sábado, 13 de julho de 2019

VIDA DE PRINCESA Capitulo 1

— Alguns dias, ser princesa equivale a ser uma presidiária. — Demetria murmurou enquanto fechava o zíper de seu vestido verde favorito para outro jantar formal no palácio Scorsolini.
Entretanto, não era a expectativa de jantar mais uma vez com o rei Paul e seus dignitários que a incomodava. Era a frustração de ter passado mais um dia no próprio purgatório. Ela adorava o rei de Isole dei Re e era mais próxima a ele do que ao próprio pai.
Mas, ainda assim, algumas vezes desejava que ela e Joseph tivessem o próprio lar, e não apenas um conjunto de apartamentos no palácio real. Especialmente naquela noite, por estar irrequieta diante da necessidade de compartilhar as notícias que recebera do seu médico de Miami. Ela fora aos Estados Unidos para fazer esse exame, a fim de garantir discrição.
Agora, quase não desejava ter ido. Porque, se a imprensa ficasse sabendo da história, pelo menos seria poupada de ter que comunicar as notícias a Joseph.
Era um pensamento covarde, e ela não era covarde.
Mas até mesmo ela, com anos de treinamento como filha de diplomata, não podia olhar para o fim do seu casamento com serenidade. Diferente dos seus pais, ela não via a vida como uma série de movimentos e contra movimentos políticos. Para ela... a vida real doía.
Joseph terminou de abotoar o segundo punho e colocou as luvas com movimentos precisos e familiares que causaram dor no coração dela, diante da possibilidade de perder isso tudo. Ele torceu os lábios, o que dava ao seu rosto um ar cínico.
— Terei certeza e direi à sua mãe que você pensa assim.
— Não ouse.
Joseph considerava a tendência a alpinismo social da mãe dela uma fonte de diversão, mas Demetria, não. Afinal de contas, era à custa dela que a mãe pretendia subir.
— Não tenho o menor desejo de ouvir a Lição 101 de mamãe sobre o quanto tenho sorte por ser uma princesa ou o quanto minha vida é privilegiada. — Isso sem falar no quanto era surpreendente o fato de Joseph ter escolhido Demetria, entre tantas mulheres no mundo. Não queria ouvir isso. Agora, não.
— Talvez ela seja capaz de compreender melhor que eu o seu aparente desencanto com a vida. — A voz de Joseph indicava que ele estava parcialmente brincando, mas seu olhar sombrio afirmava que ele falava sério.
— Não estou desencantada com a minha vida. — Ela estava tão-somente arrasada pela vida, mas agora não era momento para falar disso.
E não podia deixar de pensar que sua charmosa vida havia chegado ao fim... provavelmente desde o começo, mas estava cega demais para notar isso. Ela comprara a ideia do conto de fadas só para descobrir que o amor unilateral trazia apenas dor, e não prazer. O "felizes para sempre" era apenas para as princesas dos livros... ou para as que eram amadas pelo que eram, como as duas mulheres casadas com os outros príncipes Scorsolini.
— Então, por que comparou a vida como minha esposa à de uma presidiária? — perguntou Joseph do alto de seu metro e oitenta e com um perfume que a cercava só para lembrá-la do quanto sentiria falta de sua presença física quando tudo acabasse.
Ele era o sonho de toda mulher, o tipo de príncipe que enfeitava os contos de fada. Ela havia criado muitas fantasias com ele para saber. Ele tinha cabelos pretos, olhos castanhos e o tom de pele morena de seus ancestrais sicilianos, mas a altura de um atleta profissional. Seu corpo era musculoso, sem qualquer resquício de gordura, e seu rosto poderia ser o de um ator americano... talvez de uma época diferente, porém. Não a beleza óbvia dos rapazes, mas outra, com ângulos vigorosos e uma fenda no queixo que demonstrava uma força de caráter na qual ela havia aprendido a confiar inteiramente.
Ela teve de engolir duas vezes antes de responder.
— Eu não disse que ser sua esposa era como ser presidiária.
— Você disse a vida de uma princesa, o que você não seria se não fosse casada comigo.
— Verdade. — Ela suspirou. — Mas não quis ofendê-lo.
Ele apalpou a face dela em um movimento que certamente enviaria ondas de prazer às suas terminações nervosas. Ele a tocava tão raramente quando não estavam na cama que, quando o fazia, ela não sabia como reagir.
— Não estou ofendido, apenas preocupado. — Ela podia perceber a preocupação no tom de voz dele e sentiu-se culpada.
Ele não fizera nada de errado... exceto ter escolhido a mulher errada para ser sua princesa.
— Eu tive um dia difícil, só isso.
A outra mão dele uniu-se à primeira e ele inclinou a cabeça dela para cima, para que ela não desviasse os olhos.
— Por quê?
Ela lambeu os lábios, desejando novamente que não descessem para jantar com o pai dele. Ela também desejava muito que a forte dor que sentia na barriga fosse apenas uma cólica menstrual, desde que havia parado de tomar pílula para que pudessem ter um filho.
— Passei a manhã toda com representantes das principais organizações femininas de Isole dei Re para discutir a necessidade de creches e escolas em toda a ilha.
— Pensei que a mulher de Liam estivesse cuidando disso.
— O voo de helicóptero entre as ilhas aumentou o enjoo de Miley, mas ela não quis cancelar a reunião. Eu a convenci a deixar-me assumir seu lugar. Agora, acho que devia ter mandado as representantes se encontrarem com ela em Diamante.
— Por quê? Você e Miley têm a mesma visão sobre esse assunto.
— Não de acordo com as representantes. — Ela sorriu. — Elas acham que uma mulher que não tem filhos e que, sobretudo, nunca precisou trabalhar para viver, não compreenderia os desafios da mulher que trabalha fora. Acreditam que Miley seja ideal para essa missão e que devo me manter fora disso.
— Elas disseram isso a você? — Ele não parecia ofendido por ela, apenas curioso. Não tinha ideia do quanto a desaprovação daquelas mulheres a magoara.
— Sim.
— Então, o fato de ter crescido aprendendo a diplomacia foi bom.
— Quer dizer que teria se chateado se eu tivesse dito a elas para pegarem um voo e encontrarem Miley?
Joseph soltou uma gargalhada masculina, como se não pudesse imaginar a cena.
— Como se você fosse fazer isso.
— Talvez tenha feito.
Mas ele apenas sacudiu a cabeça.
— Conheço você. Sem chances.
— Talvez não me conheça tanto quanto pensa. — Na realidade, ela sabia que não. Afinal de contas, ele nunca se ativera ao fato de ela ter se casado com ele por amor. O casamento por conveniência fora um plano arquitetado pela mente dele e da mãe dela.
— Fez isso? — ele perguntou, com uma sobrancelha irônica levantada.
Ela queria dizer que sim só para provar que ele estava errado, mas falou a verdade.
— Não, mas quis fazer.
— Em geral, o que queremos e o que nos permitimos fazer não são a mesma coisa. E isso faz parte de se adequar à posição que você ocupa.
— E você ainda pergunta por que comparei ser princesa a ser uma presidiária?
— Está infeliz, Demetria?
— Não mais que a maioria das pessoas — ela admitiu. Desde pequena, aprendera a esconder as verdadeiras emoções, mas estava cansada de fingir.
— Você está infeliz? — Joseph perguntou com um tom de voz que trazia uma inegável perplexidade.
Aquele homem, tão conhecido nos círculos diplomáticos por sua perspicácia, sentia-se ameaçado quando se tratava de Demetria.
— Duas das representantes não foram nada sutis em expressar sua opinião de que já passou da hora de eu lhe dar um herdeiro — ela falou, em vez de responder.
— E isso a chateia? — Novamente ele parecia surpreso.
— Um pouco.
— Mas não deveria. Logo você poderá compartilhar boas notícias nessa área.
Ela estremeceu, como se as palavras dele tivessem caído como sal em uma ferida que fora deixada aberta e sangrando com a ligação do médico.
— E se eu não puder? — ela perguntou, testando um caminho que não estava pronta para enfrentar.
Ele colocou as mãos grandes e calorosas sobre seus ombros e virou-lhe o rosto com movimentos firmes.
— Está chateada por ainda não ter engravidado? Não deveria. Estamos tentando há apenas alguns meses. O médico falou que mulheres que tomam pílula por muito tempo podem levar mais tempo para engravidar, mas logo vai acontecer. Afinal de contas, sabemos que está tudo em ordem.
Pior que sal na ferida, essas palavras foram como duras chicotadas. Antes de se casarem, três anos antes, ele havia exigido que os dois fizessem vários exames, inclusive alguns relativos a tipo sanguíneo e compatibilidade do esperma dele com o muco do útero de Demetria. Ele também havia pedido que ela fizesse um teste sobre os seus ciclos de fertilidade, somente como garantia adicional.
