sábado, 3 de agosto de 2019

VIDA DE PRINCESA CAPITULO 3


Demetria ouviu a porta bater sem acreditar e sentou-se na beirada da cama, com as pernas trêmulas.
Ele nunca havia verbalizado o quanto ela significava pouco para ele, mas sua partida quis dizer muita coisa. Ele não tinha tempo para ela, a menos que ela desempenhasse o papel de princesa à perfeição ou o de concubina em sua cama.
Lágrimas marcavam um caminho na face de Demetria.
Ela não tinha um casamento. Tinha uma parceria comercial em que era a sócia minoritária. E o sócio principal não tinha o menor interesse ou desejo de renegociar os termos. Ela cumpriria seus deveres, senão... Só que senão nesse caso era permanente e doloroso. E o que mais doía era que ela pensava que ele não se importaria.
Ele simplesmente passaria para outro casamento comercial depois de destruir o coração dela sem sequer se dar conta disso.
— Vossa Alteza, gostaria que eu pedisse comida? — perguntou um dos rapazes da segurança.
Ela escondeu o rosto para que ele não visse as lágrimas e respondeu.
— Não, obrigada. Pode fechar a porta?
A resposta foi o ruído da porta se fechando. Ela perdeu o controle quando a porta foi fechada e liberou suas emoções. Passara muito tempo se segurando, esforçando-se para omitir palavras de amor que queria expressar, escondendo sua irritação diante das frequentes separações impostas por Joseph em função de sua agenda e, no último mês, fingindo que as horríveis dores provocadas pela endometriose não existiam.
Inicialmente, ela havia se convencido de que era apenas uma cólica mais forte provocada pela interrupção das pílulas. Mas depois, quando Joseph viajou a negócios, ela sentiu muita dor e, ao se ver sobre uma poça de sangue no banheiro pela manhã, percebeu que havia algo errado.
Ela foi ver seu médico nos Estados Unidos, um costume que desenvolveu cedo no casamento, a fim de proteger sua privacidade. Era fácil para ela justificar viagens internacionais e esconder o verdadeiro objetivo de suas idas a Miami.
O prognóstico inicial do médico fora bastante perturbador. Ele pensou que ela sofria de endometriose, mas a única forma de saber realmente era fazer uma laparoscopia. Ela imaginou que poderia lidar bem com isso e aceitou uma prescrição para os remédios para dor até o mês seguinte, quando marcaria uma cirurgia.
Ela recebera o resultado no dia anterior, juntamente com um grande balde de água fria em sua esperança de que seria uma das sortudas que não sofrem tanto o impacto da doença. Aparentemente, sofria da doença há algum tempo, mas as pílulas haviam amenizado o efeito. Havia muito tecido ao redor dos seus dois ovários, e mesmo com a cirurgia para removê-lo, suas chances de engravidar naturalmente seriam inferiores a dez por cento. Mesmo que fizesse fertilização in vitro, não havia garantias.
Esses não eram o tipo de obstáculos com que o príncipe coroado Joseph contava quando a obrigara a fazer os testes de fertilidade antes de anunciar seu noivado. Um futuro rei tinha responsabilidades para com seu trono e uma das mais importantes era fornecer um herdeiro para dar seguimento à linhagem. Ele esperava que ela fosse capaz de fazer isso com cem por cento de sucesso e ela acabara se descobrindo estéril.
Depois de ver a forma como a imprensa e a família Scorsolini haviam reagido diante da suposta esterilidade de Nicholas, Demetria sabia que não havia chance de seu orgulhoso marido querer sofrer o mesmo pelo bem dela. E ela não esperava isso dele.
Se ele a amasse, seria diferente, mas muita coisa seria diferente também. Amor não era uma emoção fácil de fingir, nem podia ser substituída pelo senso de dever.
Joseph podia oferecer a continuidade do casamento, mas seu coração não estaria ali e ela não poderia viver com a sensação de que era um fardo para ele... uma fonte de humilhação ao seu orgulho real.
Um soluço escapou de dentro de sua garganta e ela teve de levar a mão aos lábios para impedir que ele fosse ouvido no quarto ao lado. Sentindo-se como uma mulher velha, ela se forçou a ficar de pé.
Tomaria um banho... pelo menos no banheiro teria privacidade para chorar.
Depois de fechar a porta e ligar o chuveiro, ela pôde chorar bastante. Ela enterrava a perda do seu casamento, a perda de suas esperanças de ser mãe e parava de lutar contra a dor decorrente de amar um homem que não a amava nem nunca amaria.
Ela reprimiu cruelmente qualquer esperança de que tudo fosse ficar bem. No fundo do seu coração, sabia que não ficaria. Depois da reação de Joseph à sua repentina alteração da programação, não tinha mais a menor esperança de que seu casamento sobrevivesse a este revés.
E isso a destruía. Além de tudo, ela havia nutrido a tola esperança de que estivesse errada, de que, de alguma maneira, eles poderiam resistir ao tratamento de sua doença e dos problemas que ela traria. Ela não admitiu para si mesma porque teria doído muito, mas agora que estava diante do fim do seu casamento, não tinha escolha a não ser reconhecer que a chama da esperança havia se apagado.
Joseph não poderia ter deixado mais claro que não a amava. Todas as suas ações apontavam para as funções cuidadosamente definidas dela em sua vida, nenhuma delas ligada às suas necessidades emocionais. A menos que ele contasse com sexo e, ainda assim... ela não importava para ele.
Demetria tinha muitas esperanças quando eles se casaram. Eles formariam uma família e ela conheceria o amor que nunca conheceu dos seus pais com os filhos que viriam. Também esperava que Joseph eventualmente viesse a amá-la. Ela sempre quis isso, e agora não havia nada além das cinzas de um fogo que a havia consumido por três anos.
Ela queria ser mãe. Queria muito. Por que ele quis esperar? Por quê? Não era justo. Se tivesse engravidado logo no começo, talvez a endometriose não tivesse se manifestado. Mas os "e se" eram inúteis.
Ela havia aprendido que eles tinham muitas limitações. Ela queria dar à luz um herdeiro Scorsolini e educá-lo sabendo que o amor iluminava o caminho, e não os deveres, que havia mais na vida do que sua posição. Ela queria retificar os erros que seus pais haviam cometido com ela. Queria uma chance de amar, sabendo que as crianças a amariam, mesmo que seu pai nunca conseguisse fazê-lo.
Caindo de joelhos, ela chorou.
— Meu Deus, isso não é justo! — As palavras ecoaram no box e não havia ninguém para responder... ou, se Ele tivesse respondido, ela não ouvia a voz que vinha do paraíso.
Ela cobriu o rosto e chorou, mas, em algum momento, as lágrimas teriam de cessar. Ela chorou até secar. Desligou o chuveiro, com a garganta dolorida e os olhos quase embaçados. Não havia possibilidade de alguém olhar para ela sem perceber como havia passado a última hora, mas ela não se importava. Joseph não voltaria tão cedo e, quando chegasse, ela planejava estar dormindo. Estava cansada demais, esgotada emocionalmente.
Ela não havia notado o quanto era exaustivo fingir contentamento até permitir que tudo fosse embora. Com os membros doloridos, ela vestiu uma camisola e se deitou, sem se importar com o horário — apenas sete da noite.
Sem pensar, sua mão automaticamente procurou o outro lado da cama, mas é claro que estava vazio. Como havia ficado em tantas noites durante o casamento e ficaria todas as noites quando ela saísse de Nova
York. Um soluço seco parou em sua garganta e ela o engoliu novamente, mas ensopou o travesseiro com lágrimas silenciosas antes de cair no sono. Ela pensou que as lágrimas jamais fossem acabar...
Ela acordou mais tarde, com o som do chuveiro e a luz vinda pela porta entreaberta do quarto. Eram nove horas. Ela piscou, tentando imaginar o que aquilo significava. Era mais cedo do que ela supunha que ele voltaria, mas não tão cedo para ela pensar que ele havia voltado por causa dela.
O chuveiro foi desligado e, um minuto depois, Joseph entrou no quarto totalmente nu e secando os cabelos. Ele se inclinou para acender o abajur do seu lado, iluminando seu corpo bronzeado com a meia-luz.
Ela sentiu a boca seca ao perceber desejo e necessidade emocional apertarem em sua barriga. Não havia mais lugar para desgaste dentro dela, mas, ainda assim, ele crescia, como se seu coração já não estivesse dizimado.
Ele jogou a toalha para o lado e olhou para ela. E então parou ao perceber o olhar dela.
— Está acordada.
— Você voltou.
— É claro.
Ela estremeceu diante do sarcasmo.
— Como foi a reunião?
