quarta-feira, 1 de maio de 2019

ESPLENDOR DA HONRA Capitulo 19


E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará
João, 8, 32
Por muito irônico que pudesse parecer, o atraque sofrido por Demétria ajudou na reconciliação de Miley e Liam.
Demétria tinha insistido em jantar com a família e seu convidado. Quando ela e Joseph entraram no salão, Miley já estava sentada à mesa. Liam ia e vinha diante da lareira, parecendo estar profundamente mergulhado em seus pensamentos.
Joseph suspirou, e Demétria soube com isso que ele não estava com humor para suportar outra cena de Miley. Demétria ia dizer para ele ter um pouco de paciência, mas decidiu que seria melhor não fazê-lo. Ela também não estava com humor para discórdias.
Quando Miley viu Demétria, deixou escapar um sonoro suspiro, esquecendo-se por completo de Liam.
- O que aconteceu com você? Silenus finalmente jogou você no chão? - perguntou.
Demétria franziu o cenho na direção de Joseph.
- Antes de sairmos do nosso quarto, lembro bem de você me dizer que meu aspecto era normal - sussurrou.
- Eu menti - respondeu Joseph, sorrindo.
- Eu deveria ter me olhado no espelho de Miley - devolveu Demétria -. Sua irmã está parece que vai vomitar a qualquer momento. Acha que vou fazer todos os presentes perderem o apetite?
Joseph sacudiu a cabeça.
- Uma invasão não estragaria meu apetite. Eu usei todas as minhas forças tentando agradar você ...
Demétria deu-lhe uma suave cotovelada para que ele ficasse em silêncio, porque estavam bem perto de Miley e ela poderia ouvir.
- Eu preciso que você me ame - murmurou -. Agora já esqueci por completo o asqueroso contato do sacerdote. Essa foi a única razão pela qual me mostrei um pouco... atrevida.
- Atrevida? - Joseph soltou uma risita -. Demétria, meu amor, você se converteu em uma...
Demétria deu-lhe outra cotovelada, desta vez com mais força que antes, e então se virou para Liam e Miley.
Foi Liam, de fato, quem se encarregou de dar uma explicação a Miley sobre as feridas sofridas por Demétria.
- Oh, Demétria, você tem um aspecto realmente terrível - confessou Miley em tom de simpatia.
- Mentir é um pecado - disse Demétria a Joseph, fulminando-o com o olhar.
Joseph pediu que o nome do padre Lawrence não fosse mencionado durante o jantar, e todos honraram seu pedido. Miley também voltou a ignorar Liam.
O barão cumprimentou a irmã de Joseph quando todos se levantaram da mesa. Miley respondeu com um comentário descortês.
A paciência de Joseph se esgotou.
- Quero falar com vocês dois - ele ordenou e seu tom de voz era cortante.
Miley olhou assustada, Liam parecia confuso e Demétria parecia querer sorrir.
Todos o seguiram até a lareira. Joseph se sentou em seu assento, mas quando Liam se dispôs a ocupar uma cadeira, Joseph disse:
- Não, Liam. Fique de pé ao lado de Miley. - virou-se para sua irmã e disse -: Você confia em que em mim para saber o que é melhor para você?
Miley assentiu lentamente. Ela arregalou os olhos, pensou Demétria,
- Então deixe que Liam beije você - disse Joseph -. Agora.
- O quê? - perguntou Miley, que parecia estupefata.
Joseph franziu o cenho ante sua reação.
- Quando minha esposa foi atacada por Lawrence, ela quis que eu apagasse a lembrança de sua memória. Você nunca foi tocada ou beijada por um homem que lhe amasse, Miley. Eu sugiro que agora você permita que Liam beije você e, em seguida, decida se sentiu repulsa ou encantamento.
Demétria pensou que aquele era um plano maravilhoso.
Miley estava começando a enrubescer de desconforto.
- Na frente de todos? - perguntou, com uma voz que soou como um grasnido.
Liam sorriu e segurou sua mão.
- Eu beijaria você na frente do mundo inteiro se você me permitisse – disse para ela.
Joseph pensou que Liam estava indo muito longe ao dizer a Miley que podia permitir ou não que ele a beijasse, mas se guardou seus pensamentos.
Além disso, sua ordem finalmente estava sendo cumprida. Antes que Miley pudesse recuar, Liam se inclinou sobre ela e depositou um casto beijo sobre seus lábios.
A irmã de Joseph olhou para Liam para contemplá-lo com o olhar confuso. E então ele voltou a beijá-la. Suas mãos nunca chegaram a tocá-la, mas mesmo assim sua boca manteve Miley cativa.
Demétria sentiu-se tola diante do casal. Ela caminhou até Joseph, sentou-se no baço de seu assento e tratou de olhar o teto em vez daquelas duas pessoas que se beijavam com tanto entusiasmo.
Quando Liam deu um passo atrás, Demétria olhou para Miley. A irmã de Joseph parecia ruborizada, envergonhada e sinceramente assustada.
- Ele não beija como Mor...
A cor desapareceu imediatamente de seu rosto diante do terrível erro que estava prestes a cometer, e voltou o olhar para Demétria em busca de ajuda.
- Liam tem que saber, Miley.
Joseph e Liam compartilharam um cenho franzido. Nenhum dos dois sabia do que Demétria estava falando.
- Eu não posso contar isso para ele - murmurou Miley. – Você poderia cumprir esse terrível dever em meu lugar? Por favor, Demétria. Eu lhe imploro.
- Se você permitir que eu conte a Joseph também - disse Demétria.
Miley olhou para seu irmão. Voltou a olhar novamente para Liam e disse:
- Quando souber toda a verdade do que me aconteceu, não vai querer nunca mais voltar a me beijar. Sinto muito, Liam. Deveria ter...
Miley começou a chorar. Liam quis tomá-la em seus braços, mas ela sacudiu a cabeça.
- Eu realmente amo você, Liam. Mas sinto tanto...
Com aquelas palavras de despedida, Miley saiu correndo do salão.
Demétria não gostou nada da promessa que tinha feito. Sabia que estava a ponto de causar muita dor tanto para seu marido como para Liam. Os dois homens gostavam de Miley.
- Liam, por favor, sente-se e ouça-me - pediu. Sua voz soava tensa e preocupada -. Joseph prometa que não ficará zangado comigo por ter ocultado isso de você. Miley me fez prometer para poder compartilhar seu secreto comigo.
- Não ficarei zangado - anunciou Joseph.
Demétria assentiu. Ela não pode suportar olhar para Liam enquanto contava toda a verdade a respeito de Miley, por isso permaneceu olhando para chão pelo tempo que falou. Insistiu no fato de Miley ter se sentido terrivelmente decepcionada ao ver que Liam não se juntou a ela na corte, e que por essa razão tinha sido uma presa fácil para as artimanhas de Sebastian.
- Eu acredito que na verdade ela tratava de lhe punir - disse a Liam -. Embora duvide que ela tenha consciência disso.
Demétria se arriscou a lançar um rápido olhar a Liam, viu que ele assentia com a cabeça, e depois olhou para Joseph. Depois contou o resto, sem esconder nada, e quando falou da traição de Morcar, ela realmente esperou ouvir os gritos de ira de um dos dois ou de ambos.
Nenhum dos dois barões disse uma única palavra.
Quando seu relato chegou ao fim, Liam se levantou e saiu do salão muito devagar.
- O que você vai fazer? - perguntou Demétria a Joseph. Percebeu que estava chorando e limpou as lágrimas do rosto, estremecendo quando bateu em seu hematomas.
- Não sei - respondeu Joseph falando em voz baixa e, também, cheia de fúria.
Joseph sacudiu a cabeça, e um pensamento passou de repente em sua cabeça.
- Era Morcar o homem que você queria matar, não?
Demétria franziu o cenho.
- Você me disse que ia matar um homem - insistiu Joseph -. Lembra-se? Você estava se referindo a Morcar, não é?
Demétria assentiu.
- Eu tinha que fazê-lo pagar por sua traição, mas a honra me obrigava a guardar o secreto de Miley - sussurrou -. Eu não sabia o que fazer, Joseph. É dever de Deus ocupar-se dos pecadores. Eu bem sei disso. E eu não deveria querer matar Morcar. Mas eu quero fazê-lo, que Deus me ajude, mas quero fazê-lo...
Joseph a puxou para o seu colo e a abraçou meigamente. Entendia a delicada tortura que sua esposa enfrentava.
Os dois permaneceram em silêncio durante uns minutos. Demétria pensou em Liam. O que ele faria agora, partiria ou continuaria a cortejar Miley?
Joseph usou aquele tempo para recuperar o controle de suas emoções. Não culpava Miley por aquele amor passageiro, que a fez sucumbir à fascinação de Sebastian. Sua irmã era tão inocente que não podia ser considerada culpada pelo que aconteceu, mas Sebastian deliberadamente ceifou aquela inocência.
- Eu vou me ocupar de Morcar - disse finalmente a Demétria.
- Você não o fará!
Foi Liam quem gritou a negativa. Tanto Demétria como Joseph viram quando ele correu e parou na frente deles. Sua ira não podia ser mais evidente, porque ele tremia por inteiro.
- Eu vou matá-lo, e também matarei você, Joseph, se você se atrever a me negar esse direito.
Demétria deixou escapar uma exclamação abafada e olhou para o Joseph. Sua expressão não dizia se ele se sentia insultado ou furioso.
Joseph contemplou Liam em silêncio, durante um momento que lhes pareceu muito longo. Ele assentiu lentamente.