Sabendo que grande parte do casamento com ela envolvia fornecer um herdeiro para o trono da família Scorsolini, ela havia concordado seu pestanejar. Tudo estava normal. Eles tinham compatibilidade para gravidez e ela era fértil como todas as mulheres de sua idade.
A surpresa maior para ela fora o desejo dele de esperar um pouco para ter um bebê. Ela não entendia nem sabia por que ele queria esperar, mas agora sabia que a chance que teriam de ter um filho juntos fora por água abaixo.
Incapaz de suportar qualquer nível de intimidade diante do que
ela sabia que estava por vir, até mesmo de um toque mais simples, ela se afastou dele.
Joseph sentiu muita raiva diante desse comportamento de Demetria, com suas curvas femininas provocando uma libido que ansiava por ela dia e noite. Ele queria agarrá-la e perguntar por que, depois de três anos, seu toque não era mais aceitável, mas essa seria uma atitude de um homem primitivo, e a coroa de príncipe de Isole dei Re não era primitiva.
Além disso, a rejeição física dela não era novidade. Isso vinha acontecendo há meses, mas, sempre que ela se esquivava de um contato físico, ele ficava surpreso. Depois de dois anos recebendo uma incrível paixão como resposta sempre que a tocava, ele podia ser perdoado por achar quase impossível resignar-se diante da repentina mudança de atitude dela.
Antes dos últimos meses ele juraria que Demetria o amava. Ela nunca falou isso, mas durante os dois primeiros anos do casamento, ela havia demonstrado de várias formas sutis e nem tão sutis assim que sentia mais que uma satisfação mercenária de uma mulher por um casamento bem contratado. O amor dela não fora uma das condições de Joseph, portanto ele não se prolongara no assunto... até que ele terminasse.
Não que precisasse que ela sentisse isso, mas não conseguia parar de pensar no momento em que tudo tinha acabado e por que ela parecia não desejá-lo mais com a mesma paixão que o atraía.
A rejeição física começou um ou dois meses depois de ela ter parado de tomar pílula. Inicialmente, ele pensou que talvez tivessem sido os hormônios. Ele leu em algum lugar que esse tipo de coisa pode acontecer, mas, com o passar dos meses, tudo piorou.
Então, às vezes, ela fazia amor com ele como antes e todas as preocupações dele desapareciam. Só para reaparecerem quando ela se esquivava mais uma vez. Ele não estava acostumado a ser rejeitado na vida, especialmente por uma mulher que desejasse fisicamente. Isso vindo de sua própria mulher era algo inaceitável.
E estava acontecendo mais e mais nos últimos tempos.
Ele começou a imaginar se, lá no fundo, ela não gostaria de engravidar.
— Você quer ter um bebê meu? Está com medo do que possa acontecer?
Ela se encolheu, como se ele tivesse batido nela, e seu rosto empalideceu.
— Sim, quero ter um filho seu. Mais que tudo. Não sei como pode imaginar outra coisa.
Ela fora tão firme em suas palavras que ele não tinha como
duvidar.
— Então, nada nessa situação deve chateá-la.
O olhar que ela lançou com seus olhos verdes não era encorajador, mas ele continuou, certo de sua conclusão.
— Logo você poderá calar essas pessoas com a realidade da gravidez. Por enquanto, você simplesmente lidará com a situação de forma diferente, mandando as representantes se encontrarem com Miley.
Ela virou o rosto para o espelho e prendeu os longos cabelos castanhos num coque.
— E isso resolve tudo, não é?
— Deveria — ele falou com certa exasperação. — Não entendo por que está reagindo tão intensamente a isso. Você já lidou com pessoas bem mais irritantes que essas mulheres.
Demetria deu de ombros e caminhou na direção da porta. Era muito linda, quase etérea em sua aparência, apesar das curvas que proclamavam seu corpo. E, em situações como essa, ela sentia-se intocável como um espírito. Mas era mulher dele, era direito dele tocá-la.
Ele o fez, pegando seu braço quando ela passou.
Ela parou e olhou para ele, seus lindos olhos verdes estavam tomados de uma vulnerabilidade que ele não compreendia, nem gostava. Aquilo implicava uma infelicidade que ele não queria que ela sentisse.
— O que foi? — ela perguntou.
— Não gosto de vê-la assim.
— Eu sei. Você espera que tudo na sua vida ande sem tropeços, que todas as pessoas cumpram seu papel sem questionamentos. Sua programação é analisada detalhadamente e as surpresas não são bem-vindas.
— Esforço-me para isso.
— A ponto de se casar com uma mulher com as qualificações adequadas. Você me investigou, e me testou para saber se eu me adequaria a ser sua principessa e futura rainha. Certamente não esperava que eu fosse uma fonte de frustração para você.
Ela estava certa, mas ele não entendia o som fraco de sua voz. Ela não pareceu chateada em cumprir todo esse protocolo na época.
— Você é tudo o que eu sempre quis como esposa. Naturalmente, na minha posição, faria qualquer esforço para ter certeza de que nosso futuro estivesse seguro, mas você era e é perfeita para mim, cara.
Ela se encolheu diante desse elogio, mais do que frequentemente se esquivava do toque dele. Como se qualquer alusão à intimidade entre ambos doesse. Mas eram íntimos. Eram marido e mulher. Não havia relação mais íntima que essa.
Então, por que ele havia sentido como se ambos vivessem em
hemisférios totalmente diferentes no momento?
Ele a puxou para perto, ignorando o sutil recolhimento de seu corpo.
— Não precisamos descer para jantar, você sabe. Ela arregalou os olhos, surpresa.
— Seu pai está recebendo dignitários da Venezuela.
— São seus parceiros de pescaria.
— São diplomatas oficiais.
— Ele não vai se incomodar se eu mandar avisar que não vamos. E há formas bem mais interessantes de passarmos a noite.
— Conversando?
— Não é o que tenho em mente.
Ela fechou a cara e se afastou, em uma óbvia rejeição.
— Isso seria rude.
Será que Demetria havia encontrado outra pessoa para dividir sua natureza passional? Talvez tivesse até um amante. Ele sentiu uma grande fúria diante dessa ideia, mas, em sua arrogância, não podia pensar em nada mais que fizesse com que ela o rejeitasse fisicamente. Além disso, algumas vezes, ela agia como se não estivesse presente, e ele tinha um argumento convincente para achar que ela havia conhecido outra pessoa.
Tão convincente que ele não tinha certeza se conseguiria controlar a fúria que sentia. Detestava sentir-se assim. Casara-se com ela para evitar esse tipo de convulsão emocional em sua vida.
E essa era a principal razão para nunca ter expressado sua suspeita. Ele conhecia Demetria melhor que muitos homens conheciam suas mulheres. Ele se assegurou disso, e tudo que conhecia de seu caráter dizia que ela nunca, sob circunstância alguma, agiria tão desonestamente a ponto de ter um caso. Essa fora uma das razões de ter se casado com ela. Era uma mulher muito íntegra, mas também era uma mulher acostumada a ter fortes paixões.
Se alguém pudesse mudar isso... será que o outro podia? Será que algum homem desconhecido estava se aproveitando da sensualidade secreta dela, algo que costumava satisfazer tanto a Joseph? Ele não podia acreditar nisso, mas, ao contrário do que podia parecer, ele tinha de saber a verdade.
Ligaria para uma agência de detetives e solicitaria uma investigação sobre as atividades atuais de Demetria e seus movimentos no último ano. Hawke, o dono da agência de detetives internacional, era totalmente discreto e o melhor nesse ramo.
De uma forma ou de outra, Joseph descobriria a origem do comportamento misterioso de sua mulher. Se outro homem estivesse envolvido, ele descobriria e lidaria com a situação adequadamente.
Esse pensamento provocou uma raiva primitiva à qual ele não tinha intenção de se entregar.
Demetria se arrependeu de ter rejeitado o convite de Joseph. Afinal, tudo que ele queria era apenas sexo? Ela podia contar a ele. O problema era que ela não queria. Enquanto mantivesse as notícias para si, parte dela podia continuar achando que seu casamento tinha alguma chance. Mas se tivessem conversado... se tivessem feito amor e tivesse doído um pouco, ela teria mais uma lembrança para guardar em um futuro sem ele. Em vez disso, estava sentada com um sorriso colado no rosto enquanto ouvia uma conversa na qual não tinha interesse algum.
Joseph recebera uma ligação na metade do jantar e desaparecera para atender, deixando-a totalmente sozinha.
Ela sabia que ele não voltaria depois da ligação. Ele sempre preferia trabalhar a ficar com ela. Naquele dia à noite, certamente não seria diferente. Portanto, quando serviram o café na sala ao lado, ela se retirou.
Ela havia sentido dores na região pélvica durante todo o dia, mesmo sem estar menstruada. Agora, a dor se agravava e não se limitava mais ao período menstrual. De acordo com o médico, as dores eram típicas de sua condição, mas certamente não eram agradáveis.
