domingo, 17 de março de 2019

Esplendor da Honra Capitulo 13


Os velozes nem sempre vencem a corrida,
os fortes nem sempre triunfam na guerra.
Eclesiastés, 9, 11
Demétria estava trabalhando em sua tapeçaria. Mas sua cabeça não se concentrava no trabalho, porque não parava de repetir as observações de Joseph. A que ele se referia exatamente quando disse que ela não seria sua prisioneira por muito mais tempo?
Demétria sabia que logo teria que enfrentá-lo. Ela estava se comportando como uma autêntica covarde, e era honesta demais para admitir a verdade. Temia ouvir as respostas de Joseph.
Então sua porta se abriu de repente e Miley entrou correndo no cômodo. A irmã de Joseph estava terrivelmente alterada. Parecia estar à beira do choro.
Demétria se levantou de imediato.
- O que a deixou em semelhante estado? - quis saber, imediatamente chegando à conclusão de que Joseph era o responsável.
Miley começou a chorar. Demétria se apressou em fechar a porta, e depois rodeou Miley com o braço e a levou para uma das cadeiras.
- Sente-se e se acalme. Vamos lá, nada pode ser tão terrível como você está imaginando - consolou-a enquanto rezava para que estivesse certa -. Conte-me o que lhe causou semelhantes lágrimas e eu farei com que tudo se endireite.
Miley assentiu, mas logo começou a chorar novamente assim que elevou seu olhar para ela. Demétria se sentou na banqueta que havia diante de Miley e aguardou pacientemente.
- Seu irmão enviou homens para levá-la embora, Demétria. Joseph deixou entrar o mensageiro. Por isso ordenou que você voltasse para o seu quarto. Joseph não queria que o soldado visse você.
- Por quê? Todo mundo sabe que sou prisioneira aqui. Sebastian…
- Você não me entendeu - interrompeu-a Miley -. Kevin disse a Nicholas que pensava que Joseph não queria que o mensageiro visse que você estava sendo bem tratada. -Fez uma pausa para secar seus olhos com a ponta da manga de seu vestido -. Você acredita que foi bem tratada, não é, Demétria?
- Santo Deus, e essa é a razão pela qual você está chorando? - perguntou Demétria -. É obvio que fui bem tratada. Basta com que olhe a seu redor, Miley - acrescentou com um leve sorriso -. Por acaso meu quarto não parece bastante cômodo?
- Eu não deveria ter ouvido o que o mensageiro estava dizendo a Joseph, mas eu ouvi. Nicholas e Kevin estavam ali e também ouviram até a última palavra. Joseph não os fez sair. E ninguém me viu, Demétria, tenho certeza disso.
- O mensageiro era do rei ou do meu irmão? - perguntou Demétria. Por dentro, agora já se sentia terrivelmente assustada, mas sabia que teria que esconder seu medo de Miley. Sim, a irmã de Joseph dependia da força de Demétria, que não podia falhar com ela agora.
- Não sei de quem veio a mensagem. Não ouvi o começo do que eles estavam dizendo.
- Conte-me o que ouviu - sugeriu Demétria.
- Você deve ser levada imediatamente à corte do rei. O mensageiro disse que embora você estivesse… maculada… - A voz de Miley se quebrou e ela teve que fazer uma pausa para se recompor.
Demétria se mordeu o lábio inferior até que este ficou insensível. Ela resistiu ao impulso de agarrar Miley pelos ombros e arrancar o resto da história, sacudindo-a.
- Você vai se casar assim que chegar a Londres - concluiu Miley finalmente.
- Entendo - murmurou Demétria -. Nós duas sabíamos que isto ia acontecer, Miley. Sabíamos que Sebastian faria alguma coisa. Pôde ouvir o nome do homem com quem vou me casar?
Miley assentiu.
- Morcar.
A irmã de Joseph cobriu seu rosto com suas mãos e começou a chorar descontroladamente. Demétria não podia esconder sua expressão agora. Pensou que fosse vomitar.
- E o que tem Joseph, Miley? - conseguiu perguntar -. O que ele disse a este mensageiro? Ele está de acordo?
- Não disse uma única palavra. O soldado leu sua mensagem e depois voltou com os outros soldados que esperavam além dos muros.
- Quantos soldados Sebastian enviou?
- Eu não sei - murmurou Miley -. Kevin e Nicholas começaram a gritar um com o outro tão logo o soldado se foi. Joseph não disse nada. Ficou de pé diante do fogo com as mãos entrelaçadas atrás das costas.
- Ele não tomou partido - disse Demétria.
- Eu não entendo.
- Seu irmão tem que assumir duas posições dentro desta casa, Miley. É o senhor destas terras e é irmão. Posso imaginar sobre o que discutiam Kevin e Nicholas. Kevin quer que me entreguem o mais breve possível a Sebastian, enquanto que Nicholas estaria a favor de travar uma batalha para me manter aqui.
Miley já estava sacudindo a cabeça antes que Demétria tivesse terminado com suas hipóteses.
- Não, Kevin não quer entregá-la aos homens de Sebastian - disse.
- Kevin defendeu minha causa?
- Ele defendeu - disse Miley -. E propôs que me enviassem para minha irmã, Catherine, para lhe fazer uma breve visita. Preocupa-se com o fato de que tudo isto seja muito para mim. Não quero ir a nenhum lugar. Catherine é muito mais velha que eu, e seu marido é um homem muito estranho…
Demétria se levantou e foi lentamente para a janela. Abriu as portinholas e contemplou a paisagem. Tinha consciência de que precisava controlar a ira abrasadora que estava começando a crescer dentro dela.
- Você sabia, Miley, que uma criança espartana era separada de sua mãe em uma idade muito prematura e enviada a viver com os soldados? Os garotinhos eram ensinados a roubar. Ser um bom ladrão era considerado um sinal de astúcia.
- Posso saber do que você está falando, Demétria? Como pode me contar histórias agora?
Demétria se virou, deixando que Miley visse as lágrimas que corriam por suas bochechas. Miley nunca a tinha visto chorar antes.
- Encontro um grande consolo nas velhas histórias, Miley. Elas são bem familiares para mim. Assim que eu esteja mais tranquila, poderei pensar com clareza. Então poderei decidir sobre o que deve ser feito.
Impressionada pela dor que viu nos olhos de sua amiga, Miley rapidamente assentiu.
Demétria se voltou novamente para a janela e olhou por ela. Contemplou o penhasco inferior. E quem dará de comer a meu lobo quando eu for embora daqui?, perguntou-se. O mais estranho de tudo foi que nesse momento a imagem de Joseph veio a sua mente. Por um instante ela o confundiu com o lobo, e foi então que compreendeu que Joseph tinha tanta necessidade de ser cuidado como a besta selvagem de Demétria, provavelmente ainda mais.
Não fazia sentido para ela, essa necessidade de endireitar a vida sombria de Joseph até que ela estivesse satisfeita com isso.
- Meu tio e eu nos sentávamos diante do fogo a cada noite. Eu aprendi a tocar harpa. Algumas noites meu tio me acompanhava com sua viola quando não estava muito cansado. Eram um momento cheio de paz, Miley.
- Não havia ninguém jovem ali, Demétria? Cada vez que você conta uma história, você fala de pessoas idosas e frágeis…
- Tio Berton vivia na mansão Grinsteade. O barão Morton já era muito velho. E então os padres Robert e Samuel também vieram viver conosco. Todos se davam muito bem, mas eu era a única que jogava xadrez com o barão Morton. Ele sempre tentava trapacear. Meu tio dizia que aquilo não era nenhum pecado, mas como era velho, o barão se tornou muito rabugento e costumava fazer esse tipo de coisas.
Demétria ficou calada e não voltou a falar durante um bom tempo. Miley contemplava o fogo enquanto Demétria contemplava a noite.
Desta vez não estava funcionado. A tentativa de Demétria em tentar se controlar não teria nenhum êxito. Ela podia sentir sua compostura se quebrando. A fúria ia crescendo dentro dela.
- Nós temos que encontrar alguém que proteja você - murmurou Miley.
- Se eu for obrigada a retornar com Sebastian, todos meus planos ficarão arruinados. Eu ia para Escócia. Edwythe iria me acolher em sua casa.
- Demétria, Escócia é o lugar onde… - Miley ia explicar que sua irmã Catherine vivia na Escócia e era casada com um primo do rei da Escócia, mas não teve a chance de se explicar.
- Por que, em nome de Deus, eu estou me preocupando com meus planos, se eles serão arruinados? Sebastian vai me matar ou entregar a Morcar, e então Morcar vai me matar. - Demétria deixou escapar uma áspera gargalhada, fazendo estremecer subitamente pelas pernas de Miley -. Eu ainda não acredito que Sebastian está se incomodando tanto comigo. Quando ele perseguiu Joseph depois que sua fortaleza ser destruída, eu pensei que ele apenas queria matar Joseph. Mas agora ele enviou homens por mim. - Demétria fez uma pausa e sacudiu a cabeça -. Não entendo absolutamente nada disto tudo.
Antes que Miley pudesse oferecer seu consolo, Demétria deu meia volta e foi até a porta.
- Você tem que permanecer aqui, Demétria. Joseph não lhe deu permissão para…
- Eu tenho que encontrar um protetor, Miley. Não é assim que as coisas funcionam? - gritou por cima do ombro -. Bem, pois Joseph é perfeitamente capaz de cuidar deste desafio.
- O que você vai fazer?
- Seu irmão vai fazer com que os homens de Sebastian partam daqui. E eu vou lhe dar instruções sobre isso agora mesmo.