- Sim, Liam, é seu direito. Eu estarei atrás de você quando o desafiar.
Um súbito desânimo se apropriou do Liam. Sentou-se na cadeira que havia diante de Joseph.
- Demétria? Poderia, por favor, dizer a Miley que eu gostaria de falar com ela?
Demétria assentiu. Apressou-se a fazer o que ele havia pedido, mas já tinha conseguido enlouquecer de preocupação antes de chegar ao quarto de Miley.
Miley tinha chegado à conclusão de que Liam iria deixá-la.
- Foi melhor assim - disse a Demétria entre soluços -. Beijar é uma coisa, mas isso é tudo o que poderei chegar permitir. Nunca poderia deixar que ele viesse a minha cama.
- Não sabe se poderia ou não - replicou Demétria -. Não será fácil, Miley, mas Liam é um homem paciente.
- Não tem importância - disse Miley -. Ele vai me deixar.
Miley estava errado, porque Liam esperava por ela no lance final dos degraus, agarrou-a pelo braço sem dizer uma palavra e a levou consigo escada abaixo.
Joseph foi para até Demétria e a tomou em seus braços.
- Você está exausta, esposa. É hora de ir para a cama.
- Será melhor esperar pelo retorno de Miley. Ela pode precisar de mim - protestou Demétria, quando Joseph começou a subir pela escada.
- Eu preciso de você agora, Demétria. Liam cuidará de Miley.
Ela assentiu.
- Demétria, amanhã terei que deixá-la. Será por poucos dias - acrescentou antes de que ela pudesse interrompê-lo.
- Aonde você vai? - perguntou Demétria -. Você tem assuntos importantes a tratar? - inquiriu a seguir, fazendo todo o possível para que sua voz soasse interessada e não decepcionada.
Não esperava que seu marido passasse cada momento com ela. Afinal, Joseph era um homem importante.
- Eu tenho uma questão que requer minha atenção - respondeu Joseph, deliberadamente reduzida ao mínimo sua explicação. Demétria já tinha passado por suficiente tortura hoje. Joseph não queria acrescentar outra preocupação, e sabia que se falasse aquela mesma noite do pedido do rei, então sua esposa não poderia desfrutar de nenhum descanso.
Maude estava descendo pela escada quando Joseph dobrou a esquina. A criada disse que cuidaria imediatamente do banho da baronesa, mas Joseph sacudiu a cabeça e disse a Maude que ele cuidaria daquele trabalho.
Maude fez uma reverência.
- Maude, hoje seu filho fez algo muito valente - disse Joseph então.
A mulher sorriu de orelha a orelha. Ela já sabia sobre o ato de bravura de seu filho. O pequeno tinha feito seus pais se sentirem orgulhosos dele. Ora, ele salvou a vida da baronesa!.
- Eu tenho que pensar em uma recompensa apropriada para semelhante bravura - disse Joseph.
Maude pareceu muito afligida para poder falar. Fez outra reverência, e então conseguiu gaguejar sua gratidão.
- Eu realmente agradeço, meu senhor. Meu Willie tem muito carinho pela baronesa. Às vezes ele atrapalha um pouco, a todo o momento correndo de um lado para o outro atrás dela, mas a baronesa não parece se importar e sempre tem uma palavra de carinho para o meu menino.
- É um menino muito inteligente - disse Joseph, elogiando-o.
Sua adulação, que certamente era um acontecimento incomum, acrescentado ao feito dele estar lhe dirigindo a palavra, fez Maude se sentir atordoada. Voltou a agradecer a seu senhor, recolheu sua saia e subiu a toda pressa escada acima. Gerty estaria impaciente para escutar aquela história, e Maude certamente estava decidida a ser primeira a contar.
Demétria passou a mão pela bochecha de seu marido.
- Você é um homem muito bom, Joseph - sussurrou -. Essa é outra das muitas razões pelas eu amo tanto você.
Joseph encolheu os ombros, forçando Demétria a se agarrar nele para não perder o equilíbrio.
- Eu só cumpro com meu dever - comentou.
Demétria sorriu, e pensou que seu marido era tão incapaz de aceitar um elogio como parecia ter acontecido com Maude.
- Meu banho foi negado - disse, provocando-o -. Provavelmente terei que nadar em seu lago. O que me diz disso? - acrescentou.
- Digo que é um bom plano, esposa. Eu nadarei com você.
- Eu só estava lhe provocando - apressou-se a dizer Demétria, estremecendo -. Não quero nadar no seu lago. Quando era pequena, mergulhei-me dentro do lago. Não era muito profundo e eu sabia nadar. Mas os dedos de meus pés afundaram no barro e mina roupa pesava como dez pedras, no mínimo, antes de eu conseguir sair dali. De fato, ao sair eu precisei de outro banho. O barro tinha grudado inclusive no meu cabelo.
Joseph riu.
- Em primeiro lugar, meu lago tem o fundo rochoso na maioria dos lugares - disse -. E você não deve nadar com suas roupas, Demétria. Estou surpreso por você não ter-se afogado.
Sua esposa não parecia muito convencida dos méritos de seu lago.
- A água é muito clara. Você quase pode ver o fundo - disse Joseph.
Eles chegaram ao quarto. Demétria já estava despida, esperando na cama por Joseph antes de seu marido tirar sua túnica.
- Não quer nadar comigo? - ele perguntou com um sorriso.
- Não - disse Demétria -. Existem soldados lá fora. Santo Deus, Liam e Miley também estão lá fora. Ficar diante deles sem roupa não seria decente. O que quer que você esteja pensando, Joseph, para sugerir semelhante...
- Demétria, ninguém vai ao lago de noite. Além disso, não há suficiente lua para que...
Demétria o interrompeu com um súbito suspiro de surpresa.
- O que está fazendo, Joseph?
Era óbvio, inclusive para ela. Seu marido estava de pé junto à cama e segurava sua capa.
- Cubra-se com isso. Vou levá-la ao lago - sugeriu.
Demétria mordeu o lábio com indecisão. Realmente queria nadar. A noite estava quente e pegajosa, mas a ideia de ser vista por alguém também era uma preocupação a se levar em conta.
Joseph esperou pacientemente até que Demétria escolhesse. Pensou que naquele momento ela estava terrivelmente atraente. Somente uma fina manta a cobria, e as pontas de seus seios ficavam em evidência.
- Você disse que eu parecia estar exausta - murmurou Demétria -. Talvez...
- Eu menti.
- Mentir para mim é pecado - comentou Demétria. Puxou a manta, segurando-a diante dela como um escudo contra Joseph -. Meu sabão está dentro da sua arca - disse.
Demétria pensou em enviá-lo para alguma missão, assim ela poderia se envolver na capa com privacidade. Ela ainda não estava acostumada a ficar nua na frente dele.
Joseph sorriu e foi à arca para buscar o sabão. Demétria tratou de agarrar a capa antes que ele se virasse, mas não foi rápida o bastante.
Seu marido já voltava para a lateral da cama. A capa de Demétria foi depositada em seu braço. O pacote de sabão estava em uma mão e um pequeno espelho circular em outra.
Ele estendeu o espelho para Demétria.
- Você tem um olho preto para combinar com o que você deu em Kevin - observou.
- Eu nunca dei um olho preto a Kevin - Demétria protestou - Você está me provocando.
Demétria agarrou o espelho e olhou seu rosto.
Demétria gritou.
Joseph riu.
- Pareço um Ciclope! - gritou. Ela deixou cair o espelho e começou a puxar seu cabelo para a frente sobre o lado ferido de seu rosto -. Como pode suportar me beijar? - perguntou -. Tenho um círculo negro ao redor do olho e...
Sua voz soava como se estivesse choramingando. O sorriso de Joseph desapareceu quando ele se inclinou para frente, obrigando-a a levantar o queixo com a palma da mão e o olhasse. Sua expressão se tornou seria.
- Porque eu amo você, Demétria. Você é tudo o que eu quis em minha vida e muito, muito mais. Pensa que um arroxeado ou dois poderiam mudar o que sente meu coração? Realmente acredita que meu amor poderia ser tão superficial?
Demétria sacudiu a cabeça. Ela separou lentamente o lençol e depois ficou de pé junto a seu marido.
Agora já não se mostrava tímida na frente dele. Joseph a amava, e aquilo era a única coisa que importava.
- Eu gostaria de ir ao seu lago, Joseph. Mas será melhor que nos apressarmos, antes que eu comece a implorar para fazer amor com você.
Joseph envolveu o queixo com as mãos e a beijou.
- Eu vou fazer amor com você, Demétria.
Demétria ficou emocionada com aquela promessa e o olhar sombrio em seus olhos. Ela ouviu seu próprio suspiro, sentiu um nó quente em seu estômago começando a se espalhar dentro dela.
Joseph a envolveu na capa, tomou em seus braços e a levou do quarto.
Não encontraram ninguém quando foram para o lago. Joseph também tinha razão porque naquela noite não havia lua suficiente.
Levou-a até o outro extremo do lago. Demétria provou a água com os dedos do pé e percebeu que estava muito fria.
Joseph disse que ela se acostumaria. Demétria permaneceu imóvel junto dele, segurando firmemente a capa ao redor de seu corpo com uma mão, enquanto o via casualmente retirar suas roupas.
Joseph se lançou à água com um impecável mergulho. Demétria se sentou na beirada, e em seguida entrou no lago. Levaria sua capa se Joseph tivesse permitido. Seu marido veio à superfície perto dela, tirou a capa de suas mãos e jogou-o sobre a grama.