Estava ficando cada vez mais difícil esconder a verdade de Joseph também, mas logo... não precisaria mais. Ela revelaria os resultados da laparoscopia feita secretamente em Miami. Então, diria o que o médico havia falado sobre o futuro nas condições dela, e Joseph diria que o casamento havia chegado ao fim.
O pensamento era ainda pior que a dor no abdome e ela forçou sua mente a lidar com o presente, e não com o provável futuro.
Talvez um longo banho de banheira e os remédios para dor pudessem ajudar e ela não teria de tomar uma das bombas de medicamento prescritas pelo médico.
Elas sempre a deixavam tonta, e ela detestava isso. Havia dias em que sequer lembrava do que tinha feito. A surpresa foi Joseph nunca ter reparado. Se ela precisasse de provas de que não passava de uma conveniência para ele, aí estava uma.
Como um homem, mesmo tão distraído quanto Joseph, podia deixar de notar o comportamento da esposa como uma viciada em drogas? Mas ele nunca falava nada quando ela estava sob efeito dos medicamentos para dor. Para dar crédito a ele, ela fazia o melhor para esconder sua condição... de todas as formas. Mas havia uma grande parte dela que se ressentia pelo fato de isso ser tão fácil.
Se ele se importasse, não seria. Tinha certeza disso.
Com o coração pesado, ela começou a encher a banheira. Nenhuma mulher devia ter de conviver com o sentimento constante de que amava sem ser correspondida. Doía muito.
Quando a banheira encheu, ela tomou os remédios para dor e entrou nela.
Haviam passado trinta minutos quando ela ouviu ruídos no quarto. Deixou a mente flutuar de forma que apenas a periferia de sua consciência registrasse o que aqueles ruídos significavam.
— Se você tiver dormido aí, então vou ficar mais que um pouco chateado com você.
Ela abriu ligeiramente os olhos e o impacto de sua presença a atingiu como sempre. Nenhum homem era lindo assim.
— Não estou dormindo. Não tem que se irritar.
— Certamente parece sonolenta — ele falou em tom de acusação, mas seus olhos escuros a devoravam de uma forma que dizia que um seguro banho de banheira não era a única coisa na mente dele.
O interesse óbvio dele encontrou uma resposta ávida no corpo dela. A eficácia do banho de banheira para amenizar a dor significava que ela podia investir nisso, se quisesse. E ela queria. Quando contasse a ele a verdade e ele aceitasse que haveria apenas uma solução prática para o futuro, ela passaria o resto da vida sem sentir as consequências do toque dele.
— Que tal você se juntar a mim? — ela sugeriu, olhando para o magnífico corpo dele. — Somente para fins de segurança, entende? Ele apertou os olhos.
— Isso é um convite?
— O que acha? Ele fez um som que era estranho, como um gemido de frustração, embora seu corpo reagisse de uma forma óbvia e básica diante da sugestão.
Ela ocultou o sorriso de satisfação diante da evidência de que o homem a desejava. Então, olhou para ele por entre os cílios.
— Está querendo dizer que não está interessado? — ela perguntou, em um tom que indicava que não acreditava nisso. — Seu corpo diz o contrário.
— Talvez não seja meu corpo quem está no controle aqui.
Ela inclinou as costas, sentindo-se aliviada pelo fato de o movimento não ter causado mais que desconforto em sua pélvis.
— Talvez deva ser.
— Droga, Demetria, o que está acontecendo?
Ele nunca xingava na frente dela. Ela ficou tão impressionada que novamente relaxou na água. E se ele não a quisesse? Um homem podia não
conseguir controlar as respostas do seu corpo, mas ele não precisava acatá-las. Não se essa não fosse o desejo de sua mente.
Com medo de ter de implorar, caso falasse alguma coisa, ela saiu da banheira calada.
— O que está fazendo? — ele perguntou com a voz rouca.
— O que parece? Estou saindo. — Ele podia jogar um balde de água fria nela, mas não precisava humilhá-la.
Ele emitiu um som que fez um frio correr na espinha de Demetria.
— Fique onde está, sua maldosa provocadora. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

VIDA DE PRINCESA


Querida leitora,
A vida da princesa Demetria não tem sido nada fácil! Ela se casou por conveniência com o príncipe Joseph Scorsolini e cumpre muito bem o seu papel de esposa de um príncipe. Mas Demetria não esperava se apaixonar por Joseph. E uma revelação pode acabar com os sonhos dela para sempre.

sábado, 8 de junho de 2019

segunda-feira, 3 de junho de 2019

ESPLENDOR DA HONRA CAPITULO 24 ULTIMO!!!!


Amor e honra, tesouros acima de seu valor
O mês seguinte foi um período de repouso e tranquilidade para Joseph, e uma época de intensa felicidade para Demétria.
Demétria ficou encantada com os escoceses. Eles pareciam os guerreiros mais assombrosos que havia no mundo, salvo por seu marido, claro. Os escoceses lembravam aos antigos Espartanos em razão de sua existência austera e sua lealdade feroz.
Trataram Joseph como se fosse um dos seus. Catherine também se mostrou encantada de acolher Demétria em seu lar. A irmã de Joseph era bonita e estava apaixonada por seu marido.
Demétria não pôde ver sua prima Edwythe, embora Catherine prometesse que enviaria uma mensagem de saudação da parte de Demétria. Edwythe vivia nas terras altas, a uma considerável distância do lar de Catherine, muito longe, de fato, para fazer-lhe uma visita.
Passaram trinta dias inteiros com os parentes de Joseph, e ele se lembrou da promessa de ensinar a sua delicada esposa como se defender por si mesma. Joseph foi paciente com Demétria, até que a viu estender a mão para seu arco e suas flechas. Então se apressou em deixá-la só, temendo perder a paciência se tivesse que vê-la cometer o mesmo erro outra vez. Demétria sempre errava o alvo. Anthony já havia lhe advertido sobre aquele defeito. A flecha disparada por Demétria sempre passava um metro, talvez um pouco menos, acima do alvo pretendido.
Joseph e Demétria retornaram à fortaleza de Wexton no final de agosto. Foi quando souberam que o rei William II havia morrido. Os relatos não eram muito claros, mas todos os que presenciaram a tragédia juravam ter-se tratado de um acidente. William, junto com seu irmão e seus amigos, tinha ido caçar no bosque. Um soldado disparou sua flecha, mirando um cervo, mas o pescoço do rei atravessou a trajetória da fecha. William já estava morto antes mesmo de seu corpo cair ao chão.
A versão mais aceita e menos crível vinha de uma testemunha ocular que alegava ter visto tudo, do começo ao final. Aquela testemunha declarava que o leal súdito do rei realmente havia apontado sua flecha para o cervo, mas quando ela voou para o animal, a vermelha mão do diabo surgiu repentinamente do chão. A flecha ficou presa no punho do diabo e foi redirecionada ao rei.
A igreja abençoou aquela versão como realmente acontecida, e em seguida foi escrita. Satanás tinha colocado fim à curta vida do rei, e certamente nenhum daqueles que presenciou sua norte foi responsável por ela.
Henry reclamou imediatamente o tesouro real e subiu ao trono.
Demétria agradecia que ela e Joseph tivessem saído da corte antes da tragédia. Seu marido ficou zangado por não ter estado ali, porque acreditava ter podido salvar a vida de seu monarca.
Nenhum dos dois acreditava na história sobre a mão do diabo, e nenhum dos dois estava disposto a admitir que Henry poderia muito bem ter algo a ver com o acidente de seu irmão.
Embora não estivesse tão familiarizada com os assuntos de estado como Joseph, Demétria se lembrava que Henry havia sugerido ao rei William que Joseph passasse um mês com os escoceses. Demétria acreditava que Henry queria tê-lo o mais distante possível de Londres, e também acreditava que Henry havia perdoado a vida de Joseph para que ele fosse enviado para bem longe. Mesmo assim, nunca expressou aqueles pensamentos para seu marido.
Liam e Miley se casaram no primeiro domingo de outubro. O padre Berton acabava de chegar com sua bagagem para assumir a tarefa de salvar as almas dos Wexton. O conde de Grinsteade havia morrido, cinco dias depois da cerimônia de casamento de Demétria.
Joseph tinha enviado soldados por toda Inglaterra para procurassem por Sebastian. Como agora Henry era rei, Sebastian havia se convertido em um proscrito exilado. Henry tinha deixado muito claro quão pouco gostava de Sebastian.
Demétria acreditava que Sebastian havia deixado a Inglaterra. Joseph não tentou discutir com ela, mas estava convencido que Sebastian permanecia escondido, esperando sua oportunidade de vingar-se.