Antes que Miley pudesse deter Demétria, sua amiga já tinha saído pela porta e corria escada abaixo. Miley correu atrás dela.
- Demétria, realmente pensa em dar instruções a meu irmão? - perguntou Miley e sua voz tremia de preocupação.
- Sim! - gritou Demétria.
Miley teve que se sentar no degrau. A súbita transformação de Demétria a deixou atônita. Sua querida amiga tinha perdido o juízo. Miley viu como Demétria descia pelos degraus circulares, com seus cabelos flutuando atrás dela. Só quando Demétria desapareceu no nível seguinte, Miley percebeu que deveria tê-la ajudado. Por mais aterradora que fosse a perspectiva, ela estava determinada a enfrentar Joseph a favor de Demétria. Ora, ela bem poderia ser capaz de falar com seu irmão!
Demétria chegou à entrada do salão e parou para recuperar o fôlego. Kevin e Nicholas estavam sentados um em frente ao outro na mesa de jantar. Joseph permanecia de pé de costas para a entrada, exatamente diante do fogo que ardia na lareira.
Kevin acabava de fazer comentários com seus irmãos. Demétria só ouviu a última coisa que ele estava dizendo.
- Então estamos de acordo que Joseph vai levá-la…
Demétria imediatamente chegou à conclusão de que todos pensavam que era uma boa ideia entregá-la aos homens de Sebastian.
- Não vou a parte alguma!
Seu grito obteve uma reação imediata. Joseph foi se virando muito devagar e a olhou. Demétria devolveu-lhe o olhar durante um instante, e então voltou sua atenção para os irmãos de Joseph. Nicholas teve a audácia de sorrir, como se ele achasse divertido seu ataque de fúria, enquanto Kevin, fiel a sua natureza contrária, franziu o cenho.
Joseph não demonstrou absolutamente nenhuma reação. Demétria recolheu suas saias e foi para a plataforma, andando muito devagar para terminar detendo-se na frente dele.
- Você me capturou, Joseph. A decisão de fazer tal coisa foi sua - anunciou -. Agora eu tenho que lhe comunicar uma decisão. Vou continuar como sua prisioneira. Fui clara nesta decisão?
Os olhos de Joseph mostravam surpresa. Sim, ele tinha ouvido cada palavra. E por que ele não ouviria?, perguntou a si mesma. Ela praticamente rugiu sua decisão diretamente no rosto dele.
Como Joseph continuava olhando para ela em silêncio, Demétria pensou que tentava assustá-la. Bom, pois desta vez não ia funcionar.
- Você está preso comigo, Joseph.
Maldição, sua voz tremia.
Kevin se levantou com tanta brutalidade que fez com que sua cadeira caísse. O ruído atraiu a atenção de Demétria e a fez se aproximar lentamente até a mesa com as mãos apoiadas nos quadris.
- Você pode ir apagando essa expressão de seu rosto, Kevin, ou eu juro por Deus que vou apagá-la com uma bofetada.
Nicholas olhava para Demétria. Nunca a tinha visto tão furiosa. Ela realmente pensava que Joseph iria enviá-la de volta para Sebastian? Aquele entendimento fez Nicholas sorrir. Pobre Demétria. Era evidente que ela não conhecia Joseph muito bem, e Nicholas chegou à conclusão de que Demétria também não tinha consciência de sua própria importância. Tinha conseguido enfurecer-se, certamente. Demétria era uma muito doce e delicada, mas por acaso ele não acabava de ver que ela desafiava Joseph? Se ele não tivesse visto isso, Nicholas nunca teria acreditado naquela possibilidade. Que Deus o ajudasse, porque de repente começou a rir.
Demétria o ouviu e se virou para ele, fulminando-o com o olhar.
- Está se divertindo com tudo isto, Nicholas?
Nicholas cometeu o erro de assentir. Ele olhou para Demétria bem a tempo de ver como ela lançava uma das jarras de cerveja contra sua cabeça. Nicholas esquivou da jarra, e quando Demétria pegou outra, Kevin alcançou-a sobre a cabeça dela, tirando-a de seu alcance. Os dois ficaram imóveis um do lado do outro junto à plataforma. Demétria empurrou Kevin energicamente com seu quadril. Ele perdeu o equilíbrio e caiu para trás.
Aterrissou sobre seu traseiro, e Kevin poderia ter sido capaz de deter a queda, se o tamborete não tivesse ficado preso entre seus pés. Demétria contemplou seus patéticos esforços antes de se voltar novamente para Nicholas.
- Nunca mais volte a rir de mim - exigiu.
- Venha cá, Demétria - ordenou Joseph. Ele estava apoiado no suporte da lareira, e parecia muito aborrecido para poder cair no sono.
Demétria obedeceu sem questionar, e já tinha quase cruzado o salão quando percebeu o que estava fazendo. Então se deteve e sacudiu a cabeça.
- Eu não recebo ordens de você, Joseph. Você não tem nenhum direito sobre mim. Para você sou apenas um peão. Pode me matar se assim o desejar. Eu prefiro que seja antes de ser enviada de volta com Sebastian.
As unhas de seus dedos estavam afundando em suas palmas, e ela não conseguia fazer com que suas mãos deixassem de tremer.
Joseph não afastou o olhar dela nem por um instante.
- Kevin, Nicholas: deixem-nos as sós. - A ordem foi dada em um tom muito suave, mas havia um inconfundível aço em sua voz -. E levem sua irmã com vocês.
Miley estava escondida atrás da parede junto à entrada. Quando ouviu a ordem de Joseph, entrou correndo na sala e disse:
- Eu gostaria de ficar aqui, Joseph, para o caso de Demétria precisar da minha ajuda.
- Você vai com seus irmãos - declarou Joseph. Sua voz era fria agora, efetivamente pondo fim a qualquer novo protesto.
Nicholas agarrou o braço de Miley.
- Se quiser que eu fique, Demétria…
- Não tente desobedecer a ordem de seu irmão - interrompeu Demétria. Não tinha tido intenção de gritar, mas o fez.
Miley começou a chorar, renovando a raiva de Demétria. Ela estendeu a mão e deu uns tapinhas no ombro de Miley, mas não conseguiu sorrir.
- Eu não vou me casar com Morcar - disse -. Com certeza não me vou casar com ninguém.
- Mas você vai - disse Joseph e, na verdade, chegou a sorrir para ela enquanto fazia aquela promessa.
Demétria sentiu como se ele acabasse de esbofeteá-la. Deu um passo atrás, sacudindo a cabeça em uma veemente negativa.
- Não me casarei com Morcar.
- Não, não se casará com ele.
A resposta de Joseph a deixou bastante confusa, provocando uma submissão temporária nela.
Joseph não estava mais olhando para Demétria. Ele observava como seus irmãos caminhavam para a entrada com Miley. Os três estavam ganhando tempo para sair do salão, comportando-se como se tivessem couraças cravadas nas solas de suas botas. Era evidente que queriam escutar a maior parte possível daquela conversa com Demétria. Joseph descarregou a culpa daquela amostra de insubordinação diretamente sobre os ombros de Demétria. Sim, tudo era culpa dela. Antes de Demétria entrar em suas vidas, os irmãos de Joseph sempre tinham sido muito obedientes.
No momento em que lady Demétria colocou os pés naquela casa, tudo havia virado do avesso.
Joseph disse a si mesmo que não gostava de mudanças, ainda que reconhecesse no mesmo instante que outras mudanças estavam por chegar. Tinha certeza que encontraria alguma resistência, especialmente por parte de Nicholas. Seu irmão mais novo era o maior aliado de Demétria. Joseph suspirou ao pensar nisso. Ele preferia uma boa batalha a ter que tratar com sua família.
- Kevin, encontre nosso novo sacerdote e traga-o para mim - ordenou subitamente.
Kevin se virou para ele com uma pergunta em sua expressão.
- Agora - disse Joseph secamente.
Sua ordem foi dada em um tom gelado e fez com que Demétria sentisse um calafrio que a atravessou até a medula de seus ossos. Ela se virou para voltar a falar com Kevin, quando outra ordem de Joseph a deteve.
- Não se atreva a dizer para ele me desobedecer, Demétria, ou juro por Deus que vou agarrar seus cabelos vermelhos e fechar sua boca com eles.
Demétria suspirou de indignação. Joseph se sentiu satisfeito, imaginando que sua tosca ameaça fez com que ela compreendesse quão vulnerável era sua posição. Seu objetivo era a submissão de Demétria. Sim, ele a queria dócil para o que estava por vir.
Quando Demétria andou rapidamente em sua direção com um olhar assassino, Joseph decidiu que sua ameaça não tinha lhe afetado muito. Ela não estava se comportando com docilidade alguma.
- Como se atreve a me insultar? Meus cabelos não são vermelhos, e você sabe muito bem. São castanhos. - Ela gritou -. Traz má sorte ter os cabelos vermelhos, e meus não são.
Joseph não podia acreditar no que estava ouvindo. Suas contradições estavam se convertendo em um acontecimento comum.
Demétria deteve o passo quando estava a pouca distância dele. Mas, perto o bastante para agarrá-la, pensou Joseph.
Aquela mulher era muito valente, mas inocente demais para o mundo. Essa era a única desculpa que Joseph conseguia encontrar para seus comentários. Havia mais de uma centena de homens de Sebastian, esperando depois dos muros, ameaçando atacar se Demétria não lhes fosse entregue até a manhã seguinte. Joseph disse a si mesmo que Demétria deveria dedicar toda sua fúria para aquela situação, mas ao invés disso ela questionava sobre a cor de seu cabelo. Os cabelos de Demétria eram mais vermelhos que castanhos, e por que, em nome de Deus, ela não conseguia ver o que ia além disso?