Levou alguns minutos para se acostumar à água, mas a sensação de estar nadando sem roupa era muito erótica. Demétria, que se sentia bem libertina, assim disse a Joseph e admitiu timidamente que a sensação era bastante agradável.
Demétria correu com o banho, lavando o cabelo, enxaguando-o com um breve mergulho. Quando voltou à superfície pela terceira vez, Joseph estava na frente dela.
Ele só ia falar com ela, mas Demétria estava sorrindo para ele com um olhar fascinante em seus olhos. A água lambia seu seios. Os mamilos endureceram, chamando-o. As mãos de Joseph os cobriram.
Demétria se apoiou nele, jogando a cabeça para trás para receber seu beijo. Era uma tentação que ele não queria resistir. Joseph tomou avidamente a boca de sua esposa. Sua língua se introduziu na boca de Demétria. Úmida. Selvagem. Tão previsivelmente indisciplinada.
Joseph teria permitido aquele único beijo e depois teria levado Demétria de volta a seus aposentos para fazer amor, mas naquele momento a barriga de Demétria se esfregou contra ele e suas mãos se moveram com ousadia dentro da água para capturar a excitação que dominava Joseph.
Ele a estreitou com os braços, atraindo-a para ele. O beijo se aprofundou, consumindo-os.
Ela foi tão feroz quanto ele. Suas mãos foram aos ombros de Joseph, acariciando-o de forma selvagem. Joseph levantou a mais alto, até que seus seios estavam esfregando contra seu peito. Suas pernas se moviam sem descanso contra ele. Seu doce gemido de desejo o enlouqueceu.
Joseph sussurrou seus desejos com voz enrouquecida pela excitação. Quando Demétria rodeou seu quadril com suas coxas, ele a penetrou lentamente, cauteloso e profundamente.
Demétria se empurrava contra ele, exigindo com as unhas de seus dedos.
- Joseph... - ela implorou.
Ele beijou sua têmpora.
- Estou tentando ser gentil com você, Demétria - sussurrou com voz enrouquecida.
- Mais tarde, Joseph - choramingou Demétria -. Deixe a gentileza para mais tarde.
Joseph se deixou arrastar por sua necessidade. Mostrou-se impetuoso e enérgico, dando tanto prazer a Demétria como dava a ele mesmo. Quando a sentiu arquear-se contra ele no momento culminante, Joseph cobriu sua boca com a dele para capturar os gemidos de Demétria. Sua semente a encheu e Joseph se agarrou a ela enquanto o tremor do êxtase culminava sua explosão.
Demétria se apoiou nele, com seu corpo subitamente enfraquecido pela satisfação. Sua respiração esquentava o pescoço de Joseph, que sorriu com um orgulhoso prazer.
- Parece uma autêntica selvagem, Demétria - disse.
Ela riu, deleitada por aquele elogio, até que se lembrou de onde estavam.
- Santo Deus, Joseph! Será que alguém nos viu?
Parecia horrorizada e escondeu seu rosto no vão do pescoço de Joseph, que riu suavemente.
- Ninguém nos viu, meu amor - sussurrou.
- Tem certeza?
- É obvio. Não há suficiente luz.
- Graças a Deus - respondeu Demétria.
Demétria se sentiu imensamente aliviada, até que Joseph voltou a falar.
- Mas você gemeu o suficiente para despertar os mortos. Você geme demais, meu amor. Quanto mais você se deixa dominar pela paixão, mais forte você geme.
- Oh, Deus.
Demétria tratou de mergulhar na água, mas Joseph não permitiu. Riu, um som profundamente sensual, então continuou zombando dela carinhosamente.
- Não estou me queixando, querida. Desde que seu fogo seja para mim, vou deixar você gemer o quanto quiser.
Justo quando ela estava prestes a dizer como ele soava pecaminosamente arrogante, Joseph deixou-se cair deliberadamente para trás. Sua esposa só teve tempo de prender a respiração.
Joseph voltou a beijá-la, agora debaixo da água. Ela dava um beliscão cada vez que precisava tragar o ar.
Demétria não sabia como brincar dentro d’água. Quando Joseph respingou água com a mão, ela se ofendeu. Joseph teve que lhe mostrar como respingá-lo de volta. Ela pensou que era um jogo bobo tentar afogar o outro, mas já ela estava rindo no momento em que terminou seu comentário, e tratava de colocar a cabeça de Joseph na água, empurrando-o com o pé.
Mas foi ela que perdeu o equilíbrio. Quando Joseph a tirou da água, Demétria tossia, engasgava e tentava brigar com ele ao mesmo tempo.
Eles ficaram quase uma hora no lago. Joseph ensinou como nadar corretamente, embora no começo a sua instrução parecesse insultá-la.
- Você parece estar prestes a se afogar quando nada.
Demétria não se sentiu muito ofendida, e inclusive chegou a beijá-lo para mostrar que ele não havia ferido seus sentimentos.
Quando Joseph finalmente a levou de volta ao quarto, Demétria estava exausta.
Joseph, entretanto, tinha vontade de falar. Deitou-se na cama, com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, e observou como sua esposa escovava o cabelo.
Ambos estavam nus, e nenhum deles se sentia constrangido.
- Demétria, fui convidado a ir conversar com o meu rei - comentou Joseph. Manteve sua voz cuidadosamente controlada, tentando dar a impressão de que estava aborrecido com aquele pedido -. É para lá que irei amanhã.
- Convidado? - a escova foi esquecido quando Demétria franziu o cenho para Joseph.
- Uma convocação, então - admitiu Joseph -. Eu teria dito isso antes, mas não queria preocupá-la.
- Eu também estou metida nisto, não? Joseph, não vou ser ignorada ou deixada de lado. Eu tenho o direito de saber o que está acontecendo.
- Eu não a ignorei nem a deixei que lado - respondeu Joseph -. Eu só estava tentando protegê-la.
- Será perigoso? - perguntou, e nem mesmo deu tempo para Joseph responder -. É obvio que será perigoso. Quando nós partiremos?
- Não partiremos. Você ficará aqui. Será mais seguro para você.
Demétria parecia estar disposta a discutir com ele. Joseph sacudiu a cabeça e disse:
- Se tiver que me preocupar com você, minha concentração estará seriamente comprometida. Já tomei minha decisão, Demétria. Você ficará aqui.
- E você voltará para mim?
Sua pergunta deixou Joseph surpreso.
- É óbvio.
- Quando?
- Não sei quanto tempo isso levará, Demétria.
- Semanas, meses, anos?
Joseph viu o medo nos olhos dela, e se lembrou da época em que Demétria foi ignorada por sua família. Joseph puxou Demétria para cima dele e a beijou.
- Eu sempre voltarei para você, Demétria. É minha esposa, pelo amor de Deus.
- Sua esposa... - sussurrou Demétria -. Toda vez que eu tiver medo, ou começar a me preocupar com o futuro, vou lembrar que estou atada a você. - Joseph sorriu. Demétria já não parecia assustada -. Se permitir que lhe matem, encontrarei sua tumba e cuspirei sobre ela - ela o ameaçou.
- Nesse caso terei muito cuidado.
- Você me promete?
- Eu prometo a você.
Demétria tomou meigamente o rosto de seu marido entre suas mãos.
- Leve meu coração com você, meu amado captor.
- Não, Demétria. Sou eu seu prisioneiro de corpo e alma.
E depois ele honrou seu juramento, voltando a fazer amor com ela.
Joseph já estava vestido antes que as primeiras luzes do amanhecer riscassem o céu. Ele mandou chamar Anthony e o esperou no salão.
Quando seu vassalo entrou no recinto, Joseph estava quebrando o selo daquela carta do monastério, a qual não havia dado nenhuma atenção até agora.
Anthony se sentou à mesa na frente dele e esperou que seu senhor terminasse de ler a carta. Gerty entrou com uma bandeja cheia de pão e queijo.
O vassalo já tinha comido boa parte de seu alimento antes de Joseph terminar de ler a carta. As novidades obviamente não tinham agradado seu senhor. Joseph jogou o pergaminho em cima da mesa e descarregou um murro sobre o tampo.
- As novidades não são do seu agrado? - perguntou Anthony.
- É como eu suspeitava. Não existe nenhum padre Lawrence.
- Mas o homem que você matou...
- Foi enviado por Sebastian - disse Joseph -. Isso eu já sabia, mas ainda assim acreditei que fosse um sacerdote.
- Bem, ao menos então não você matou um homem do Senhor - disse Anthony, acompanhando aquela observação com um encolhimento de ombros -. E tampouco pôde fazer um relatório a Sebastian, Joseph. Lawrence não saiu desta fortaleza desde que chegou aqui. Se o tivesse feito, eu teria sabido.
- Se eu tivesse prestando atenção a essas coisas, não teria demorado tanto tempo para perceber que ele se comportava de maneira estranha. Minha falta de atenção quase custou a vida a minha esposa.
- Ela não culpa você - comentou Anthony -. E além disso a coisa poderia ter sido ainda muito pior do que foi, Joseph. Lawrence poderia ter ouvido todas nossas confissões - acrescentou, estremecendo-se ante aquele pensamento tão obsceno.
- Eu também não me casei - disse Joseph, voltando a atingir a mesa com o punho.
O pergaminho saltou pelos ares e acabou caindo junto à jarra cheia de flores silvestres.
- Santo Deus, não tinha pensado nisso - disse Anthony.
- Demétria também não - respondeu Joseph -. Mas ela o fará, e quando o fizer terá um ataque de nervos. Se houvesse tempo para isso, eu encontraria um sacerdote e me casaria com Demétria antes de ir...
