, mas às vezes os homens da família levam algum tempo para entender.
Demetria só não gargalhou porque sabia que Denise estava errada em um aspecto.
Assim como o rei Paul, ela sempre acreditou que Demetria e Joseph formavam um par perfeito, e sempre verbalizava isso. Quando a saúde do pai melhorasse, Joseph se asseguraria de que todos soubessem o quanto seus pais estavam equivocados.
Denise falou:
— Gostaria de ver Paul.
— Sim, claro — respondeu Joseph. — Está dormindo agora, mas pode acordar novamente.
Nicholas assentiu.
— Ficarei também.
— Nesse caso, devo levar nossas mulheres para o palácio. Parece que essa será a única forma de eu garantir que Demetria descanse.
— Para que horas está programada a cirurgia? — perguntou Demetria, ignorando a ironia e conseguindo evitar o olhar dele enquanto aparentava olhar em sua direção.
— Daqui a cinco horas.
— Quero estar aqui.
— Então vamos para o palácio comigo agora e tire pelo menos um cochilo antes.
— Não precisa me dizer o que fazer.
— Prefiro ficar com Nicholas e Denise — respondeu Selena antes de Joseph responder.
Nicholas colocou gentilmente o braço em torno da cintura dela e a puxou para perto, beijando sua testa.
— Está grávida, cara mia, precisa descansar pelo seu bem e pelo bem do bebê. Por favor, volte para o palácio com meu irmão.
Demetria refletiu se Joseph seria alguma vez carinhoso com ela... mesmo se estivesse grávida. Uma discreta voz dentro de seu coração dizia que não faria diferença. Ela teria seus sonhos com ou sem a ternura extra. Ver seu desejo mais profundo realizado no corpo de outra mulher provocou uma dor que não tinha nada a ver com inveja.
Demetria adorava Selena e queria o melhor para ela, mas não podia mais sufocar o desejo urgente de ter um bebê, assim como não podia fingir que Joseph a amava.
Demetria não conseguiu deixar de evitar a comparação entre as formas de interação de Selena e Nicholas e ela e Joseph. Ela nunca ousaria beijá-lo num lugar público como um corredor de hospital. Nunca sequer o havia beijado na frente dos familiares, nos apartamentos privativos do palácio.
Olhando para trás, ela percebia que, durante três anos, podia contar nos dedos quantas vezes o beijara quando não estavam fazendo amor. Ela nunca sentiu a confiança de instigar uma transa, mas sempre respondia... com mais paixão do que julgava possível.
Ele se orgulhava dela por isso, mas agora ela pensava que talvez tenha sido muito entusiasmada. Ele ficou entediado com ela... por que fora fácil demais?
E, mesmo antes de ele ter confessado seu tédio, ela sabia que ele não sentia tanto carinho por ela quanto seus irmãos por suas esposas.
Ela olhou para Nicholas e Selena, tão próximos que certamente eram a metade um do outro, e seu coração se encheu de dor, pois sabia que não deixaria de amar Joseph, mesmo agora, que o detestava quase tanto quanto o amava.
Seu futuro se mostrava como uma terra perdida e solitária à sua frente.
O que havia de errado por não inspirar amor nas pessoas que deveriam ter afeição por ela? Seus pais só a viam como um meio para um fim ou um doloroso desapontamento, e Joseph dera a ela apenas um papel remotamente mais importante na sua vida. O de amante e ajudante, mas estava feliz demais para jogar isso fora.
Ela se levantou, precisando sair dali, e o paletó caiu. Ela se abaixou para pegá-lo e o estendeu na direção de Joseph.
— Toma.
Ele pegou, com os dedos roçando os dela e ela puxou a mão, batendo no sofá, quando retraiu também o corpo em reflexo.
— Demetria, está bem, filha? — Denise perguntou, preocupada.
— Sim. A-apenas cansada. — Demetria estava sufocada com lágrimas que queimavam seus olhos, mas apenas parte delas eram pelo homem acamado no hospital. — Vou esperar no carro.
E, ignorando a etiqueta pela primeira vez na vida adulta, ela saiu do corredor sem se despedir de ninguém.
Demetria estava como um fantasma quieto, sentada ao lado de Selena no carro. Felizmente, a família já tinha decidido que ela estava muito preocupada com a doença do pai dele, e ele não achava que o comportamento dela fosse gerar suspeitas na cunhada.
Ela se recusara a fitar Joseph nas últimas horas. Ele não sabia o que ela havia sentido quando seus olhares se cruzaram no quarto do hospital. Ele tinha certeza de que havia conseguido controlar a raiva que sentia dela, pois não queria chatear o pai. Porém, algo que ela viu nos olhos dele a chateou a ponto de ela desviar o olhar com uma expressão no rosto que fez com que ele tivesse vontade de agarrá-la e abraçá-la, mesmo que esse desejo fizesse dele um idiota.
Depois disso, ela não olhou mais para ele...
Se a perspectiva do divórcio era tão ruim, por que ela o desejava? Ou seria a realidade de sua traição vindo à tona?
Ela era adorada pelos pais dele, e ele sabia que ficariam profundamente magoados se houvesse um divórcio. Especialmente se eles descobrissem que Demetria havia traído os votos do casamento. Ela adorava o pai e a mãe dele e não desejaria magoá-los com suas ações.
Será que ela finalmente estava começando a perceber quais seriam os resultados de suas ações?