- Seus insultos não conhecem limites - disse Demétria. Então, ela começou a chorar. Ela não podia mais olhar para ele, e sem dúvida essa foi a razão pela qual permitiu que Joseph a tomasse em seus braços.
- Você não vai voltar com Sebastian, Demétria - Joseph disse e sua voz era áspera.
- Então eu ficarei aqui até a primavera - disse ela.
Kevin apareceu na entrada do salão com o novo sacerdote.
- O padre Lawrence está aqui - anunciou para atrair a atenção de Joseph.
Demétria se separou de Joseph e se virou para olhar para o sacerdote. Ora, mas ele era muito jovem! Aquilo a surpreendeu. Também parecia vagamente familiar, embora Demétria não soubesse dizer de onde ela o conhecia. Poucos sacerdotes jovens visitavam seu tio Berton.
Ela sacudiu a cabeça, e finalmente concluiu que não podia tê-lo visto antes.
De repente, Joseph atraiu Demétria para ele. Eles ficaram tão perto do fogo que Demétria esqueceu do sacerdote, e começou a se preocupar, pensando que seu vestido pudesse pegar fogo. Quando tentou se afastar, Joseph aumentou ainda mais a pressão que exercia sobre ela. Seu braço permaneceu estendido sobre os ombros de Demétria, ancorando-a perto dele. Depois de uns minutos, a proximidade de Joseph começou a exercer um curioso efeito tranquilizador sobre ela, e Demétria pôde cruzar as mãos diante de seu vestido e recuperar sua expressão de serenidade.
O sacerdote parecia estar preocupado. Não era um homem muito atraente, já que a varíola tinha deixado seu rosto cheio de marcas que formavam autênticas cicatrizes. Também não parecia muito asseado.
Nicholas entrou correndo na sala. A expressão que havia em seu rosto sugeria que ele estava pronto para a batalha. Ele e Kevin tinham mudado, repentinamente, seus humores, porque agora Kevin estava sorrindo, enquanto Nicholas franzia o cenho.
- Joseph, serei eu quem vai se casar com lady Demétria. Eu estou mais que disposto a fazer esse sacrifício - anunciou Nicholas. Sua face estava avermelhada, e deliberadamente usou a palavra “sacrifício” para que Joseph não soubesse seus verdadeiros sentimentos por Demétria -. Ela salvou minha vida - ele acrescentou quando viu que Joseph não respondia imediatamente.
Joseph sabia exatamente o que passava pela cabeça de Nicholas. Seu irmão era tão transparente como a água. Nicholas acreditava estar apaixonado por Demétria.
- Não discuta comigo, Nicholas. Minha decisão está tomada e você vai honrá-la. Você me entendeu, meu irmão?
A voz de Joseph era suave, mas ameaçadora, e depois de exalar um ruidoso suspiro, cheio de irritação, Nicholas sacudiu lentamente a cabeça.
- Eu não vou desafiá-lo.
- Casamento? - Demétria sussurro a palavra como se fosse uma blasfêmia, e gritou a seguinte -: Sacrifício?



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segunda-feira, 11 de março de 2019

Esplendor da Honra Capítulo 12


Uma flor entre espinhos, é um anjo entre espinhos…
- E às vezes, Miley, se nascesse um bebê com alguma má formação, os pais espartanos se limitavam a atirar a criança recém-nascida por uma janela próxima ou do alto de um penhasco próximo para livrar-se dela. Sim, vejo que você está devidamente escandalizada, mas meu tio Berton contava as histórias daqueles temíveis guerreiros de tempos remotos, e tenho certeza que não exagerava seu relato só para me agradar. Ele tinha a obrigação de contar aquelas histórias sem mentir, se é que você me entende.
- Como eram as damas espartanas? Seu tio Berton chegou a contar alguma coisa a respeito delas? - perguntou Miley com a voz cheia de interesse.
A irmã de Joseph estava sentada na beira de sua cama, fazendo tudo o que podia para não atrapalhar, enquanto Demétria ia mudando de lugar os móveis de seu quarto. Miley deixou de tentar convencer Demétria de que não era comum que ela trabalhasse como se fosse uma das criadas de serviço. Sua nova companheira era um tanto teimosa, e tratar de discutir com ela não servia de nada.
Haviam-se passado mais de três semanas desde que Demétria havia confrontado Miley. Uma vez que Miley lhe contou a verdade a respeito de sua terrível provação, a dor e a culpa realmente tinham diminuído. Demétria estava certa a respeito daquilo. Não pareceu se sentir escandalizada pela história, e o mais estranho de tudo era que aquilo tinha ajudado Miley tanto quanto contar o ocorrido. Demétria simpatizava com Miley, mas não tinha pena dela.
Agora Miley sempre seguia as indicações de Demétria, confiando que ela sabia o que seria melhor para ela. Aceitava o fato de que o passado não podia ser apagado e tentava deixá-lo trás, tal como Demétria sugeria que fizesse. Aquilo era mais fácil de dizer que de fazer, é claro, mas a amizade de Demétria, que tão poucas restrições colocava e tanto estava disposta a dar, ajudava Miley a afastar os problemas de sua cabeça. Fazia uma semana que por fim tinha começado o fluxo mensal de Miley, e essa era uma preocupação a menos a incomodá-la.
Demétria tinha aberto um mundo novo para Miley. Contava as histórias mais maravilhosas. Miley estava realmente impressionada com a quantidade de informação que havia na memória de Demétria, e aguardava com impaciência a história nova de cada dia.
Agora Miley sorria quando observava Demétria. Sua amiga era um espetáculo. Havia um pouco de terra na ponte de seu nariz e seu cabelo, embora estivesse preso atrás de seu pescoço com um pedaço de fita azul, ia ganhando gradualmente um pouco de liberdade daquele laço.
Demétria deixou de varrer o pó de um canto e se apoiou no cabo de sua vassoura.
- Vejo que consegui despertar seu interesse - observou. Ela fez uma pausa para afastar uma mecha de sua face, criando uma nova marca de pó em cima de sua testa, e então continuou sua própria história -. Pois eu acredito que as damas espartanas certamente não deviam ter nenhum senso do decoro. Tinham que ser tão horríveis como seus homens, Miley. Como poderiam viver bem com eles se não fossem?
Miley respondeu à pergunta com uma risadinha. O som encheu de ternura o coração de Demétria. A transformação que ocorreu com a irmã de Joseph não podia ser mais prazerosa. Agora havia um novo brilho em seus olhos, e sorria com muita frequência.
- Agora que chegou o novo sacerdote, temos que ter muito cuidado de não falar desta maneira diante dele - sussurrou Miley.
- Ainda tenho que conhecê-lo - respondeu Demétria -. Embora tenha muita vontade, porque já era hora de os homens da família Wexton terem um homem de Deus cuidando de suas almas.
- Eles costumavam ter - disse Miley -. Mas quando morreu o padre John, e depois que a igreja pegou fogo, ninguém fez nada a respeito - encolheu os ombros e disse -: conte-me alguma coisa mais sobre os espartanos, Demétria.
- Bem, as damas provavelmente começavam a engravidar aos doze anos ou algo assim, embora isso seja uma hipótese de minha parte e não um juízo saído dos lábios do meu querido tio. O que sei certamente, porém, é que as espartanas levavam mais de um homem para suas camas.
Miley soltou uma exclamação abafada, e Demétria assentiu, profundamente satisfeita pela reação de sua amiga.
- Mais de um de uma vez? - perguntou Miley, sussurrando a pergunta e depois enrubescendo de vergonha.
Demétria mordiscou seu lábio enquanto pensava se realmente seria possível tal coisa.
- Não acredito - afirmou finalmente. Suas costas estavam voltadas para a porta, e Miley tinha sua atenção concentrada na amiga. Nenhuma das duas percebeu que Joseph estava parado no vão da porta.
Ele pretendia anunciar sua presença, quando Demétria voltou a falar.
- Não acredito que seja possível deitar de costas com mais de um homem de uma vez - admitiu.
Miley soltou uma risadinha, Demétria encolheu os ombros e Joseph, que já tinha ouvido a maior parte da explanação de Demétria sobre os espartanos, virou os olhos para o céu.
Demétria tinha apoiado a vassoura na parede e agora estava ajoelhada diante da arca de Miley.
- Teremos que esvaziar isto se formos movê-lo pelo quarto - disse.
- Primeiro tem que terminar sua história - insistiu Miley -. Conte as histórias mais incomuns, Demétria.
Joseph preparava-se para voltar a interromper, mas em seguida descartou a ideia. Para falar a verdade, sua curiosidade também tinha sido capturada.
- Em Esparta não existia nada, nem remotamente parecido, ao celibato - disse Demétria -. Ora, era considerado um crime não se casar! Hordas de mulheres solteiras tomavam as ruas. Procuravam homens solteiros e, quando os encontravam, caiam sobre eles.
- Caiam sobre eles? - perguntou Miley.
- Sim, caiam sobre o pobre homem e o atingiam até deixá-lo reduzido a uma massa ensanguentada! - gritou Demétria, cuja cabeça tinha desaparecido por completo dentro da arca -. É verdade o que lhe estou dizendo - acrescentou.
- Que mais? - perguntou Miley.