Ela não se importava, mas nada mais veio à sua mente e o silêncio absoluto não funcionaria. Além disso, ela não tinha dúvidas de que a reunião fora exatamente como ele havia previsto. Ele era esse tipo de homem. Era necessário um forte desejo como a inteligência de Sócrates e Einstein combinadas para derrubar os planos de Joseph.
"Ou um sistema reprodutivo rebelde de uma mulher", zombava uma voz em sua mente. Ele não poderia lutar contra isso, independentemente do quanto fosse teimoso e inteligente, poderia? E mesmo que pudesse, não iria querer. Ela teria de fazer tratamentos que poderiam ou não ser bem-sucedidos para gravidez, e a imprensa aproveitaria tudo isso.
Ela não podia suportar o pensamento do que isso significava e sabia que ele não toleraria tamanha intrusão em sua vida.
— Foi como eu esperava. Roberto falou que você não jantou.
— Comi no avião.
— Uma xícara de café com dois biscoitos não é jantar.
— Foi o que eu quis.
— Está doente? — ele perguntou de uma forma tão direta, sem o menor traço de compaixão e preocupação, que ela estremeceu novamente. —
Se está, não deveria estar viajando.
— Não se preocupe, não vou passar gripe nem nada para você. Não estou doente.
— Esperava que estivesse acordada quando eu voltasse, mas não estava.
— Eu não tinha como saber a que horas você voltaria.
— Passa um pouco das nove horas — ele afirmou isso como se não pudesse acreditar que ela fosse para cama tão cedo.
Se ele soubesse que ela tinha ido se deitar por volta das sete horas, teria certeza de que estava doente. Ela não via razão para esclarecer nada.
— Estava cansada.
— Está grávida? — ele perguntou com a mesma falta de emoção que empregou para saber se ela estava doente.
As palavras a apunhalaram. E não havia nenhum sentimento de antecipação nos traços dele, nenhum aviso diante da possibilidade, o que a magoava tanto quanto todo o resto.
— Não. Não estou grávida — ela forçou-se a dizer.
— Tem certeza?
Demetria tinha certeza.
— Sim.
— Então esse comportamento estranho é resultado da tensão pré-menstrual?
Sem dúvida, grande parte do que ela sentia era causada pela influência do desequilíbrio hormonal.
— Se isso o deixa contente, sim.
Guiada ou não pelos hormônios, a certeza de que seu casamento chegara ao fim era real. A falta de amor dele era um fato. O imprevisível sistema reprodutor de Demetria não era semelhante ao dos sonhos dela, e a dor que sentia por dentro era física, o que dificultava sua respiração.
Ele fez um movimento impaciente.
— Nada nessa situação me deixa contente.
— Sinto muito.
— Não quero desculpas. Quero uma explicação. Você falou que tinha algumas coisas para conversar comigo, mas volto para o quarto e a encontro dormindo.
— Isso é crime?
— Não, mas não está fazendo sentido algum para mim agora.
__Deus me perdoe se não sou mais adequada ao papel que atribuiu a mim em sua vida.
— Não fiz nada para merecer o seu sarcasmo.
— Exceto recusar-se a me ouvir.
— No seu cronograma. Estou aqui agora. Pronto para ouvir. — Ele espalhou as mãos em um gesto expansivo que também serviu para chamar a atenção dela para a beleza do seu corpo nu.
Ela sentiu as lágrimas queimarem a parte de trás de seus olhos. Sentiria tanta falta dele, e sequer ficava constrangida em admitir que parte dessa saudade seria pela necessidade física que deixaria de ser correspondida. Porque, para ela, o desejo era parte do amor, e ela sentiria saudade dele das duas formas.
Ela suspirou, tentando respirar e vivenciando um tipo diferente de dor do que a vinha consumindo seu corpo há alguns meses.
— Percebi que fui uma idiota vindo até aqui para conversar com você. Esperar três dias não vai mudar nada. Não tenho nem certeza se há necessidade de falarmos sobre o que eu queria.
Na realidade, ela apenas queria contar a ele sobre a sua doença e deixar que ele agilizasse os papéis da separação. Mas depois do holocausto emocional no chuveiro, ela não tinha condições de discutir com ele. Suas reservas emocionais haviam se esgotado e ela simplesmente não podia enfrentar o fato de contar a ele que falhara como mulher, como esposa, especialmente diante da óbvia hostilidade dele.
— Por que isso? — ele perguntou com um tom perigosamente macio na voz que ela estava muito exaurida para compreender. Ele não deveria ficar aliviado por ela não querer demonstrar seu lado emocional a ele?
— Algumas coisas não podem mudar — independentemente do quanto desejasse.
— E que coisas são essas?
— Prefiro não falar sobre isso agora — ela admitiu, com uma voz evasiva demais até para si própria.
Em um movimento que ela não esperava, ele veio para o seu lado na cama a uma velocidade incrível e a levantou.
— Que pena, porque eu quero.
Ela engasgou e abraçou o pescoço dele para impedir-se de cair.
— Nem sempre as coisas são do seu jeito.
— Este não é um conceito que eu reconheça.
— Então já é hora de reconhecer. Ele apertou-a num abraço.
— Pare de jogar e me fale o que está fazendo com que aja de forma tão diferente do seu caráter.
A fúria que sua voz carregava dizia que sua paciência havia acabado. E seu olhar duro dizia que não desistiria enquanto ela não falasse. Independentemente do que ela quisesse e do quanto fosse duro para ela, ele
não sossegaria sem ouvir o que queria.
Ela sabia disso e finalmente aceitou. Havia começado isso tudo e agora tinha de acabar, mesmo querendo adiar a revelação. Mesmo tendo se arrependido de sua impulsiva decisão de ter ido a Nova York. Ela sentiu lágrimas presas na sua garganta e sabia que não poderia contar a ele sobre a sua deficiência sem que se emocionasse. Só havia uma coisa a dizer.
E ela não sabia como fazer isso.
Sentindo-se pressionada pela resistência de seu estado emocional atual e maravilhada pela simples sensação de ser mantida presa nos braços dele, com a certeza de que seria a última vez, ela acabou explodindo:
— Temos que nos divorciar.
Com os olhos tomados de uma raiva hostil, ele a largou em um ato de intenso repúdio, provocando um nó no seu estômago, para somar-se a todas as demais dores que sentia. Se ela não tivesse se agarrado a ele para obter apoio, cairia direto no chão.
Mas ele se afastou do toque dela com grande desdém.
— Sua cretina!
Ela nunca o vira tão irritado, e isso a assustava.
— Eu... eu tenho que contar...
— Só vai se divorciar de mim por cima do meu cadáver — ele interrompeu com uma voz mortal.
Ela ficou boquiaberta, mas não conseguiu falar nada. Ela tentou, mas as palavras não saíam. Tudo aquilo era muito doloroso. Nunca acreditou que teria de dizer essas palavras a ele. Teria feito qualquer coisa, dado qualquer valor em dinheiro... até mesmo anos de sua vida para não ter de dizer isso. E, diante da péssima resposta dele ao seu pedido de divórcio, ela não conseguia falar a verdade sobre a sua total falha como mulher.
Ele a magoara muito e não sobrara nenhuma esperança dentro dela para que pudesse compartilhar com ele suas emoções.
E a dureza da reação dele a confundia... dificultava seu raciocínio, enfrentar o que devia ser dito. Ela simplesmente não esperava que ele reagisse com tamanha irritação. Afinal de contas, eles estavam discutindo a dissolução do que ele considerava um contrato comercial. Nada mais.
Para ele. Para ela, era o fim de tudo de lindo em sua vida.
A menos que... talvez o casamento fosse mais importante para ele do que ela pensava. Seria verdade? Será que a reação dele significava que, no fundo, ele se importava? O coração dela dava saltos no peito... Será que ela o havia interpretado mal desde o começo? Todas as evidências que compilou no pensamento diziam que ela não era importante para ele no plano pessoal, não por quem era, a pessoa interior que ansiava ardentemente por seu amor.
Mas será que ela havia entendido tudo errado? Não conseguia ver como. Ela sacudiu a cabeça. Simplesmente não era possível. Talvez ela tivesse interpretado mal algumas palavras aqui e ali, mas não todo um estilo de vida que continuamente demonstrava o quanto ela representava pouco na vida dele. E nada poderia ser mais convincente do que saber como um homem Scorsolini reagia ao amor, pois ela observava os irmãos mais novos de Joseph.
Porém, ele reagia como se o fim do casamento realmente importasse.
— Por que está tão irritado? — ela perguntou quase em um sussurro, tentando não criar esperanças novamente.
Ele olhou para ela com uma incrédula fúria.
— Acabou de me dizer que quer o divórcio e me pergunta isso?