Então chegou uma mensagem, exigindo que Joseph fosse se ajoelhar diante do novo rei, jurando-lhe lealdade. Joseph não podia rechaçar aquela ordem, mas não pôde evitar sentir-se um pouco inquieto por deixar Demétria sozinha.
Estava sentado no salão, com o pedido de Henry ainda nas mãos, quando Demétria desceu para tomar o café da manhã. Joseph já havia feito sua refeição do meio-dia.
Sua esposa parecia descansada, mas Joseph sabia que dentro de umas horas ela precisaria tirar um cochilo. Ultimamente, ela se cansava com muita facilidade. Demétria tratava de esconder aquele fato de seu marido, mas ele sabia que a cada manhã ela sofria de enjoos e náuseas.
A doença de Demétria não o preocupava nem um pouco. Não, Joseph estava esperando que ela percebesse que levava seu filho em seu ventre.
Demétria sorriu assim que viu Joseph sentado em uma poltrona perto do fogo. Começava a fazer muito frio e as chamas convidavam a ir para elas. Joseph a sentou em seu colo.
- Joseph, tenho que falar com você. Já quase é meio-dia e acabo de me levantar da cama. Acho que estou doente, mas não quero preocupá-lo. Ontem pedi uma poção a Maude.
- E ela deu isso a você? - perguntou Joseph. Ele tentou não sorrir, porque a expressão de sua esposa beirava a tristeza.
Demétria sacudiu a cabeça. Ela afastou os cabelos de seu ombro, batendo no peito de Joseph em sua pressa.
- Não, não me deu isso - ela disse -. Ela apenas sorriu para mim e foi embora. O que eu devo pensar sobre isso?
Joseph suspirou. Ia ter que contar para ela.
- Você ficaria muito triste se nosso filho fosse ruivo?
Demétria arregalou os olhos e sua mão foi instintivamente para seu ventre. Sua voz tremeu quando ela finalmente respondeu à pergunta de seu marido.
- A pequena terá o cabelo castanho, como o de sua mãe. E eu serei a mãe mais maravilhosa do mundo, Joseph.
Joseph riu e depois beijou Demétria.
- Vejo que minha arrogância contagiou você, esposa. Você me dará um filho e não se fala mais nisso.
Demétria assentiu, fingindo estar de acordo com ele enquanto imaginava a linda garotinha que iria segurar em seus braços.
Sentia-se tão aflita pela alegria, que ela pensou que fosse chorar.
- Você não pode mais alimentar seus animais selvagens. Eu não quero que você vá além dos muros.
- É meu lobo - Demétria provocou. Ela ainda não havia admitido para Joseph que ela realmente pensava tratar-se de um selvagem cão -. Hoje será a última vez que irei deixar a comida - prometeu -. Assim está bom para você?
- Por que hoje? - perguntou Joseph.
- Porque faz exatamente um ano que cheguei aqui. Se você desejar, pode vir comigo quando eu for ali com Anthony. - Fingiu suspirar -. Vou sentir saudade do meu lobo.
Joseph viu um brilho nos olhos de Demétria.
- Vou deixar de alimentá-lo apenas porque você me ordena, marido.
- Eu não acredito nisso nem por um minuto - replicou Joseph -. Você vai me obedecer apenas porque sente isso.
Joseph finalmente prometeu acompanhar Demétria. Ela o esperou, mas quando terminou com seu treino de tiro ao alvo, o sol já estava começando a desaparecer e Joseph continuava sem terminar de cuidar de suas outras ocupações.
Demétria recolheu suas flechas, colocou-as dentro do recipiente de tecido que Ned fez para ela e o pendurou nas costas.
Anthony levou a comida dentro do saco de pano que Demétria usava nessa tarefa. Ela levava seu arco, ostentando ao seu vassalo que poderia caçar ao menos um coelho para o jantar.
Anthony achava totalmente impossível.
Quando chegaram ao alto da colina, Demétria agarrou o saco de comida das mãos de Anthony. Estendeu o pano chão, agora ajoelhada, e arrumou a comida em uma pilha. Um grande osso, gordo de carne, coroou sua pirâmide. Como sabia que não voltaria a alimentar os animais selvagens, Demétria pensou em deixar um último presente que enchesse seus estômagos.
Anthony foi o primeiro a ouvir o ruído atrás deles. Virou-se e escrutinou as árvores atrás de Demétria, no exato instante que uma flecha riscava o ar com um assobio e se alojava em seu ombro. O vassalo foi atingido. Tentou manter o equilíbrio, mas viu que seu inimigo voltava a elevar o arco pela segunda vez.
O vigia gritou uma advertência logo que Anthony caiu. Os soldados se alinharam ao longo do caminho da muralha, com suas flechas já colocadas em seus arcos, e esperaram a que o inimigo revelasse sua presença.
Joseph acabava de montar em seu cavalo, pensando em agradar sua esposa, reunindo-se com ela e a levando de volta na garupa de sua montaria. Ouviu o grito e esporeou seu cavalo em um rápido galope. Seu grito de raiva foi ouvido por toda a fortaleza. Os homens correram para seus cavalos e seguiram seu lord.
Demétria sabia que não tinha tempo para correr. Quase vinte homens saíram lentamente de seus esconderijos trás das árvores, formando um semicírculo. Demétria também sabia que o vigia e os arqueiros não poderiam ver aqueles homens até que eles tivessem chegado ao alto da colina.
Ela não teve escolha. Demétria estendeu a mão para uma de suas flechas, ajustou a beira denteada em seu arco e apontou cuidadosamente.
Reconheceu o homem que estava mais perto dela. Era um dos três que havia testemunhado as mentiras de Sebastian, e então soube que Sebastian não estava longe.
Saber disso fez que se sentisse mais furiosa que assustada. Lançou a flecha, e já estendia a mão para outra antes de que aquele inimigo caísse ao chão.
Joseph não subiu até o alto da colina. Cavalgou ao redor da base da colina e indicou com um gesto que outros fossem para o lado oposto. Queria interromper a passagem do inimigo, interpondo-se entre eles e sua esposa.
Uns minutos depois, os soldados de Joseph já estavam liderando batalha com o inimigo. Demétria deixou cair seu arco e se virou, pensando em ajudar Anthony. O vassalo tinha rodado ladeira abaixo, mas já estava de pé e subia pouco a pouco pela colina para voltar a se reunir com ela.
- Abaixe-se, Demétria! - gritou Anthony de repente.
Ela ouviu sua ordem e ia fazer o que ele mandava, quando de repente foi agarrada por trás. Ao se virar, Demétria gritou ao se deparar cara a cara com Sebastian. Ele tinha um olhar enlouquecido. Seu puxão era insuportável. Ela desceu seu pé sobre o dele, causando-lhe um desequilíbrio. Lembrou-se das lições de defesa de Joseph, e lhe deu uma joelhada na virilha. Sebastian caiu ao chão, arrastando Demétria com ele.
Ela rolou para o lado, assim como Sebastian, que titubeava em seus joelhos. Ele deu um murro em Demétria, sua direita bem abaixo do queixo dela. A dor foi intensa demais para aguentar.
Sebastian deu um pulo quando viu que Demétria não se movia. Olhou para a base da colina, e viu que seus homens fugiam em disparada. Eles o abandonavam, e agora tentavam escapar da ira de Joseph.
Sebastian soube que esta vez não conseguiria fugir de Joseph.
- Você vai me ver matá-la! - gritou.
Joseph tinha desmontado e correu colina acima. Sebastian sabia que só lhe restavam alguns segundos e percorreu freneticamente o chão com o olhar em busca de uma faca. Iria afundá-la no coração de Demétria, antes que Joseph pudesse detê-lo.
Sebastian deu uma obscena gargalhada, quando avistou sua adaga em cima de um monte de resto de comida. Ajoelhou-se perto daquilo e estendeu a mão para sua arma.
Cometeu o erro de tocar na comida.
A mão de Sebastian pousou sobre o punho de sua adaga. Tinha começado a se virar quando foi detido por um surdo grunhido. O som se intensificou até que ficou intenso o suficiente para fazer o chão tremer.
Joseph também ouviu aquele som. Então, viu como Sebastian levava as mãos diante do rosto, e um instante depois um raio de cor marrom saltou sobre sua garganta.
Sebastian desabou para trás; morreu afogado em seu próprio sangue.
Joseph indicou com um gesto que seus homens que não se movessem de onde estavam. Manteve o olhar fixo naquele enorme lobo, enquanto estendia lentamente a mão para seu arco e sua flecha. O lobo permanecia imóvel sobre Sebastian. Os dentes do animal eram perfeitamente visíveis, e um rosnado ameaçador permeou o silêncio.
Rezou para que Demétria não despertasse, então Joseph avançou lentamente querendo chegar a um lugar que pudesse disparar contra a besta.
De repente o lobo foi até Demétria e se inclinou sobre ela. Joseph deixou de respirar.