- Sabia que os jovens eram trancados em um quarto às escuras com mulheres que nunca tinham visto à luz do dia, e que se supunha que eles deviam…? Bem, imagino que entenda a que me refiro - concluiu.
Demétria inalou ar e espirrou por causa do pó que estava dentro do baú.
- Algumas das mulheres tinham bebês antes de chegarem a ver o rosto de seus maridos. - Então se levantou, e bateu com a cabeça na tampa da arca e se apressou em tirar a fita -. Já sei que isto vai soar horrível, mas vou lhe dizer uma coisa: quando penso em seu irmão Joseph, posso imaginar sua lady Eleanor preferindo um quarto às escuras.
Demétria fez aquela declaração como uma brincadeira. Miley deixou escapar um suspiro de desânimo. A irmã de Joseph acabava de perceber que ele estava apoiado no marco da porta.
Demétria interpretou equivocadamente a reação da Miley, e em seguida mostrou seu pesar.
- Este é comentário comum que eu fiz - anunciou - porque Joseph é seu lord e também seu irmão, e eu não tenho direito algum de zombar dele na sua frente. Peço que me perdoe.
- Desculpas aceitas.
Aquelas palavras eram de Joseph que outorgava seu perdão. Demétria ficou tão surpresa pelo retumbar de sua voz que bateu a cabeça novamente na arca quando se virou para encará-lo.
- Há quanto tempo está aí? - perguntou, ruborizando-se de puro constrangimento. Ela se levantou, virando-se para ele.
Em vez de lhe responder, Joseph se limitou a permanecer onde estava e a deixa-la cada vez mais nervosa. Demétria alisou as rugas de seu vestido, percebeu que havia uma grande mancha em cima de sua cintura e cruzou imediatamente suas mãos na frente dela. Uma mecha de cabelo se balançava na frente de seu olho esquerdo, mas se mexesse a mão para afastá-lo, então sem dúvida Joseph veria o desastre que tinha feito com seu vestido, não é?
Demétria precisou lembrar a si mesma que ela era apenas sua prisioneira e ele seu guardião. Que diferença fazia se ela estava com um aspecto lamentável ou não? Separou a mecha de cabelo do seu campo de visão com um sopro e lutou para dar um olhar sereno a Joseph.
Fracassou miseravelmente e Joseph, sabendo o que se passava na mente de Demétria, sorriu ante seu fracasso. Para Demétria era cada vez mais difícil ocultar seus sentimentos. Aquele fato o agradou quase tanto como sua desgrenhada aparência. Demétria pensou que ele estivesse sorrindo do lamentável aspecto de seu vestido. Joseph reforçou sua crença submetendo-a a uma minuciosa inspeção. Seu olhar foi lentamente do alto da cabeça de Demétria até o pó que cobria seus sapatos. Seu sorriso foi-se alargando pouco a pouco até que aquela covinha tão atraente voltou a aparecer em sua bochecha.
- Suba para os seus aposentos, Demétria, e não saia dali até que eu vá vê-la.
- Posso terminar esta tarefa primeiro? - perguntou Demétria, tentando fazer com que sua voz saísse a mais humilde possível.
- Não, não pode.
- Joseph, Miley queria trocar a disposição dos móveis do quarto dela para que parecesse mais…
Deus, estava a ponto de lhe dizer que Miley queria que seu quarto fosse tão acolhedor como o quarto da torre! Então Joseph descobriria o que ela estava fazendo, e provavelmente ficaria furioso.
Demétria olhou para ver o que Miley estava fazendo. A pobre jovem torcia suas mãos e mantinha os olhos cravados no chão.
- Miley, você esqueceu de dar uma saudação adequada a seu irmão – ela a incentivou.
- Bom dia, milord - Miley murmurou imediatamente. Não levantou o olhar para Joseph.
- Seu nome é Joseph. Senhor destas terras ou não, ele é seu irmão.
Então Demétria se virou para Joseph e o fulminou com o olhar. Era melhor que ele não gritasse com sua irmã.
Joseph arqueou uma sobrancelha quando Demétria franziu o cenho. Quando ela indicou, com uma vigorosa inclinação de cabeça, que ele fosse até Miley, Joseph encolheu os ombros. Não tinha a menor ideia do que Demétria estava tentando lhe dizer.
- E então? Será que você não vai saudar sua irmã, Joseph? - ela questionou.
O suspiro de Joseph ricocheteou nas paredes.
- Você está me dando ordens? - perguntou.
Parecia bastante irritado. Demétria encolheu os ombros.
- Não vou permitir que você assuste sua irmã – disse, sem poder se conter.
Joseph teve vontade de rir. Era verdade então, tal como Nicholas havia elogiado e como Kevin tinha protestado: a tímida Demétria havia se convertido na protetora de Miley. Uma gatinha estava tentando proteger outra, decidiu Joseph, exceto pelo fato de que agora Demétria se comportava como uma tigresa. Um fogo azul ardia em seus olhos e, oh!, como ela tentava esconder a raiva que estava sentindo naquele momento.
Joseph lançou um olhar que disse claramente a Demétria o que ele pensava sobre sua ordem. Depois ele se virou para sua irmã e disse:
- Bom dia, Miley. Sente-se bem hoje?
Miley assentiu, e então elevou o olhar para seu irmão e sorriu. Joseph assentiu, surpreendendo-se com o fato de uma saudação tão simples poder modificar as maneiras de sua irmã.
Depois, ele se virou para sair, determinado a se afastar o máximo possível de sua frágil irmãzinha antes de permitir que Demétria chegasse a saber o que passava por sua cabeça.
- E Demétria não poderia ficar aqui e…?
- Miley, peço que não discuta a ordem de seu irmão - interrompeu-a Demétria, temendo que a paciência de Joseph estivesse a ponto de fazê-lo gritar -. Não seria honroso - acrescentou com um sorriso de coragem.
Demétria recolheu suas saias e se apressou em seguir Joseph, enquanto dizia por cima de seu ombro -: tenho certeza que Joseph tem boas razões para dar essa ordem.
Ela teve que correr para alcançar Joseph.
- Por que tenho que voltar para a torre? – perguntou, assim que teve certeza de que Miley não poderia ouvi-la.
Eles tinham chegado ao patamar quando Joseph se virou para ela. Naquele momento ele queria sacudi-la até que ela batesse os dentes, mas a mancha de pó que havia na ponte do nariz de Demétria atraiu sua atenção. Joseph utilizou seu polegar para tirá-lo dali.
- Seu rosto está coberto de sujeira, Demétria. Sim, agora você não é perfeita. Devo jogá-la por uma janela próxima que fosse alta o bastante?
Demétria demorou um momento em entender sobre o que ele estava falando.
- Os espartanos não jogavam a seus prisioneiros pela janela - ela respondeu -. Eles apenas faziam isso com os bebês que tinham alguma má formação. Eram grandes guerreiros com corações bem mesquinhos - acrescentou.
- Governavam com o controle absoluto - disse Joseph, enquanto seu polegar ia lentamente para o lábio inferior de Demétria, e ele não conseguiu evitar passá-lo muito suavemente em sua boca -. Sem nenhum tipo de compaixão.
Demétria era incapaz de se separar. Ela olhou nos olhos de Joseph enquanto ela tentava manter aquela conversa.
- Sem nenhum tipo de compaixão?
- Sim, porque essa é a maneira como um líder deve governar.
- Não é não - sussurrou Demétria.
Joseph assentiu e disse:
- Os espartanos eram invencíveis.
- Você vê algum espartano agora, Joseph? - perguntou Demétria.
Ele encolheu os ombros, embora não conseguisse evitar sorrir diante daquela ridícula pergunta.
- Podem ter sido invencíveis, mas agora estão todos mortos.
Deus, a voz dela tremia! Demétria sabia muito bem a razão. Joseph estava olhando para ela com muita intensidade, puxando-a para si muito lentamente.
Não a beijou, o que foi uma decepção.
Demétria suspirou.
- Demétria, não vou me negar esse desejo por muito tempo - murmurou Joseph. Tinha baixado a cabeça, e sua boca estava a poucos centímetros da dela.
- Não vai? - perguntou Demétria, com o fôlego novamente entrecortado.
- Não, não vou - murmurou Joseph. Ele parecia irritado, agora.
Demétria sacudiu a cabeça sem entender nada.
- Joseph, eu permitiria que você me beijasse agora mesmo - ela disse -. Não é necessário que negar aquilo que você deseja.
A resposta de Joseph àquela sincera confissão foi agarrar a mão dela e arrastá-la pelas escadas da torre.
- Não será prisioneira aqui por muito mais tempo - anunciou Joseph.
- Então você admite que me trazer aqui foi um erro? - ela perguntou.
Joseph pôde ouvir o medo que havia em sua voz.
- Eu nunca cometo erros, Demétria.
Ele não se incomodou em virar para trás para olhá-la, e não voltou a falar até que chegaram à porta dos aposentos de Demétria. Quando Joseph alcançou a maçaneta, Demétria bloqueou a porta apoiando-se nela.
- Eu posso abrir minha própria porta - ela disse -, e não há nenhuma dúvida de que você comete erros. Eu fui o maior erro de todos.
Ela realmente não tinha nenhuma intenção de dizer aquelas palavras. Deus, na verdade ela acabava de insultar a si mesma!
Joseph sorriu. Era óbvio que ele percebia o erro que Demétria acabava de cometer. Então ela a pôs de lado e abriu a porta do quarto. Demétria entrou correndo e tentou fechar a porta atrás dela.
Joseph não permitiu. Agora as coisas iam esquentar, pensou Demétria enquanto ia se armando de coragem para enfrentar a reação de Joseph diante das mudanças que ela tinha realizado ali.
