sábado, 19 de janeiro de 2019

ESPLENDOR DA HONRA Capitulo 7


Uma resposta suave acalma a ira.
Provérbios, 15, 1
Demétria esteve dormindo por quase vinte e quatro horas seguidas. Quando por fim abriu os olhos, o aposento estava mergulhado nas sombras do entardecer, apenas com algumas poucas franjas de sol, filtrando-se através das portinholas de madeira. Demétria viu todo, um pouco confuso, e se sentiu tão desorientada que não conseguia se lembrar de onde estava.
Tratou de se sentar na cama e fez uma careta ao sentir o incômodo que aquele movimento lhe causou; então se lembrou até o último detalhe do ocorrido.
Deus, sentia-se realmente horrível! Cada músculo de seu corpo doía. Demétria pensou que possivelmente alguém tivesse batido um pau em suas costas, ou usado uma varinha de ferro quente em um dos lados sua perna. Seu estômago grunhia, mas Demétria não queria comer nada. Não, só tinha uma sede terrível e tudo lhe ardia. A única coisa que queria fazer agora era tirar toda aquela roupa e plantar-se nua diante da janela aberta.
A ideia lhe pareceu realmente maravilhosa. Tentou se levantar da cama para ir abrir as portinholas, mas então descobriu que estava tão fraca que nem sequer podia se separar dos cobertores de um chute. Continuou tentando, até que percebeu que não usava suas roupas. Alguém as tinha tirado, embora esse fato ofendesse o sentido de pudor de Demétria, não era tão alarmante quanto perceber que ela não tinha nem ideia de como aquilo tinha acontecido.
Agora Demétria usava um tipo de camisa de algodão branco, uma peça de roupa indecente, com certeza, porque parcamente conseguia cobrir seus joelhos. Mesmo assim, as mangas eram muito longas. Quando tentou dobrar um pouco o tecido para aproximá-la a seus punhos, Demétria se lembrou de onde tinha visto semelhante peça antes. Ora, aquilo era uma camisa de homem! E a julgar por suas proporções gigantescas, obviamente pertencia a Joseph. Era o mesmo traje, disso não restava dúvida. Joseph usava uma camisa idêntica quando dormiu junto dela dentro da tenda na noite anterior… ou agora já fazia duas noites disso? Demétria se sentia muito sonolenta para poder se lembrar. Decidiu fechar os olhos durante outro minuto para continuar pensando nisso.
Então teve um sonho dos mais aprazíveis. Demétria voltava a ter onze anos e estava vivendo com seu querido tio, o padre Berton. O padre Robert e o padre Samuel tinham vindo à mansão do barão de Grinstead para fazer uma visita a seu tio e apresentar seu respeito ao ancião Morton, senhor da mansão de Grinstead. Além dos camponeses que se encarregavam de trabalhar na pequena propriedade do barão Morton, Demétria era a única pessoa jovem que residia ali. Estava rodeada por homens amáveis e bondosos, todos eles bastante velhos que poderiam ser seus avós. Tanto o padre Robert como o padre Samuel vinham do monastério de Claremont, e lorde Morton lhes oferecia uma acomodação permanente em sua mansão. O idoso barão não tinha demorado em se afeiçoar aos amigos do padre Berton. Ambos eram excelentes jogadores de xadrez, e os dois o gostavam de ouvir o barão contar suas favoritas histórias do passado. Demétria estava rodeada de anciões decididos a mimá-la e a consideravam uma criança bem talentosa. Os três se alternavam entre eles para ensiná-la a ler e escrever, e o sonho de Demétria terminou se concentrando em uma tarde em que esteve particularmente cheia de paz. Estava sentada à mesa e lia para seus “tios” as últimas linhas que tinha escrito. Um fogo ardia dentro da lareira, e nos aposentos reinava uma atmosfera cálida e tranquila. Demétria estava contando uma história que não tinha nada de comum, a das aventuras de seu herói favorito, Ulisses. O poderoso guerreiro fazia companhia durante seu sonho, inclinando-se sobre o ombro de Demétria e sorrindo amavelmente, enquanto ela voltava a contar os maravilhosos acontecimentos que tinham ocorrido durante sua longa viagem.
Quando voltou a despertar, certa de que só tinham transcorrido alguns minutos desde que havia decidido descansar, mas Demétria percebeu que alguém tinha, na verdade, mantido suas pálpebras fechadas.
- Como pude permitir ser tratada desta maneira? - murmurou em voz alta, sem dirigir sua indignação a ninguém em particular.
E, além disso, a amarra estava molhada. Demétria arrancou aquela contensão ofensiva, resmungando um xingamento digno de um camponês obsceno. O mais curioso de tudo aquilo foi que então pareceu ouvir alguém rindo. Demétria tentava se concentrar no som, quando sua mente subitamente se distraiu com alguma coisa. Maldição, estavam colocando outra contensão em sua testa! Aquilo não tinha absolutamente nenhum sentido. Acaso não acabava de tirar a primeira amarra que tinham-lhe colocado? Demétria sacudiu a cabeça, sentindo-se incapaz de poder entender toda aquela confusão.
Alguém falou com ela, mas Demétria não pôde entender o que estavam lhe dizendo. Se deixasse de sussurrar e de formar cada palavra confundindo-a com as demais, tudo seria muito mais fácil. Demétria pensou que quem quer que estivesse lhe dirigindo a palavra estava sendo terrivelmente descortês, e gritou aquela opinião.
Um instante depois se lembrou subitamente do calor que tinha sentido quando o peso de outro cobertor caiu bruscamente sobre seus ombros. Demétria sabia que tinha que chegar à janela e respirar um pouco daquele saudável ar frio. Era o único que podia salvá-la daquele espantoso calor. Se não soubesse que aquilo era impossível, teria pensado que estava no purgatório. Mas ela era uma garota muito boa, e, portanto, não seria certo estar no purgatório. Não, porque Demétria ia para o céu, acontecesse o que acontecesse.
Por que não podia abrir os olhos? Então sentiu que alguém puxava seus ombros, e um instante depois a água fresca entrou em contato com seus lábios ressecados. Demétria tentou beber um longo gole, mas a água se desvaneceu subitamente antes que seus lábios pudessem saboreá-la, o que lhe pareceu apenas algumas gotas. Demétria decidiu que alguém estava brincando cruelmente com ela e franziu o cenho com toda a ferocidade com que foi capaz, dadas as circunstâncias em que se encontrava.
De repente, tudo se tornou tão claro como o cristal. Estava no Hades, não no purgatório, e se achava a mercê de todos os monstros e demônios que tinham tratado de enganar Ulisses. Agora tentavam enganá-la também. Bom, disse a si mesma, não iria consentir.
A ideia daqueles demônios não preocupou Demétria. O efeito que teve foi justamente o contrário, já que ficou furiosa. Seus tios tinham mentido para ela. As histórias de Ulisses não eram falsas ou lendas passadas de geração em geração. Os monstros realmente existiam. Demétria podia senti-los em torno dela, rodeando-a enquanto esperavam que abrisse seus olhos.
Mas onde estava Ulisses? Como se atrevia a deixá-la só para enfrentar seus demônios? Acaso não entendia o que devia fazer? Será que ninguém tinha falado de seus próprios triunfos?