— Sim — a resposta dele significava muita coisa, e ela tremia de medo e antecipação do que poderia ser.
— Eu tinha certas exigências quando procurei uma mulher, você sabia disso — ele falou entre os dentes.
— S-sim — não parecia promissor.
— Uma dessas exigências era que minha mulher compreendesse e aceitasse a importância dos deveres e sacrifícios na felicidade pessoal pelo que fosse melhor para Isole dei Re.
— Você estava sacrificando sua felicidade pessoal ao se casar comigo? — ela perguntou dolorosamente.
Ela sempre imaginava. E se ele desejava uma mulher diferente? Uma que fosse mais animada e empolgante? Uma mulher que não necessariamente fosse uma princesa ideal, mas que correspondesse à feroz paixão que borbulhava sob a sólida superfície do dever dele?
— A felicidade nunca vem, de uma forma ou de outra.
Sofrendo, ela falou:
— Para mim, vem. Fiquei feliz por me casar com você. Eu o queria mais do que poderia imaginar.
Por alguma razão, as palavras dela fizeram com que ele vacilasse.
— Mas agora você quer o divórcio. Seu desejo por mim, essa felicidade que você menciona, tiveram vida curta. Não duraram nem três anos completos. E o que foi que eu deixei de oferecer a você que tenha prometido?
— Nada — ele não se esquivara de nada, a não ser do seu amor, e isso nunca fora parte da oferta da barganha.
— Então, concorda que não deixei de cumprir à minha parte em nosso acordo de casamento?
— Sim, concordo.
— Também sabe que se casou comigo ciente de que seria para a vida toda?
— Sim, claro.
Ele parou imponente diante dela, com sua fúria ainda mais poderosa, pois estava maravilhosamente nu e nem um pouco envergonhado por isso.
— Então, também deve aceitar que não vou permitir que renegue o compromisso que firmou comigo.
— Às vezes, acontecem coisas que impedem que o acordo dê certo.
— Não no nosso casamento, elas não acontecem.
— Acontecem. Aconteceram. Eu... — a garganta dela fechou. Tinha que dizer, mas doía mais do que podia imaginar.
— Não fale — ele gritou. — Nunca vou deixá-la ir.
Ela o encarou.
— Não quer dizer isso — ela desabafou.
Ele se esquivou dela, todo o seu corpo vibrando com uma ira palpável que ela ainda não conseguia entender.
— Não vai se esquivar do nosso casamento e me tornar o segundo soberano da família Scorsoiini a experimentar o divórcio. Entendeu? — ele gritou com uma voz dura e fria. — Não vou deixar que faça de mim motivo de chacota.
Finalmente, ela compreendeu. Não era o coração dele que sofria; era seu orgulho. Ele não precisava dela, somente do casamento, pois não queria passar por idiota. Ela sentia raiva dentro da alma. E agonizara diante da possibilidade de perdê-lo, mas ele apenas se importava com sua imagem na comunidade internacional.
— É isso o que conta para você? Que as pessoas o comparem com seu pai?
Ele virou para encará-la, com uma máscara de pedra no rosto.
— Meu pai quebrou seus votos de casamento. Eu não quebrei os meus. Não vou deixar que se divorcie de mim simplesmente porque quer quebrar os seus... ou já o fez?
A ênfase que ele deu à última frase causou calafrios em Demetria e ela teve de respirar fundo para conseguir falar.
— Não tenho alternativa.
Ele pronunciou uma frase que a deixou paralisada.
— Sempre temos alternativas, você está escolhendo a opção errada. Você me prometeu um herdeiro para me suceder no trono. E agora? — ele perguntou completamente decidido.
Ela quase sufocou diante da dor gerada por essas palavras. Não
podia dar a ele esse herdeiro e as palavras dele reiteravam o único fato que se mostrava requisito fundamental para ela como mulher dele.
— Eu não queria que fosse assim. Por favor, acredite em mim.
Mas ele parecia mais capaz de estrangulá-la do que de compreendê-la. Mesmo sabendo que nunca o faria, que nunca a machucaria fisicamente, ela se pegou recuando diante dele.
Ele cerrou ainda mais os dentes.
Bateram à porta e ela se assustou.
— Vá embora — gritou Joseph.
Ela nunca o ouvira usar esse tom e sabia que, se estivesse do outro lado da porta, teria atendido, mas depois de um breve momento, a batida se repetiu.
— Vossa Alteza, é extremamente urgente. Joseph reclamou em italiano. Então, colocou o robe preto e abriu a porta.
— O que foi?
Ela não conseguiu entender o que o rapaz da segurança falou, mas ouviu os xingamentos vindos da boca do marido, enquanto seu corpo estremecia como se tivesse recebido um soco.
— Joseph... o que foi? — ela perguntou.
Mas ele apenas sacudiu a cabeça e abriu toda a porta, obviamente planejando sair do quarto. Ele parou na saída e olhou por cima do ombro com uma expressão furiosa.
— Isso não acabou.
O segurança olhou para Joseph preocupado e olhou para Demetria curioso, antes de acompanhar o patrão ao outro quarto. Demetria não sabia como agir em relação a outro confronto com Joseph ou àquilo que acabara de interrompê-los.
E, pela segunda vez na noite, ela ficou sem ação no meio do quarto, lidando com fortes emoções depois que ele a deixava. Ela não podia imaginar o que seria mais importante que o fim do casamento deles, mas poderia ser qualquer coisa, ela notou tristemente. No entanto, ela reconheceu que devia ser algo muito importante, para a segurança ter interrompido mesmo depois de uma represália de Joseph.
Ela caminhou pelo quarto, sentindo-se na Terceira Guerra Mundial, sem saber exatamente se era uma sobrevivente ou não. Embora nem ela nem Joseph tivessem levantado as vozes um para o outro. Porém, mesmo com o tom baixo, ninguém duvidaria do quanto estava furioso com ela, do quanto estava determinado a manter o casamento pelas aparências.
Ela esfregou os olhos sentindo-se cansada, apesar de ter sido acordada depois de um longo cochilo e de ainda não ser tão tarde. Foi tão estúpida em pensar que poderia significar algo para Joseph em um nível
pessoal. A principal razão para ele querer manter-se casado com ela era o fato de não querer ser o segundo Scorsolini da história a ser deixado pela mulher.
Sob a perspectiva dele, ela não tinha o direito ou razão para humilhá-lo dessa forma. Ele lutara para se casar com uma mulher que cumprisse seus deveres à risca. Ela se lembrou de quando ele lhe contou sobre o divórcio da madrasta com o pai.
Demetria ficou impressionada com o fato de a mulher ter ido até as últimas consequências. Ela cresceu cercada por casais que se mantiveram casados em circunstâncias similares pelo bem da união política. Agora, ela percebia por que Joseph apreciava tanto essa atitude. Embora fosse totalmente comprometido com a fidelidade, ele gostava de saber que ela fora treinada para acreditar que os votos do casamento deveriam durar por toda a vida, apesar das diferenças pessoais. O dever em primeiro lugar, sempre.
E essa foi exatamente a razão de Demetria pedir o divórcio, mas ele não sabia disso. Quando soubesse, ele ansiaria por um fim no casamento e buscaria divórcio por conta própria.
Demetria, lentamente, sentou-se em uma das poltronas, tomada pelo cansaço.
Ela não poderia ter agido de forma pior em um confronto com ele. Em vez de ter contado sobre a sua doença e quase certa infertilidade, falou que eles teriam de se divorciar. Embora aquilo devesse ser verdade, não era a primeira coisa que devia ter dito a ele.
Ele pensou que ela queria o divórcio, o que não podia ser mais distante da realidade, mas o dever dizia que ela deveria abandonar o homem que amava pelo bem dele e do país. As palavras finais dele antes de terem sido interrompidos diziam isso. Ele precisava de herdeiros. Ela não podia garanti-los. A probabilidade de concepção não era suficiente para um futuro rei.
Esses fatos deixaram seus sonhos em pedaços. Por que a vida era tão dura? O que havia feito de errado para provocar essa tristeza a si mesma? O médico dela falou que não era pessoal, a endometriose ocorria em milhares de mulheres, mas ela sentia que era algo pessoal.
Especialmente quando os resultados da doença estavam destruindo sua vida em um caminho de dor e sofrimento.
E essa foi sua única desculpa para a forma como lidou com as notícias. Estava sofrendo muito, sua usual diplomacia a castigava tanto... Seu pai teria ficado bastante envergonhado, embora nunca tivesse se importado muito com ela.
Os psicólogos sempre dizem que as mulheres se casam com
homens parecidos com seus pais e ela estava determinada a não agir assim. Sempre acreditou que tinha sido bem-sucedida ao se casar com um homem bem diferente, mas agora percebia ter feito exatamente o oposto. Casou-se com um homem tão pouco interessado nela quanto seu pai.