- Levaria semanas...
Joseph assentiu.
- Você disse a Demétria aonde vai? - perguntou Anthony.
- Sim, mas não vou falar de nosso impostor. Quando retornar, trarei comigo um sacerdote. Vou dizer para ela que não estamos casados, um minuto antes de voltar a casar com ela. Inferno, que confusão!
Anthony sorriu. Seu senhor tinha razão. Demétria teria um ataque de nervos.
Joseph se obrigou a deixar de lado a questão de falsidade de Lawrence. Ele repassou sobre seus planos com seu vassalo, tentando cobrir todas as eventualidades.
- Você foi treinado pelo melhor. Confio plenamente em sua capacidade - disse a Anthony, assim que terminou de dar suas instruções.
Era uma tentativa de criar ânimo, ao mesmo tempo em que era um elogio dirigido a si mesmo, já que Joseph havia treinado Anthony. O vassalo sorriu.
- Deixa aqui soldados em número suficiente para conquistar a Inglaterra - observou.
- Você ainda não viu Liam?
Anthony sacudiu a cabeça.
- Os homens estão reunidos diante dos estábulos - observou -. Ele pode estar ali, esperando.
Joseph se levantou e foi aos estábulos com seu vassalo. Uma vez ali, o barão se dirigiu a seus homens e os advertiu de que possivelmente estivessem cavalgando para uma armadilha. Depois, se virou para aqueles que não iriam com ele e falou.
- Sebastian pode muito bem estar esperando que eu vá, para atacar a fortaleza.
Quando ele terminou de falar com seus homens, Joseph retornou ao salão. Demétria estava descendo os degraus e sorriu para ele. Joseph a tomou em seus braços e a beijou.
- Lembre-se que me prometeu tomar cuidado - sussurrou Demétria quando ele a soltou.
- Eu prometo - respondeu Joseph, passando o braço por seus ombros e caminhando para fora. No trajeto para os estábulos tiveram que passar diante da igreja, e Joseph se deteve para contemplar os danos causados pelo fogo -. Terei que reconstruir o vestíbulo - disse.
A menção à igreja fez com que Demétria se lembrasse da carta.
- Você tem tempo para me mostrar a carta que enviaram do monastério do padre Lawrence, Joseph? Confesso que morro de curiosidade.
- Eu já li a carta.
- Você sabe ler! Eu já suspeitava disso, mas você nunca mencionou sua habilidade. Ora, justo quando eu penso que lhe conheço bem, você diz ou faz alguma coisa que me surpreende.
- E isso quer dizer que não sou tão previsível como você imaginava? - perguntou Joseph com um sorriso.
Demétria assentiu.
- Em certos assuntos você sempre é previsível. OH, eu gostaria que você não estivesse partindo. Queria que você me ensinasse a me defender. Se eu pudesse me proteger por mim mesma tão bem como Ansel, provavelmente você me deixaria ir com você.
- Não deixaria - respondeu Joseph -. Mas eu prometo que vou começar sua instrução assim que eu retornar.
O comentário tinha como objetivo apaziguar Demétria, e Joseph decidiu que realmente havia alguns truques de defesa que toda mulher deveria saber. O pedido de sua esposa possivelmente não fosse tão ridículo, afinal. Demétria não era muito forte, mas sua determinação o impressionava.
Joseph reparou em que o barão Liam ainda não tinha chegado. Já que ele tinha alguns minutos a mais para passar com sua esposa, virou-se para ela e disse:
- Vou dar sua primeira lição agora mesmo. Você usa a mão direita, assim tem que levar a adaga do lado esquerdo de seu corpo - acrescentou, pegando sua adaga e pendurando-a em um laço no cinturão de Demétria acima da curva de seu quadril esquerdo.
- Por quê?
- Porque dessa maneira fica muito mais fácil para empunhar a arma. Às vezes, esposa, cada segundo conta.
- Você leva sua espada no lado direito do corpo, Joseph. Sei que sempre prefere empunhar sua espada com a mão esquerda. Os degraus! Esta lição tem alguma coisa a ver com o fato de os degraus terem sido construídos do lado esquerdo da parede em vez do lado direito?
Joseph assentiu.
- Meu pai também acostumava a usar a mão esquerda antes da direita. Quando um inimigo invade sua casa, chega a você vindo de baixo e não de acima. Meu pai contava com uma vantagem maior. Podia usar a mão direita para manter o equilíbrio apoiando-se na parede, e lutar com a mão esquerda.
- Seu pai era muito ardiloso - observou Demétria -. A maioria dos homens utiliza a mão direita, não? Que ideia maravilhosa ir contra a tradição e mandar construir sua casa da maneira de acordo com suas especificações!
- Para falar a verdade, meu pai pegou emprestada a ideia de um de seus tios - disse Joseph.
Joseph acreditava ter conseguido afastar a atenção de Demétria da carta. Mas estava errado, porque Demétria em seguida voltou a abordar esse assunto.
- O que dizia a carta, Joseph?
- Nada importante - replicou Joseph -. Lawrence deixou o monastério quando foi enviado à fortaleza de Sebastian.
Era difícil mentir para sua esposa, mas sua intenção era boa. Joseph estava tentando evitar que Demétria se preocupasse enquanto ele estivesse fora.
- Provavelmente ela era um bom homem até que meu irmão abusou dele - comentou Demétria -. Vou providenciar para que seu corpo seja enviado ao monastério imediatamente, Joseph. Eles vão querer lhe dar um enterro adequado.
- Não! - disse ele, percebendo que havia gritado -. O que queria dizer era que já foram feitos todos os acertos necessários.
Demétria ficou confusa pela grosseria de Joseph. O barão Liam foi até eles para saudá-los, atraindo sua atenção.
- Miley e eu nos casaremos assim que tenhamos terminado nosso trabalho - anunciou Liam -. Por fim, ela aceitou.
Demétria sorriu e Joseph deu uma palmada no ombro de Liam.
- Onde está Miley? - perguntou depois.
- Em seu quarto, chorando. Já me despedi dela - acrescentou Liam com um sorriso.
- Tem certeza de que quer se casar com ela, Liam? Minha irmã passa a maior parte de seus dias chorando.
- Joseph! - protestou Demétria.
Liam riu.
- Espero que ela gaste todas suas lágrimas antes de nos casarmos.
De repente Joseph se virou para Demétria, tomou-a em seus braços e a beijou antes que ela soubesse o que ele ia fazer.
- Estarei em casa antes que você perceba que eu fui - disse.
Demétria tratou de sorrir. Não ia chorar. Isso não seria nada decoroso, não com os soldados já desfilando junto deles.
Ficou no centro do pátio e viu seu marido partir.
Anthony foi até Demétria e se deteve junto dela.
- Ele voltará para todos nós - disse Demétria -. Ele me deu sua palavra, Anthony.
- É um homem honrado, Demétria. Não quebrará sua promessa.
- Terei que me manter ocupada - disse Demétria ao vassalo -. Joseph prometeu que me ensinar métodos de defesa.
- Métodos de defesa? - repetiu Anthony, mostrando sua confusão.
- Sim. Gostaria de saber como me proteger por mim mesma - explicou Demétria, fazendo soar deliberadamente como se isso tivesse sido ideia de seu marido. Demétria sabia que era mais fácil obter a cooperação de Anthony se ele acreditasse que Joseph assim desejava. Ela não achava que estivesse sendo enganosa -. Possivelmente você poderia me dar uma lição ou duas. O que acha, Anthony? Poderia me dedicar um pouco de seu tempo a cada dia para me ensinar as artes de defesa?
As artes de defesa?
O vassalo olhou fixamente para Demétria e percebeu que ela não podia ter falado mais a sério.
Demétria teve a impressão de que Anthony não estava nada entusiasmado com seu pedido.
- Acho que vou falar com Ned. Ele poderia me fazer um bom arco, e também flecha, é claro. Se eu treinar minha mente para esta tarefa, eu acredito que poderia ser muito útil em algum momento.
Anthony teve vontade de fazer o sinal da cruz. Não podia fazê-lo, naturalmente, porque sua senhora estava olhando para ele para contemplá-lo com uma expressão esperançosa nos olhos.
- Falarei com Ned - prometeu Anthony, que tinha um bom coração para negar o que ela estava pedindo.
Demétria agradeceu com entusiasmo. O vassalo se inclinou diante ela e se foi.
Agora Anthony tinha um novo problema para pensar. Sua primeira obrigação consistia em cuidar da esposa de Joseph, e de repente ela havia imposto outro dever. No futuro ia ter que proteger seus homens de Demétria.
Apesar de tudo, seu senso de humor conseguiu salvar seu desespero. Quando chegou à cabana do ferreiro, Anthony já se estava rindo. Que o céu ajudasse a todos! Assim que a semana chegasse ao fim, provavelmente todos teriam algumas flechas no traseiro.


sábado, 20 de abril de 2019

Esplendor da Honra Capitulo 18


Proclamo que o poder é justo, e que a Justiça
é o interesse dos mais fortes.
Platón, A República, 1
Os rigorosos dias do inverno chegaram com temperaturas terrivelmente baixas, liderada por um vento uivante que tomou conta do campo com suas mandíbulas congelantes. O inverno parecia prometer manter o mundo preso em seu glacial esplendor durante toda a eternidade, até que aquela delicada donzela, a primavera, apresentou-se de repente trazendo consigo sua própria promessa. Trazia em dom do renascimento, envolto no cálido resplendor do sol. Seduzido por essa promessa, o vento perdeu seu fio trêmulo e se converteu em suave brisa.