De repente sentiu que a mão de alguém tocava sua coxa, interrompendo com esse contato o curso cheio de desgosto que seguiam seus pensamentos. Demétria tirou a nova amarra que estava abrasando seus olhos e virou a cabeça justo a tempo de ver quem estava ajoelhado perto de sua cama. Então ela gritou, em uma reação instintiva à presença daquele horrível gigante torto que a olhava com um sorriso zombador em seu distorcido rosto, e então se lembrou que estava furiosa, não assustada. Sim, tinha certeza de que aquele era um dos Ciclopes, provavelmente o líder, Polifemo, o mais desprezível de todos eles, e que tinha a intenção de fazer algo realmente terrível caso ela permitisse.
Demétria fechou o punho com toda sua força, apressando-se a dar um forte golpe no gigante. Tinha escolhido como alvo seu nariz e falhou por alguns centímetros, mas se sentiu satisfeita por tê-lo acertado. A ação a deixou esgotada e se deixou cair novamente sobre o colchão, sentindo-se subitamente tão fraca como uma gatinha. Mesmo assim em seu rosto havia um sorriso de satisfação, porque pôde ouvir com toda clareza como Polifemo deixava escapar um uivo de desconforto.
Virou a cabeça para que seu rosto não ficasse voltada na direção do Ciclope, firmemente resolvida a desdenhar do monstro enquanto ele tocava em sua coxa. Olhou para a lareira. E então o viu. Ora, mas estava ali de pé diante o fogo, com a luz das chamas resplandecendo ao redor de seu magnífico corpo! Era muito maior do que ela imaginava, e também muito mais atraente. Mas então, tentou se lembrar disso, ele não era mortal. Demétria supôs que esse fato explicava o tamanho de suas proporções e a mística luz que resplandecia ao redor dele.
- Pode-se saber onde você esteve? - perguntou com um grito que pretendia ganhar a atenção dele.
Demétria não tinha certeza se os guerreiros mitológicos podiam conversar com meros mortais e supôs rapidamente que aquele não podia, ou que ao menos não queria fazê-lo, porque se limitou a continuar contemplando-a, sem se mover de onde estava e não deu uma única palavra como resposta a sua pergunta.
Demétria pensou em tentar outra vez, embora a tarefa fosse terrivelmente exasperante. Havia um Ciclope bem ao lado dela, pelo amor de Deus, e embora o guerreiro não pudesse falar com ela, podia ver que havia um trabalho a ser feito.
- Coloque mãos à obra, Ulisses - exigiu Demétria, assinalando com o dedo o monstro que estava ajoelhado perto dela.
Maldição, se ele não ficasse ali parado com o olhar confuso. Apesar de todo seu tamanho e poder, ele não parecia ser muito inteligente.
- Devo lutar todas as batalhas sozinha? - quis caber Demétria, levantando a voz até que os músculos de seu pescoço começaram a doer pelo esforço. Lágrimas de ira nublaram sua vista, mas isso era algo que ela não podia evitar. Ulisses estava tentando desvanecer entre a luz, algo que Demétria pensou ser muito indelicado da parte dele.
Não podia permitir que ele desaparecesse. Mentecapto ou não era tudo o que ela tinha. Demétria tratou de apaziguá-lo.
- Prometo perdoá-lo por todas as vezes que você permitiu que Sebastian me maltratasse - disse -, mas não vou perdoá-lo se me deixar sozinha agora.
Ulisses não parecia estar muito interessado em ganhar seu perdão. Demétria quase não podia vê-lo mais, sabia que não demoraria para desaparecer e compreendeu que se quisesse conseguir alguma ajuda dele, então teria que incrementar suas ameaças.
- Se me deixar, Ulisses, enviarei alguém a sua procura para ensiná-lo boas maneiras. Sim - acrescentou, entusiasmando-se com sua ameaça -. Enviarei o mais temível todos os guerreiros. Vá embora e verá o que acontece! Se você não se livrar dele - declarou, fazendo uma pausa na ameaça para apontar dramaticamente ao Ciclope durante um longo instante -, enviarei Joseph atrás de você.
Demétria se sentia tão satisfeita de si mesma que fechou os olhos com um suspiro. Fingiu que enviaria Joseph atrás dele, sem dúvida tinha colocado o temor de Zeus, à mais magnífica de todas as criaturas, o poderoso Ulisses. Estava tão orgulhosa de sua astúcia que deixou escapar um arquejo pouco elegante.
Voltou a fechar os olhos, sentindo-se como se acabasse de ganhar uma batalha muito importante. E tudo com palavras amáveis e delicadas, lembrou a si mesma. Não tinha utilizado nenhum tipo de força.
- Eu sempre sou uma donzela muito doce e carinhosa - gritou -. Que me enforquem se não for!
Durante três longos dias e noites, Demétria esteve lutando com aqueles monstros que apareciam, de repente, para tentar levá-la a Hades. Ulisses sempre estava ali, do seu lado, ajudando-a a rechaçar cada um dos ataques quando ela assim lhe pedia.
Às vezes, o teimoso gigante, inclusive, chegava a conversar com ela. Gostava muito de fazer perguntas a respeito de seu passado, e quando ela entendia o que ele estava perguntando, respondia-lhe imediatamente. O que parecia interessar muito a Ulisses, acima de tudo, era um período muito específico de sua infância. Ele queria que ela contasse como tinham sido as coisas depois a morte de sua mãe, quando Sebastian passou a ser seu tutor.
Demétria não suportava ter que responder a essas perguntas. Só queria falar de sua vida com o padre Berton, mas também não queria que Ulisses se zangasse com ela e a deixasse. Por esta razão, suportava seu amável interrogatório.
- Não quero falar dele.
A veemência da declaração de Demétria fez com que Joseph despertasse sobressaltado. Não sabia a respeito do que ela poderia estar delirando agora, mas se apressou em ir para sua cama. Sentou-se junto dela e pegou em seus braços.
- Silêncio, agora - sussurrou -. Volte a dormir, Demétria.
- Quando me fez voltar da casa do padre Berton, Sebastian sempre se comportava de uma maneira horrível. A cada noite, ele entrava no meu quarto. Ficava em pé ali, aos pés da cama. Eu podia sentir como ele me olhava. Pensava que se eu abrisse os olhos... Ficava muito assustada.
- Agora não pense em Sebastian - disse Joseph. Ele se esticou na cama assim que ela começou a chorar e a tomou em seus braços.
Embora ele tivesse o cuidado de esconder sua reação, por dentro Joseph estava tremendo de raiva. Sabia que Demétria não entendia o que estava dizendo, mas ele compreendia muito bem. Tranquila por aquele contato, Demétria logo voltou dormir. Mas não descansou por muito tempo e despertou para encontrar Ulisses que continuava ali, velando por ela. Quando ele estava ao seu lado, Demétria não tinha medo. Ulisses era o guerreiro mais maravilhoso que poderia imaginar. Era forte e arrogante, embora não reprovasse aquele pequeno defeito, e tinha um coração muito bom.
Também era muito peralta. Seu jogo favorito era mudar sua aparência. Aquilo acontecia tão depressa, que Demétria nem sequer tinha tempo de chegar a suspirar de surpresa. Em um momento fingia ser Joseph, e no momento seguinte já voltava a ser Ulisses. E em uma ocasião, quando era noite fechada e Demétria teve mais medo que nunca, chegou ao extremo de se converter em Aquiles, apenas para diverti-la. Estava sentado ali, em uma cadeira de respaldo reto, que era muito pequena para sua estatura e tamanho, e olhava para Demétria da maneira mais peculiar que pudesse imaginar.