Olhando para trás, para os quase três anos de casamento, ela via que Joseph empregava meios sutis de demonstrar que ela ocupava um lugar insignificante na sua vida também. Ela simplesmente não via os sinais porque queria desesperadamente que eles dissessem algo diferente. Como ele precisava dela das formas mais básicas — sexualmente e como uma aliada à sua posição —, ela acreditava que ele tinha mais sentimentos por ela que seu pai.
Não podia sequer culpá-lo por tê-la decepcionado. A desilusão fora consumada por si só. Mas reconhecer isso não causava menos sofrimento.
Falando sobre ser uma idiota, Demetria assumira muito bem esse papel, admitindo que doía quase tanto quanto a rejeição de Joseph.
E a atitude dele não fora menos que isso. Ele queria manter o casamento intacto, mas apenas por causa do seu orgulho e pelo bebê que ele esperava que ela lhe desse. Não porque quisesse mantê-la como esposa. Não porque ela significasse alguma coisa.
Ela estremeceu, todo o seu corpo tremia violentamente e acabou se dando conta de que estava muito fria. Era um frio que vinha lá de dentro, mas, mesmo assim, ela se levantou e se cobriu com o cobertor da cama. Não adiantou.
Sentir-se tão sozinha enquanto esperava não era uma opção, e ela sentou na poltrona... e esperou.
Joseph falou que não tinham acabado e, por mais que não quisesse dar continuidade à briga, ela não tinha dúvidas de que era o que aconteceria quando ele voltasse. E, mesmo que doesse muito, que as respostas dele fossem tomadas de orgulho... ela lhe devia uma explicação.
Não saberia dizer quanto tempo ficou ali, com os pensamentos divagando no cérebro. Podem ter sido alguns minutos ou uma hora, mas em algum momento ele voltou para o quarto com uma expressão que ela jamais vira antes e disse:
— Vista-se.


NAO XINGUEM O JOSEPH, AINDA!
ele ta sofrendo muito por que nao sabe da missa a metade, aguardem os proximos capitulos pra o xingar

sábado, 27 de julho de 2019

VIDA DE PRINCESA CAPITULO 2 HOT


— Não estava tentando provocar — ela negou.
Ele retirou a gravata e começou a desabotoar a camisa.
— Imagine se quisesse.
De repente, ela percebeu que ele não havia tentado jogar água fria, mas pretendia entrar na enorme banheira com ela. Ela sorriu, aliviada.
— Tem certeza disso?
Ele tirou a calça e a cueca e revelou sua impressionante e rígida ereção. Ele realmente a desejava, mas, pela expressão de seu rosto, não estava contente com isso.
Ele entrou na banheira e a puxou ao seu encontro em apenas um movimento, roçando seu rígido membro contra ela em uma contenda sexual.
— Não tenho mais certeza de um monte de coisas em relação a você.
Ela abraçou o pescoço dele, deleitando-se em seus fortes músculos e no calor de sua pele.
— Pensei que sempre tivesse certeza sobre mim... sobre tudo.
— Eu gostaria. — A boca dele procurou a dela e ela não encontrou a costumaz e sedutora astúcia.
Algo havia realmente o incomodado e ele mal conseguia se controlar. Seu marido ultra urbano estava demonstrando um lado de sua natureza que sempre fizera questão de esconder cuidadosamente. Demetria duvidava que sequer ele soubesse que esse lado existia, embora ela sempre tivesse suspeitado disso. Às vezes, ela via olhares quando estavam fazendo amor, mas essa fora a primeira vez em que viu o controle dele à risca. Não se importava. Na realidade, ela adorava isso.
Paixão descomplicada era tudo de que precisava agora para livrar a mente de pensamentos que não conseguia sustentar. Ela correspondeu ao
beijo, deixando o desespero que sentia se traduzir em uma necessidade física que ultrapassava a retribuição à dele. Ele aprofundou o beijo de uma forma que sua língua assumia total possessão da boca de Demetria.
Ela deixou os dedos descerem pelos fortes contornos do peito dele, acariciando seus cabelos pretos e macios, e puxando-os ligeiramente.
Ele afastou a boca.
— Si, cara. Você sabe o quanto gosto disso. Faça novamente.
Ela fez e então se inclinou para frente para provar a pele salgada dele com a ponta da língua. Se ao menos ele a amasse, e não apenas se importasse com o que ela poderia lhe dar... Mas pensar nisso traria dor, e não prazer, e ela trancou a porta de sua mente, que tratava desse assunto com ferocidade.
Ela se aconchegou nele, apreciando seu cheiro e a sensação de seu calor contra o rosto dela. Era tão perfeito para ela fisicamente.
As grandes mãos dele apalparam o bumbum de Demetria e ele a levantou, roçando sua ereção contra a junção das coxas dela, provocando uma resposta úmida e pulsante em que ela se deleitou. Ela emitiu um gemido rouco. Sentia uma necessidade tão intensa que enterrou os dedos na pele macia dele.
Ela o amava tanto e por isso, nesse momento, ele era absoluta e totalmente seu.
Ela pressionou os seios contra o peito dele e roçou de um lado para o outro. A estimulação aos bicos rígidos de seus seios, juntamente com a forma como ele unia seus corpos intimamente, quase fora suficiente para levá-la ao orgasmo.
De repente, ele se moveu dentro da água com ela por cima do corpo, jogando ondas de água aromatizada pelo chão. Ele abriu as pernas dela para que ela montasse nele, enquanto ele a puxava pelos quadris e a penetrava com vontade. Sua pontaria foi perfeita e ele a preencheu completamente em apenas uma investida.
O corpo dela estremeceu com a súbita intrusão, mas não chegou a doer.
Parecia tão bom, tão certo... tão apertado. Eles se encaixavam perfeitamente dessa forma... como seu corpo podia torná-la imperfeita para ele na forma que mais importava?
Ele afastou a boca.
— O que foi? Qual é o problema?
Ela o fitou, os olhos ardendo com as lágrimas que jamais deixaria que ele visse.
— Nada. Você parece tão incrível dentro de mim — ela arfou.
— Você ficou imóvel.
— Sempre dói um pouco no início.
Ele sorriu, com seu ego masculino inflado.
— Sim, mas você gosta, certo?
— Adoro. — Adoro você, ela sussurrou profundamente em seu coração. Para sempre.
— Então, deixe-me tomá-la novamente.
—Sim.
Ela deixou, excitada diante da falta de dor e desejando que assim continuasse durante toda a transa. Já era cuidadosa para não deixar que ele fosse muito profundamente, e ele deixou que ela controlasse. Ela sempre brincava com ele assim, e era muito prazeroso para ambos.
Inclinando a cabeça para trás e respirando ofegante, o rosto dele se contorcia de prazer, quando ele disse:
— Você é muito boa nisso.
— E você é incrível.
Ele ficou rígido sob ela, com o corpo preenchido por uma tensão que não tinha nada a ver com prazer sensual.
— Então, por que tem me rejeitado tanto ultimamente? — ele perguntou, com a voz ligeiramente tomada de emoção.
Ela não tinha resposta... pelo menos não uma que estivesse pronta para discutir agora, quando o prazer. Estava à beira de fazer com que esquecesse de tudo então, em vez de dizer algo que pudesse estragar tudo, ela o beijou. Ele retribuiu, e sua boca logo assumiu o controle e beijou os lábios dela, como se buscasse punição. Não que ela não se sentia punida. Ela respondia com ardor e aumentou o ritmo da transa até sentir um prazer crescer dentro de si e parar na estratosfera, sentia que a sua mente fora esvaziada de pensamentos racionais, e seu corpo estremecia com a satisfação mais completa.
Ele agarrou os quadris dela e penetrou uma vez, duas... três vezes e a levou a um segundo orgasmo, tão próximo ao primeiro que deixou seus pulmões vazios.
Ele gritou e ela sentiu o calor dele dentro do seu corpo, antes de tomar ar e cair sobre o seu corpo, cansada.
Ela beijou o peito dele.
— Foi maravilhoso.
— Sim — ele respondeu, respirando pesadamente. — Sempre é.
— Sim.
— Então, por que...
Ela cobriu a boca dele com a mão.
— Sem conversas. Vamos apenas curtir. Certo?
Ele franziu a testa.
— Por favor — ela implorou.
Ele assentiu com um movimento rápido de cabeça. Ela sorriu e deixou a cabeça recostar no peito dele novamente.
— Gostaria que ficássemos assim para sempre.
— Você falou sem conversas.
— Falei — ela o beijou novamente, pois não conseguiu evitar, e relaxou o corpo.