Joseph pensou que o aroma de Demétria parecesse familiar ao animal, porque o lobo pôs fim rapidamente a sua curiosidade e voltou para a comida. Joseph contemplou como o lobo agarrava o osso entre seus dentes, voltou-se novamente e desapareceu descendo pelo outro lado da colina.
Atirou ao chão seu arco e sua flecha, e correu para sua esposa. Demétria acabava de despertar, quando ele se ajoelhou ao lado dela, pegando-a delicadamente em seus braços para levantá-la.
Demétria esfregou o queixo com a mão, comprovando o mal sofrido. Podia movimentá-lo, embora ainda doesse o suficiente para ela pensar que deveria estar quebrado. Então reparou que Sebastian estava ali.
- Eles se foram? - perguntou a Joseph, ela foi espremida com tanta força contra seu peito, que mal conseguia sussurrar sua pergunta.
- Sebastian morreu.
Demétria fechou os olhos e disse uma prece pela alma de seu irmão. Não acreditava que fosse servir muito a Sebastian, mas mesmo assim a rezou.
- Anthony está bem? Devemos cuidar de sua ferida, Joseph - disse depois, tentando se livrar do abraço de seu marido -. Levou uma flecha no ombro.
Joseph deixou de tremer. Demétria deliberadamente falava sem parar, porque sabia que seu marido precisava de uns minutos para se recuperar. Quando os braços de Joseph deixaram de apertá-la com tanta força, Demétria sorriu.
- Agora já acabou tudo? - ela perguntou.
- Acabou - disse Joseph -. Seu lobo salvou sua vida.
- Eu sabia que você o faria, meu amor. Você sempre vai me proteger - respondeu Demétria.
- Você não entendeu, Demétria - disse Joseph, franzindo o cenho -. Seu lobo matou Sebastian.
Demétria sacudiu a cabeça, pensando em como seu marido se deixou levar pela imaginação naquele momento aterrador. Sabia que Joseph estava zombando dela apenas para aliviar suas preocupações.
- Tem força suficiente para se levantar? - Perguntou Joseph -. Sente-se…?
- Eu estou bem. Não, nós estamos bem - corrigiu Demétria, acariciando o ventre para dar maior ênfase a suas palavras - Ainda não posso senti-la, Joseph, mas sei que nada lhe aconteceu.
Quando Joseph a ajudou a se levantar, Demétria tentou olhar para Sebastian. Joseph moveu-se para a frente dela, impedindo-a de ver alguma coisa.
- Não precisa olhar para ele, Demétria. Só iria deixá-la angustiada.
A garganta de Sebastian tinha sido retalhada pelas presas do lobo, e Joseph decidiu que aquela não era uma visão que Demétria esqueceria facilmente se ela visse.
Anthony veio se juntar a eles. Parecia mais incrédulo que machucado.
- Anthony, seu ombro…
- Não é uma ferida muito profunda - disse Anthony -. Baronesa, você atravessou o coração de um deles - balbuciou.
Joseph não acreditou.
- Foi a flecha de Demétria?
- Foi.
Os dois homens se voltaram para Demétria e a olharam. Pareciam totalmente atônitos. Demétria ficou um pouco irritada pela falta de fé que eles demonstraram em sua capacidade. Durante um fugaz segundo, ela pensou que poderia ficar em silêncio. A verdade, entretanto, veio à tona.
- Eu estava apontando para o pé dele.
Tanto Joseph como Anthony ficaram contentes com a confissão de Demétria. Joseph a tomou em seus braços e começou a descer pela colina.
- O lobo salvou sua vida - voltou a dizer, pensando em explicar toda a verdade.
- Eu sei, querido.
Joseph se deu por vencido. Teria que explicar tudo mais tarde, quando a cabeça de Demétria não estivesse tão teimosamente decidida a acreditar que ele havia sido seu salvador.
- Você nunca mais vai alimentar esta besta, Demétria. Vou me encarregar deste trabalho. Agora o lobo merece viver uma vida mais fácil. Ele fez por merecer.
- Quer parar de me provocar, Joseph? - pediu Demétria, claramente exasperada -. Acabo de passar por uma prova muito dura.
Joseph sorriu. Que grande mandona ela era, e que delícia. Ele esfregou suavemente o alto de sua cabeça com o queixo, enquanto a ouvia se queixar de seu novo machucado.
O barão de Wexton estava impaciente para levar Demétria para casa, tanto, pensou, como deveria ter ficado Ulisses ao voltar para casa para ficar com sua esposa.
O futuro lhes pertencia. Demétria gostava de chamá-lo de seu lobo, mas ele era apenas um homem, ainda que mesmo mais poderoso que o mágico Ulisses.
Porque embora Joseph fosse um mero mortal, igualmente com defeitos, tinha conseguido uma façanha ousada. Sim, tinha capturado um anjo. E ela pertencia a ele.
Fim






SIM ACABOU
NAO É TROLLAGEM
PROXIMA FIC É DE REALEZA TAMBEM BUT....JA FALEI AQUI... OU NO FACE? NAO LEMBRO
MAS O QUE IMPORTA É QUE AMO A HISTORIA
SIM É ADAPTADA TAMBEM.
POR QUE?
PORQUE AINDA NAO CONSEGUI TERMINAR MINHAS FICS =\
MAS SEMPRE DAREI UM JEITO DE POSTAR FICS AQUI

BJEMI

domingo, 2 de junho de 2019

Esplendor da Honra Capitulo 23


A memória do justo é abençoada,
mas o nome do ímpio apodrecerá
Provérbios, 10,7
O silêncio desceu sobre todos os que estavam presente no salão assim que William II foi para sua poltrona situada em cima de uma plataforma. Quando o rei se sentou, todo mundo abaixou a cabeça.
A risada havia desaparecido dos olhos de Demétria. Estava sozinha no centro do salão. Henry a tinha deixado sozinha sem ninguém para acompanhá-la, e naquele momento estava falando com seu irmão.
O que quer que Henry estivesse dizendo ao rei, não parecia estar sendo muito bem aceito. Henry havia dito a Demétria que primeiro Sebastian apresentaria sua visão do debate, Joseph em segundo lugar, e ela, por último.
Demétria abriu os olhos e encontrou Joseph no fundo da sala. Ele não afastou o olhar dela, enquanto avançava lentamente para onde estava Demétria. Nenhum dos dois disse uma única palavra, mas cada um contemplou ao outro durante um tempo. Demétria sentiu como se Joseph estivesse lhe dando um pouco de sua força. Ficou nas pontas dos pés e beijou seu marido, mesmo sabendo que estava exposta ao olhar de qualquer um que pudesse estar observando-os.
Oh, Deus, como o amava! Joseph não podia parecer mais tranquilo e seguro de si mesmo, e até piscou os olhos para Demétria, quando o soldado gritou seu nome.
- Fique aqui até que lhe chamem - ele disse. Ele passou suavemente a mão por sua bochecha antes de dar meia volta e ir até o rei.
Demétria não queria obedecê-lo. Ela começou a segui-lo, e não chegou a ir muito longe quando se viu completamente rodeada por Kevin, Nicholas, Liam e vários barões que nem sequer conhecia. Seus corpos formaram um círculo completo ao redor dela.
A multidão se apressou a dar passagem quando Joseph e Sebastian andaram ao seu monarca. Os dois homens se detiveram, separados por uns dez metros de distância antes de virarem um para o outro.
Então o rei falou, dirigindo-se à multidão. Contou quão desagradável era enfrentar aqueles dois guerreiros barões, a ira e a pena que ele sentia por terem morrido muitos soldados, e quanta frustração lhe causava o fato de ter que escutar tantas versões distintas, a respeito do que realmente tinha acontecido. O rei concluiu seu discurso exigindo a verdade. Ele dirigiu uma inclinação de cabeça a cada barão e indicou com um gesto de mão que Sebastian podia começar.
Sebastian em seguida declarou que era completamente inocente de todas aquelas maldades das quais o acusavam. Ele acusou Joseph de traição, declarando que o barão de Wexton tinha destruído sua fortaleza e matado duzentos bons e leais homens deles, e que além disso havia tornado sua irmã prisioneira, estando a ponto de destruí-la.
Depois Sebastian passou a fazer sua própria defesa, declarando que Joseph o culpava por algo que outro homem havia feito a sua irmã, Miley. Teceu uma rede de mentiras ao redor do rei, destilando com sinceridade quando Sebastian assegurou que ele nem sequer sabia que o barão de Wexton iria desafiá-lo. Como ele poderia saber de tal coisa? Sebastian estava na corte quando Joseph e seus soldados atacaram sua fortaleza, e além disso contava com várias testemunhas que estavam dispostas a atestar sobre esta fato.
Sebastian colocou fim a sua persuasiva argumentação, insistindo que Joseph não tinha nenhuma prova de sua transgressão, enquanto que ele sim, tinha muitas provas que diziam respeito às sujas ações de Joseph.