As árvores foram as primeiras a mostrarem o cumprimento da promessa. Os galhos deixaram de ser quebradiços e ficaram maleáveis, agitando-se com graciosos movimentos quando a brisa os tocava. Frágeis brotos e verdes folhas engrossavam cada um deles. Sementes esquecidas, que tinham sido afundadas nas profundidades da terra pela inclemência dos primeiros ventos do outono, floresceram de repente em um estalo de cor e fragrância, inebriante o suficiente para atrair vaidosas abelhas, que zumbiam de um lado a outro.
Foi um tempo realmente mágico para Demétria. E havia tanta alegria no fato de amar Joseph! Parecia um milagre que Joseph também a amasse. As primeiras semanas depois de sua declaração, Demétria ficou um pouco inquieta e preocupada em pensar que Joseph pudesse ficar cheio dela. Ela fez o que pôde para agradá-lo, mas mesmo assim a inevitável discussão acabava chegando. Um simples mal-entendido que poderia ser facilmente resolvido terminava fora de tamanho pelo mau humor de Joseph e o cansaço de Demétria.
Para falar a verdade, Demétria depois nem se lembrava do que havia originado a discussão. Só se lembrava que Joseph tinha gritado com ela. Então ela se escondia imediatamente atrás da salvadora máscara de compostura, mas não demorava muito para que seu marido tirasse sua perfeita tranquilidade. Ela começava a chorar, dizia a Joseph que ele não a amava mais, e fugia para a torre.
Joseph ia atrás dela. Ele ainda gritava, mas o assunto tinha mudado para o hábito de Demétria chegar à conclusões erradas. Quando ela compreendeu que o que realmente o deixava furioso era o fato dela pensar que ele não a amava mais, ela deixava de se importar com os gritos e com aquele feroz cenho que ele franzia. Afinal, Joseph gritava que a amava.
Demétria tinha aprendido uma lição muito importante naquela noite, e agora sabia que não tinha nada de mau gritar de volta. Todas as suas regras mudaram desde que ela conheceu os Wexton. A liberdade que agora lhe permitia usufruir abriu as portas de suas emoções. Demétria já não precisava mais se conter. Quando sentia vontade de rir, ela ria. E quando tinha vontades de gritar, ela seguia em frente, embora tentasse manter com dignidade os modos de uma dama.
Demétria percebeu que ela mesma começava a adquirir algumas das características de seu marido.
Ser previsível dava segurança, e Demétria começava a odiar mudanças tanto quanto seu marido odiava. Quando Nicholas e Kevin partiram para oferecer seus quarenta dias aos seus suseranos, Demétria deixou que todos que estavam ao alcance de seus gritos soubessem do seu descontentamento.
Joseph lhe fez ver a inconsistência de seu raciocínio, e inclusive lembrou-lhe que antes, ela se mostrava a favor de delegar mais responsabilidades a seus irmãos. Demétria, entretanto, não queria ouvir a razões. Converteu-se em uma galinha poedeira e queria que todos os Wexton permanecessem ali onde ela pudesse vê-los.
Joseph entendia a sua esposa melhor do que ela o entendia. Os irmãos de Joseph e Miley eram membros da família de Demétria. Ela esteve sozinha por tantos anos que o prazer de ter tantas pessoas queridas em volta dela, era extremamente confortável para deixá-los ir sem protestar.
Ela também era uma pacificadora. Demétria interferia constantemente quando entendia que alguém estava sendo atormentado. Ela protegia a cada um, e mesmo assim se assustava quando alguém tratava de protegê-la.
Para falar a verdade, Demétria continuava sem entender qual seu real valor. Joseph sabia que ela achava um milagre que ele a amasse. Ele não era um homem de exaltar seus sentimentos, mas ele logo percebeu que Demétria precisava ouvir com frequência suas promessas de amor. Havia um sentido inconsciente de medo e insegurança, compreensível em razão do passado dela, e ele aceitou que levaria tempo para ela para ganhar confiança em suas habilidades.
Os dias que passava com sua nova esposa teriam sido realmente idílios, se Miley não estivesse resolvida a deixá-los loucos. Joseph se esforçava para manter um gesto simpático com sua irmã, mas o comportando de Miley bastava para que ele, secretamente, desejasse estrangulá-la.
Ele cometeu o erro de contar para Demétria como ele se sentia em relação às condutas de Miley e seu desejo de colocar uma mordaça em sua boca. Demétria ficou estarrecida. Ela defendeu Miley imediatamente. Sua esposa sugeriu a Joseph que ele aprendesse a ter um pouco mais de compaixão, e por que, em nome de Deus, ele iria querer fazer tal coisa, estava além de sua compreensão.
Demétria chamou-o de antipático, mas na verdade era exatamente ao contrário. Joseph era muito simpático com o barão Liam. Seu amigo tinha a paciência do Jó e a resistência de aço forjado.
Miley fazia todo o possível para dissuadir seu pretendente. Ela zombava, gritava, chorava. Nada disso parecia ter a menor importância. Liam não se deixava afastar de sua meta de conquistá-la. Joseph pensava que Liam ou era teimoso como uma mula, ou estúpido como um touro. Ele provavelmente tivesse um pouco de ambos.
Joseph não podia ajudar, mas admirava Liam. Tanta determinação era digna de elogio. Especialmente quando se considerava que o prêmio que Liam perseguia havia se transformado em uma megera que gritava.
Joseph realmente preferia poder ignorar toda aquela situação. Demétria, entretanto, não permitia que ele desfrutasse de semelhante privilégio. Ela constantemente o arrastava a participar das disputas familiares, explicando que era seu dever arrumar as coisas.
Ela lhe explicou, muito tranquila e sem se alterar, que ele poderia ser senhor e irmão de uma vez, mas que todas essas tolices de manter uma atitude fria e distante em relação a sua família eram um hábito do passado, do qual ele deveria se livrar.
Demétria também explicou que ele poderia conservar respeito ao mesmo tempo que conquistava a amizade de seus irmãos. Joseph não tentou discutir com ela. Bem sabia Deus que desde que se casaram, ele não tinha conseguido sair vencedor de uma única discussão.
Naquele caso, porém, Demétria estava certa. Joseph não se incomodou em dizer-lhe isso, é óbvio, sabendo que ela imediatamente apontaria algum outro “hábito” que ele deveria descartar.
Ele começou a jantar todas as noites com sua família, porque sabia que isso deixava Demétria feliz, e então descobriu ter um certo prazer na experiência. Durante os jantares sempre se falava sobre diversos assuntos, e ele desfrutava os animados debates que decorriam disso. Seus dois irmãos eram homens sagazes e inteligentes, e não demorou muito tempo para Joseph valorizasse as sugestões de ambos.
Joseph lentamente removeu as barreiras que tinha erguido, separando sua família de si mesmo, e ao fazê-lo descobriu que as recompensas eram muito maiores que o esforço.
Seu pai estava errado. Agora Joseph sabia. Seu pai poderia ter governado rigidamente, a fim de proteger sua posição como senhor das terras. Talvez ele pensasse que mostrar afeto a seus filhos o faria perder o respeito deles. Joseph não tinha certeza de qual tinha sido o raciocínio de seu pai. Só sabia que ele não poderia seguir esses velhos costumes.
Ele tinha que agradecer essa maneira de agir a sua esposa. Demétria havia ensinado que o medo e o respeito não tinham que andar de mãos dadas. Amor e respeito funcionavam tão bem, talvez até melhor Aquilo era bem irônico. Demétria era grata a Joseph por ter-lhe dado um lugar em sua família, quando o reverso era mais verdadeiro. Demétria havia-lhe dado um lugar em sua própria casa. Ela havia lhe mostrado como ser um irmão para Nicholas, Kevin e Miley. Sim, ela o arrastou para dentro do círculo familiar.
Joseph manteve o mesmo programa de atividades com seus homens, mas passou a reservar uma hora a cada tarde para ensinar a sua esposa a montar. Demétria aprendia depressa, e Joseph não demorou a permitir que ela montasse Silenus, até a pequena colina que se elevava além dos muros. Ele ia atrás dela, naturalmente, como precaução. E grunhia, também, ante a teimosia de sua esposa em levar comida para seu lobo imaginário.
Demétria pediu que ele explicasse por que um lado da colina estava nu, enquanto o outro era um bosque de árvores e imensidão.
Joseph explicou que todas as árvores tinham sido derrubadas no lado da colina que dava para a fortaleza. O vigia não podia ver além do topo, por isso não era necessário cortar as árvores que cresciam do outro lado. Quem quisesse entrar no castelo de Joseph, teria antes que escalar a primeira colina, e então o vigia poderia ver se era amigo ou inimigo. E fosse um inimigo, os arqueiros teriam alvos fáceis sem as árvores para proporcionar proteção e lugares onde se esconder.
Sua explicação deixou Demétria impressionada, porque agora percebia que tudo o que fazia Joseph relacionava-se à proteção. Ele sacudiu a cabeça e esclareceu a sua esposa que a proteção era sua responsabilidade como senhor de Wexton.
Demétria sorriu do sermão de Joseph. Ele havia se acostumado também aos seus sorrisos.
Joseph sabia que Demétria estava preocupada com o futuro de ambos. Ela continuava sem querer lembrar de seu irmão, e agora todos tentavam não mencionar seu nome nas conversas. Como Joseph não era capaz de convencer Demétria de que tudo estava bem, ambos evitavam falar sobre o assunto.