As mãos dele passaram dos quadris dela para as costas e ela se aconchegou no círculo dos braços dele, seus corpos ainda conectados da forma mais íntima possível.
Então, ele a carregou para o box e eles fizeram amor novamente sob o chuveiro antes de tomarem banho e irem para a cama, onde ela adormeceu assim que deitou.
Ela acordou sozinha e enterrou a cabeça no travesseiro, sentindo o cheiro de Joseph.
A noite anterior tinha sido incrível. Ele a acordou de manhã cedo e fez amor com ela com tanta ternura e gentileza que ela chorou quando gozou. Ele a abraçou depois, acariciando suas costas e sussurrando em italiano o quanto gostava de seu corpo e o quanto era linda.
Mas, depois de três anos, ela percebeu que ser linda para ele não era suficiente. Não era amor e não poderia durar para sempre, pois a beleza um dia acaba. E uma ótima satisfação sexual poderia não superar a inabilidade dela de dar o que ele esperava. Herdeiros para o trono do Scorsolini. Era hora de contar a verdade. Mas, quando desceu, descobriu que ele havia viajado a Nova York a negócios. Ela havia se esquecido totalmente da viagem e não sabia se conseguiria esperar três dias para resolver as coisas entre eles.
Ela não deixou escapar o fato de ele ter partido sem se incomodar em acordá-la para se despedir. De alguma forma, isso piorava a situação. Talvez porque fosse um forte indício da falta de verdadeira intimidade na relação deles e de qualquer confiança concreta que ele tivesse nela.
Não havia nenhuma. Eles eram casados, mas ela não era mais necessária na vida dele do que seus empregados. Se não fosse pelo sexo, a relação deles não seria mais pessoal que as demais que ele tinha. E, quando não havia sexo, também não havia relação.
Quantas viagens de negócios ele fazia mensalmente? Ele alguma vez havia pedido sua companhia? Não.
Ela era conveniente para ele e tinha de admitir isso.
Mas, droga, doía.
Precisava ser mais para ele. A única esperança para o seu futuro era ela significar algo a mais para ele. O que significava que não havia
esperança.
Seu celular tocou e ela virou na cama para atender. Quando viu que era Joseph, seu coração acelerou.
— Alô.
— Bom dia, bella.
Por alguma razão, o elogio doía naquele dia, pela manhã. Seria ela mais que um rosto e um corpo para ele? Será que tinha valor além da aparência e da postura que sua mãe sempre insistiu que tivesse?
— Bom-dia, Joseph. — Ela esperava ansiosamente que ele dissesse a razão da ligação.
— Estou a caminho do hotel e queria que você estivesse comigo.
— Sério?
— Si. Não gosto quando nossas programações nos separam.
— Então, por que nunca me convida para ir com você? — ela perguntou, com uma esperança crescendo em seu coração.
— Você tem suas obrigações. Eu tenho as minhas.
— E as obrigações sempre vêm em primeiro lugar?
— Elas são necessárias. São nosso dever.
— Elas nem sempre são prioridade para Liam e Miley, ou para Nicholas e Selena. — Mas os irmãos dele amavam suas esposas.
Uma das coisas que mais haviam doído nos últimos meses fora ver como um príncipe Scorsolini apaixonado agia e não reconhecer esse tipo de comportamento de Joseph em relação a ela.
— Nenhum de meus irmãos será o próximo rei de Isole dei Re. Eles podem colocar os deveres em segundo plano, eventualmente. O país não depende tanto deles. E as esposas deles não têm tantos deveres quanto a minha. — Ele falava como um professor recitando a lição.
A paciência na voz dele era pior que um tapa em Demetria.
— Sinto saudades — ela falou, sem disfarçar.
— Estou fora há menos de um dia.
— Está dizendo que não sente saudades? — ela perguntou, desejando que a pergunta não soasse como uma lâmina cortando suas entranhas. Já era demais ele desejar que ela estivesse com ele.
— Vou sentir sua falta hoje à noite.
Se ele tivesse planejado não teria dito nada mais doloroso.
— Na cama — ela falou diretamente.
— Somos bons na cama.
— Em nada mais? — ela perguntou, pela primeira vez não se esforçando para esconder o quanto isso a chateava.
— Não seja ridícula. É minha esposa, e não minha concubina. Por que faz uma pergunta dessas?
— Talvez porque esse seja o único lugar em que sente minha falta.
— Eu não falei isso.
— Desculpa, mas falou.
— Não liguei para discutirmos. — O tom frio da voz dele era claro. — Mas, para seu conhecimento, não foi isso que eu quis dizer.
Talvez ele não tivesse desejado dizer isso, mas disse. Os fatos falavam por si mesmos.
— Por que você ligou? Nós dois sabemos que não foi apenas para dizer oi. Não espero esse tipo de ligação de sua parte.
— Qual é o seu problema? Talvez tenha sido exatamente por isso que liguei.
Ela não estava nem um pouco convencida.
— Provavelmente, não.
— Estava pensando em você e queria ouvir sua voz, está bem assim? — ele perguntou, parecendo muito irritado com ela.
Oh, droga. Será mesmo?
Claro que sim. Joseph nunca mentia conscientemente, mas, ainda assim, ela tinha de perguntar.
— Isso é verdade?
— Não tenho o hábito de mentir para você.
— Sei que não. E é uma das coisas que mais aprecio em você.
— Você pode dizer o mesmo?
Ela ficou surpresa por ele ter feito tal pergunta.
— Claro que posso. Você sabe que não minto para você.
— Mas talvez não sinta que esconder informações de mim seja o mesmo que mentir.
Será que ele sabia da doença dela? Impossível... fora cuidadosa demais para manter tudo em sigilo.
— Não sei o que quer dizer. — Pelo menos isso não era mentira, mas também não era a verdade completa. Talvez ela tivesse mais características paternas do que poderia admitir.
— Tem certeza?
— Ninguém conta tudo, mas isso não quer dizer que eu minta para você — ela falou, defendendo uma posição cuja razão ele não entendia. Mas não havia como ela contar a notícia da infertilidade por telefone.
— Espero que seja verdade, Demetria — ele suspirou. — Tenho outra chamada entrando. Preciso ir.
— Está bem. Tchau, Joseph.
— Tchau, bella.
Ela desligou, mas, depois que se arrumou e saiu do apartamento, não conseguia parar de pensar no que ele dissera, no que ela respondera e no
que não fora capaz de revelar. Ela devia a verdade a ele, tanto sobre sua doença quanto sobre seus planos a respeito disso.
Ele ficaria aliviado. Teria que ficar.
Mas uma pequena parte do seu coração esperava que, contra toda a lógica, ele não reagisse assim. Que ele se recusasse a deixá-la fazer a coisa certa... a única coisa lógica a fazer nessas circunstâncias.
— Vossa Alteza...
Demetria despertou de seus pensamentos para encontrar sua secretária pessoal à sua frente.
A lealdade de Ida era inquestionável, sua discrição sem igual, assim como sua elegância. Além do médico de Miami, ela era a única que conhecia o resultado da laparoscopia.
— Ida... preciso ir a Nova York.
— Acho que posso cancelar seus compromissos. Se você conseguir atender a primeira pessoa, pedirei a uma empregada que faça sua mala enquanto cancelo sua agenda. Você e o príncipe precisam conversar. Apenas se lembre... um casamento não significa apenas ter filhos.
— O meu, sim.
— Não pense assim.
Ela gostaria de pensar como Ida, mas não podia.
Ela chegou a Nova York naquela noite, com os nervos à flor da pele. Passou toda a viagem remoendo o que falaria a Joseph, mas não conseguia passar da primeira empreitada, pois sempre que pensava que ele concordaria com o final do casamento, sua garganta ficava apertada.
Ela pediu aos seguranças para não alertarem seu marido sobre a sua intenção de unir-se a ele. Por alguma razão pensou que o elemento surpresa poderia ser um aliado. Ela fora informada de que ele estava no hotel, preparando-se para uma reunião à noite, quando o avião aterrissou. Parecia fortuito, e ela esperava que a reunião fosse um bom presságio.
Os seguranças permitiram que ela entrasse na opulenta suíte. Ela estava muito ocupada tentando controlar suas emoções.
Joseph estava colocando a gravata quando ela entrou.
— Olá, caro.
Ele fez um brusco movimento com o corpo, impressionado com a presença dela. Então ele levantou a cabeça e seus olhos escuros a analisaram com intensidade.
— Demetria, o que está fazendo aqui?
— Você disse que gostaria que eu estivesse aqui.
— Não está aqui por causa da minha ligação hoje cedo. — A expressão dele não permitiu que ela ousasse contradizê-lo... para mentir.
— Não, não estou. Precisamos conversar.
— Precisamos?