Joseph não podia acreditar no que estava vendo. Demétria tinha transformado a austera cela em um convidativo ambiente. As paredes tinham sido limpas, e uma grande tapeçaria de cor bege ocupava o centro da parede que estava em frente a Joseph. A tapeçaria contava a história da última batalha da invasão de William; as cores eram vívidas, as figuras dos soldados tinham sido costuradas com pontos vermelhos e azuis. Era um desenho singelo, mas também muito agradável de se ver.
A cama estava coberta por uma colcha azul. No outro extremo do cômodo havia duas cadeiras, ambas cobertas com almofadas vermelhas. As cadeiras tinham sido colocadas de tal maneira que formavam ângulo com a lareira, e havia banquetas diante de cada uma. Joseph viu uma tapeçaria inacabada apoiada em uma das cadeiras. Fios marrons penduravam dela, roçando o chão. Os contornos da tapeçaria já estavam bem costurados, assim que Joseph pôde reconhecer o que ia ser. Era o retrato do lobo imaginário de Demétria.
O músculo de seu queixo se contraiu. Duas vezes. Demétria não tinha certeza do que aquilo significava. Ela esperou, seu gênio acumulava lenha em chamas para uma resposta, para quando ele começasse a gritar com ela.
Joseph não disse uma única palavra. Deu meia volta e fechou a porta atrás dele.
O aroma de rosas o seguiu escada abaixo. Joseph conseguiu controlar seu temperamento até que ele chegou à entrada da sala. Nicholas o viu e correu para falar com ele. Sua voz estava cheia de uma impaciência juvenil quando perguntou:
- Lady Demétria ainda não recebe visitas esta manhã?
O berro de Joseph pôde ser ouvido no alto da torre.
Nicholas arregalou os olhos. Ele nunca tinha ouvido seu irmão gritar daquela maneira. Kevin entrou no vestíbulo bem a tempo de ver Joseph partir.
- O que o deixou tão furioso? - perguntou Nicholas.
- Não o quê, Nicholas, mas quem - observou Kevin.
- Eu não o entendo.
Kevin sorriu e depois deu uma palmada no ombro de seu irmão.
- Joseph também não, mas aposto que não vai demorar para entender.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Esplendor da Honra Capiitulo 11


O melhor sempre é aquele que treina na
mais severa das disciplinas.
Rei Arquídamo da Esparta
Demétria não queria que ninguém a surpreendesse chorando. Quando deixou Miley, realmente não tinha nenhum destino certo em mente. Apenas queria encontrar um lugar tranquilo onde colocar um pouco de ordem em suas emoções.
Sua primeira escolha foi a sala, mas quando se aproximava da entrada ouviu que Nicholas estava falando com alguém. Continuou andando, desceu o seguinte lance de degraus, agarrou sua capa de inverno do cabide que havia junto ao recinto dos soldados, e lutou com as pesadas portas até que conseguiu abri-las o suficiente para poder deslizar entre elas.
O ar estava bastante frio e poderia fazer um urso tremer. Demétria envolveu seus ombros com a capa e apertou o passo. A lua dava luz suficiente para que pudesse ver por onde ia e assim que rodeou a choça do açougueiro, apoiou-se no muro de pedra da fortaleza e começou a chorar como uma criança. Ela chorava alto, indisciplinada, e infeliz também, porque depois de ter feito tudo isso, continuava a se sentir tão mal quanto antes. Sua cabeça doía e suas bochechas ardiam, e estava consumida pelo soluço.
A raiva não ia embora.
Uma vez que Miley começou sua história, ela contou até a última consequência dela. Demétria não tinha mostrado nenhuma reação visível sobre aquele horror, mas sentia que seu coração estava a ponto de arrebentar de dor. Morcar! O bastardo era tão culpado do ocorrido como Sebastian, e no entanto, ninguém jamais chegaria a saber que ele tinha participado daquilo.
- O que você está fazendo aqui fora?
Demétria deixou escapar uma exclamação abafada. Joseph tinha-lhe dado um susto de morte, saindo de um nada para plantar-se junto dela.
Demétria tratou de dar-lhe as costas, mas Joseph não permitiu. Ele a pegou pelo queixo e a obrigou a levantar o olhar para ele.
Teria que estar cego para não perceber que ela estava chorando. Demétria pensou em dar uma breve desculpa, mas então começou a chorar outra vez assim que ele a tocou.
Joseph a puxou para seus braços, e parecia contente em mantê-la ali até que Demétria recuperasse o controle de si mesma. Era evidente que ele acabava de nadar no lago,
já que ele pingava da cabeça até a cintura. Demétria também não o ajudava em secar-se, porque chorava, ofegava e soluçava sobre o macio pelo que cobria o peito de Joseph.
- Você vai congelar até a morte, andando por aí meio nu - disse entre soluços -. E desta vez eu não vou esquentar seus pés.
Se Joseph lhe respondeu, ela não pôde ouvir. Seu rosto estava pressionado no ombro dele. Ela também acariciava seu peito. Joseph imaginou que Demétria nem sequer percebia o que estava fazendo, ou entendia o efeito que suas ações tinham sobre ele.
Demétria de repente tentou se afastar de Joseph. Sua cabeça se chocou com o queixo dele, murmurou uma desculpa, e depois cometeu o erro de levantar o olhar para ele. Sua boca estava realmente muito próxima. Demétria não podia deixar de olhar para ela, enquanto se lembrava com bastante clareza como tinha se sentido quando o beijou tão descaradamente aquela noite na tenda.
Queria voltar a beijá-lo.
Joseph teve que ter lido suas intenções, porque sua boca foi baixando lentamente para a boca de Demétria.
Ele só pretendia lhe dar um beijo suave e delicado. Sim, sua intenção era consolá-la, mas então os braços de Demétria deslizaram ao redor de seu pescoço e sua boca se abriu imediatamente para receber a dele. A língua de Joseph soube tirar vantagem daquele beijo e colou-se com a boca de Demétria.
Deus, ela era maravilhosa! Ela poderia fazê-lo arder em poucos minutos. E tampouco ia permitir que ele fosse suave e delicado. Os sons que ela fazia, no mais profundo de sua garganta, fizeram-no deixar de lado todo pensamento de consolá-la.
Joseph a sentiu estremecer junto dele, e só então se lembrou de onde eles estavam. Separou-se a contragosto de Demétria, tolamente esperando que houvesse um protesto por parte dela. Ele teria que beijá-la novamente, ele decidiu, e, em seguida, foi em frente e fez exatamente isso antes que sua suave e sensual mulher tivesse a chance de pedir.
Joseph fazia com que todo o corpo de Demétria ardesse de desejo. Ela pensou que não teria a força necessária para deter-se, até que de repente a mão dele roçou em seu seio. A sensação foi maravilhosa, e quando ela percebeu o quanto ela desejava mais daquilo, ela se afastou dele.
- Será melhor que você vá para dentro antes que vire uma pedra de gelo - Demétria disse, e sua voz soou em um tom bastante seco.
Joseph suspirou. Demétria estava fazendo aquilo outra vez, tentando afastar-se dele. Ele a pegou em seus braços, ignorando seus protestos, e começou a andar para o castelo.
- Miley falou com você a respeito do que aconteceu com ela? - perguntou Joseph quando sua mente conseguiu encontrar o foco outra vez.
- Ela falou - respondeu Demétria -. Mas não repetirei uma única palavra do que ela me disse, não importa o quão insistente você possa ser. Se desejar pode me torturar, mas mesmo assim eu....
- Demétria... – seu suspiro prolongado a deteve.
- Prometi a Miley que não diria nada a ninguém, especialmente a você. Sua irmã tem muito medo de você, Joseph. É uma situação realmente lamentável, certamente - concluiu.
Demétria tinha pensado que seu aviso encheria Joseph de fúria, e ficou surpresa quando o viu assentir.
- É assim que deveria ser - disse, encolhendo os ombros -. Sou seu lord além de seu irmão, e o primeiro deve ter preferência sobre o segundo.
- Não é assim como deveria ser - argumentou Demétria -. Uma família deveria estar unida. Todos deveriam comer juntos e nunca brigar entre eles. Deveriam....
- Como demônios você vai saber o que uma família deveria ou não deveria fazer? Você viveu com seu tio - afirmou Joseph, sacudindo a cabeça com exasperação.
- Bom, pois mesmo assim continuo sabendo como deveriam agir as famílias -protestou Demétria.
- Não questione meus métodos, Demétria - disse Joseph com um grunhido -. Por que você estava chorando? - perguntou depois, mudando rapidamente de assunto.
- Pelo que meu irmão fez com Miley - sussurrou Demétria. Apoiou o rosto no ombro de Joseph -. Meu irmão arderá no inferno durante toda a eternidade.
- Sim - respondeu Joseph.
- Sebastian é um homem com desejo assassino. Não condeno você por querer matá-lo, Joseph.
Joseph sacudiu a cabeça.
- E o fato de não me condenar faz com que você se sinta melhor? - perguntou.
Demétria acreditou ter ouvido uma ponta de diversão em sua voz.
- Eu mudei minha opinião sobre matar. Eu estava chorando por causa dessa perda - murmurou -. E pelo que eu tenho que fazer.
Joseph esperou que Demétria se explicasse. Chegaram às portas do castelo. Joseph abriu uma delas sem incomodá-la por isso, e a força que havia nele voltou a assombrá-la. Custou-lhe toda sua determinação, assim como ambas as mãos, também, para manter uma dessas portas abertas o suficiente para escapulir entre elas, sem que pegassem seu traseiro e, no entanto, Joseph não tinha mostrado o menor esforço.