Foi tão escorregadio como uma enguia e mentiu a seu rei tanto quanto se tivesse mentido a uma rameira. Ele recorreu à astúcia. Sebastian explicou que compreendia quão difícil deveria ser para o rei saber em qual dos dois deveria acreditar, e por isso gostaria de chamar três homens para que dessem testemunho a favor dele.
Quando o rei concordou com isso com uma inclinação de cabeça, cada um dos homens que Sebastian chamou se ajoelhou diante do monarca e contou suas mentiras. Demétria não reconheceu nenhum dos rostos, mas conhecia muito bem seus nomes. Todos compartilhavam o mesmo nome. Sim, todos eles eram Judas.
Cada um deles terminou sua história, obviamente ensaiada de antemão, e se colocaram atrás de Sebastian. Demétria tinha agarrado a parte de trás da túnica de Kevin e estava retorcendo a ponta do objeto. Kevin se voltou, puxou sua túnica para deixá-la livre e agarrou a mão de Demétria. Nicholas agarrou a outra mão.
Tanto Kevin como Nicholas estavam oferecendo seu consolo. Nenhum dos dois irmãos tinha esperado que o rei permitisse chamar testemunhas. Ambos estavam furiosos, e também preocupados. E ambos trataram de esconder de Demétria o que estavam sentindo.
Sebastian foi novamente para frente. Fez uma reverência, acrescentou algumas obscenas verdades a mais, e concluiu sua versão suplicando dramaticamente que se fizesse verdadeira justiça.
Era a vez do barão de Wexton falar. O rei, obviamente em muito bons termos com seu vassalo, chamou Joseph e ordenou que ele desse sua versão do acontecido.
Joseph era um homem de poucas palavras e expôs rapidamente os fatos. Não chamou nenhuma testemunha, limitando-se a explicar que Sebastian havia abusado de Miley, assim como tentou matá-lo e que ele tinha respondido àqueles atos tal como eles mereciam. Em seguida ficou evidente para todos os que estavam presente na sala, que Joseph não estava suplicando justiça: ele a exigia.
- Você trouxe testemunhas para que corroborem seu relato? - perguntou o rei.
- Eu lhe dei a verdade - respondeu Joseph, e sua voz era dura e controlada -. Não preciso de testemunhas para corroborarem minha honestidade.
- Cada um de vocês acusou o outro de má conduta. Existem questões que não ficaram muito claras.
- Ele está preso entre os dois - murmurou Nicholas a Kevin.
Kevin assentiu. Cada homem contradizia o outro. Kevin acreditava que o rei queria opinar a favor de Joseph, mas Sebastian tinha conseguido inclinar a balança a seu favor ao trazer testemunhas que mentiram em seu benefício. Joseph era um vassalo leal e também era um guerreiro, por isso podia se converter em uma ameaça se parecesse que seu rei o havia traído.
Fazer que outros testemunhassem a seu favor parecia um insulto para Joseph. Ele havia dito a verdade, era decisão do rei acreditar nele ou não.
Kevin exalou um suspiro entrecortado. Agora Joseph não jogaria o jogo. Seu irmão se agarrava com teimosia à convicção de que havia agido com honra no passado e que agora o rei acreditaria nele.
Mas Sebastian também tinha incluído uma observação muito válida dentro de seu labirinto de mentiras. Joseph tinha se casado com Demétria sem obter antes a permissão necessária para isso. Aquilo era uma falta insignificante, mas a acusação de ter destruído a fortaleza de outro barão e ter matado mais de duzentos soldados era muito mais séria.
Joseph tinha declarado que Sebastian tentou preparar-lhe uma armadilha em duas ocasiões, mas aquelas acusações não podiam ser mostradas. Nicholas podia atestar em relação a uma batalha, certo, mas não podia provar, de forma alguma, que Sebastian estivesse por trás do ataque.
Liam também podia testemunhar contra Sebastian no tocante ao momento em que aconteceu a segunda armadilha, mas isso era algo do qual se podia culpar Morcar. Sebastian também não tinha estado ali.
Kevin deixou de pensar em todos aqueles detalhes, quando o nome de Demétria foi pronunciado, e se virou para olhar para ela.
Demétria ergueu os ombros, refez sua expressão e foi até o rei andando lentamente. Deteve-se quando chegou à plataforma e então se ajoelhou, mantendo a cabeça inclinada enquanto o fazia.
- Seu irmão me convenceu de que você passou por experiências muito dolorosas para poder dar seu relato agora - anunciou o rei -. Por isso, eu a libero desse dever.
- Sou uma de suas leais súditas - afirmou Demétria. Ela poderia dizer que havia conseguido a atenção do rei, porque seus olhos pareciam se abrir um pouco mais -. Embora eu não tenha um exército de vassalos para lhe ajudar, faria o que estivesse a meu alcance para lhe servir. Eu gostaria de responder suas perguntas.
O rei assentiu imediatamente.
- Não parece estar perturbada, como avisou seu irmão - afirmou. Ele se inclinou para diante e disse, falando em voz baixa -: Você prefere que eu deixe o salão vazio antes de me contar tudo o que aconteceu?
Demétria ficou surpresa pela doçura no tom que o rei empregou com ela.
- Eu não prefiro isso - murmurou.
- Então me conte o que você puder a respeito deste quebra-cabeças.
Demétria obedeceu. Cruzou as mãos diante dela, fez uma profunda inspiração de ar para tranquilizar-se e começou seu relato.
- Se esse for o seu desejo, começarei com a noite do ataque à fortaleza de meu irmão - disse.
- Isso seria muito bom - disse o rei -. Já sei que isto vai ser difícil para uma dama tão gentil, mas eu gostaria de mais luz sobre este problema.
Demétria desejou que o rei não fosse tão amável com ela, porque isso fazia que sua tarefa ainda mais difícil.
- Meu marido diz que você é um homem honrado - sussurrou.
William se inclinou para a frente de sua cadeira outra vez, e foi o único que ouviu o que disse Demétria.
- Sou muitas coisas para muitas pessoas - alardeou. Manteve um tom de voz tão baixo como o que tinha empregado Demétria, desejando compartilhar seus comentários unicamente com ela -. Acredito que trato todos de maneira honrada, inclusive às delicadas e bonitas damas que não dispõem de nenhum exército para ajudar a minha causa.
Demétria presenteou o rei com um sorriso.
- E agora comece sua história - ordenou o rei, falando em um tom alto para que todos os pressente pudessem ouvi-lo.
- Eu estava subindo pela escada para ir para o meu quarto quando um dos soldados de meu irmão anunciou a Sebastian que o barão de Wexton desejava falar com ele -começou Demétria.
- Sebastian estava ali? - Perguntou o rei.
- Ele estava - disse Demétria -. Ouvi quando ele disse ao soldado que permitisse que Joseph entrasse cavalgando pelos portões em sinal de trégua. Era uma armadilha, naturalmente, porque Joseph foi capturado assim que entrou na fortaleza. Então meu irmão disse a seu vassalo que ia matar Joseph. Ele se considerava um homem muito
ardiloso, porque ele pensou em um plano para matar o barão, fazendo com que ele morresse de frio.
Sebastian deixou escapar um ofego afogado. Deu um passo na direção de Demétria, mas se deteve quando viu que Joseph levava a mão à espada.
- Minha irmã não sabe do que está falando - gaguejou Sebastian -. Demétria está muito alterada para que possa saber o que está dizendo - Liberte-a a desta terrível provação!
O rei agitou a mão pedindo silêncio. Sebastian deu uma profunda inspiração, e começou a se sentir um pouco mais tranquilo, quando percebeu que o resto da história de Demétria falaria a favor dele.
- Não haverá mais interrupções! - gritou o rei. Ele se voltou novamente para Demétria e lhe dirigiu uma seca inclinação de cabeça -. Continue, se tiver a bondade, com sua explicação deste ardiloso plano para fazer com que o barão morresse congelado de frio. Não estou entendendo.
- Sebastian não queria empregar uma arma contra o barão - disse Demétria -. Uma vez que ele tivesse morrido pelo frio que fazia, os homens levariam seu corpo a um lugar remoto e o deixariam ali, até que alguém o encontrasse ou as bestas selvagens tivessem chegado até ele. Despojaram-no de suas roupas e o ataram a um poste no pátio.
Demétria fez uma pausa para efetuar outra profunda inspiração.
- Sebastian partiu para Londres - continuou dizendo -. Deixou alguns de seus homens para que vigiassem Joseph, mas não puderam suportar o frio e, ao final, terminaram entrando na fortaleza. Depois que eles se foram soltei Joseph.
- E então os soldados do barão de Wexton atacaram a fortaleza?
- Entraram ali escalando os muros. Tinham o dever de proteger seu lord - disse Demétria.
