sábado, 1 de setembro de 2018

O Diário Secreto da Senhorita Demetria Cheever Capitulo 14 parte 1


Adam voltou duas horas mais tarde. Desta vez, Demetria estava esperandoo.
Abriu a porta dianteira de um puxão antes que ele pudesse sequer bater.
Entretanto, ele nem mesmo vacilou, somente permaneceu ali com sua postura perfeita, o braço meio levantado, a mão formando um punho pronto para entrar em contato com a porta.
—OH, pelo amor de Deus — disse irritada. — Entra.
Adam arqueou as sobrancelhas.
—Estava me esperando?
—É obvio.
E como sabia que não podia adiar por mais tempo, partiu para a sala de estar sem olhar para trás.
Ele a seguiu.
—O que quer? — Exigiu.
—Que boasvindas tão agradáveis, Demetria — disse ele brandamente, estando agora limpo, engomado, arrumado, absolutamente cômodo e... OH! Desejava matálo.
— Quem esteve a ensinando boas maneiras? Atila o Huno?
Ela fez chiar os dentes e repetiu a pergunta.
—O que quer?
—Vim casar contigo, é obvio.
Era, é obvio o que Demetria esperou desde o primeiro momento em que o viu.
E nunca em sua vida se sentiu tão orgulhosa de si mesma como quando disse:
—Não, obrigada.
—Não... Obrigada?
—Não, obrigada — repetiu descaradamente. — Se isso for tudo, o acompanharei à porta.
Mas quando tentou deixar o aposento, Adam a agarrou pelo pulso.
—Não tão rápido.
Podia fazêlo. Sabia que podia. Tinha seu orgulho e já não existia uma razão que a compelisse a casar com ele. E não deveria. Sem importar quanto doesse o coração, não poderia ceder. Ele não a amava. Nem sequer a apreciava o suficiente para ter se comunicado com ela uma única vez no mês e meio que passou desde que estiveram juntos no pavilhão de caça.
Era possível que se comportasse como um cavalheiro, mas certamente não era um.
—Demetria — disse sedosamente, e soube que estava tentando seduzila, não para levála para cama, mas sim para obter sua conformidade.
Ela tomou um profundo fôlego.
—Veio até aqui, fez o correto e eu recusei. Já não tem nada porque se sentir culpado, assim pode retornar a Inglaterra com a consciência tranquila. Adeus, Adam.
—Não acredito, Demetria — disse, apertando seu pulso. — Temos muitas coisas para discutir.
—Hein, não muito na realidade. Não obstante, obrigada por sua preocupação.
— O braço formigava no lugar onde ele a segurava e sabia que se quisesse manter sua resolução, deveria livrarse dele antes o possível.
Adam fechou a porta com o pé.
—Discordo.
—Adam, não! — Demetria puxou o braço e tratou de ir para a porta para voltar a abrila, mas ele bloqueou seu caminho. — Esta é a casa dos meus avôs. Não os envergonharei com nenhum tipo de comportamento impróprio.
—Diria que deveria preocuparse mais com a possibilidade de que escutem o que tenho a dizer.
Ela deu uma olhada a sua expressão implacável e fechou a boca.
—Muito bem. Diga o que for que tenha vindo dizer.
Com um dedo, começou a desenhar preguiçosos círculos na palma da mão dela.
—Estive pensando em você, Demetria.
—Sério? Isso é muito adulador.
Ele ignorou o tom sarcástico e se aproximou.
—Não pensou em mim?
OH, Deus querido. Se ele soubesse.
—De vez em quando.
—Somente de vez em quando?
—Raramente.
A puxou e deslizou a mão sinuosamente pelo braço.
—Quanto tão raramente? — Murmurou.
—Quase nunca. — Mas sua voz estava suavizando e soava muito menos segura.
—De verdade? — Arqueou uma sobrancelha assumindo uma expressão de incredulidade. — Acredito que toda esta comida escocesa confundiu sua mente. Esteve comendo Haggis?
—Haggis? — Perguntou ela sem fôlego.
Podia sentir que seu peito aliviava, como se o ar tivesse se convertido em algo intoxicaste, como se pudesse embebedarse somente respirando na presença dele.
—Mmm—hmm. Acho que é uma comida horrível.
—Não... Não é tão ruim.
Do que ele estava falando? E por que estava olhandoa dessa forma? Seus olhos pareciam safiras. Não, eram como o céu iluminado pela lua. OH, céus. Essa que saía voando pela janela era sua determinação?
Adam sorriu indolentemente.