Aquiles não havia calçado suas botas. Aquilo preocupou Demétria, e em seguida se apressou em lhe advertir que deveria proteger seus calcanhares de qualquer ferida. O conselho pareceu deixar Aquiles bastante confuso, forçando Demétria a lembrá-lo que sua mãe tinha mergulhado sua cabeça nas águas mágicas da lagoa Estígia, tornando-o todo seu corpo jamais vulnerável, salvo pelo pequeno pedaço de carne que havia na parte de trás de seu calcanhar, lugar no qual ela o havia segurado para que não fosse arrastado, por aquelas águas turbulentas.
- A água não chegou a tocar seus calcanhares, e aí é onde você é mais vulnerável - explicou -. Entende o que quero dizer?
Demétria em seguida chegou à conclusão de que ele não a entendia, absolutamente. A expressão de perplexidade que tinha colocado em seu rosto, assim indicava. Possivelmente sua mãe não se importou em lhe contar essa história. Demétria suspirou e o olhou com olhos cheios de compaixão. Sabia muito bem o que iria acontecer com Aquiles, mas mesmo assim faltou coragem para dizer que tivesse muito cuidado com as flechas perdidas. Supôs que ele não demoraria a descobrir quão perigosas essas flechas podiam ser.
Já tinha começado a chorar pelo futuro de Aquiles, quando de repente viu que ele se levantava e ia na direção dela. Mas agora não era Aquiles. Não, era Joseph, tomando-a em seus braços e consolando-a. O que mais a surpreendeu foi que ele a tocava exatamente como Ulisses.
Demétria convenceu Joseph a ir para cama ao lado dela, e então, imediatamente, rolou sobre ele. Apoiou a cabeça em seu peito para que ele pudesse olhá-la nos olhos.
- Meus cabelos são como uma cortina - ela disse -, escondendo sua face de todo mundo exceto de mim. O que você diz sobre isso, Joseph?
- Então agora eu volto a ser Joseph, não? - questionou ele -. Não sabe o que está dizendo, Demétria. Está ardendo em febre. Essa é minha opinião - acrescentou.
- Vai chamar um padre? - perguntou Demétria. A pergunta que acabava de fazer a entristeceu, e seus olhos encheram de lágrimas.
- Você gostaria que o fizesse? - perguntou Joseph.
- Não - abaixou-se à direita de seu rosto -. Se um padre fosse chamado, eu saberia que estava morrendo. Eu ainda não estou preparada para morrer Joseph. Há tanto ainda a ser feito.
- E o que você gostaria de fazer? - perguntou Joseph, rindo de sua expressão feroz.
Então Demétria se inclinou sobre ele e esfregou seu nariz contra o queixo de Joseph.
- Acredito que eu gostaria de beijar você, Joseph - disse -. Isso vai fazê-lo ficar zangado?
- Tem que descansar, Demétria - disse Joseph. Tentou rolar para o lado, mas Demétria demonstrou ser capaz de agarrar-se a ele como uma videira. Joseph não a forçou, temendo que com isso pudesse lhe fazer algum mal, acidentalmente. O certo era que ele gostava que Demétria estivesse exatamente onde estava.
- Se você me beijar só uma vez, então descansarei - ela prometeu. Não lhe deu tempo para responder, porque pegou suavemente o rosto de Joseph entre suas mãos e pressionou o seu junto ao dele.
Deus, ela realmente o beijou. A boca Demétria estava quente, aberta, e não podia ser mais excitante. O beijo foi tão apaixonado e estava tão cheio de desejo, que Joseph não pôde evitar, correspondendo-o. Seus braços deslizaram lentamente ao redor da cintura de Demétria. Quando sentiu o calor de sua pele, Joseph percebeu que a saia de Demétria tinha subido ao longo de seu corpo. As mãos de Joseph acariciaram aquela nádega suave, e não demorou muito tempo para ele também ficar preso em sua própria febre.
Demétria era selvagem e totalmente indisciplinada enquanto o beijava. Sua boca se inclinou sobre a de Joseph, e sua língua penetrou e acariciou até que ela ficou sem fôlego.
- Quando beijo você, não quero parar. Isso é pecaminoso, não é? - perguntou a Joseph.
Ele percebeu que aquela admissão não parecia causar nenhum remorso especial em Demétria, e supôs que a febre a tivesse liberado de suas inibições.
- Tenho você deitado sobre suas costas, Joseph - disse Demétria -. Se quisesse, poderia fazer com você o que me desse vontade.
Joseph suspirou com exasperação. Mas logo o suspiro se converteu em um gemido quando Demétria agarrou sua mão e a colocou, com ousadia, em cima de um de seus seios.
- Não, Demétria - murmurou ele, embora não afastasse sua mão. Deus, ela estava tão quente. O mamilo endureceu quando o polegar de Joseph o esfregou instintivamente. Ele voltou a gemer -. Não é o momento mais apropriado para amar. Você não sabe o que está fazendo comigo, sabe? - perguntou então, assustado ao perceber que sua voz soava tão áspera como o vento que uivava fora.
Demétria, em seguida, começou a chorar.
- Joseph? Diga-me que você se importa comigo. Ainda que seja uma mentira, diga-me de qualquer maneira.
- Sim, Demétria, eu me importo com você - respondeu Joseph, cingiu sua cintura com os braços, atraindo-a suavemente para ele -. Essa é a verdade.
Sabia que tinha que colocar um pouco de distância entre eles, ou do contrário perderia aquela doce batalha de tortura. Mas não pôde evitar e voltou a beijá-la.
Aquele gesto pareceu apaziguar Demétria. Antes que o trêmulo Joseph pudesse respirar novamente, Demétria adormeceu.
A febre passou a tomar conta da mente de Demétria por completo, e da vida de Joseph. Não se atrevia a deixá-la só com Nicholas ou Kevin, porque não queria que nenhum de seus irmãos pudesse chegar receber os beijos de Demétria, quando sua apaixonada natureza voltasse a aparecer. Ninguém mais iria oferecer consolo a Demétria, além dele, durante aqueles momentos carentes de inibição.
Finalmente, os demônios deixaram Demétria na terceira noite. Na manhã do quarto dia, despertou sentindo-se tão espremida como um dos panos molhados que limpavam o chão. Joseph estava sentado na cadeira que havia junto à lareira. Parecia exausto. Demétria se perguntou se teria adoecido. Preparava-se para perguntar quando, de repente, ele percebeu que ela olhava para ele. Levantou-se de um salto com a rapidez de um lobo e foi para a cama, parando ao lado dela. Demétria surpreendeu-se ver que ele parecia aliviado.
- Você teve febre - anunciou Joseph secamente.
- É por isso que minha garganta dói - disse Demétria. Deus, quase não reconhecia sua própria voz. Soava rouca, e sentia como se tivesse a garganta em carne viva.
Percorreu os aposentos com o olhar e viu a desordem que a rodeava. Sacudiu a cabeça, visivelmente confusa. Teria acontecido uma batalha por ali enquanto ela dormia?
Quando se virou para perguntar a Joseph por aquele caos, viu que ele a olhava com uma expressão divertida.
- Está com dor de garganta? - ele perguntou.
- Você acha divertido que minha garganta esteja doendo? - perguntou Demétria, pouco contente por ela reação tão descortês.
Joseph sacudiu a cabeça, negando seu questionamento. Demétria não ficou nada convencida. Joseph ainda estava sorrindo.
Céus, naquela manhã ele estava realmente muito arrumado. Joseph vestia roupa preta, uma cor que era evidentemente austera, mas quando sorria aqueles olhos cinza não pareciam frios ou aterradores. Lembrava alguém, mas não sabia quem poderia ser. Demétria estava certa de que se tivesse conhecido qualquer homem, remotamente parecido com o barão de Wexton, iria se lembrar. Mesmo assim, havia uma vaga lembrança de alguém mais que...