- Eu vejo.
Demétria não soube o que o rei queria dizer com aquilo. Voltou a cabeça para olhar Sebastian, viu que estava sorrindo zombeteiramente, e voltou o olhar para Joseph. Seu marido a incentivou com um gesto de cabeça.
- E então foi capturada?
- Para falar a verdade, o que ocorreu é que fui liberada dos maus tratos de meu irmão. Ele gostava de me fazer mal, e coloco Deus por testemunha de que cheguei a ficar muito cansada de seus abusos.
Um murmúrio de surpresa percorreu a multidão.
- O barão de Wexton me levou com ele. Eu tinha muito medo de Sebastian e volto a confessar que pela primeira vez em minha vida, eu me senti realmente segura e a salvo. Joseph é um homem honrado. Tratou-me bem. Nunca temi que fosse a me fazer mal. Nunca.
O rei contemplou Sebastian em silêncio, durante um momento que pareceu muito longo e depois voltou novamente o olhar para Demétria.
- Quem queimou sua casa até o chão? Ou será que não chegou a ser queimada?
Sua voz tinha aumentado de volume.
- Joseph destruiu minha fortaleza! - gritou Sebastian.
- Silêncio! - Rugiu o rei -. Sua irmã está fazendo seu relato do ocorrido, e ela é a única a quem desejo ouvir. Responda a essa pergunta - acrescentou, dirigindo-se agora a Demétria.
- Sebastian destruiu seu próprio lar quando desonrou o sinal de trégua - afirmou Demétria.
O rei, que agora se via bastante cansado, suspirou.
- Então posso dar por certo que sua virtude não foi arrebatada?
Demétria quase gritou sua resposta.
- Ele não me tocou.
Outro suave murmúrio escapou da multidão. Todos estavam fascinados pela estranha história que estavam escutando.
Até esse momento Demétria não havia dito nada que fosse mentira.
- Joseph não me tocou, mas prometi contar toda a verdade e portanto confesso que tratei de tirar proveito de sua bondade natural. A verdade é que terminei por seduzi-lo.
Um ofego de assombro substituiu ao murmúrio naquele momento, e Demétria acreditou ouvir Joseph gemer. O rei parecia estar a ponto de gritar. De repente Joseph apareceu junto de Demétria, e a mão dele cobriu sua boca. Demétria deduziu que Joseph queria que ela deixasse de falar.
Quando lhe deu uma cotovelada, Joseph afastou a mão de sua boca para deixá-la sobre seu ombro.
- Você percebe como está difamando a si mesma, minha querida mulher? - gritou o rei.
- Amo Joseph - respondeu Demétria -. E não fui capaz de seduzi-lo até estarmos casados.
O rei se virou para Sebastian com o cenho franzido.
- Sua acusação sobre sua irmã ter sido violada está negada. Basta-me olhar para ver que está dizendo a verdade. - Ele se voltou novamente para Demétria para prosseguir com seu interrogatório e passou a fazer outra pergunta -: E o que me diz da acusação apresentada por seu marido de que Sebastian violou sua irmã?
- É verdade - disse Demétria -. Miley me contou o que aconteceu. Morcar a atacou, mas Sebastian também estava ali. O plano foi dele, e portanto ele é igualmente responsável.
- Eu vejo.
O rei parecia estar cada vez mais furioso. Continuou interrogando Demétria durante um bom momento. Ela deu todas as respostas, mas sempre dizendo a verdade.
- Meu marido agiu com valentia e meu irmão com fraude - disse.
Quando por fim terminou de falar, apoiou-se ao lado de Joseph.
- Tem algo mais a me dizer? - perguntou o rei a Sebastian.
Sebastian tinha ficado sem fala e a fúria fez avermelhar seu rosto.
- Minha irmã está mentindo descaradamente - conseguiu balbuciar finalmente.
- Não é esta a mesma irmã que você sempre elogiou por jamais mentir? - gritou o rei.
Sebastian não lhe respondeu. O rei se voltou novamente para Demétria.
- É leal a seu marido, o que é um traço admirável. Agora você está dizendo a verdade ou protegendo seu marido?
Antes que Demétria pudesse responder àquela pergunta, o rei se virou para Joseph.
- Tem alguma coisa a mais para acrescentar a isto?
- Só que foi uma sedução igual - comentou Joseph, passando a falar em um tom muito suave -. E que foi profundamente satisfatória.
Um ruído de aprovação criou eco que ressoou por todo o salão. O rei sorriu.
Ele ficou em pé e pronunciou sua decisão.
- Sebastian, você traiu a confiança que eu depositava em você - disse -. A partir deste momento você está despojado de todos os seus deveres e expulso para sempre de minha corte.
Depois, ele se voltou para o Joseph.
- Meu irmão Henry sugeriu um período de tempo para esfriar sua ira. Estou muito aborrecido por todo o caos causado e todas as vistas que se perderam, mas aceito que estava respondendo da maneira mais apropriada possível pela honra de sua irmã. Um mês com os escoceses talvez seja tempo suficiente.
Demétria sentiu como Joseph ficava rígido perto dela. Agarrou-lhe a mão e a apertou, rogando para que ele ficasse em silêncio, enquanto William falava.
- Sim, quando retornar, se ainda desejar desafiar Sebastian e os homens que estão com ele nesta questão, então permitirei que se celebre um combate de morte. A escolha de confrontá-lo pertence a você.
Joseph não aceitou ou rechaçou imediatamente a ordem. Ele não gostou de ter que esperar um tempo antes de desafiar Sebastian.
Ele sentiu Demétria tremer, e o medo de sua esposa se encarregou de tomar a decisão por ele.
- Irei imediatamente.
O rei assentiu.
- Eu liberei Sebastian de todas os seus deveres, Joseph. Eu dei a ele um mês para se esconder de você - admitiu.
- Vou encontrá-lo.
O rei sorriu.
- Disso eu não tenho dúvida.
Joseph se inclinou ante seu monarca. William saiu da sala, com o Sebastian correndo atrás dele.
- Quereria ter umas palavras com você, esposa - sussurrou Joseph.
Demétria tentou sorrir para seu marido. O rosto de Joseph era uma máscara impenetrável, e ela não sabia se ele estava furioso ou meramente irritado.
- Estou muito cansada, Joseph. E você disse ao rei que partiríamos imediatamente.
- Nós?
- Você não vai me deixar aqui, não? - Perguntou, claramente atônita.
- Eu nunca faria tal coisa.
- Não zombe de mim - ela murmurou -. Acabo de passar por uma prova muito dura.
O barão de Rhinehold interrompeu a discussão.
- Seu esposa se iguala a você em coragem, Joseph - afirmou -. Soube enfrentar nosso rei, contando-lhe sua história. Ora, sua voz nem sequer chegou a tremer!
- E o que ela disse a ele? - perguntou Joseph sem levantar a voz.
O barão Rhinehold sorriu.
- Essa é a questão, não? Eu escutei toda sua explicação e ainda não ficou claro quem queimou o que, quem atacou e quem se retirou…, e continuo sem ter nem a mais remota ideia do que foi que aconteceu.
- Você acabou de descrever minha vida com Demétria - afirmou Joseph, agora com um novo cansaço em sua voz.
Baixou o olhar para Demétria e viu como ela estava contemplando o barão.
- Eu esqueci de apresentá-los - disse em voz alta, reparando em seu descuido -. Barão, esta é minha esposa, Demétria. Eu entendi que você conheceu sua mãe.
O barão assentiu.
- Sua esposa se parece muito com Dianna - disse -. É um prazer conhecê-la baronesa.
Rhinehold tinha um sorriso muito formoso, e Demétria sentiu que subitamente a emoção a embargava. Obrigou-se a sorrir e disse:
- Eu gostaria de lhe falar sobre minha mãe, barão. Possivelmente poderia vir nos fazer uma visita, quando tivermos retornado de nosso exílio temporário.
- Eu ficaria muito honrado - disse Rhinehold.
Não teve mais tempo para continuar falando com o barão, porque então vieram os outros aliados para expressar sua alegria por como tudo havia terminado. Demétria permaneceu imóvel perto de Joseph, segurando sua mão e desejando que seu marido lhe dissesse o que pensava a respeito daquele encontro.
Joseph a ignorou. Ele se virou quando Liam se reuniu com eles, e declarou que partiriam dentro de uma hora.
- Joseph? Tenho tempo para recolher minhas coisas em meus aposentos? -perguntou Demétria.
- Já está vestida, esposa.
Demétria suspirou.
- Isso quer dizer que está zangado? - perguntou.
Joseph baixou o olhar para sua esposa. Os olhos de Demétria estavam velados por uma suave neblina, e ela mordiscava o lábio inferior. Joseph a olhou e sacudiu lentamente a cabeça.