- O que você tem que fazer? - perguntou Joseph, incapaz de conter sua curiosidade.
- Tenho que matar um homem.
A porta foi fechada com um golpe seco no mesmo instante em que Demétria murmurava sua confissão. Joseph não estava muito certo de tê-la ouvido corretamente. Ele decidiu que teria paciência suficiente para esperar até que tivessem chegado a seu quarto, antes de lhe fazer mais pergunta a esse respeito.
Ele carregou Demétria escada acima, ignorando seus protestos de que podia andar e quando chegaram ao nível do salão não se deteve, mas sim continuou subindo até chegar ao seguinte nível. Demétria acreditava que ele a levava aos aposentos da torre. Quando chegaram à entrada da estrutura circular, Joseph virou na direção oposta e continuou andando por um corredor escuro. Estava muito escuro para que ela pudesse ver aonde ele a levava.
Demétria estava bem curiosa, porque até aquele momento nem sequer tinha percebido naquela estreita entrada. Chegaram ao final do corredor, e Joseph abriu uma porta e carregou Demétria para dentro. Obviamente aquele era o quarto em que ele dormia, compreendeu Demétria, enquanto pensava que era muito amável por parte de Joseph ceder seus aposentos por aquela noite.
O quarto estava quente e era muito acolhedor. Um grande fogo ardia dentro da lareira, dando calor e um brilho suave ao resto dos aposentos. Uma única janela ocupava o centro da parede em frente, coberta por uma pele de animal no lugar das portinholas. Uma grande cama ocupava a maior parte da parede de pedra junto à lareira, com uma arca perto dela.
A cama e a arca eram os únicos móveis daquele quarto. Mas estava limpa, quase impecável. Aquele fato fez Demétria sorrir. Não sabia por que aquilo a agradava, mas se alegrava em saber que Joseph não gostava de desordem assim como ela.
E então por que permitia que o salão principal estivesse sempre tão abandonado? Agora que tinha visto seus aposentos, aquilo não tinha sentido para Demétria. Decidiu perguntar-lhe logo quando ainda estava de bom humor. Então Demétria voltou a sorrir, porque acabava de perceber que era bem provável que ela se tornasse uma anciã, antes que Joseph conseguisse alcançar uma mudança tão notável em sua maneira de ser.
Joseph não parecia ter absolutamente nenhuma pressa em soltá-la. Foi até a lareira, apoiou os ombros contra a borda do manto espesso, e começou a esfregar de frente e para trás, obviamente aliviando uma súbita coceira. Demétria se agarrou a ele tão desesperadamente como se nisso estivesse sua vida. Deus, ela desejou que ele estivesse usando uma camisa! Aquilo não era decente, disse a si mesma, porque gostava de muito tocar sua pele. Joseph era como um deus de bronze. Sua pele era quente ao tato, e com as palmas de suas mãos descansando sobre seus ombros, ela podia sentir como seus músculos moviam-se debaixo das pontas de seus dedos a cada ondulação.
Demétria desejou poder entender a maneira que reagia em relação a ele. Ora, seu coração estava voltando a bater desenfreadamente! Atreveu-se a lançar um rápido olhar para cima, e ao fazê-lo descobriu que Joseph a contemplava com muita atenção. Ele era muito atraente, e Demétria desejou que ele fosse feio.
- Você vai me segurar pelo resto da noite? - perguntou, conseguindo que sua voz soasse ridiculamente desgostada.
Joseph encolheu os ombros, o que quase fez com que Demétria caísse. Voltou a se segurar nele, e quando Joseph sorriu, compreendeu que era bem provável que ele estivesse se sacudindo daquela maneira só para fazer com que ela se unisse a ele.
- Primeiro responda minha pergunta e então eu vou soltá-la - Joseph decidiu.
- Vou responder sua pergunta - disse ela.
- Você me disse que estava pensando em matar um homem?
- Sim, eu disse - ela olhava para o queixo dele, enquanto lhe respondia.
Demétria esperou por um interminável minuto até que Joseph comentasse sua afirmação. Ela pensou que provavelmente ele daria um sermão sobre sua lamentável debilidade na tarefa de matar alguém.
Mesmo assim, não estava preparada para a gargalhada de Joseph. Ela começou como um surdo rumor dentro de seu peito, mas foi adquirindo volume rapidamente até que ele estava quase sufocando em verdadeira alegria.
Ele a ouviu perfeitamente bem, afinal. Demétria havia dito que ia matar um homem. A princípio aquela declaração pareceu tão assombrosa que Joseph acreditou que ela estivesse brincando. Mas a expressão tão solene que havia em seu rosto indicava que ela realmente falava a sério.
A reação dele não a agradou muito. Deus o ajudasse, ele não conseguia parar de rir. Ele deixou Demétria escorregar de seu abraço, mas manteve suas mãos segurando os ombros dela, assim ela não poderia fugir.
- E quem é o infeliz homem que você planeja matar? - ele finalmente conseguiu perguntar -. Seria um de nós, Wexton, por ventura?
Demétria se afastou dele.
- É obvio que não se trata de um Wexton embora, para ser bem honesta, e no caso de eu ter uma alma malvada, você seria o primeiro em minha preparada para aqueles que eu liquidaria, milord.
- Ah - disse Joseph, ainda sorrindo -. Se não é um de nós, minha doce e delicada lady, então quem você deseja liquidar? - ele perguntou, utilizando a ridícula expressão que Demétria empregou ao se referir ao ato de matar.
- Sim, Joseph, é verdade. Sou uma doce e delicada donzela, e já é hora de você entender isso - respondeu Demétria, cuja voz agora não soava particularmente doce.
Demétria foi até a cama e se sentou na beirada. Depois dedicou um bom tempo alisando as saias de seu vestido e finalmente colocou as mãos no colo. O fato de falar com tanta facilidade em tirar a vida de outra pessoa a deixava realmente assustada. Mas afinal de contas, o homem que ela pensava em matar certamente precisava que o matassem, não?
- Não conseguirá seu nome de mim, Joseph. Isto é um assunto meu, não seu.
Joseph não estava de acordo, mas decidiu esperar um pouco antes de arrancar a verdade.
- E quando matar esse homem, Demétria, voltará a despejar a comida que leva no estômago?
Demétria não respondeu. Joseph pensou que provavelmente estivesse percebendo quão insensato era seu plano.
- E também vai chorar? - ele perguntou, repetindo com sua pergunta a reação de Demétria depois de ter matado o soldado que atacou Nicholas.
- Vou me lembrar de não comer nada antes de matá-lo, Joseph, de maneira que não vomitarei. E se eu chorar depois de matá-lo, então eu vou encontrar algum lugar privado de maneira que ninguém vai me ver chorar. Essa explicação é suficiente para você?
Demétria respirou fundo, fazendo um esforço tremendo para manter a expressão a mais tranquila possível. Deus, já se sentia como uma pecadora!
- A morte não é algo que se possa fazer com bom ânimo - disse depois -. Mas a justiça também não deve ser enganada.
Joseph voltou a rir. Aquilo enfureceu Demétria.
- Eu gostaria de dormir agora, por isso, por favor, vá embora.
- Você acredita que pode me dizer para deixar meu próprio quarto? - perguntou Joseph.
Agora ele não estava rindo, e Demétria não teve coragem de olhar para ele.
- Eu acreditava que sim - admitiu -. Se eu estou sendo pouco respeitosa, lamento por isso. Mas você sabe que eu não minto. É muito amável ao me ceder sua cama por uma noite. Eu realmente aprecio sua gentileza, Joseph. E amanhã retornarei à torre depois que os aposentos de Miley forem devidamente limpos.
Ela ficou sem fôlego quando terminou sua explicação.
- Sua honestidade é muito refrescante.
- Sim, mas de vez em quando me leva a fazer coisas que não deveria.
Demétria suspirou. Continuava olhando para suas mãos, desejando que Joseph se apressasse e que fosse de uma vez. Então ouviu um golpe surdo. Aquele ruído atraiu sua atenção e quando levantou o olhar, o fez bem a tempo de ver como Joseph tirava sua segunda bota e a deixava cair no chão.
- Ficar na minha frente sem usar a camisa é uma indecência - declarou Demétria -. E agora está tirando o resto de suas roupas antes de partir? Você fica na presença de lady Eleanor desta maneira?
Demétria pôde sentir como se ruborizava. Estava decidida a ignorar Joseph. Se ele quisesse desfilar por aí seminu, então, ela teria que fechar seus olhos. E Joseph não teria uma única palavra de despedida da parte dela.
Demorou um pouco para perceber quais eram as intenções de Joseph. Demétria o observava pela extremidade do olho, e viu como Joseph se ajoelhava diante do fogo e acrescentava outro grosso tronco. Demétria quase agradeceu por aquela cortesia, até que se lembrou que estava decidida em ignorá-lo. Deus, Joseph sempre a fazia perder a linha de raciocínio, não era assim?
Joseph se levantou e foi para a porta. Antes que Demétria soubesse o que ele estava prestes a fazer, ele deslizou a grossa tábua de madeira pelos dos aros de metal.
Seus olhos se abriram de espanto. Ela estava trancada dentro do quarto, mas o verdadeiro problema, tal como ela via, era o fato de Joseph estar no lado errado da porta. E nem sequer uma doce e delicada lady de nobre berço podia interpretar mal o significado daquela ação.