—Sua memória é um pouco escorregadia, querida. Acho que necessita um aviso. — Os lábios dele desceram suavemente sobre os dela, estendendo rapidamente o fogo por todo seu corpo. Demetria se afrouxou contra ele, suspirando seu nome.
Ele a apertou mais firmemente contra seu corpo, pressionando a força de sua ereção contra ela.
—Pode sentir o que me faz? — Sussurrou. — Pode?
Demetria assentiu trêmula, apenas consciente de que estava no meio do salão de seus avôs.
—Somente você pode me deixar assim, Demetria — murmurou com a voz rouca. — Só você.
Esse comentário alcançou uma corda discordante em seu interior e ficou rígida nos braços dele. Não acabava de passar mais de um mês em Kent com seu amigo Lorde Harry como—qualqer—que—seja—seu—sobrenome? E por acaso Selena não lhe disse alegremente que as celebrações incluiriam vinho, uísque e mulheres? Mulheres fáceis. Um monte delas.
—O que aconteceu querida?
As palavras foram sussurradas contra sua pele e uma parte dela desejou voltar a derreterse contra ele. Mas não a seduziria. Não desta vez. Antes que pudesse mudar de opinião, plantou as palmas das mãos contra o peito dele e o empurrou.
—Não tente fazer isto comigo — advertiu.
—Fazer o que? —Seu rosto era a imagem da inocência.
Se Demetria tivesse um vaso nas mãos, o teria jogado nele. Ou melhor, ainda, uma bolacha meio comida.
—Me seduzir até que me dobre a sua vontade.
—Por que não?
—Por que não? — Repetiu com incredulidade. — Por que não? Porque eu...
—Porque você...Por que, o que? — Estava sorrindo agora.
—Por que... Oh! — Fechou as mãos formando punhos aos lados do corpo e de fato golpeou o chão com o pé. O que a deixou ainda mais furiosa. Ser reduzida a isto... Era humilhante.
—Bom, bom, Demetria.
—Não me venha com "bom, bom" para o meu lado, seu altivo, despótico...
—Está zangada comigo, já vejo.
Ela semicerrou os olhos.
—Sempre foi inteligente, Adam.
Ele ignorou o sarcasmo.
—Bom, aqui vai... Sinto muito. Nunca tive a intenção de permanecer tanto tempo em Kent. Não sei por que o fiz, mas assim foi e sinto muito. Estava programado para ser uma viagem de dois dias de duração.
—Uma viagem de dois dias de duração que durou quase dois meses? —
Zombou ela. — Desculpa se acho difícil de acreditar.
—Não estive em Kent todo o tempo. Quando retornei a Londres, minha mãe disse que estava atendendo um familiar doente. Não foi até que Selena retornou que soube que não era assim.
—Não me importa quanto tempo esteve... Onde quer que tenha estado! —
Gritou ela, cruzando firmemente os braços sobre o peito. — Não deveria ter me abandonado dessa forma. Posso entender que necessitava de tempo para pensar, porque sei que nunca quis casar comigo, mas, pelo amor de Deus, Adam. Precisava de sete semanas? Não pode tratar uma mulher dessa forma! É grosseiro, desconsiderado e... E francamente pouco cavalheiresco!
Era isso o pior que lhe ocorria dizer a ele? Adam resistiu ao impulso de sorrir.
Isto não seria nem a metade do ruim que pensou que seria.
—Tem razão — disse brandamente.
—E mais ainda... O que? — Piscou.
—Que tem razão.
—Tenho?
—Não quer ter razão?
Ela abriu a boca, fechou e então disse:
—Deixa de tentar me confundir.
—Não estou fazendo isso. Caso não tenha notado, estou te dando razão. —
Dedicou seu sorriso mais atraente. — Aceita minhas desculpas?
Demetria suspirou. Deveria ser ilegal que um homem tivesse semelhante quantidade de encanto.
—Sim, está bem. Aceito. Mas, o que — perguntou suspicaz, — estava fazendo em Kent?
—Principalmente me embebedando.
—Isso é tudo?
—Um pouco de caça.
—E?
—E quando Mikey chegou ali proveniente de Oxford, fiz o possível para evitar que se metesse em problemas. Essa tarefa me entreteve uma quinzena a mais, para que saiba.
—E?
—Está tentando me perguntar se havia mulheres lá?
Ela afastou os olhos do rosto dele.
—Talvez.
—Sim.
Demetria tratou de engolir o enorme nó que subitamente se formou em sua garganta e se colocou de lado para desocupar o caminho para a porta.