A primavera foi uma época de esclarecimento para Joseph. Ele precisou deixar Demétria durante quase um mês, em razão de assuntos urgentes, e quando retornou, sua esposa chorou de felicidade. Passaram toda a noite acordados, amando-se apaixonadamente, e teriam passado todo o dia seguinte na cama se as questões domésticas não interferissem.
Demétria odiava quando Joseph a deixava. Ele odiava tanto quanto ela, e embora nunca dissesse a Demétria, seus pensamentos eram consumidos pelo desejo de voltar para perto dela.
A primavera deixou atrás de si sua capa de flores e raios de sol. Os cálidos dias de verão, por fim, chegaram às terras de Wexton.
Agora viajar era mais fácil. Joseph sabia que era só questão de tempo para ser chamado a comparecer diante do rei, e manteve suas preocupações escondidas de Demétria, enquanto reunia discretamente seus soldados.
O barão Liam retornou a Wexton nos últimos dias de junho para concluir outra tentativa de ganhar Miley. Joseph recebeu seu amigo no pátio. Cada um tinha novidades importantes a comunicar ao outro. Joseph acabava de receber um mensageiro e aceitou uma carta que levava o selo do rei. O barão de Wexton podia ler, um fato que sua esposa não estava ciente, e a carta que acabava de ler fez com que se mostrasse vivo. Ele estava preocupado para dar a boas vindas a Liam como era devido.
Liam parecia estar em um estado de ânimo similar ao dele. Depois de ter saudado Joseph com uma breve reverência, entregou as rédias de seu cavalo ao jovem Ansel e virou-se para Joseph.
- Acabo de voltar dos Clare - anunciou falando em voz baixa.
Joseph chamou Anthony com um gesto.
- Há muitas coisas para se falar e eu gostaria que Anthony estivesse presente - explicou a Liam.
Liam assentiu.
- Eu estava dizendo a Joseph que acabo de retornar da mansão dos Clare -repetiu -. O irmão do rei, Henry, também estava ali. Ele me fez muitas perguntas a seu respeito, Joseph.
Os três homens andaram lentamente para o salão.
- Eu acredito que ele estava tentando chegar a algum tipo de entendimento quanto a sua posição se ele se tornasse o nosso rei - confessou Liam.
Joseph franziu o cenho.
- Que tipo de pergunta? – ele perguntou.
- A conversa era reservada. Era como se todos estivessem a par de algumas informações que eu não sabia. Eu não estou fazendo muito sentido, estou? - perguntou.
- Há necessidade de defender William? Acredita que Henry poderia chegar a desafiá-lo?
- Não - respondeu Liam, e seu tom não pôde ser mais enfático -. Mas eu achei isso bastante estranho. Você não foi convidado, no entanto, todas as perguntas que me fizeram eram a seu respeito.
- Eram perguntas a respeito da minha lealdade?
- Sua lealdade nunca esteve em julgamento - respondeu Liam -. Mas você comanda um exército dos melhores soldados que há na Inglaterra, Joseph. Você poderia facilmente desafiar nosso rei, se passasse por sua cabeça.
- Henry acredita que eu poderia me voltar contra meu monarca? - perguntou Joseph, claramente assustado pela possibilidade.
- Não, Joseph. Todo mundo sabe que você é um homem honrado. Contudo, não vi muito sentido à reunião. Havia uma atmosfera estranhamente tensa - Liam encolheu os ombros e disse -: Henry admira você, embora eu pudesse perceber que ele estava preocupado por alguma coisa. Só Deus sabe o que seria.
Os três homens subiram o lance de degraus que levava ao salão principal. Demétria estava de pé junto à mesa de jantar, colocando um buquê silvestres dentro de uma grossa jarra. Três garotinhos estavam no chão perto dela, comendo bolo.
Demétria levantou o olhar quando ouviu os homens chegarem, e sorriu ao ver que Liam voltava a visitá-los. Ela saudou os três com uma reverência.
- O jantar será servido dentro de uma hora. Eu me alegro em voltar a vê-lo, Liam. Não é, Anthony? Miley ficará feliz.
Os três homens riram às gargalhadas.
- Eu estou lhes dizendo a verdade - insistiu Demétria, e se voltou para as crianças -. Vão terminar seu lanche lá fora. Willie, faça o favor de procurar lady Miley. Diga-lhe que tem um convidado. Você pode se lembrar desta importante missão? - perguntou.
As crianças se apressaram a levantar e saíram correndo do salão. De repente Willie se virou para Demétria e rodeou suas pernas com os braços. Joseph viu como sua esposa se agarrava à mesa com uma mão e dava tapinhas na cabeça de Willie com a outra.
Sua doçura o encheu de emoção. Todas as crianças gostavam muito de Demétria e a seguiam onde quer que ela fosse. Cada um deles desejava receber seus sorrisos e suas palavras de elogio, e nenhum dos pequenos ficava decepcionado jamais. Demétria conhecia cada um deles pelo nome, um feito considerável tendo em vista haver mais de cinquenta crianças vivendo dentro da fortaleza com seus pais.
Quando Willie finalmente soltou sua esposa e correu para a entrada, o vestido de Demétria estava coberto com as manchas do rosto da criança.
Demétria baixou o olhar para o vestido e suspirou.
Ela chamou a criança.
- Willie, você voltou a se esquecer de se inclinar diante de seu senhor.
O pequeno se deteve em seco, deu meia volta e efetuou uma torpe reverência. Joseph assentiu. O criança sorriu e saiu correndo de novo.
- De quem são essas crianças? - pergunto Liam.
- São filhos dos criados - respondeu Joseph -. Seguem a minha esposa.
Um grito de angústia interrompeu sua conversa. Joseph e Liam suspiraram juntos. Era evidente que Willie acabava de informar a Miley da chegada de Liam.
- Não franza o cenho dessa maneira Liam - disse Demétria -. Miley esteve rondado pela casa como uma alma penada desde a última vez esteve aqui. Acredito que sentia sua falta. Não está de acordo comigo, Anthony?
A expressão que apareceu no rosto de seu vassalo indicou a Joseph que não estava nada de acordo com Demétria, e riu quando Anthony disse:
- Se você pensa assim, então eu vou permitir a remota possibilidade.
Liam sorriu.
- Percebo que está sendo muito diplomático, não é Anthony?
- Eu não quero desapontar minha senhora - anunciou Anthony.
- Eu rezo para que você esteja certa, Demétria - disse Liam. Sentou-se à mesa junto de Joseph e Anthony. Demétria ofereceu-lhe uma taça de vinho e Liam bebeu em um longo gole -. Nicholas e Kevin estão aqui?
Joseph sacudiu a cabeça. Agarrou a taça de vinho que Demétria lhe oferecia, mas não soltou sua mão. Demétria inclinou-se do seu lado e sorriu.
- Joseph. O padre Lawrence, por fim, vai rezar uma missa para nós - anunciou Demétria, e se virou para Liam, explicando sua observação -. O sacerdote queimou as mãos logo depois de casar Joseph e eu. O pobre homem demorou muito a se recuperar. Foi um acidente terrível, embora o padre Lawrence não explicasse como aconteceu exatamente.
- Se o padre Lawrence tivesse permitido que Kevin cuidasse de suas queimaduras, então não teria demorado tanto tempo para se curar - observou Anthony -. Agora Kevin não está aqui, naturalmente – acrescentou, encolhendo os ombros.
- Eu estive pensando em trocar umas palavras com o padre Lawrence - murmurou Joseph.
- Não gosta desse homem? - perguntou Liam.
- Não.
O comentário de seu marido deixou Demétria surpresa.
- Ele nunca esteve por perto, Joseph. Como pode lhe agradar ou desagradar? Você pouco o conhece.
- Esse sacerdote não cumpre seus deveres, Demétria. Esconde-se em sua capela. É muito tímido para meu gosto.
- Não sabia que você era um homem tão religioso - interveio Liam.
- Ele não é - comentou Anthony.
- Joseph só quer que o padre Lawrence faça aquilo que foi enviado para fazer - disse Demétria, estendendo a mão e enchendo com mais vinho a taça de Anthony.
- Esse homem me insulta - avisou Joseph -. Esta manhã chegou uma carta trazida pelo mensageiro de seu monastério. Eu pedi sua substituição. Demétria escreveu a o pedido por mim - concluiu com tom altivo.
Demétria empurrou seu braço com o cotovelo, quase derrubando sua taça de vinho. Joseph sabia que ela não queria que contasse a ninguém que sua esposa podia ler ou escrever. Ele sorriu para ela, divertindo-se por Demétria se envergonhar do notável talento de saber ler e escrever.
- O que dizia a carta? - perguntou Demétria.
- Não sei - respondeu Joseph -. Eu tinha outros assuntos mais urgentes para atender, esposa. Isso pode esperar até depois do jantar.
Então outro grito interrompeu a conversa. Era evidente que Miley conseguiu ficar, realmente, fora de si.
- Demétria, pelo amor de Deus, vá e faça com que Miley cesse esses gritos. Estou começando a temer suas visitas, Liam - disse Joseph a seu amigo.
Demétria se apressou em suavizar o comentário.
- Meu marido não pretendia ser indelicado - disse a Liam -. Ele tem muitos assuntos importantes em que pensar.
Joseph suspirou, prolongando o som por tempo suficiente para sua esposa voltar a olhá-lo.
- Não precisa desculpar minha conduta. Agora vá ver Miley.
Demétria assentiu.
- Eu também convidarei o padre Lawrence para que jantar conosco - disse a Joseph -. Não virá, mas eu o convidarei de qualquer maneira. Se nos conceder sua presença, peço-lhe que seja amável com o pobre homem até terminar o jantar. Depois você pode gritar com ele tudo o que quiser.