Joseph interrompeu sua concentração.
- Agora que está acordada, enviarei uma criada, para que cuide de você. Não sairá deste quarto até que esteja curada, Demétria.
- Estive muito doente? - perguntou Demétria.
- Sim, esteve muito doente - admitiu Joseph. Depois deu meia volta e caminhou em direção à porta.
Demétria pensou que ele parecia ter muita pressa em afastar-se dela. Empurrou dos olhos uma mecha do cabelo e contemplou as costas de Joseph.
- Deus, devo estar tão bagunçada como um esfregão - murmurou para si mesma.
- Sim, você está - respondeu Joseph.
Ela pôde ouvir o sorriso que havia em sua voz, mas mesmo assim sua descortesia fez que franzisse o cenho.
- Joseph, por quanto tempo eu tive febre?
- Mais de três dias, Demétria.
Virou-se para ver como ela reagia. Demétria parecia assustada.
- Não se lembra de absolutamente nada, lembra? - ele perguntou.
Demétria sacudiu a cabeça, sentindo-se totalmente atônita porque, agora, ele voltava a sorrir. Realmente, Joseph era um homem diferente, que encontrava humor nas coisas mais estranhas.
- Joseph?
- Sim?
Demétria ouviu a exasperação que havia em sua voz começou a ficar aborrecida.
- Você esteve aqui durante os três dias? Neste quarto, comigo?
Joseph já tinha começado a fechar a porta atrás dele. Demétria não acreditou que fosse responder à pergunta que acabava de fazer, até que de repente ouviu soar sua voz, firme e precisa.
- Não.
E bateu a porta atrás dele com um golpe seco.
Demétria não acreditava que Joseph tivesse dito a verdade. Não podia se lembrar do que havia acontecido, mas mesmo assim, instintivamente, sabia que Joseph não havia se separado dela em nenhum momento.
Por que tinha negado?
- Que homem contraditório você é - Demétria murmurou.
E havia um sorriso na voz dela.



postei e sai correndo

domingo, 13 de janeiro de 2019

ESPLENDOR DA HONRA Capitulo 6 parte 2


Encontrou-a apoiada em um nodoso carvalho, com a cabeça inclinada. Joseph se deteve, não desejando invadir sua intimidade. Demétria estava chorando. Joseph a contemplou enquanto tirava lentamente sua capa e a deixava cair ao chão, e então entendeu a verdadeira razão de sua aflição. O lado esquerdo de seu vestido estava rasgado até a prega, e estava empapado de sangue.
Joseph não se deu conta de que tinha gritado até que Demétria deixou escapar um gemido de terror. Não tinha forças para se afastar dele, e tampouco resistiu quando Joseph a obrigou a separar suas mãos da coxa, ajoelhando-se junto dela.
Quando Joseph viu a ferida, encheu-se de tanta raiva que suas mãos tremeram, enquanto ele afastava a roupa. O sangue que havia secado em cima da ferida fez com que separá-lo da roupa se convertesse em uma tarefa muito lenta. As mãos de Joseph eram grandes e torpes, e, além disso, estava tentando ser o mais delicado possível.
A ferida era profunda, quase tão longa como o antebraço de Joseph, e estava coberta de terra. Teria que ser limpa e costurada.
- Ah, Demétria - murmurou Joseph com voz subitamente enrouquecida -. Quem fez isto com você?
Sua voz tinha sido como uma cálida carícia, e sua simpatia era evidente. Demétria sabia que voltaria a chorar, outra vez, se Joseph voltasse lhe mostrar alguma bondade. Sim, então o controle que exercia sobre si mesma, iria se partir como um dos frágeis ramos que ela agora agarrava.
Demétria não permitiria que isso acontecesse.
- Não quero sua simpatia, Joseph. - Ergueu os ombros e tratou de despedi-lo com o olhar -. Afaste suas mãos de minha perna. Não é decente.
Joseph ficou tão surpreso por aquela súbita exibição de autoridade que quase sorriu. Logo elevou o olhar e viu o fogo que ardia nos olhos de Demétria, e então soube o que ela estava tentando fazer. O orgulho se converteu em sua defesa. Já tinha percebido o quanto Demétria valorizava seu controle.
Voltou a baixar o olhar para sua ferida, e viu que não era grande coisa o que poderia ser feito com ela naquele momento. Então decidiu deixar que Demétria assumisse o controle.
Joseph forçou uma voz rouca quando se levantou e respondeu:
- Não obterá nenhuma simpatia de mim, Demétria - disse-lhe -. Sou como um lobo. Não suporto as emoções humanas.
Demétria não respondeu, mas aquele comentário fez com que ela arregalasse os olhos. Joseph sorriu e voltou a se ajoelhar junto dela.
- Deixe-me em paz - disse Demétria.
- Não - replicou Joseph suavemente e, desembainhando sua adaga, começou a cortar uma larga tira do vestido de Demétria.
- Está estragando meu vestido - murmurou ela.
- Pelo amor de Deus, Demétria, seu vestido está estragado - respondeu Joseph.
Depois envolveu a coxa de Demétria com a tira de tecido empregando a máxima delicadeza possível. Estava terminando de atar um nó quando ela empurrou seu ombro.
- Está-me fazendo mal - disse, odiando a si mesma por admiti-lo. Maldição, ia chorar.
- Não é verdade - disse ele.
Demétria engasgou, esquecendo-se tudo sobre chorar. O comentário de Joseph a deixou furiosa. Como se atrevia a contradizê-la! Quem estava sofrendo era ela.
- Sua carne precisará de fio e agulha - observou Joseph.
Demétria deu-lhe um tapa no ombro que estava mais perto, quando ele ousou dar de ombros sobre o comunicado.
- Ninguém vai usar uma agulha em mim.
- Você é uma mulher que gosta de contrariar, Demétria - disse Joseph enquanto se inclinava para recolher sua capa. Depois envolveu seus ombros com ela e a pegou nos braços, tendo muito cuidado de proteger sua ferida.
Demétria rodeou instintivamente seu pescoço com os braços, ao mesmo tempo em que pensava arrancar seus olhos com as unhas pela forma grosseira com que ele a estava tratando.
- Você é o quem sempre está contrariando tudo, Joseph - disse-lhe -. Eu sou uma moça de temperamento muito doce e carinhoso que você tentaria destruir se eu desse a oportunidade de fazê-lo. E juro Por Deus que esta é a última vez que vou lhe dirigir a palavra.
- Ah, e, além disso, é tão honrada que jamais faltaria com sua palavra. Não é assim, lady Demétria? - perguntou, enquanto a levava de volta a seus homens que os esperavam.
- Isso mesmo - respondeu Demétria imediatamente. Fechou os olhos e se apoiou em seu peito -. Sabia que tem o cérebro de um lobo? E os lobos têm um cérebro muito pequeno.
Demétria estava muito cansada para levantar o olhar e ver como Joseph reagia aos insultos que lhe dirigia. Enfureceu-se intimamente ante a maneira com que ele a tratava, e de repente compreendeu que estava agradecida por aquela atitude tão fria. De fato, Joseph tinha conseguido colocá-la furiosa o suficiente para que se esquecesse de sua dor. Além disso, havia outra coisa igualmente importante que era a falta de compaixão de Joseph, que a ajudava a superar o impulso de desmoronar e voltar a chorar diante dele. Chorar como uma criança não seria digno, e para Demétria tanto a dignidade como o orgulho eram dois mantos que ela sempre usava. Perder qualquer um seria muito humilhante. Demétria se permitiu um pequeno sorriso, confiante de que Joseph não podia vê-la. Joseph era realmente estúpido, porque acabava de salvar o orgulho de Demétria e ele nem sequer sabia.