Demétria deixou escapar um suspiro de indignação, saltou da cama e correu para a porta. Em sua mente só havia uma intenção: ia sair daquele quarto e se afastar de Joseph.
Ele a observou lutar com o fecho por um instante. Quando ficou convencido de que Demétria nunca conseguiria saber como funcionava o insólito ferrolho que havia debaixo da barra, foi para a cama. Ele decidiu ficar de calças em deferência aos sentimentos de Demétria, que parecia estar a ponto de perder o controle.
- Venha para cama, Demétria - Joseph pediu enquanto se deitava em cima dos cobertores.
- Não dormirei perto de você - Demétria gaguejou.
- Já dormimos juntos...
- Só uma vez dentro daquela tenda, Joseph, e isso foi por necessidade. Cada um compartilhou o calor do outro.
- Não, Demétria, porque eu dormi perto de você cada noite depois disso - informou Joseph.
Demétria se virou para olhá-lo fixamente.
- Você não fez isso!
- Sim, eu fiz.
Joseph sorria para ela.
- Como pode mentir com tanta facilidade? - quis saber Demétria.
Ela não lhe deu tempo para responder, mas se virou novamente para a porta e recomeçou seu trabalho sobre o ferrolho.
A recompensa por seus esforços consistiu em uma lasca debaixo da delicada pele de seu polegar. Demétria soltou um chiado de raiva.
- E agora tenho a uma parte desta maldita madeira debaixo de minha pele, graças a você - murmurou enquanto baixava a cabeça para examinar o machucado.
Joseph suspirou. Demétria ouviu do outro extremo do quarto o exagerado som que saiu de seus lábios, mas não ouviu quando Joseph se moveu e quando ele agarrou subitamente sua mão, ela saltou para trás, atingindo o topo de sua cabeça com a extremidade do queixo de Joseph.
- Você se move como um lobo - ela falou enquanto permitia que Joseph a levasse para luz do fogo -. Não estou fazendo nenhum elogio, Joseph, por isso pode deixar de sorrir.
Ele ignorou seus murmúrios. Ele estendeu a mão sobre o manto e pegou um punhal muito afiado cuja ponta era quase tão fina como a de uma agulha. Demétria fechou os olhos até que sentiu a primeira espetada. Então teve que abri-los, porque se não observasse Joseph, ele provavelmente cortaria seu polegar. Demétria se inclinou para baixo até que, inadvertidamente, bloqueou seu polegar dos olhos de Joseph.
Ele puxou a mão de Demétria para cima, deixando-a melhor iluminada e inclinou sua cabeça sobre ela para terminar sua tarefa. A testa de Demétria tocou a de Joseph. Ela não se separou, e ele tampouco o fez.
Joseph cheirava muito bem.
Demétria voltava a cheirar a rosas.
A lasca foi extraída. Demétria não disse uma única palavra a Joseph, mas ela estava olhando para ele com uma expressão tão confiante em seu rosto. Joseph franziu o cenho em uma careta de frustração. Quando Demétria o olhava daquela maneira, ele só podia pensar em tomá-la em seus braços e beijá-la. Demônios, admitiu com desgosto, tudo o que ela tinha a fazer era olhar para ele e ele já queria deitar com ela!
Joseph jogou a adaga de volta no manto e, em seguida, voltou para a cama. Não havia soltado a mão de Demétria, e agora ele a arrastava atrás dele.
- Pensa em matar um homem quando nem sequer pode tirar uma lasca - ele murmurou.
- Não vou dormir com você - declarou Demétria em um tom que não podia ser mais enfático enquanto se detinha junto à cama, decidida a vencer -. Você é o homem mais arrogante e teimoso, que já conheci. Minha paciência está se esgotando, Joseph. Eu não vou aguentar muito mais.
Demétria percebeu que seu erro estava em aproximar-se muito de Joseph, quando gritou sua ameaça. Joseph estendeu os braços para ela e, literalmente, a levou para cima dele. Demétria aterrissou sobre seu colo com um golpe surdo. Joseph a tirou de cima dele para deixá-la a seu lado, com sua mão ainda fechada sobre o punho de Demétria.
Ele fechou os olhos, em uma óbvia tentativa de esquecer da presença dela. Demétria o encarou.
- Você me odeia demais para dormir perto de mim. Você mentiu, não foi, Joseph? Não estivemos dormindo juntos. Eu me lembraria.
- Você é capaz de dormir durante uma batalha - observou Joseph. Seus olhos estavam fechados, mas agora ele sorria -. E não odeio você, Demétria.
- Você com certeza me odeia - replicou Demétria -. Não se atreva a mudar de ideia agora.
Ela esperou um longo momento para que Joseph lhe respondesse. Quando ele não disse uma palavra, Demétria começou tudo de novo.
- A ação que nos uniu não teve nada de nobre. Eu salvei sua vida. E como você me pagou por isso? Pois bem, você me arrastou até este lugar esquecido por Deus, e poderia acrescentar que constantemente abusando de minha doce natureza. Eu acredito que convenientemente você esqueceu que também salvei a vida de Nicholas.
Deus, como desejou que Joseph abrisse os olhos para que ela pudesse ver sua reação!
- Agora eu cuidei de Miley. Mas me pergunto se você não terá planejado isso desde o primeiro momento. - Esse pensamento lhe fez franzir o cenho e continuou falando -: A esta altura, você deveria admitir que eu sou a inocente em todo esse seu plano. Sou eu que estou sendo tratada injustamente. Ora, quando penso em tudo o que tive que suportar...
O ronco de Joseph a fez calar. De repente Demétria ficou tão furiosa que desejou ter coragem para gritar na orelha dele.
- Sou eu quem deveria odiar você - murmurou para si mesma. Ela ajeitou seu vestido e se deitou sobre suas costas -. Se eu não tivesse meus próprios e satisfatórios planos, estaria muito zangada por tudo o que você fez para arruinar meu bom nome, Joseph. Agora nem sequer posso fazer um casamento adequado. Disso já não há nenhuma dúvida, mas admito que o perdedor será Sebastian e não eu. Meu irmão ia vender me ao melhor lance. Ao menos isso foi o que ele disse que ia fazer. Agora ele só vai me matar se conseguir se aproximar o suficiente - murmurou -. E tudo isso por sua causa - acrescentou com veemência.
Quando terminou suas reclamações, Demétria estava esgotada.
- Como vou conseguir que você me prometa alguma coisa? E eu já dei minha palavra à pobre Miley - acrescentou com um bocejo cheio de cansaço.
Então Joseph se moveu. Demétria foi pega totalmente despreparada, e só teve tempo de abrir os olhos antes que Joseph se inclinasse sobre ela. O rosto de Joseph estava muito perto do dela, e seu hálito era como uma cálida e doce carícia sobre as bochechas de Demétria. Uma das pesadas coxas de Joseph a deixou presa.
Santo Deus, e além disso ela estava deitada de barriga para cima!
- Se você se aproveitar de mim, encontrarei alguma maneira de contar a lady Eleanor - conseguiu balbuciar.
Joseph virou seus olhos para o céu.
- Demétria, sua mente está consumida pela obsessão de que eu vou...
Ela colocou bruscamente a mão em cima da boca de Joseph e a manteve ali.
- Não se atreva a dizê-lo - replicou -. E por que outra razão você estaria estendido em cima de mim como a uma manta se não quisesse...?
Demétria igualava sua visão com a de Joseph.
- Você está tentando me enlouquecer - ela o acusou.
- Você já está - anunciou Joseph.
- Saia de em cima de mim. Você pesa mais que as portas da sua casa.
Joseph deslocou seu peso até que sua massa ficou sustentada pelos cotovelos. Sua pélvis repousava sobre a de Demétria. Joseph podia sentir o calor que havia dentro dela.
- Que promessa você quer de mim?
A pergunta pareceu deixar Demétria bastante confusa.
- Miley - recordou Joseph.
- Oh - disse Demétria, quase sem fôlego -. Eu pensei em esperar até manhã para falar com você a respeito de Miley, mas não tinha percebido que você me obrigaria a dormir com você. E esperava pegar você de melhor humor...
- Demétria...
A última sílaba de seu nome foi articulada mediante um longo e cuidadosamente controlado gemido, e a maneira com que Joseph apertava seu queixo fez com que Demétria soubesse que havia esgotado sua paciência.
- Desejo que me dê sua palavra de que Miley poderá viver aqui com vocês durante todo o tempo que ela quiser, e que não vai obriga-la a se casar sob nenhuma circunstância. Pronto. Ficou claro o bastante para você?
Joseph franziu o cenho.
- Amanhã falarei com Miley - declarou depois.
- Sua irmã está muito assustada para falar abertamente com você, mas se eu puder lhe dizer que você deu sua palavra, então acredito que você perceberá uma mudança bastante considerável nela. Miley está muito preocupada, Joseph, e se pudermos aliviar a carga que pesa sobre ela, então ela se sentirá muito melhor.
Joseph teve vontade de sorrir. Demétria tinha adotado o papel de mãe de Miley, tal como ele suspeitava que ela faria. Sentiu-se imensamente satisfeito em ver que seu plano tinha funcionado.
- Muito bem. Diga a Miley que dei minha palavra. Terei que falar com o Liam - acrescentou, quase como uma ideia de último momento.
- Liam terá que encontrar alguém mais para se casar. E de qualquer maneira, Miley acredita que agora o contrato já não é mais obrigatório. Além disso Liam vai querer uma mulher que não tenha sofrido mácula alguma e isso faz com que eu desgoste dele imensamente.