As palavras escolhidas correspondiam a um pedido, mas tinham sido articuladas em tom de ordem. Joseph olhou para Demétria e franziu o cenho. Ela sorriu para ele.
Assim que Demétria saiu do salão, Liam murmurou em voz muito baixa:
- Nosso rei voltou para a Inglaterra.
- Estou ciente - comentou Joseph.
- Vou com você quando chegar o requerimento - disse Liam.
Joseph sacudiu a cabeça.
- Com certeza, você não pode acreditar que nosso rei vá ignorar seu casamento, Joseph. Você terá que justificar suas ações. E eu tenho tanto direito a desafiar Sebastian como você, inclusive ainda mais. Estou decidido a matar esse bastardo.
- Meia Inglaterra gostaria de matá-lo - interveio Anthony.
- A requisição já chegou - comentou Joseph, falando em um tom tão aprazível e cheio de calma que Liam e Anthony demoraram um instante para reagir.
- Quando? - quis saber Liam.
- Justo na hora que você chegou - respondeu Joseph.
- Quando partimos? - perguntou Anthony.
- O rei ordena que eu parta imediatamente para Londres - disse Joseph -. Depois de amanhã será breve o bastante. Esta vez você não virá comigo, Anthony.
O vassalo não mostrou nenhuma reação visível à decisão de seu senhor. Ficou um pouco perplexo, não obstante, porque o normal era ele que cavalgasse ao lado de seu senhor.
- Vai levar Demétria com você? - perguntou Liam.
- Não, Demétria estará mais segura aqui.
- Da ira do rei ou de Sebastian?
- De Sebastian. O rei iria protegê-la.
- Sua fé é maior que a minha - admitiu Liam.
Joseph voltou o olhar para Anthony.
- Deixo meu maior tesouro em seus mãos, Anthony. Isso poderia ser uma armadilha.
- O que está sugerindo? - perguntou Liam
- Que Sebastian tem acesso ao selo real. As instruções que estão na carta não foram dadas pela voz do rei. É isso é que estou sugerindo.
- Quantos homens você vai levar e quantos deixará aqui para cuidarem de Demétria? - perguntou Anthony. Ele estava pensando na proteção à fortaleza -. Isto poderia ser um plano para afastar você daqui, permitindo assim que Sebastian pudesse atacar. Eu acredito que ele saiba que você não levará Demétria com você.
Joseph assentiu.
- Sim, já pensei nessa possibilidade.
- Agora só tenho cem homens comigo - interveio Liam -. Vou deixá-los aqui, com Anthony, se você desejar, Joseph.
Liam e Anthony começaram a falar da questão dos efetivos, enquanto Joseph se levantou, dirigiu-se para o fogo e se deteve diante dele. Aconteceu de ele se virar a tempo de ver Demétria sair do castelo. Provavelmente iria falar com padre Lawrence, pensou. O garotinho Willie se agarrou a suas saias e corria ao lado dela para não ficar atrás.
Joseph deixou de pensar em sua esposa quando Anthony e Liam se reuniram novamente com ele Dez bons minutos se passaram em um acalorado debate sobre a defesa da fortaleza de Wexton. Anthony e Liam trouxeram um par de cadeiras, e Joseph também se sentou no assento que Demétria tinha declarado pertencer a ele.
De repente, Willie entrou correndo no salão. A criança parou com uma derrapagem quando viu Joseph. Willie trazia uma expressão de intenso terror nos olhos.
Joseph pensou que a criança parecia ter acabado de ver o diabo. Não afastou um só instante seu olhar da criança. Willie foi timidamente para o assento de Joseph e terminou parando ao lado dele.
- O que houve, rapaz? Deseja falar comigo? - perguntou Joseph.
Sua voz era suave, assim o pequeno poderia não ficar tão assustado.
Anthony abriu a boca para fazer uma pergunta a Joseph, mas seu barão levantou uma mão pedindo que ficasse em silêncio.
Joseph se virou em seu assento até ficar de frente para a criança Inclinou-se para frente e gesticulou a Willie para que se aproximasse. Willie começou a choramingar, mas finalmente deslizou entre as pernas de Joseph e começou a chupar o polegar, enquanto elevava o olhar para seu senhor.
Joseph estava perdendo a paciência. De repente Willie se tirou o polegar da boca e murmurou:
- Ele está batendo nela.
Joseph saltou de seu assento, deixando-o cair, e ele já havia cruzado a metade do salão antes que Liam e Anthony soubessem o que estava acontecendo.
- O que está acontecendo? - perguntou Liam a Anthony quando o vassalo correu atrás de seu senhor.
Liam foi o último a perceber o perigo.
- Demétria!
Anthony gritou seu nome. Liam se levantou de um salto e correu atrás de Anthony. Sua espada já estava desembainhada antes de chegar aos degraus.
Joseph foi o primeiro em chegar à capela. A porta tinha sido trancada para impedir a passagem, mas só precisou de um espaço para fazê-la em pedaços. A raiva lhe deu novas forças.
O ruído alertou o padre Lawrence. Quando Joseph entrou no vestíbulo, o sacerdote já estava usando Demétria como seu escudo. Ele a segurava na frente dele e apontava a ponta de uma adaga do lado de seu pescoço.
Joseph não olhou para Demétria. Ele não se atreveu, porque sua raiva explodiria naquele instante. Manteve sua atenção totalmente concentrada no demente que o desafiava.
- Se você se aproximar ainda mais, eu cortarei o pescoço dela! - gritou o sacerdote, retrocedendo lentamente, e meio arrastando, meio puxando sua refém.
Cada passo que o sacerdote retrocedia, Joseph dava um passo a frente.
O sacerdote foi retrocedendo lentamente para uma mesinha quadrada que estava cheia de velas acesas.
Lançou um rápido olhar para trás, obviamente calculando a distância que teria que percorrer ao redor do obstáculo até poder chegar à lateral, aquele foi o erro de cálculo que Joseph esperava.
Então atacou. Joseph separou a faca do rosto de Demétria, forçando o lado sem corte da lâmina através do pescoço do padre em um rápido, movimento mortal. O sacerdote se viu subitamente impulsionado para trás no mesmo instante em que Joseph liberava Demétria de sua presa com um brusco puxão.
O padre Lawrence já estava morto antes de seu corpo se chocar com o chão.
A mesa se chocou com a parede do fundo com um impacto que fez cair as velas. As chamas começaram a lamber imediatamente a madeira ressecada.
Joseph não prestou nenhuma atenção ao fogo. Levantou delicadamente Demétria do chão, tomando-a em seus braços, e sua esposa se aconchegou contra seu peito.
- Você demorou uma eternidade para chegar - sussurrou junto a seu pescoço. Sua voz soou entrecortada, e estava chorando suavemente.
Joseph respirou profundamente, tratando de se acalmar. Ele estava tentando se livrar da sua ira, assim ele poderia ser gentil com ela.
- Você está bem? - conseguiu perguntar finalmente, embora sua voz soasse áspera pela fúria que sentia.
- Já vi momentos melhores - murmurou Demétria.
A ironia de sua resposta acalmou Joseph. Então Demétria elevou o olhar para ele. Quando Joseph viu os danos que o rosto de sua esposa tinha sofrido, tornou a se enfurecer. O olho esquerdo de Demétria já estava inchado. Um dos cantos de sua boca estava ensanguentado e havia numerosos arranhões em seu pescoço.
Joseph quis poder matar ao sacerdote outra vez, e Demétria pôde sentir o estremecimento que percorreu todo o corpo de seu marido. Os olhos de Joseph refletiam a ira que sentia. Demétria levantou sua mão para ele e acariciou sua bochecha com as pontas dos dedos.
- Já terminou, Joseph.
Liam e Anthony entraram correndo na igreja. Liam viu o fogo e saiu imediatamente, correndo enquanto gritava ordens pedindo ajuda aos homens que já tinham começado a se reunir.
Anthony ficou ao lado de seu senhor. Quando Joseph deu meia volta e andou para o vão da porta, Anthony afastou de seu caminho uma das tábuas, a única remanescente da porta, que Joseph não tinha destruído.
Demétria podia ver quão preocupado Anthony estava. O vassalo franzia o cenho tão sombriamente como Joseph. Tratou de tranquilizá-lo, de dizer que ainda estava inteira.
- Você já percebeu, Anthony, como meu marido gosta de atravessar portas? - perguntou.
Anthony ficou estupefato por um instante, e então um lento sorriso iluminou seu rosto.
Joseph se inclinou, protegendo a cabeça de Demétria enquanto passava pelo vão da porta. Ela apoiou a bochecha em seu ombro. Somente quando eles chegaram às portas do Castelo, Demétria percebeu que ainda estava chorando. Um resto do medo que acabava de passar, pensou com um estremecimento.
Quando chegaram aos aposentos de Joseph, Demétria batia os dentes.
Joseph a envolveu em mantas e a segurou em seu colo enquanto cuidava de seu rosto arroxeado.
Ele suava por causa do calor do fogo, aceso na lareira para Demétria.
- Joseph? Você viu o olhar de loucura que havia em seus olhos? - Demétria tremeu ao lembrar -. Ele ia... Joseph? Você ainda iria me amar se ele tivesse me violado?
- Não fale, meu amor - acalmou-a Joseph -. Eu a amarei para sempre. Esta foi uma pergunta muito tola.