Joseph suspirou. Demétria acabava de quebrar sua promessa ao falar com ele. Joseph não sentiu nenhuma vontade de assinalar aquele fato, mas isso o fez sorrir da mesma forma.
Queria obter detalhes de Demétria, saber como tinha sido ferida e pela mão de quem. Não podia acreditar que algum dos seus homens tivesse lhe feito mal, mas os homens de Sebastian também teriam tentado protegê-la, não?
Joseph decidiu que iria esperar antes de conseguir suas respostas. Antes de mais nada, precisava controlar sua ira, e agora Demétria precisava cuidados e descanso.
Lidar com Demétria era difícil. Joseph não era um homem que tivesse o costume de esconder sua ira. Quando ele era injustiçado, ele atacava. Mas mesmo assim, tinha entendido quão perto Demétria estava de desmoronar. Ter que contar o ocorrido a deixou perturbada, naquele momento.
Quando reiniciaram a caminhada, Demétria conseguiu encontrar um alívio para sua dor, aconchegando-se ao peito de Joseph. Sua face descansava debaixo do queixo dele.
Demétria voltava a se sentir segura. A maneira em que reagia à presença de Joseph a confundia. No fundo de seu coração Demétria admitia que Joseph não se parecia em nada com Sebastian, mas antes levar essas palavras a seu leito de morte que dizê-las a Joseph. Afinal de contas, continuava a ser sua prisioneira, sua isca para ser usada contra seu irmão. No entanto, na realidade, não o odiava. Joseph se limitava a retaliar as ações de Sebastian, e ela estava presa entre os dois.
- Sabe que vou escapar.
Demétria não percebeu que havia falado em voz alta até que Joseph respondeu.
- Não o fará.
- Enfim, estamos em casa! - gritou Nicholas.
Seu olhar era dirigido a Demétria. A maior parte do rosto dela estava escondido, mas o que Nicholas podia ver dele mostrava uma expressão muito tranquila. Pensou que possivelmente estivesse adormecida e agradeceu. Para falar a verdade, Nicholas não sabia como deveria agir com lady Demétria agora. Estava em uma posição condenadamente incômoda. Ele a tinha tratado com desprezo. E como ela o retribuiu? De fato, salvando sua vida! Nicholas não conseguia entender por que Demétria tinha ido ajudá-lo e desejava perguntar-lhe, mas não o fez, porque tinha a sensação de que não iria gostar da resposta.
Quando Nicholas viu os muros se elevando ao céu diante deles, ele cutucou seu cavalo à frente de Joseph de modo que ele poderia ser o primeiro a entrar no pátio interno. Pelo costume e a tradição, Joseph escolheu ser o último de seus homens na hora de entrar na segurança proporcionada pelos grossos muros de pedra. Os soldados gostavam daquele ritual, porque lembrava a cada um deles que seu senhor colocava suas vidas acima da dele própria. Embora cada homem tivesse jurado lealdade ao barão de Wexton, e cada um respondesse de boa vontade ao chamado para unir-se a ele em batalha, cada um também sabia que podia contar com seu senhor para obter amparo.
Era uma aliança muito útil que tinha o orgulho por raiz. Graças a ela, cada homem também podia alardear ser um dos soldados de elite de Joseph.
Os homens de Joseph eram os soldados mais treinados de toda Inglaterra. Joseph atribuía seu sucesso por infligir desafios que homens comuns teriam considerado impossíveis de cumprir. Seus homens eram tidos por serem poucos requeridos, mas quando realizou uma contagem tinha um total de quase seiscentos deles, e todos eram chamados a cumprir os quarenta dias de serviço que ele exigia. Seu poderio era reverenciado e comentado em sussurros por aqueles que não chegavam a sua altura, e suas proezas, de considerável força física, eram narradas sem que houvesse nenhuma necessidade de exagero para animar o relato. A verdade já era suficientemente interessante por si só.
Os soldados eram um reflexo dos valores daquele que os comandava, um nobre que brandia sua espada com muito mais precisão do que todos aqueles que o desafiavam. Joseph de Wexton era um homem a ser temido. Seus inimigos já tinham desistido de tentar descobrir seus pontos frágeis. O guerreiro não mostrava nenhuma vulnerabilidade. Tampouco parecia estar interessado no que o mundo podia lhe oferecer. Não, Joseph nunca fez do ouro sua segunda amante, assim como tinham feito outros de sua classe. O barão de Wexton não apresentava nenhum calcanhar de Aquiles ao mundo exterior. Era um homem de aço, ou pelo menos assim, tristemente, acreditavam todos aqueles que lhe desejavam algum mal. Era um homem que não tinha consciência, um guerreiro que não tinha coração.
Demétria sabia muito pouco a respeito da reputação de Joseph. Sentia-se protegida quando estava em seus braços e via nos soldados que passavam por eles. Ela sentia certa curiosidade pela maneira com que Joseph estava esperando.
Então voltou sua atenção para a fortaleza que havia diante ela. A colossal estrutura se elevava sobre uma colina nua, sem o benefício de uma única árvore que proporcionasse algum tipo de alívio à seriedade. Um muro de pedra cinza circundava a fortaleza; devia ter pelo menos duzentos metros de comprimento de um extremo a outro. Demétria nunca tinha visto nada tão imponente. O muro era alto o bastante para que chegasse a roçar na brilhante lua, ou ao menos isso foi o que pareceu a Demétria. Podia ver parte de uma torre circular sobressaindo de seu interior, tão alta que seu arremate ficava escondido pelas espessas nuvens.
O caminho que levava à ponte levadiça se curvava como o ventre de uma serpente ao longo da escarpada subida. Depois do último de seus homens deixar para trás as pranchas de madeira que atravessavam o fosso, Joseph fez avançar sua montaria. O cavalo estava impaciente par chegar a seu destino, e empinou com um nervoso passo lateral que sacudiu a coxa de Demétria o suficiente para que voltasse a doer. Demétria fez uma careta ao sentir a pontada, sem perceber que estava apertando o braço de Joseph.
Ele soube que Demétria sentia dor. Baixou o olhar para ela, viu sua expressão de cansaço e torceu o rosto.
- Logo poderá descansar, Demétria. Aguente só um pouquinho mais - murmurou-lhe com a voz enrouquecida pela preocupação.
Demétria assentiu e fechou os olhos.
Quando chegaram ao pátio, Joseph desmontou rapidamente e logo pegou Demétria em seus braços. Sustentou-a com firmeza junto ao peito, deu meia volta e andou em direção ao seu lar.
O caminho estava cheio de soldados. Nicholas esperava com dois homens diante das portas do castelo. Demétria abriu os olhos e olhou para Nicholas. Pensou que parecia perplexo, mas não soube a razão.
Até chegarem mais perto, Demétria notou que Nicholas não estava olhando para ela, e então a surpreendeu que a atenção dele estivesse totalmente centrada em sua perna. Olhando para baixo, viu que sua capa não escondia sua ferida. O maltratado vestido pendurava atrás dela como um estandarte rasgado. Só o sangue a cobria, fluindo em abundância ao longo de sua perna.