- Você me seduziu? Meu Deus, Demétria, você disse ao rei que você me seduziu. Quando decide contar uma mentira, não se mostra nada tímida a esse respeito - ele sorria para ela enquanto a repreendia.
- Não foi uma mentira - disse Demétria -. Queria que você me beijasse e nunca gostava quando você parava. Isso é um pouco de sedução, não, Joseph? E naquela primeira noite eu beijei você. Você se limitou a responder da mesma maneira, marido. Sim, disse a verdade. Eu seduzi você.
- Se tivesse dito toda a verdade, agora eu poderia estar desafiando Sebastian - observou Joseph.
- Oh, já sei como funcionam essas coisas - disse Demétria -. Cada um diz uma coisa, e o outro diz que está mentindo. Então o rei teria metido você dentro de um lago, com suas mãos e seus pés atados a pedras. E se você afundasse até o fundo do lago, então William teria sabido que dizia a verdade. Você estaria morto, naturalmente, mas sua honra ficaria intacta. Bem, pois esta noite eu não gostaria de ir para a cama com sua honra por única companhia. Quero você vivo e inteiro. O que me diz disso, marido?
Embora tentasse, Demétria não pôde evitar que algumas lágrimas escapassem de seus olhos.
Joseph a olhava com a expressão mais assombrada que pudesse imaginar no rosto.
- Demétria… - disse, prolongando seu nome em um exagerado suspiro -. Os guerreiros não são submetidos a esse tipo de julgamento. É a igreja a que utiliza esse método, não o rei.
- Oh.
Joseph sentiu vontade de rir. Tomou Demétria em seus braços e sorriu quando a ouviu murmurar:
- Acabo de passar por uma prova muito dura.
- Tem um coração de ouro - disse -. Venha, esposa. Estou sentindo o irresistível impulso de permitir que me seduza.
Demétria estava completamente de acordo com seu plano.
Acamparam quase quatro horas depois. Demétria estava cansada. Camille a interceptou quando se dispunha a partir com Joseph. As palavras vis e iradas que ela gritou para Demétria, ainda ecoavam em sua cabeça.
Joseph a deixou em um riacho que ele havia encontrado, enquanto cuidava de proteger o acampamento. Entretanto, Demétria estava em seu campo de visão o tempo todo. Enquanto Sebastian vivesse, Joseph não iria se afastar de Demétria.
Demétria se lavou o melhor que pôde, dada as circunstâncias e depois voltou ao acampamento. Joseph acabava de levantar uma tenda para os dois. Não estavam muito longe do contingente de homens que viajavam com eles.
- Acredita que o padre Berton esteja suficientemente a salvo? Ou acha que deveria aumentar o número de homens que o protege? - perguntou a Joseph.
- Ele vai ficar bem - disse Joseph -. Deixei com ele os homens mais aptos de que disponho. Não se preocupe, meu amor.
Demétria assentiu.
- Você se lembra da primeira noite que dormimos juntos? - perguntou.
- Lembro-me muito bem.
- Eu achava que o fogo estivesse muito perto e temia que nossa tenda fosse incendiar - disse ela.
- Você se preocupava com tudo - disse Joseph. Soltou o cinturão trançado sobre o quadril de Demétria -. Aquela noite dormiu vestida.
- Eu protegi minha virtude. Eu não sabia que realmente desejava seduzir você - disse Demétria, e riu ao ver a expressão de desgosto que apareceu no rosto de seu marido.
- Eu protegi sua virtude - replicou Joseph.
Demétria se acomodou em cima das peles de animal. O frescor do anoitecer era agradável. A brisa refrescava o ambiente, e o brilho da lua deu-lhes uma iluminação suave.
- Tire a roupa, Demétria - disse Joseph. Ele já havia tirado sua túnica e suas botas.
Demétria queria fazer exatamente a mesma coisa, mas estava preocupada com a proximidade dos homens. Ela segurou suavemente a mão de Joseph. Quando seu marido se inclinou sobre ela, Demétria sussurrou:
- Esta noite não podemos fazer amor. Seus soldados vão nos ver.
Joseph sacudiu a cabeça.
- Ninguém pode nos ver, esposa. Desejo você. Agora.
Ele mostrou o que ele queria dizer beijando-a profundamente. Demétria suspirou nos lábios Joseph, enquanto passava os braços ao redor do pescoço. Ela abriu os lábios e esfregou sua língua contra a dele, arqueando-se instintivamente contra o corpo de seu marido.
- Você faz muito barulho - Demétria murmurou, quando Joseph terminou o beijo para mordiscar delicadamente o lóbulo da orelha.
Ela estremeceu, reagindo ao prazer que ele proporcionava, e Joseph riu suavemente.
- É você quem grita pedindo que seu desejo seja satisfeito, meu amor - Joseph disse -. Eu sou muito disciplinado para fazer barulho.
- É verdade isso? - perguntou Demétria, e sua mão foi desenhando uma lenta carícia na palpitante excitação de seu marido.
Joseph esqueceu sobre o que falava. Recapturou a boca de Demétria enquanto puxava a bainha de seu vestido. Queria sentir o calor de sua esposa, quando seus dedos provassem as pregas acetinadas que protegiam o núcleo de sua feminilidade, soube que Demétria o desejava. Estava umedecida pelo calor, e se arqueou contra ele quando Joseph introduziu seus dedos nela.
Suas roupas foram rapidamente jogadas de lado em um selvagem abandono. Joseph não queria acalmar seu ardor. Precisava tomar Demétria agora mesmo, e a resposta desinibida deixou claro que sua esposa não queria ternura. Sim, Demétria precisava dele para esquecer seu constrangimento.
Joseph sossegou os gemidos de Demétria, cobrindo sua boca com a dele. Ele se colocou entre suas coxas e a penetrou. Demétria o levou até o limite da satisfação com seus eróticos gemidos de prazer, incitando-o com suas súplicas que derramasse sua semente dentro dela e suas unhas se afundaram nos ombros de Joseph. Quando ele não conseguia mais se conter, colocou a mão entre seus corpos e acariciou ao Demétria até levá-la ao clímax.
Joseph quis gritar com sua liberação. Não podia fazê-lo, naturalmente, e voltou a reclamar a boca de Demétria, prendendo o grito que ela daria.
- Amo você, esposa - sussurrou mais tarde, quando ela parecia um novelo ao seu lado.
- Eu também amo você, Joseph - disse Demétria, satisfeita para descansar apoiada em seu marido uns minutos a mais. Então, ela perguntou -: Eu constrangi você na corte quando eu disse que seduzi você?
Joseph sorriu contra o topo de sua cabeça. Demétria se virou, batendo ele.
- Não fiquei constrangido - afirmou Joseph, falando em tom de orgulho -. Mulheres ficam constrangidas.
Demétria sorriu.
- E o que sentem os guerreiros?
- Cansaço - disse Joseph -. Eles ficam exaustos depois de fazerem amor com suas esposas. .
- Está sugerindo que eu durma?
- Estou.
- Então eu vou, claro obedecer sua sugestão depois de fazer só mais uma pergunta. - Demétria ouviu Joseph suspirar, mas não lhe deu atenção -. Quem eram aqueles homens que mentiram por meu irmão? Eram barões?
- Não eram barões, apenas homens que se uniram a seu irmão contra mim - disse Joseph.
- Então eles não têm seguidores? Carecem de seus próprios exércitos?
Joseph hesitou por um instante.
- Eles não têm exércitos, Demétria - disse finalmente -. No entanto, há muitos homens sem escrúpulos que se juntariam a ele mediante incentivo. Agora Sebastian não tem ao seu dispor ouro suficiente para chegar a ser uma grande ameaça.
Demétria se deu por satisfeita com a resposta de Joseph e deixou de se preocupar pensando em Sebastian.
- Joseph? Quando formos a Escócia você poderá conhecer minha prima Edwythe. Eu ia viver com ela. Esse era o plano que eu havia feito antes de que conhecer você.
- E você poderá conhecer minha irmã Catherine - disse Joseph com voz sonolenta.
- Sua irmã está casada com um escocês? - perguntou Demétria, com voz de incredulidade.
- Está.
- E seu marido…?
- Não, não é ruivo - Joseph a interrompeu.
- Eu não ia perguntar isso - protestou Demétria -. Eu só estava me perguntando se Catherine e seu marido poderiam conhecer Edwythe.
A respiração profunda e regular de Joseph indicou que estava adormecido. Quando seu marido começou a roncar, Demétria teve a certeza de que ela havia dormido e se aconchegou nele.
Naquela noite teve os sonhos mais maravilhosos que podia imaginar. Eram os sonhos da inocência.




sorryyyyyyyyyyyyyyy nao ter postado antes, eu esqueci =\ to atrasada em tudo pq  final de semana so quero dormir, podre estou
mas  por isso irei postar mais um amanha, prometo, nem que me cobrem no twitter ok.