— Sim — ela falou, tentando ignorar o fato de ele não lhe ter dirigido um cumprimento de boas-vindas.
— Suponho que tenha algo a confessar que esteja pesando na sua consciência o suficiente — ele falou, com a voz fria.
Ela não sabia o que havia gerado sua hostilidade, exceto o fato de ela ter mudado sua programação. Joseph não gostava de surpresas, e ela trazia uma bem pior.
— Pode-se dizer que sim — ela nem podia garantir que a notícia não seria ruim, pois era.
Em um casamento como o deles, era uma sentença de morte e nada mais.
Joseph voltou a fazer o que estava fazendo com uma fria precisão.
— Terá que esperar. Tenho um jantar de negócios.
— Não pode cancelar?
— Quer dizer, assim como você cancelou todos os seus compromissos para vir até aqui a fim de termos uma conversa que poderia ter esperado os três dias que eu ficaria fora?
— Sim — ela não se importava com a forma como ele falava. Era exatamente o que ela queria.
— Isso não vai acontecer.
— Seria assim tão ruim?
— Obviamente, você não pensa assim, mas eu não gosto do fato de minha mulher se esquivar de suas obrigações.
— E nossos deveres são a única coisa que conta em nossa vida juntos?
— O dever vem em primeiro lugar. Achei que já tivesse entendido isso.
— Foi por isso que se casou comigo?
— Você já sabe que essa foi uma das principais razões para eu achar que você se adequaria como minha esposa. Seus pais a criaram como se você fosse uma verdadeira princesa.
— Minha apreciação pelos deveres foi o que mais contou para você... e claro, minha compatibilidade física — ela falou, com dor e amargura na voz.
— Você esperaria que eu me casasse com uma mulher que não entendesse ou não se adequasse ao papel de princesa e futura rainha?
— Seus irmãos não estavam tão preocupados com essa conveniência quando escolheram suas mulheres — ela lembrou.
— Como eu falei ontem, não sou meus irmãos.
— Não, você é o príncipe coroado, o que quer dizer que os deveres vêm sempre em primeiro lugar.
— Sabia disso quando nos casamos. Não espero que isso seja uma razão para brigas entre nós.
— Você não espera que nada seja razão de briga.
— Como você é perspicaz — ele pegou um paletó preto. — Preciso ir ou vou chegar atrasado.
— Assim? Eu vim de Isole dei Re e você foge de uma conversa importante porque a droga do seu compromisso o espera? — Como poderia contar àquele estranho de expressão fria qualquer coisa, especialmente os detalhes íntimos de sua última ida ao médico?
— Não fale nesse tom comigo! — ele exclamou, contendo-se para não demonstrar surpresa.
Ela falou um palavrão de verdade:
— Você quer dizer esse tom?
— Não sei qual é o seu problema, mas sugiro que o resolva. Vou voltar tarde. Se você ainda tiver necessidade de falar sobre o que quer que seja, então poderemos conversar.
— E se eu não quiser esperar?
— Não tem alternativa.
— Quando tive alternativa?
— Você optou por casar comigo. Ninguém a forçou a fazer os votos. Se eles estão desgastados agora, por favor, lembre-se de que não deve responsabilizar ninguém além de você mesma pelas circunstâncias, e não tolerarei que ignore suas promessas ou seu dever como minha mulher tão facilmente quanto se esquivou de seus deveres como princesa hoje de manhã.
— Eles são a mesma coisa, não é? — ela perguntou, com uma voz carregada de raiva.
— Não — ele a encarou. — Você tem obrigações pessoais comigo que não têm nada a ver com suas responsabilidades com a coroa.
— Talvez eu esteja insegura quanto às minhas obrigações agora.
O olhar de Joseph encheu-se de fúria, mas sua: voz era controlada.
— Sugiro que esteja certa deles quando eu voltar da reunião.
— E se eu não estiver?
— Então, nós dois teremos uma noite muito desagradável. Mas eu garanto a você... minhas armas são sempre superiores às suas.
— Você é um maldito arrogante, Joseph — ela suspirou, dando vazão à raiva. — De qualquer forma, não subestime minhas armas, pois tenho uma péssima sensação de que elas podem ser melhores que as suas.
Sua doença e a infertilidade decorrente dela eram como uma bomba nuclear, quando se tratava de poder para destruir um casamento.
Ele empalideceu:
— Não tenho tempo para isso — e saiu.

sábado, 13 de julho de 2019

VIDA DE PRINCESA Capitulo 1

— Alguns dias, ser princesa equivale a ser uma presidiária. — Demetria murmurou enquanto fechava o zíper de seu vestido verde favorito para outro jantar formal no palácio Scorsolini.
Entretanto, não era a expectativa de jantar mais uma vez com o rei Paul e seus dignitários que a incomodava. Era a frustração de ter passado mais um dia no próprio purgatório. Ela adorava o rei de Isole dei Re e era mais próxima a ele do que ao próprio pai.
Mas, ainda assim, algumas vezes desejava que ela e Joseph tivessem o próprio lar, e não apenas um conjunto de apartamentos no palácio real. Especialmente naquela noite, por estar irrequieta diante da necessidade de compartilhar as notícias que recebera do seu médico de Miami. Ela fora aos Estados Unidos para fazer esse exame, a fim de garantir discrição.
Agora, quase não desejava ter ido. Porque, se a imprensa ficasse sabendo da história, pelo menos seria poupada de ter que comunicar as notícias a Joseph.
Era um pensamento covarde, e ela não era covarde.
Mas até mesmo ela, com anos de treinamento como filha de diplomata, não podia olhar para o fim do seu casamento com serenidade. Diferente dos seus pais, ela não via a vida como uma série de movimentos e contra movimentos políticos. Para ela... a vida real doía.
Joseph terminou de abotoar o segundo punho e colocou as luvas com movimentos precisos e familiares que causaram dor no coração dela, diante da possibilidade de perder isso tudo. Ele torceu os lábios, o que dava ao seu rosto um ar cínico.
— Terei certeza e direi à sua mãe que você pensa assim.
— Não ouse.
Joseph considerava a tendência a alpinismo social da mãe dela uma fonte de diversão, mas Demetria, não. Afinal de contas, era à custa dela que a mãe pretendia subir.
— Não tenho o menor desejo de ouvir a Lição 101 de mamãe sobre o quanto tenho sorte por ser uma princesa ou o quanto minha vida é privilegiada. — Isso sem falar no quanto era surpreendente o fato de Joseph ter escolhido Demetria, entre tantas mulheres no mundo. Não queria ouvir isso. Agora, não.
— Talvez ela seja capaz de compreender melhor que eu o seu aparente desencanto com a vida. — A voz de Joseph indicava que ele estava parcialmente brincando, mas seu olhar sombrio afirmava que ele falava sério.
— Não estou desencantada com a minha vida. — Ela estava tão-somente arrasada pela vida, mas agora não era momento para falar disso.
E não podia deixar de pensar que sua charmosa vida havia chegado ao fim... provavelmente desde o começo, mas estava cega demais para notar isso. Ela comprara a ideia do conto de fadas só para descobrir que o amor unilateral trazia apenas dor, e não prazer. O "felizes para sempre" era apenas para as princesas dos livros... ou para as que eram amadas pelo que eram, como as duas mulheres casadas com os outros príncipes Scorsolini.
— Então, por que comparou a vida como minha esposa à de uma presidiária? — perguntou Joseph do alto de seu metro e oitenta e com um perfume que a cercava só para lembrá-la do quanto sentiria falta de sua presença física quando tudo acabasse.
Ele era o sonho de toda mulher, o tipo de príncipe que enfeitava os contos de fada. Ela havia criado muitas fantasias com ele para saber. Ele tinha cabelos pretos, olhos castanhos e o tom de pele morena de seus ancestrais sicilianos, mas a altura de um atleta profissional. Seu corpo era musculoso, sem qualquer resquício de gordura, e seu rosto poderia ser o de um ator americano... talvez de uma época diferente, porém. Não a beleza óbvia dos rapazes, mas outra, com ângulos vigorosos e uma fenda no queixo que demonstrava uma força de caráter na qual ela havia aprendido a confiar inteiramente.
Ela teve de engolir duas vezes antes de responder.
— Eu não disse que ser sua esposa era como ser presidiária.
— Você disse a vida de uma princesa, o que você não seria se não fosse casada comigo.
— Verdade. — Ela suspirou. — Mas não quis ofendê-lo.
Ele apalpou a face dela em um movimento que certamente enviaria ondas de prazer às suas terminações nervosas. Ele a tocava tão raramente quando não estavam na cama que, quando o fazia, ela não sabia como reagir.
— Não estou ofendido, apenas preocupado. — Ela podia perceber a preocupação no tom de voz dele e sentiu-se culpada.