Nicholas se apressou a abrir as portas de uma grande entrada dupla que ofuscava seus homens. Uma rajada de ar quente deu a boas vindas a Demétria quando chegaram ao centro de um pequeno vestíbulo.
A área em volta dela era, obviamente, de permanência dos soldados. A entrada era estreita, com piso de madeira, e os aposentos dos homens localizado do lado direito. Uma escada circular ocupava toda a parede esquerda, com largos degraus em curva que conduziam ao quarto acima. Havia algo estranhamente perturbador sobre aquela estrutura, que Demétria não conseguia descobrir o que a incomodava até que Joseph a tivesse levado à metade dos degraus.
- A escada está do lado errado - disse de repente.
- Não, Demétria. Está do lado certo - respondeu Joseph.
Demétria pensou que sua observação parecia estar divertindo Joseph.
- Esse não é o lado correto - ela discordou dele -. A escada sempre está do lado direito da parede. Todo mundo sabe disso - acrescentou com grande autoridade.
Por alguma razão, Demétria estava enfurecida por Joseph não admitir aquele defeito tão óbvio em seu lar.
- A escada fica à direita, a menos que se ordene deliberadamente que seja construída à esquerda - respondeu Joseph.
Cada palavra tinha sido articulada com muito cuidado. De fato, Joseph se comportava como se estivesse educando uma criança tola.
O porquê de aquela discussão parecer tão importante para Demétria estava além de sua compreensão. Ela realmente pensou assim, mas jurou que teria a última palavra sobre o assunto.
- Então essa ordem foi dada por um ignorante - disse a Joseph, levantando a vista para ele, fulminando-o com o olhar e lamentou que ele não estivesse olhando para baixo para vê-la -. É um homem muito teimoso.
- E você é uma mulher muito teimosa - replicou Joseph. Logo sorriu, sentindo prazer com sua observação.
Nicholas seguia seu irmão em silêncio. A conversa de Joseph e Demétria parecia ridícula, mas estava muito preocupado para sorrir ante aquele tolo diálogo.
Nicholas sabia que Kevin estaria esperando por eles. Sim, seu outro irmão certamente estaria dentro da sala. Miley provavelmente também estaria ali. Nicholas percebeu que agora estava preocupado por Demétria. Não queria que ela tivesse nenhum confronto desagradável, e esperava ter tempo para explicar a irmão Kevin, quão doce e delicada era a natureza de Demétria.
A preocupação de Nicholas ficou temporariamente esquecida quando Joseph chegou ao segundo nível e não virou para entrar no salão. Pegou a direção oposta, subiu por outra escada e logo entrou no centro da torre. Os degraus eram mais estreitos, e o cortejo se viu um tanto limitado pelas pronunciadas curvas.
O quarto do alto da torre estava gelado. Havia uma grande lareira construída no centro da parede circular. Uma grande janela havia sido aberta, justamente do lado daquela lareira. A janela estava totalmente aberta, e as portinholas de madeira balançavam de um lado ao outro para terminar se chocando ruidosamente contra as paredes de pedra.
Junto à parede interna havia uma cama, e Joseph tratou de ser o mais delicado possível quando deitou Demétria ali. Nicholas os seguia e Joseph foi dando ordens a seu irmão enquanto ia acrescentando toras de madeira dentro da lareira.
- Envie Gerty com uma bandeja de comida para Demétria, e diga a Kevin para trazer seus remédios - disse -. Terá que dar uns pontos na perna de Demétria.
- Ele colocará mil objeções - comentou Nicholas.
- Ele o fará mesmo assim.
- Quem é Kevin?
A pergunta suavemente formulada procedia de Demétria. Tanto Joseph como Nicholas se viraram, olhando na direção da moça. Demétria estava tentando se levantar para ficar sentada na cama, e franzia o cenho diante a impossibilidade da tarefa. Seus dentes começaram a tiritar de frio e tensão, e finalmente voltou a desabar sobre a cama.
- Kevin é nosso irmão do meio, entre Joseph e eu - explicou Nicholas.
- Quantos Wexton há? - perguntou Demétria voltando a franzir o cenho.
- No total, somos cinco - respondeu Nicholas -. Catherine é a irmã mais velha e depois vem Joseph, Kevin, Miley e, por último, eu - acrescentou com um sorriso -. Kevin cuidará de sua ferida, Demétria. Conhece todas as maneiras de curar, e antes que você se dê conta, voltará a estar como nova.
- Por quê?
Nicholas franziu o cenho.
- Por que, o quê?
- Por que quer que eu volte a estar como nova? - perguntou Demétria, claramente perplexa.
Nicholas não soube o que responder. Voltou seu olhar para Joseph, com a esperança de que ele desse uma resposta à pergunta de Demétria. Joseph tinha acabado de acender o fogo e agora estava fechando as portinholas. Sem se virar, ordenou:
- Nicholas, siga minhas instruções.
O tom de sua voz não possibilitava discutir a ordem, e Nicholas foi suficientemente sensato para obedecer. Tinha chegado até a porta quando a voz de Demétria o alcançou.
- Não traga seu irmão. Posso cuidar de minha ferida sem ajuda.
- Agora, Nicholas.
A porta se fechou com um golpe seco.
Então Joseph se virou para Demétria.
- Enquanto estiver aqui, não vai desobedecer nenhuma de minhas ordens. Ficou claro?
Ele caminhava em direção à cama com lentos e medidos passos.
- Como vou entender alguma coisa, milord? - sussurrou Demétria -. Não sou mais que um peão, não? Não é assim como funcionam as coisas?
Demétria fechou os olhos antes que ele pudesse assustá-la de algum jeito. Então, cruzou os braços sobre o peito, em uma tentativa de manter afastado o frio que reinava no recinto.
- Deixe-me morrer em paz - sussurrou a seguir, falando em um tom realmente muito melodramático. Deus, como desejava ter tido força e coragem necessárias para gritar! Sentia-se muito infeliz. Novas dores iriam chegar se o irmão de Joseph a tocasse também -. Não tenho força para suportar os cuidados de seu irmão.
- Sim, você tem, Demétria.
O tom de Joseph não podia ser mais doce, mas Demétria estava muito furiosa para perceber.
- Por que tem que contradizer tudo o que digo? Isso é um defeito terrível - murmurou.
Então bateram à porta. Joseph respondeu com um grito, enquanto cruzava o cômodo. Apoiou um ombro no suporte que havia em cima da lareira, com seu olhar dirigido a Demétria.
Demétria estava muita curiosidade para manter fechados os olhos. A porta protestou com um chiado enquanto se abria, e uma mulher de idade avançada apareceu no vão. Levava uma bandeja de comida em uma mão e uma jarra na outra, assim como duas peles de animal debaixo de seu braço. A criada era uma mulher gordinha com olhos castanhos cheios de preocupação. Atreveu-se a lançar um olhar apressado a Demétria, e depois se virou para seu senhor, fazendo-lhe uma torpe reverência.
Demétria concluiu que a criada tinha muito medo de Joseph. Contemplou a pobre mulher, sentindo uma grande compaixão pela criada, que tratava de equilibrar os objetos que levava nas mãos, ao mesmo tempo em que fazia uma genuflexão.
Joseph tampouco deixava a situação confortável para a mulher. Ele lhe deu um breve aceno de cabeça e, em seguida, fez um gesto para o lado de Demétria. Nem uma palavra de encorajamento ou bondade foi por ele proferida.
A criada demonstrou ser muito rápida com os pés, porque virtualmente correu para a cama depois que Joseph ordenou, gaguejado duas vezes antes de chegar até ela.