- Nem sequer conhece esse homem - disse Joseph com exasperação -. Como pode julgá-lo tão facilmente?
Demétria franziu o cenho. Joseph tinha razão, embora quase lhe doesse ter que concordar com aquela afirmativa.
- Liam sabe o que aconteceu a Miley? - perguntou.
- A esta altura toda a Inglaterra sabe. Sebastian está se assegurado disso.
- Meu irmão é um homem muito perverso.
- Seu tio Berton é da mesma opinião a respeito de Sebastian? - perguntou Joseph
- Como sabe o nome de meu tio? -perguntou Demétria.
- Você me disse - respondeu Joseph, sorrindo ao ver como ela abria seus olhos.
- Quando? Tenho uma memória excelente e não me lembro de ter mencionado.
- Quando estava doente, contou-me a respeito de seu tio.
- Pois se falei não me lembro. Foi muito grosseiro de sua parte escutar o que eu disse.
- Não havia como deixar de ouvir sua voz - disse Joseph, sorrindo ante a lembrança -. Você gritava tudo que você falava.
Ele exagerava só para provocar a reação de Demétria. Quando ela não estava na defensiva, suas expressões eram inocentemente refrescantes de se ver.
- Conte-me que mais eu disse - exigiu Demétria em um tom carregado de suspeita.
- A lista é muito longa. Basta dizer que você me contou tudo isso.
- Tudo? - exclamou Demétria, que agora parecia horrorizada.
Deus, aquilo era terrivelmente constrangedor. E se ela havia chegado a dizer o quanto gostava de beijá-lo?
Um suave brilho iluminou os olhos de Joseph. Provavelmente ele estaria apenas zombando dela. Isso não estava nada bem, e Demétria decidiu que faria desaparecer aquele sorriso.
- Então eu lhe disse os nomes de todos os homens que levei para minha cama, não é? Bom, suponho que o jogo terminou - concluiu com um suspiro.
- Seu jogo terminou no momento em que nos encontramos - disse Joseph suavemente.
Demétria sentiu como se acabasse de ser acariciada, e não soube como reagir.
- E o que isso significa exatamente? - perguntou.
Joseph sorriu.
- Você fala demais - ele disse -. Esse é outro defeito que você deveria tentar corrigir.
- Isso é ridículo! - replicou Demétria -. Eu falei suficientemente pouco com você durante toda a semana e você me ignorou por completo. Como pode dizer que falo demais? - perguntou, atrevendo-se a cravar um dedo em seu ombro.
- Não estou sugerindo nada. Limito-me a expor os fatos - respondeu Joseph, observando-a com muita atenção e vendo a labareda que iluminou seus olhos azuis.
Fazer com que Demétria mordesse a isca era muito fácil. Joseph sabia que deveria parar, mas na verdade estava desfrutando muito da maneira com que ela reagia. Não havia nenhum mal nisso, e agora Demétria estava tão furiosa como uma gata selvagem.
- Desagrada-lhe que eu diga o que penso?
Joseph assentiu.
Demétria achou que agora ela era um verdadeiro patife. Uma mecha de escuros cabelos tinha caído para frente e repousava sobre sua testa. Ele também estava sorrindo. Oh, aquilo teria levado um santo a cair em tentação!
- Então deixarei de falar com você. Juro que nunca mais voltarei a falar com você. Isso agradaria você?
Ele voltou a assentir, embora desta vez tenha feito muito mais devagar que antes. Demétria respirou fundo enquanto se preparava para lhe dizer o que pensava a respeito de sua indelicadeza, mas Joseph a silenciou. Baixou a cabeça e roçou os lábios de Demétria com os seus, deixando-a bem surpresa para reduzi-la a uma submissão temporária.
Sem que houvesse nenhum treinamento, Demétria abriu a boca para a insistente língua de Joseph e então ele começou a fazer amor lentamente com sua língua. Deus, podia sentir o fogo que ardia dentro dela! Suas mãos se estenderam junto aos lados do rosto de Demétria e seus dedos se enredaram em seu magnífico cabelo.
Como a desejava! O beijo passou rapidamente de uma delicada carícia para se transformar em uma amostra de paixão selvagem. Suas línguas duelaram uma e outra vez até que Joseph quase perdeu a razão de tanto querer mais. Sabia que deveria se deter, e já se preparava para se separar dela quando sentiu que as mãos de Demétria tocavam suas costas. A carícia era muito suave e hesitante, e a princípio se mostrou tão leve como uma mariposa, mas assim que Joseph soltou um grunhido e voltou a se envolver na doçura da boca de Demétria, sua carícia passou a adquirir uma nova pressão. Suas bocas se tornaram ardentes e úmidas, e se agarravam a uma à outra.
Joseph sentiu como um súbito estremecimento percorria o corpo de Demétria e ouviu o gemido entrecortado que escapou de seus lábios quando, de muito má vontade, foi se afastando dela.
Os olhos de Demétria estavam nublados pela paixão e seus lábios, vermelhos e inchados, chamavam-no pedindo que ele voltasse a saboreá-la. Joseph sabia que não deveria ter iniciado aquilo que não podia terminar. Todo seu corpo palpitava de desejo, e precisou de um supremo ato de vontade para afastar-se dela.
Com outro gemido de frustração, Joseph se virou até ficar de lado. Depois, envolveu a cintura de Demétria com seu braço e a atraiu para ele.
Demétria queria chorar. Não podia entender o porquê em permitir, uma e outra vez, que Joseph a beijasse. Ainda mais importante, ela não conseguia impedir que ela mesma evitasse beijá-lo. Estava sendo tão lasciva como uma prostituta qualquer.
Tudo que Joseph precisava fazer era tocá-la para que ela se desmanchasse pedaços. Seu coração batia a toda velocidade, as palmas de suas mãos esquentaram, e ela se via invadida por um infinito desejo de que houvesse algo mais.
Ouviu Joseph bocejar, e concluiu que aquele beijo não tinha significado grande coisa para ele depois apesar de tudo.
Aquele homem a irritava tanto como uma brotoeja. Demétria decidiu que manteria uma distância considerável a respeito dele, no mesmo instante em que contrariava sua decisão fazendo com que seu corpo se moldasse à curva do corpo de Joseph. Quando ela já havia quase conseguido se acomodar de maneira inteiramente satisfatória, Joseph deixou escapar um áspero gemido. Suas mãos foram para os quadris de Demétria e a seguraram firmemente.
Aquele homem sempre tentava contrariá-la em tudo! Por acaso não percebia quão incômodo era dormir vestindo o mesmo traje que usava para passear? Demétria voltou a se mexer, e sentiu Joseph estremecer perto dela, e então pensou que ele poderia estar preparando para gritar com ela.
Demétria estava muito cansada para se preocupar com o mau humor de Joseph. Com um bocejo próprio, adormeceu.
Foi, sem dúvida, o desafio mais difícil que Joseph enfrentou. E se Demétria voltasse a mover seu traseiro ainda que só mais uma vez, Joseph sabia que não conseguiria superar aquela provação.
Nunca tinha desejado uma mulher da maneira com que estava desejava Demétria. Joseph fechou os olhos e deu uma profunda e trêmula inspiração. Demétria se moveu suavemente junto dele e Joseph começou a contar até dez, prometendo-se que quando chegasse a esse número mágico, iria se sentir um pouco mais dono de si mesmo.
A inocente aninhada contra ele não tinha, absolutamente, nenhuma ideia do perigo que corria. Seu traseiro levava toda a semana distraindo Joseph. Imaginou a maneira que Demétria andava, e de repente voltou a ver o delicado balançar de seus quadris, quando passeava ao redor da fortaleza dos Wexton.
Demétria afetaria os outros da mesma maneira que ela o afetava? Joseph franziu o cenho ante aquela pergunta e terminou admitindo que sem dúvida ela afetaria. Sim, porque ele já tinha visto os olhares que seus homens lançavam para ela quando a atenção de Demétria estava dirigida para outro lugar. Inclusive o fiel Anthony, o vassalo em quem Joseph mais confiava e seu melhor amigo, tinha mudado sua atitude inicial para com Demétria. No começo da semana Anthony sempre estava muito calado e era comum franzir o cenho, mas quando a semana chegou ao fim Joseph percebeu que normalmente quem falava era seu vassalo.
E agora Anthony também não seguia Demétria, porque caminhava ao lado dela.
Exatamente onde Joseph queria estar.
Não podia culpar Anthony pela debilidade em sucumbir aos encantos de Demétria.
Nicholas, entretanto, já era outra questão. O irmão mais novo parecia ter-se encantado por Demétria, e aquilo podia chegar a ser um problema.
Demétria começou a se mover novamente. Joseph sentiu como se acabassem de marcá-lo com ferro, e de repente um doloroso desejo reclamou toda sua atenção. Com um grunhido de frustração, separou os cobertores e se levantou da cama. Embora Demétria tivesse sido sacudida por aquele súbito movimento, não despertou.
- Dorme como a uma criança inocente - murmurou Joseph para si mesmo, enquanto ia para a porta.
Retornaria a seu lago e enquanto sacudia a cabeça, Joseph compreendeu que encontraria autêntico prazer naquele segundo mergulho.
Joseph não era um homem paciente, mas queria que todas as questões estivessem resolvidas antes de reclamar Demétria para si. Resignou-se ao fato de que provavelmente agora nadaria mais frequentemente em seu lago. Não era um desafio que o jogava para fora agora, mas um a necessidade de encontrar algum tipo de liberação para o fogo que ardia em suas vísceras.
Com um murmúrio de desgosto, Joseph fechou a porta.