—Acho que deveria ir — disse tranquilamente.
Adam a segurou pela parte superior dos braços e a forçou a olhálo.
—Nunca toquei em nenhuma delas, Demetria. Nenhuma.
A intensidade de sua voz foi suficiente para que ela sentisse vontade de chorar.
—Por que não? — Sussurrou ela.
—Sabia que ia casar contigo. Sei o que se sente ao ser traído. – Clareou a garganta. — Não te faria algo assim.
—Por que não? — As palavras foram apenas um suspiro.
—Porque me preocupo com seus sentimentos. E a tenho na mais alta estima.
Separouse dele e caminhou para a janela. Era a primeira hora da tarde, mas durante o verão escocês os dias eram longos. O sol estava alto no céu, ás pessoas ainda seguiam indo e vindo, terminando seus afazeres diários como se não tivessem nenhuma única preocupação no mundo. Demetria desejava ser uma dessas pessoas, desejava caminhar pela rua afastandose de seus problemas e nunca retornar.
Adam queria casarse com ela. Tinha sido fiel. Deveria estar dançando de alegria. Mas não podia deixar de lado a sensação de que estava fazendo isto por obrigação, não por que sentisse amor ou afeto por ela. Além do desejo, é obvio. Estava absolutamente claro que a desejava.
Uma lágrima desceu por seu rosto. Não era suficiente. Poderia ser, se ela não o amasse tanto. Mas isto... Era muito desigual. Lentamente a debilitaria, até que não fosse mais que uma triste e solitária casca.
—Adam, eu... Eu aprecio o incomodo que teve ao vir até aqui para me ver. Sei que foi uma longa viagem. E foi realmente... — Procurou a palavra adequada. —...
Honrável de sua parte se manter afastado de todas essas mulheres em Kent. Estou certa de que eram muito bonitas.
—Nem a metade de sua beleza — sussurrou ele.
Demetria engoliu compulsivamente. Isto estava ficando mais difícil com cada segundo que passava. Agarrouse ao parapeito da janela.
—Não posso me casar contigo.
Silêncio de morte. Demetria não se virou. Não podia vêlo, mas podia sentir a fúria emanando de seu corpo. Por favor, por favor, só saia do recinto, suplicou silenciosamente. Não venha até aqui. E por favor... OH, por favor, não me toque.
Suas preces não foram atendidas e as mãos dele desceram brutalmente sobre seus ombros, fazendoa girar para enfrentálo.
—O que foi que disse?
—Disse que não posso me casar contigo — replicou trêmula.
Baixou o olhar ao chão. Seus olhos azuis estavam perfurandoa com ardor.
—Olhe para mim, maldita seja! No que está pensando? Deve se casar comigo.
Negou com a cabeça.
—Sua pequena tola.
Demetria não sabia que dizer a isso, assim não disse nada.
—Esqueceu disto? — A agarrou com força puxandoa contra ele e saqueou seus lábios com os dele. — Esqueceu?
—Não.
—Então, esqueceu que disse que me amava? — Exigiu.
Demetria desejava morrer ali mesmo.
—Não.
—Isso deveria servir de algo — disse sacudindoa até que algumas mechas de cabelo saíram das forquilhas. — Não é assim?
—Disse alguma vez que me amava? – Contra atacou ela. Ele a olhou emudecido. —Me ama? —Tinha as bochechas ardendo de fúria e vergonha. — Diga?
Adam engoliu com força, subitamente sentindo que se afogava. As paredes pareciam mais próximas e não pôde dizer nada, não podia pronunciar as palavras que ela queria ouvir.
—Já vejo — disse ela em voz baixa.
Um músculo saltou espasmodicamente em sua garganta. Por que não podia dizer? Não estava seguro de amála, mas tampouco estava seguro de não fazêlo. E certo como o inferno que não queria ferila, assim, por que simplesmente não dizia essas duas palavras que a fariam feliz?
A Camille havia dito que a amava.
—Demetria — disse vacilante. — Eu...
—Não diga se não sente! — Estalou, enfatizando as palavras com a voz.
Adam girou sobre os calcanhares e cruzou o recinto para onde tinha visto uma garrafa de brandy. Havia uma garrafa de uísque na prateleira que estava debaixo desta e sem pedir permissão, serviuse de um copo. O tomou de um veemente gole, mas não o fez sentir muito melhor.
—Demetria — disse, desejando que sua voz soasse um pouco mais firme. — Não sou perfeito.