Colocou a bandeja de comida ao lado de Demétria e lhe ofereceu a jarra.
- Qual o seu nome? - perguntou Demétria à criada, falando em uma voz muito baixa para que Joseph não pudesse ouvi-la.
- Gerty - respondeu ela.
Então a mulher se lembrou das cobertas que levava debaixo do braço e se apressou em levar a bandeja de comida à arca de madeira, que havia perto da cama. Depois, cobriu Demétria com as peles de animal.
Demétria lhe dirigiu um sorriso de agradecimento, e aquilo animou a criada a acomodar as peles de animal sobre as pernas de Demétria.
- Vejo que está morrendo de frio - sussurrou.
Gerty não sabia sobre a ferida de Demétria. Quando ela empurrou a pele contra sua coxa lesionada, Demétria fechou os olhos contra o insulto insuportável daquela dor, mas não disse uma palavra.
Joseph viu o que tinha acontecido e pensou em chamar a atenção da criada, mas o mal já tinha sido feito. Agora Gerty estava entregando a comida a Demétria.
- Obrigado por sua gentileza, Gerty.
A cortesia de Demétria surpreendeu Joseph. Olhou sua prisioneira, viu sua expressão tranquila e se pegou sacudindo a cabeça. Em vez de se enfurecer com a criada, lady Demétria agradeceu-lhe a gentileza.
A porta se abriu de repente. Demétria se virou para ela com os olhos exagerados pelo medo e viu como a porta ricocheteava uma vez contra a parede, antes de ficar imóvel. Um homem que era um autêntico gigante acabava de aparecer no vão com as mãos apoiadas nos quadris e uma careta feroz desenhada em sua face. Com um suspiro cheio de cansaço, Demétria chegou à conclusão de que aquele era Kevin.
Gerty contornou o gigante e se afastou pelo corredor no mesmo instante em que Kevin entrava no recinto. Uma esteira de criados o seguiu, trazendo com eles terrinas cheias de água e uma variedade de bandejas em cima das quais havia recipientes de estranhas formas. Os criados depositaram suas bandejas no chão junto à cama e deram meia volta, inclinaram-se ante Joseph e partiram. Todos agiam como coelhos assustados. E por que não? Demétria perguntou a si mesma. Afinal de contas, dois lobos nos aposentos com Demétria, então, por acaso, isso não bastava para assustar qualquer um?
Kevin ainda não havia dito uma única palavra ao irmão. Joseph não queria desentendimento algum diante de Demétria. Sabia que ele ficaria furioso, e que isso assustaria Demétria. Mesmo assim, tampouco iria se retratar pelo que tinha feito.
- Não vai dar boas vindas a seu irmão, Kevin? - perguntou Joseph.
O estratagema funcionou. Kevin pareceu ficar surpreso com a pergunta, e seu rosto perdeu um pouco de sua ira.
- Por que não fui informado de seu plano de trazer com você a irmã de Sebastian? - perguntou depois -. Acabo de saber que Nicholas entendeu isso desde o início.
- E suponho que também se gabou disso - disse Joseph, sacudindo a cabeça.
- Ele fez isso.
- Nicholas exagera, Kevin. Não tinha conhecimento algum de minhas intenções.
- E de sua razão para manter este plano em segredo, Joseph? - perguntou Kevin.
- Você teria ficado contra o plano - observou Joseph. Sorriu ante sua própria admissão, como se tivesse encontrado um grande prazer na discussão.
Demétria observou a mudança que aquilo produziu nas maneiras de Joseph. Estava realmente assombrada. Ora, ele parecia tão absurdamente bonito quando sorria! Sim, pensou, parecia humano. E isso, repreendeu-se a si mesma, era tudo o que se permitia pensar a respeito da aparência de Joseph.
- Quando você deu as costas a uma discussão? - gritou Kevin a seu irmão.
As paredes tinham que estar tremendo por causa do grito. Demétria se perguntou se tanto Kevin como Nicholas sofreriam de algum problema de audição.
Kevin não era tão alto como Joseph, notava-se quando ambos estavam de pé, perto um do outro.
Mas se parecia mais com ele que Nicholas. Quando franzia o cenho seu rosto adquiria um aspecto quase ameaçador. As feições faciais eram quase idênticas, incluindo o cenho franzido. Mas o cabelo de Kevin não era preto, mas tão castanho como um campo recém-arado, abundante e grosso. Quando se virou para olhá-la, Demétria acreditou ver um sorriso iluminando aqueles escuros olhos castanho, antes de se tornarem tão frios como a pedra.
- Se pensa em gritar comigo, Kevin, devo dizer que ouço perfeitamente - disse Demétria.
Kevin não replicou. Cruzou os braços em cima do peito e a olhou, escrutando-a durante um bom tempo, até que Joseph disse para ele ver a ferida de Demétria.
Quando seu irmão foi para a cama, Demétria começou a assustar-se de novo.
- Preferia que não cuidasse de mim - disse, tratando de evitar que tremesse sua voz.
- Suas preferências não me dizem respeito - observou Kevin. Agora sua voz era tão suave como tinha sido a dela.
Demétria admitiu a derrota quando Kevin pediu com um gesto que lhe mostrasse qual era a perna que devia cuidar. Kevin era grande o bastante para obrigá-la a obedecer pela força, e Demétria precisava conservar toda sua energia para a dura prova que a aguardava.
A expressão de Kevin não se alterou quando ela levantou o cobertor. Demétria se certificou de esconder o resto de seu corpo de seu olhar. Afinal de contas, ela era uma dama casta e era bom que Kevin entendesse isso desde o início.
Joseph foi para o outro lado da cama. Franziu o cenho quando Kevin tocou a perna de Demétria e esta fez uma careta de dor.
- Será melhor que a segure, Joseph - observou Kevin. Sua voz foi doce, e toda sua concentração era obviamente dirigida à tarefa que tinha diante dele.
- Não! Joseph? - exclamou Demétria, não conseguia afastar o desespero de seus olhos.
- Não há nenhuma necessidade - explicou Joseph a seu irmão. Então, olhou para Demétria e acrescentou -: Se for necessário, eu vou segurá-la para que não se mexa.
Os ombros de Demétria voltaram a descer sobre a cama. Ela assentiu com a cabeça e um olhar de calma estendeu em seu rosto.
Joseph estava certo de que teria que segurá-la, caso contrário Kevin não poderia completar o trabalho de limpar sua ferida e voltar a juntar a carne, costurando-a. Haveria dor, intensa, mas necessária, e o que ela gritasse durante aquela terrível prova, não seria nenhuma humilhação para uma mulher.
Kevin arrumou seus apetrechos e finalmente preparou-se para começar. Olhou seu irmão, recebeu sua anuência com a cabeça e voltou a olhar para Demétria. O que viu o deixou bastante surpreso e fez com que ficasse imóvel. Havia confiança naqueles magníficos olhos azuis, e nem o menor rastro de medo podia ser visto neles. Kevin admitiu que Demétria era realmente bonita, tal como Nicholas tinha afirmado.
- Pode começar, Kevin - murmurou então ela, interrompendo o curso dos pensamentos de Kevin.
Kevin viu como Demétria agitava a mão em um gesto majestoso, indicando que estava esperando. Quase sorriu ante sua exibição de autoridade. A secura de sua voz também o surpreendeu.
- Não seria um pouco mais fácil se empregasse apenas uma faca quente para selar a ferida? - perguntou Demétria, e se apressou em continuar falando antes que Kevin pudesse lhe responder -. Não é que eu pretenda dizer como deve ser feito - disse -. Peço que não se ofenda, mas não parece um pouco bárbaro utilizar uma agulha e fio?