Que pena não ter considerado isso antes de se envolver com outro homem. Só de pensar nela com outra pessoa, ele ficava furioso, e tinha de esconder perguntas raivosas na frente de Selena. Será que Demetria estava arrependida agora? Estaria avaliando o custo, agora que era tarde demais, desejando não ter pedido o divórcio? Ou ele estaria apenas envolvido em um pensamento esperançoso?
Talvez fosse uma simples preocupação por seu pai, mas Joseph nunca a vira perdendo o controle como ocorrera no hospital. E ainda havia o fato de ela não olhar para ele.
O paletó dele tinha o cheiro dela... um cheiro suave e floral que tinha o poder de deixá-lo doente de desejo.
Seus músculos estavam rígidos por causa do desejo de pegá-la em seus braços. Não que ele o fizesse nessas circunstâncias, mesmo se ela não tivesse pedido o divórcio e confirmasse suas piores suspeitas. Ele não demonstrava afeição publicamente. Sua dignidade como futuro soberano do trono Scorsolini exigia que fosse circunspecto ao lidar com a esposa.
Mas ver seu irmão mais novo beijar a mulher sem se importar com quem os estivesse observando despertou em Joseph uma estranha pontada na região do coração.
E ele tinha quase certeza de que Demetria também ficara abalada. Se ele não julgasse impossível, diante dos acontecimentos daquela noite, acreditaria que ela se ressentia por ele não agir da mesma forma com ela. Ele percebeu que, nos últimos meses, ela vinha olhando estranhamente para os seus cunhados e as esposas, e refletia sobre isso.
Será que ela buscara afeição com um homem mais expansivo? A ideia esfolava seu ego e seu senso de confiança masculina. Não ser tudo que aquela mulher queria era uma perspectiva difícil para qualquer homem. Mas como um homem que tinha de esconder a relação com ela poderia fazer demonstrações públicas de carinho?
E a relação era muito bem escondida. Até ela pedir o divórcio, Joseph sempre esteve quase certo de que suas suspeitas não passavam de tolices de um cérebro masculino. Porque ele nunca havia visto nenhuma impropriedade no comportamento da esposa.
Ele passou o tempo no avião pensando no passado, tentando analisar quando a havia perdido, mas, quando começou a pensar muito, forçou seu cérebro hiperativo a parar de dissecar as memórias.
Isso não estava lhe fazendo bem e ele estava enlouquecendo. Joseph deixaria Hawke fazer seu trabalho e enfrentaria a verdade de cabeça erguida. Como um homem.
Da mesma forma que enfrentava a possibilidade de perder o pai... sem lamentos, sem se recusar a aceitar o que tal fato traria para a sua vida. Desde criança, fora ensinado a enfrentar a vida com a perspectiva de um direito de nascença. A dele trazia mais responsabilidades, e elas permeavam todos os aspectos, inclusive seu casamento.
Sempre soube que um dia reinaria em Isole dei Re. Aceitou esse dever e tudo que envolvia todas as etapas da jornada de sua vida. Nunca se rebelou contra o que seu direito de nascença pregava. Ele não precisava fazer promessas ao pai de que cumpriria com seus deveres se o impensável acontecesse e ele não resistisse à cirurgia.
Os dois homens eram totalmente confiantes na adequabilidade de Joseph à função. Ele nascera e crescera para isso, sabendo o que significava. Era um príncipe coroado, destinado a ser o rei. Mas eles conversaram e seu pai falou a Demetria que eles deviam falar... sobre aspectos políticos, circunstâncias familiares e problemas pessoais.
Seu pai demonstrou uma forma de pensar que impressionou Joseph, mas nada mais impressionante que o fato de ainda estar apaixonado por Denise.
Toda aquela loucura da maldição dos Scorsolini que seu pai contou resumia-se a isso. Todas as amantes depois do divórcio do rei Paul tinham sido uma tentativa do pai de esquecer o amor de uma mulher viva. E não de uma morta.
Intensos sentimentos de culpa misturados a um luto que ele nunca se permitiria retirar em público caíram sobre Paul nos primeiros anos do casamento. Ele achava impossível pronunciar as palavras de amor necessárias para Denise, pois não conseguia admitir esse amor nem mesmo para si mesmo.
Mas os sentimentos cresceram dentro dele até ficar desesperado para encontrar uma forma de negá-los. Finalmente, em estado de total pesar pelo que perdera e pela forma como estava seu atual casamento, ele traiu sua promessa de fidelidade. Denise descobriu e, embora tenha aceitado um casamento de amor unilateral, recusou-se a tolerar infidelidade.
Sem se comprometer, o rei Paul não fez nada para evitar. Ele criou a ficção da maldição dos Scorsolini para abrandar sua dolorosa consciência e seu dilacerado orgulho logo depois do divórcio.
Ele chegou a acreditar nisso até a realidade do casamento de Liam. Eles estavam caminhando pela praia com as crianças. Paul olhou longamente para a mulher que dera à luz seu terceiro filho enquanto ela conversava com os netos.
Por alguma razão que ele ainda não entendia — mas confessou a Joseph que pensou que podia ser uma premonição do que estava por vir —, tudo se encaixava depois de mais de duas décadas de idiotice, como ele denominou.
Joseph não sabia o que fazer com as revelações do pai, ou entender por que o pai havia feito aquele desabafo. Mas sabia que o pai finalmente havia aceitado seu amor por Denise e estava preparado para lutar por esse amor. Se Joseph conhecia o pai como achava, os dias de solteira de sua madrasta estavam contados.
Desde que o rei Paul sobrevivesse à cirurgia.