Ele não fizera nada de errado... exceto ter escolhido a mulher errada para ser sua princesa.
— Eu tive um dia difícil, só isso.
A outra mão dele uniu-se à primeira e ele inclinou a cabeça dela para cima, para que ela não desviasse os olhos.
— Por quê?
Ela lambeu os lábios, desejando novamente que não descessem para jantar com o pai dele. Ela também desejava muito que a forte dor que sentia na barriga fosse apenas uma cólica menstrual, desde que havia parado de tomar pílula para que pudessem ter um filho.
— Passei a manhã toda com representantes das principais organizações femininas de Isole dei Re para discutir a necessidade de creches e escolas em toda a ilha.
— Pensei que a mulher de Liam estivesse cuidando disso.
— O voo de helicóptero entre as ilhas aumentou o enjoo de Miley, mas ela não quis cancelar a reunião. Eu a convenci a deixar-me assumir seu lugar. Agora, acho que devia ter mandado as representantes se encontrarem com ela em Diamante.
— Por quê? Você e Miley têm a mesma visão sobre esse assunto.
— Não de acordo com as representantes. — Ela sorriu. — Elas acham que uma mulher que não tem filhos e que, sobretudo, nunca precisou trabalhar para viver, não compreenderia os desafios da mulher que trabalha fora. Acreditam que Miley seja ideal para essa missão e que devo me manter fora disso.
— Elas disseram isso a você? — Ele não parecia ofendido por ela, apenas curioso. Não tinha ideia do quanto a desaprovação daquelas mulheres a magoara.
— Sim.
— Então, o fato de ter crescido aprendendo a diplomacia foi bom.
— Quer dizer que teria se chateado se eu tivesse dito a elas para pegarem um voo e encontrarem Miley?
Joseph soltou uma gargalhada masculina, como se não pudesse imaginar a cena.
— Como se você fosse fazer isso.
— Talvez tenha feito.
Mas ele apenas sacudiu a cabeça.
— Conheço você. Sem chances.
— Talvez não me conheça tanto quanto pensa. — Na realidade, ela sabia que não. Afinal de contas, ele nunca se ativera ao fato de ela ter se casado com ele por amor. O casamento por conveniência fora um plano arquitetado pela mente dele e da mãe dela.
— Fez isso? — ele perguntou, com uma sobrancelha irônica levantada.
Ela queria dizer que sim só para provar que ele estava errado, mas falou a verdade.
— Não, mas quis fazer.
— Em geral, o que queremos e o que nos permitimos fazer não são a mesma coisa. E isso faz parte de se adequar à posição que você ocupa.
— E você ainda pergunta por que comparei ser princesa a ser uma presidiária?
— Está infeliz, Demetria?
— Não mais que a maioria das pessoas — ela admitiu. Desde pequena, aprendera a esconder as verdadeiras emoções, mas estava cansada de fingir.
— Você está infeliz? — Joseph perguntou com um tom de voz que trazia uma inegável perplexidade.
Aquele homem, tão conhecido nos círculos diplomáticos por sua perspicácia, sentia-se ameaçado quando se tratava de Demetria.
— Duas das representantes não foram nada sutis em expressar sua opinião de que já passou da hora de eu lhe dar um herdeiro — ela falou, em vez de responder.
— E isso a chateia? — Novamente ele parecia surpreso.
— Um pouco.
— Mas não deveria. Logo você poderá compartilhar boas notícias nessa área.
Ela estremeceu, como se as palavras dele tivessem caído como sal em uma ferida que fora deixada aberta e sangrando com a ligação do médico.
— E se eu não puder? — ela perguntou, testando um caminho que não estava pronta para enfrentar.
Ele colocou as mãos grandes e calorosas sobre seus ombros e virou-lhe o rosto com movimentos firmes.
— Está chateada por ainda não ter engravidado? Não deveria. Estamos tentando há apenas alguns meses. O médico falou que mulheres que tomam pílula por muito tempo podem levar mais tempo para engravidar, mas logo vai acontecer. Afinal de contas, sabemos que está tudo em ordem.
Pior que sal na ferida, essas palavras foram como duras chicotadas. Antes de se casarem, três anos antes, ele havia exigido que os dois fizessem vários exames, inclusive alguns relativos a tipo sanguíneo e compatibilidade do esperma dele com o muco do útero de Demetria. Ele também havia pedido que ela fizesse um teste sobre os seus ciclos de fertilidade, somente como garantia adicional.
Sabendo que grande parte do casamento com ela envolvia fornecer um herdeiro para o trono da família Scorsolini, ela havia concordado seu pestanejar. Tudo estava normal. Eles tinham compatibilidade para gravidez e ela era fértil como todas as mulheres de sua idade.
A surpresa maior para ela fora o desejo dele de esperar um pouco para ter um bebê. Ela não entendia nem sabia por que ele queria esperar, mas agora sabia que a chance que teriam de ter um filho juntos fora por água abaixo.
Incapaz de suportar qualquer nível de intimidade diante do que
ela sabia que estava por vir, até mesmo de um toque mais simples, ela se afastou dele.
Joseph sentiu muita raiva diante desse comportamento de Demetria, com suas curvas femininas provocando uma libido que ansiava por ela dia e noite. Ele queria agarrá-la e perguntar por que, depois de três anos, seu toque não era mais aceitável, mas essa seria uma atitude de um homem primitivo, e a coroa de príncipe de Isole dei Re não era primitiva.
Além disso, a rejeição física dela não era novidade. Isso vinha acontecendo há meses, mas, sempre que ela se esquivava de um contato físico, ele ficava surpreso. Depois de dois anos recebendo uma incrível paixão como resposta sempre que a tocava, ele podia ser perdoado por achar quase impossível resignar-se diante da repentina mudança de atitude dela.
Antes dos últimos meses ele juraria que Demetria o amava. Ela nunca falou isso, mas durante os dois primeiros anos do casamento, ela havia demonstrado de várias formas sutis e nem tão sutis assim que sentia mais que uma satisfação mercenária de uma mulher por um casamento bem contratado. O amor dela não fora uma das condições de Joseph, portanto ele não se prolongara no assunto... até que ele terminasse.
Não que precisasse que ela sentisse isso, mas não conseguia parar de pensar no momento em que tudo tinha acabado e por que ela parecia não desejá-lo mais com a mesma paixão que o atraía.
A rejeição física começou um ou dois meses depois de ela ter parado de tomar pílula. Inicialmente, ele pensou que talvez tivessem sido os hormônios. Ele leu em algum lugar que esse tipo de coisa pode acontecer, mas, com o passar dos meses, tudo piorou.
Então, às vezes, ela fazia amor com ele como antes e todas as preocupações dele desapareciam. Só para reaparecerem quando ela se esquivava mais uma vez. Ele não estava acostumado a ser rejeitado na vida, especialmente por uma mulher que desejasse fisicamente. Isso vindo de sua própria mulher era algo inaceitável.
E estava acontecendo mais e mais nos últimos tempos.
Ele começou a imaginar se, lá no fundo, ela não gostaria de engravidar.
— Você quer ter um bebê meu? Está com medo do que possa acontecer?
Ela se encolheu, como se ele tivesse batido nela, e seu rosto empalideceu.
— Sim, quero ter um filho seu. Mais que tudo. Não sei como pode imaginar outra coisa.
Ela fora tão firme em suas palavras que ele não tinha como
duvidar.
— Então, nada nessa situação deve chateá-la.
O olhar que ela lançou com seus olhos verdes não era encorajador, mas ele continuou, certo de sua conclusão.
— Logo você poderá calar essas pessoas com a realidade da gravidez. Por enquanto, você simplesmente lidará com a situação de forma diferente, mandando as representantes se encontrarem com Miley.
Ela virou o rosto para o espelho e prendeu os longos cabelos castanhos num coque.
— E isso resolve tudo, não é?
— Deveria — ele falou com certa exasperação. — Não entendo por que está reagindo tão intensamente a isso. Você já lidou com pessoas bem mais irritantes que essas mulheres.
Demetria deu de ombros e caminhou na direção da porta. Era muito linda, quase etérea em sua aparência, apesar das curvas que proclamavam seu corpo. E, em situações como essa, ela sentia-se intocável como um espírito. Mas era mulher dele, era direito dele tocá-la.
Ele o fez, pegando seu braço quando ela passou.
Ela parou e olhou para ele, seus lindos olhos verdes estavam tomados de uma vulnerabilidade que ele não compreendia, nem gostava. Aquilo implicava uma infelicidade que ele não queria que ela sentisse.
— O que foi? — ela perguntou.
— Não gosto de vê-la assim.