- Bárbaro?
Kevin parecia estar tendo certo problema em continuar com a conversa.
Demétria suspirou, e decidiu que estava muito cansada para fazer-se entender.
- Pode começar, Kevin - repetiu -. Estou preparada.
- Posso? - perguntou Kevin, olhando para Joseph para observar sua reação.
Joseph estava muito preocupado para sorrir diante da conversa de Demétria. Estava muito sério.
- Além de ser bonita, você gosta de mandar - disse Kevin a Demétria, com a recriminação suavizada com um sorriso.
- Ande logo com isso - murmurou Joseph -. A espera é pior que a ação.
Kevin assentiu. Abstraiu-se de tudo que não fosse seu dever. Preparou-se para suportar os gritos que sabia iriam começar assim que tocasse em Demétria, então ele começou a limpeza.
Demétria não chegou a emitir um único som. Em algum momento da terrível prova, Joseph se sentou na cama. Demétria virou imediatamente o rosto para o lado em que ele estava e agiu como se tentasse espremer-se debaixo do corpo dele. Suas unhas cravaram-se na coxa de Joseph, mas ele não acreditou que ela realmente soubesse o que estava fazendo.
Demétria não acreditou que pudesse continuar suportando tanta dor por muito mais tempo. Agradecia Joseph estar, ali, embora não pudesse entender por que sentia daquela maneira. Agora não era capaz de pensar direito, e se limitava a aceitar o fato de que Joseph havia se convertido em sua âncora para continuar se agarrando à vida. Sem ele seu controle seria derrubado.
Justo quando estava certa de que ia começar a gritar, sentiu como a agulha atravessava sua pele. Um doce esquecimento a reclamou e não sentiu nada mais.
Joseph soube o exato instante em que Demétria desmaiou. Separou lentamente a mão dela de sua coxa e, suavemente, virou seu rosto até que toda sua face fosse visível para ele. As lágrimas tinham molhado suas bochechas, e Joseph as secou muito devagar até fazê-las desaparecer.
- Eu acho que preferiria que ela tivesse gritado - murmurou Kevin, enquanto empregava a agulha e o fio para ir unindo a carne rasgada.
- Isso não teria sido mais fácil para você - respondeu Joseph. Ficou de pé quando Kevin terminou e observou como seu irmão envolvia a coxa de Demétria com uma larga tira de algodão.
- Demônios, Joseph, provavelmente terá a febre e morrerá de qualquer maneira - profetizou Kevin com uma careta.
Seu comentário enfureceu Joseph.
- Não! - exclamou -. Não permitirei isso, Kevin.
A veemência com que tinha falado deixou Kevin surpreso.
- Isso teria importância para você, irmão?
- Eu me importaria - admitiu Joseph.
Kevin não soube o que dizer. Ficou imóvel com a boca aberta e viu como seu irmão saía dos aposentos.
Depois o seguiu com um suspiro cheio de cansaço.
Joseph já tinha saído do castelo e estava indo para o lago situado atrás da cabana do açougueiro. Agradecia que fizesse tanto frio, porque isso afastava de sua mente as perguntas que o torturavam.
O rito do banho noturno era outra das exigências que Joseph impunha a sua mente e seu corpo. De fato, tratava-se de um desafio destinado a endurecê-lo contra os desconfortos. Ele não via a hora de nadar e não evitava isso. Nunca deixava de cumprir com aquele ritual, fosse verão ou inverno.
Despiu-se e executou um mergulho tranquilo naquela água gelada, esperando que o frio bastasse para apagar Demétria de seus pensamentos por alguns minutos.
Pouco tempo depois Joseph jantou. Kevin e Nicholas fizeram-lhe companhia, algo que sem dúvida era bastante insólito, porque Joseph tinha o hábito de comer sozinho. Os dois irmãos mais novos falaram de muitas coisas, mas nenhum deles se atreveu a interrogar Joseph a respeito de lady Demétria. O silêncio e sua carranca perpétua durante a refeição não permitiam discussão sobre tema algum.
Depois, Joseph não conseguiu se lembrar do que havia comido. Decidiu descansar um pouco, mas a imagem de Demétria continuava povoando seus pensamentos quando se deitou. Disse a si mesmo que estava acostumado a tê-la perto dele, e que sem dúvida essa era a razão pela qual agora não podia dormir. Passou-se uma hora e logo outra, e Joseph continuava dando volta na cama.
No meio da noite, Joseph finalmente se deu por vencido. Subiu aos aposentos da torre, amaldiçoando-se durante todo o trajeto, dizendo a si mesmo que só queria dar uma olhada em Demétria para ter certeza de que não havia desafiado sua vontade, morrendo.
Ficou imóvel no vão da porta durante um bom tempo, até que ouviu Demétria gemer enquanto dormia. O som o atraiu ao interior do cômodo. Fechou a porta, acrescentou mais lenha ao fogo e foi para perto de Demétria.
Demétria dormia voltada sobre o lado bom e seu vestido havia subido ao redor das coxas. Joseph tentou arrumá-lo um pouco melhor, mas não conseguiu que ficasse ajeitado de uma maneira que o satisfizesse. Sentindo-se bastante frustrado, terminou utilizando sua adaga para cortar o tecido. Não se deteve até que tirou tanto o vestido como a meia túnica, dizendo-se que Demétria estaria muito mais cômoda sem eles.
Agora ela só vestia sua regata branca. O decote do pescoço mostrava a curva de seus seios. Um amplo laço feito com um delicado trabalho de bordado circundava a linha do decote, e os distintos fios vermelhos, amarelos e verdes tinham sido meticulosamente entrelaçados para que formassem um limite, confeccionado com flores da primavera. Era um trabalho de natureza feminina, que agradou bastante Joseph, porque sabia que Demétria tinha passado longas horas trabalhando nele.
Demétria era tão deliciosa e feminina como as flores que tinha bordadas em sua regata. Que criatura tão doce e delicada era! Sua pele, agora salpicada pela tremente claridade do fogo que a banhava com um resplendor dourado, não tinha absolutamente nenhum defeito.
Deus, era muito bonita.
- Oh, demônios... - murmurou Joseph para si mesmo.
Sem o obstáculo do vestido para escondê-la dos olhos de Joseph, Demétria oferecia uma visão ainda mais maravilhosa que antes.
Quando viu que começava a tremer, Joseph se deitou junto dela. A tensão foi-se dissipando lentamente de seus ombros. Sim, acostumou-se a tê-la muito perto dele, e sem dúvida essa era a razão pela qual agora se sentia tão à vontade.
Joseph puxou o cobertor até deixá-los abrigados com ele. Então, passou o braço ao redor da cintura dela, aproximando-a um pouco mais ao seu corpo, mas Demétria foi mais rápida. Deslizou sobre a cama sem que o movimento a despertasse, então, Demétria se aconchegou rapidamente ao corpo de Joseph, até que suas nádegas ficaram acomodadas, da maneira mais íntima possível, à união das coxas dele.
Joseph sorriu. Ficava evidente que lady Demétria também havia-se acostumada a tê-lo perto dela, e sorriu com arrogância, porque Joseph sabia que Demétria não tinha consciência desse fato... ainda.
   


olha quem apareceu hehe
queria saber onde estao as pessoas que leem as fics... pq ultimamente no maximo tem 2 comentarios... sem a opiniao de voces nao sei se estao gostando
COMENTEM PLEASEEEE