Demétria foi reconfortada por sua resposta abrupta, e descansou em silêncio sobre o peito de Joseph durante vários minutos. Havia muitas coisas que ela precisava dizer a Joseph, mas precisava de forças para aquele dever.
Joseph pensou que ela tivesse adormecido, quando de repente Demétria balbuciou:
- Ele foi enviado aqui para me matar.
Demétria se virou em seus braços até ficar frente ele. A expressão que havia nos olhos de Joseph a deixou gelada.
- Ele foi enviado?
Sua voz era suave, e Demétria pensou que ele poderia estar tentando esconder sua ira. Não estava funcionado, mas ela não podia dizer isso.
- Fui à igreja para dizer ao padre Lawrence que ele estava convidado para o jantar. Peguei-o desprevenido, porque não usava seus hábitos. Ele estava vestido como um camponês, mas você também deve ter percebido isso. Suas mãos também não estavam cobertas de bandagens.
- Continue - pediu Joseph quando Demétria olhou para ele com expectativa.
- Não havia nenhuma cicatriz. O sacerdote havia queimado suas mãos, lembre-se. O padre Lawrence não podia rezar a missa por causa dos seus ferimentos. Só que não havia nenhuma cicatriz.
Joseph assentiu para que sua esposa continuasse falando.
- Eu não disse nada a respeito de suas mãos. Fingi que nem tinha percebido, mas pensei em me lembrar disso para lhe contar - ela prosseguiu -. Eu contei que havíamos acabado de receber uma carta de seu monastério e que queria falar com ele depois do jantar. Esse foi meu grande erro, embora nesse momento eu não soubesse a razão - acrescentou -. Então o sacerdote ficou furioso. Ele me disse que Sebastian havia enviado ele para cá. Sua missão consistia em me matar, se o rei lhe concedesse seu favor em vez de conceder a Sebastian. Joseph, como é possível que um homem de Deus tenha a alma de um demônio? Suponho que o padre Lawrence sabia que seu jogo tinha terminado. Ele disse que ia fugir daqui, mas não sem antes me matar.
Demétria voltou a se apoiar no peito de Joseph.
- Você estava assustado, Joseph? - Demétria perguntou, sussurrando.
- Eu nunca me assusto - Joseph respondeu. Ele estava tão furioso com a traição do sacerdote, que mal podia se concentrar.
A brusca afirmação de seu marido fez Demétria sorrir.
- Eu queria perguntar se você estava preocupado, não assustado - corrigiu-se.
- O quê? - perguntou Joseph. Sacudiu a cabeça, obrigando-se a deixar sua ira de lado. Agora Demétria precisava ser tranquilizada -. Preocupado? Por todos os diabos, Demétria, eu estava furioso.
- Eu poderia afirmar que você estava furioso - respondeu Demétria -. Você lembrava o meu lobo, quando encarava meu captor.
Joseph deixou que ela se incorporasse para poder beijá-la. Foi muito delicado e suave, porque os lábios de Demétria estavam muito inchados para que pudessem permitir uma autêntica paixão.
Demétria se levantou de seu colo. Ela segurou a mão dele, puxando-o até que ele se levantou e a seguiu pelo quarto. Ela se sentou na cama e deu uns toquezinhos com a palma da mão sobre o espaço livre que havia junto dela.
Joseph tirou sua túnica. O calor que fazia no quarto o deixou empapado de suor. Sentou-se ao lado de sua esposa, passou seu braço pelo ombro dela e a puxou para ele. Queria estreitá-la em seus braços e dizer o quanto a amava. Por Deus, Joseph acreditava ter mais necessidade de dizer aquelas palavras do que ela tinha de escutar.
- Você teve, Demétria?
- Um pouco - replicou Demétria.
Ela teria encolhido os ombros, mas o peso do braço de Joseph não permitiu o gesto. Demétria mantinha a cabeça inclinada para um lado e estava desenhando círculos ao redor da coxa de Joseph, e ele supôs ser uma tentativa de distraí-lo.
- Só um pouco?
- Bem, eu sabia que você viria me socorrer, então eu não estava terrivelmente assustada. Mesmo assim, comecei a me sentir um pouco irritada quando você não apareceu imediatamente na porta. Aquele homem estava rasgando meu vestido...
- Ele poderia ter matado você - disse Joseph. Sua voz tremia de raiva.
- Não, você não teria permitido que ele me matasse - disse Demétria.
Deus, ela tinha tanta fé nele! Joseph estava constrangido com aquela confiança.
Os lentos círculos que Demétria estava desenhando com as pontas de seus dedos foram avançando para o lugar em que se uniam as pernas de seu marido. Joseph agarrou a mão dela e a colocou sobre sua coxa. Sua esposa provavelmente ainda estava tão afetada pelo acontecido que não percebia o que estava fazendo, ou como aquilo estava começando a afetá-lo.
- Deus, que calor começou a fazer aqui dentro - sussurrou Demétria -. Por que você foi acender o fogo com este tempo, Joseph?
- Você estava tremendo - lembrou Joseph.
- Agora já estou melhor.
- Então, eu vou descer e pegar aquela carta do monastério. Tenho muita curiosidade em saber o que têm a nos dizer seus superiores - anunciou Joseph.
- Não quero que você desça ainda - disse Demétria.
Joseph se mostrou imediatamente solícito.
- Você tem que descansar uma hora ou duas - disse.
- Não quero descansar - respondeu Demétria -. Você pode me ajudar a tirar estas roupas? - pediu a seu marido, falando em um tom de voz tão inocente que Joseph em seguida suspeitou de alguma coisa.
Demétria ficou de pé entre as pernas de seu marido e não moveu um dedo para ajudá-lo, quando ele foi começou a tirar sua roupa.
- O que o fez ir à igreja naquele momento? - ela de repente se lembrou de perguntar.
- O menino de Maude viu quando o bastardo bateu em você. Ele veio me dizer - respondeu Joseph.
- Eu não sabia que Willie havia me seguido até igreja. Ele deve ter saído sair correndo antes de que o sacerdote fechasse a porta, e tenho certeza que ele, sim, teve muito medo. Ele só tem cinco verões. E você deve recompensá-lo por ele ter ido lhe buscar.
- Maldição, isso tudo é culpa minha - declarou Joseph -. Eu deveria ter cuidado dos assuntos da minha casa a mesma atenção que dedico ao treinamento dos meus homens.
Demétria colocou as mãos sobre seus ombros.
- Sou eu quem tem a obrigação de cuidar da sua casa. Embora, agora que eu penso nisso, nada disto teria acontecido se...
O suspiro de Joseph não deixou que Demétria terminasse a frase.
- Eu sei. Nada disto teria acontecido se eu estivesse ali para protegê-la.
Sua voz se encheu de angústia e Demétria sacudiu a cabeça.
- Eu não ia dizer isso - replicou -. Você não deve chegar à conclusões apressadas, Joseph. É um defeito deplorável, acredite em mim. Além disso, você tem assuntos mais importantes para tratar.
- Você vem antes de todos e de tudo - declarou Joseph enfaticamente.
- Bem, eu só ia dizer que isto não teria acontecido se eu soubesse como me proteger, a mim mesma.
- O que você está sugerindo? - perguntou Joseph.
Ele realmente não tinha nem ideia do que passava pela cabeça de Demétria e de repente sorriu, porque acabava de perceber que raramente ele sabia o que ela pensava.
- O padre Lawrence não era muito maior que eu - disse ela -. Ansel tem minha estatura.
- Como meu escudeiro entrou nesta conversa? - perguntou Joseph.
- Ansel está aprendendo a se defender - informou Demétria -. Portanto, você também poderia me ensinar a me defender, eu mesma. Você vê como é sensato, não?
Joseph não isso, mas decidiu não discutir com ela.
- Falaremos sobre isso mais tarde - anunciou.
Demétria assentiu.
- Então agora deve atender minhas necessidades, Joseph. Eu ordeno isso.
Joseph reagiu ao tom subitamente malicioso que havia na voz de Demétria.
- E qual é essa ordem que você se atreve a dar a seu marido? - perguntou.
Demétria explicou soltando lentamente a fita que mantinha no lugar a regata que usava. O objeto escorregou de seus ombros. Joseph sacudiu a cabeça, tentando negar o que ela estava pedindo.
- Você está cheia de hematomas para pensar em...
- Você encontrará uma maneira - interrompeu Demétria -. Sei que agora não estou muito bonita. Eu estou um horror, não estou?
- Você está machucada, tão feia como um de seus Ciclopes, e eu mal posso olhar para você.
As palavras de Joseph a fizeram rir. Demétria sabia que seu marido só estava brincando, porque tentava colocá-la em cima dele e tirar sua regata ao mesmo tempo.
- Então, nesse caso você terá que fechar os olhos quando fizer amor comigo - sugeriu.
- Eu vou suportar - ele prometeu.
- Eu ainda posso sentir as mãos dele me tocando - murmurou Demétria e sua voz continha um novo tremor -. Preciso que você me toque. Você me fará esquecer. Voltarei a me sentir limpa, Joseph. Você entende isso?
Joseph respondeu, beijando-a. Demétria não demorou a esquecer tudo aquilo devolvendo-lhe seus beijos. Em poucos minutos, só os dois importavam.
E dessa maneira, Demétria foi limpa em corpo e coração.

 (Jessica dando o ar da graça)
faltam 6 Capitulos para acabar e ai colocarei a fic que ganhou a votaçao daquela vez. eu sei la o que fiz que troquei a ordem das historias e so na metade que percebi... mas ja era tarde...
meio spoiler da proxima fic: realeza tambem, mas nada de idade medieval, atual.....
bjemi