— Eu sei. Você espera que tudo na sua vida ande sem tropeços, que todas as pessoas cumpram seu papel sem questionamentos. Sua programação é analisada detalhadamente e as surpresas não são bem-vindas.
— Esforço-me para isso.
— A ponto de se casar com uma mulher com as qualificações adequadas. Você me investigou, e me testou para saber se eu me adequaria a ser sua principessa e futura rainha. Certamente não esperava que eu fosse uma fonte de frustração para você.
Ela estava certa, mas ele não entendia o som fraco de sua voz. Ela não pareceu chateada em cumprir todo esse protocolo na época.
— Você é tudo o que eu sempre quis como esposa. Naturalmente, na minha posição, faria qualquer esforço para ter certeza de que nosso futuro estivesse seguro, mas você era e é perfeita para mim, cara.
Ela se encolheu diante desse elogio, mais do que frequentemente se esquivava do toque dele. Como se qualquer alusão à intimidade entre ambos doesse. Mas eram íntimos. Eram marido e mulher. Não havia relação mais íntima que essa.
Então, por que ele havia sentido como se ambos vivessem em
hemisférios totalmente diferentes no momento?
Ele a puxou para perto, ignorando o sutil recolhimento de seu corpo.
— Não precisamos descer para jantar, você sabe. Ela arregalou os olhos, surpresa.
— Seu pai está recebendo dignitários da Venezuela.
— São seus parceiros de pescaria.
— São diplomatas oficiais.
— Ele não vai se incomodar se eu mandar avisar que não vamos. E há formas bem mais interessantes de passarmos a noite.
— Conversando?
— Não é o que tenho em mente.
Ela fechou a cara e se afastou, em uma óbvia rejeição.
— Isso seria rude.
Será que Demetria havia encontrado outra pessoa para dividir sua natureza passional? Talvez tivesse até um amante. Ele sentiu uma grande fúria diante dessa ideia, mas, em sua arrogância, não podia pensar em nada mais que fizesse com que ela o rejeitasse fisicamente. Além disso, algumas vezes, ela agia como se não estivesse presente, e ele tinha um argumento convincente para achar que ela havia conhecido outra pessoa.
Tão convincente que ele não tinha certeza se conseguiria controlar a fúria que sentia. Detestava sentir-se assim. Casara-se com ela para evitar esse tipo de convulsão emocional em sua vida.
E essa era a principal razão para nunca ter expressado sua suspeita. Ele conhecia Demetria melhor que muitos homens conheciam suas mulheres. Ele se assegurou disso, e tudo que conhecia de seu caráter dizia que ela nunca, sob circunstância alguma, agiria tão desonestamente a ponto de ter um caso. Essa fora uma das razões de ter se casado com ela. Era uma mulher muito íntegra, mas também era uma mulher acostumada a ter fortes paixões.
Se alguém pudesse mudar isso... será que o outro podia? Será que algum homem desconhecido estava se aproveitando da sensualidade secreta dela, algo que costumava satisfazer tanto a Joseph? Ele não podia acreditar nisso, mas, ao contrário do que podia parecer, ele tinha de saber a verdade.
Ligaria para uma agência de detetives e solicitaria uma investigação sobre as atividades atuais de Demetria e seus movimentos no último ano. Hawke, o dono da agência de detetives internacional, era totalmente discreto e o melhor nesse ramo.
De uma forma ou de outra, Joseph descobriria a origem do comportamento misterioso de sua mulher. Se outro homem estivesse envolvido, ele descobriria e lidaria com a situação adequadamente.
Esse pensamento provocou uma raiva primitiva à qual ele não tinha intenção de se entregar.
Demetria se arrependeu de ter rejeitado o convite de Joseph. Afinal, tudo que ele queria era apenas sexo? Ela podia contar a ele. O problema era que ela não queria. Enquanto mantivesse as notícias para si, parte dela podia continuar achando que seu casamento tinha alguma chance. Mas se tivessem conversado... se tivessem feito amor e tivesse doído um pouco, ela teria mais uma lembrança para guardar em um futuro sem ele. Em vez disso, estava sentada com um sorriso colado no rosto enquanto ouvia uma conversa na qual não tinha interesse algum.
Joseph recebera uma ligação na metade do jantar e desaparecera para atender, deixando-a totalmente sozinha.
Ela sabia que ele não voltaria depois da ligação. Ele sempre preferia trabalhar a ficar com ela. Naquele dia à noite, certamente não seria diferente. Portanto, quando serviram o café na sala ao lado, ela se retirou.
Ela havia sentido dores na região pélvica durante todo o dia, mesmo sem estar menstruada. Agora, a dor se agravava e não se limitava mais ao período menstrual. De acordo com o médico, as dores eram típicas de sua condição, mas certamente não eram agradáveis.
Estava ficando cada vez mais difícil esconder a verdade de Joseph também, mas logo... não precisaria mais. Ela revelaria os resultados da laparoscopia feita secretamente em Miami. Então, diria o que o médico havia falado sobre o futuro nas condições dela, e Joseph diria que o casamento havia chegado ao fim.
O pensamento era ainda pior que a dor no abdome e ela forçou sua mente a lidar com o presente, e não com o provável futuro.
Talvez um longo banho de banheira e os remédios para dor pudessem ajudar e ela não teria de tomar uma das bombas de medicamento prescritas pelo médico.
Elas sempre a deixavam tonta, e ela detestava isso. Havia dias em que sequer lembrava do que tinha feito. A surpresa foi Joseph nunca ter reparado. Se ela precisasse de provas de que não passava de uma conveniência para ele, aí estava uma.
Como um homem, mesmo tão distraído quanto Joseph, podia deixar de notar o comportamento da esposa como uma viciada em drogas? Mas ele nunca falava nada quando ela estava sob efeito dos medicamentos para dor. Para dar crédito a ele, ela fazia o melhor para esconder sua condição... de todas as formas. Mas havia uma grande parte dela que se ressentia pelo fato de isso ser tão fácil.
Se ele se importasse, não seria. Tinha certeza disso.
Com o coração pesado, ela começou a encher a banheira. Nenhuma mulher devia ter de conviver com o sentimento constante de que amava sem ser correspondida. Doía muito.
Quando a banheira encheu, ela tomou os remédios para dor e entrou nela.
Haviam passado trinta minutos quando ela ouviu ruídos no quarto. Deixou a mente flutuar de forma que apenas a periferia de sua consciência registrasse o que aqueles ruídos significavam.
— Se você tiver dormido aí, então vou ficar mais que um pouco chateado com você.
Ela abriu ligeiramente os olhos e o impacto de sua presença a atingiu como sempre. Nenhum homem era lindo assim.
— Não estou dormindo. Não tem que se irritar.
— Certamente parece sonolenta — ele falou em tom de acusação, mas seus olhos escuros a devoravam de uma forma que dizia que um seguro banho de banheira não era a única coisa na mente dele.
O interesse óbvio dele encontrou uma resposta ávida no corpo dela. A eficácia do banho de banheira para amenizar a dor significava que ela podia investir nisso, se quisesse. E ela queria. Quando contasse a ele a verdade e ele aceitasse que haveria apenas uma solução prática para o futuro, ela passaria o resto da vida sem sentir as consequências do toque dele.
— Que tal você se juntar a mim? — ela sugeriu, olhando para o magnífico corpo dele. — Somente para fins de segurança, entende? Ele apertou os olhos.
— Isso é um convite?
— O que acha? Ele fez um som que era estranho, como um gemido de frustração, embora seu corpo reagisse de uma forma óbvia e básica diante da sugestão.
Ela ocultou o sorriso de satisfação diante da evidência de que o homem a desejava. Então, olhou para ele por entre os cílios.
— Está querendo dizer que não está interessado? — ela perguntou, em um tom que indicava que não acreditava nisso. — Seu corpo diz o contrário.
— Talvez não seja meu corpo quem está no controle aqui.
Ela inclinou as costas, sentindo-se aliviada pelo fato de o movimento não ter causado mais que desconforto em sua pélvis.
— Talvez deva ser.
— Droga, Demetria, o que está acontecendo?
Ele nunca xingava na frente dela. Ela ficou tão impressionada que novamente relaxou na água. E se ele não a quisesse? Um homem podia não
conseguir controlar as respostas do seu corpo, mas ele não precisava acatá-las. Não se essa não fosse o desejo de sua mente.
Com medo de ter de implorar, caso falasse alguma coisa, ela saiu da banheira calada.
— O que está fazendo? — ele perguntou com a voz rouca.
— O que parece? Estou saindo. — Ele podia jogar um balde de água fria nela, mas não precisava humilhá-la.
Ele emitiu um som que fez um frio correr na espinha de Demetria.
— Fique onde está, sua maldosa provocadora.