—Imaginava que seria! — Gritou. — Sabe quão maravilhoso foi para mim quando era pequena? E nem sequer se esforçava. Foi simplesmente... Simplesmente você. E fazia com que eu me sentisse como se não fosse essa coisinha torpe. E em seguida mudou, mas pensei que pudesse voltar a te mudar. E tentei, Oh, como tentei, mas não foi suficiente. Eu não fui suficiente.
—Demetria, não é você...
—Não invente desculpas para mim! Não pude ser o que necessitava e te odeio por isso! Está me ouvindo? Odeio você! — Esgotada, virouse e abraçou a si mesma, tratando de controlar os tremores que sacudiam seu corpo.
—Você não me odeia. — Sua voz era suave e estranhamente tranquilizadora.
—Não — disse, afogando um soluço. — Não o odeio. Mas odeio Camille. Se já não estivesse morta, eu mesma a mataria. — Ele elevou a comissura de sua boca formando um sorriso inclinado. —Faria lenta e dolorosamente.
—Realmente tem uma veia maligna, menina — disse, oferecendo um sorriso satisfeito.
Ela tentou sorrir, mas seus lábios se negaram a obedecêla. Houve uma longa pausa antes que Adam falasse outra vez.
—Tentarei de fazêla feliz, mas não posso ser tudo o que você quer que seja.
—Eu sei — disse amargamente. — Pensei que poderia, mas estava equivocada.
—Mas mesmo assim podemos ter um bom casamento, Demetria. Melhor que a maioria.
"Melhor que a maioria" podia significar unicamente que falariam um com outro ao menos uma vez ao dia. Sim, talvez pudessem ter um bom casamento. Bom, mas vazio. Não achava que conseguiria suportar viver com ele sem seu amor. Sacudiu a cabeça.
—Maldição, Demetria! Deve se casar comigo! — Quando não atendeu seu estalo, gritou. — Pelo amor de Deus, mulher, está grávida do meu filho!
Aí estava. Sabia que essa tinha que ser a razão de que tivesse viajado tão longe e com um propósito tão determinado.
E por mais que apreciasse seu sentido da honra, mesmo que fosse um tanto tardio, não havia forma de ignorar o fato de que o bebê já não existia. Tinha sangrado e em seguida retornou seu apetite, e sua bacia voltou a recuperar seu uso habitual.
A mãe dela tinha contado a respeito disso, disse que ocorreu com ela exatamente a mesma coisa duas vezes antes de ter Demetria e três vezes depois. Talvez tenha sido um assunto pouco adequado para uma jovenzinha que nem sequer tinha saído da sala de aula ainda, mas Lady Cheever sabia que estava morrendo e desejou passar a filha tanto conhecimento de sua feminilidade quanto fosse possível. Havia dito a Demetria que não se lamentasse se ocorresse o mesmo a ela, que sempre sentiu que esses bebês perdidos não estavam destinados a nascer.
Demetria umedeceu os lábios e engoliu com força. E em seguida, em voz baixa e solene, disse:
—Não estou grávida. Estava, mas já não estou.
Adam não disse nada. E logo:
—Não acredito.
Demetria ficou aturdida.
—Desculpe?
Ele deu um encolher de ombros.
—Não acredito em você. Selena disse que estava grávida.
—Estava, quando Selena esteve aqui.
—Como sei que não está simplesmente tentando se desfazer de mim?
—Porque não sou idiota — disse com brutalidade. — Pensa que recusaria me casar contigo se estivesse grávida?
Adam pareceu considerar por um momento e logo cruzou os braços.
—Bom, ainda assim sua virtude está comprometida, por isso se casará comigo.
—Não — disse irônica. — Não o farei.
—Oh, sim o fará — disse, com os olhos brilhando cruelmente. — Só que ainda não sabe.
Separouse dele.
—Não vejo como poderá me forçar.
Ele deu um passo adiante.
—Não vejo como poderá me deter.
—Gritarei pedindo ajuda ao MacDownes.
—Não acredito que o faça.
—Farei. Juro. — Abriu a boca e então o olhou de lado para ver se compreendia sua advertência.
—Vá em frente — disse, dando um encolher de ombros casualmente. — Desta vez não me pegará despreparado.
—Mac...
Pôs a mão sobre a boca com assombrosa velocidade.
—Pequena tola. Além do fato de que não tenho nenhum desejo de que seu velho mordomo pugilista interrompa minha privacidade, parou para considerar que sua irrupção aqui só apressaria nosso matrimônio? Não quer ser apanhada em uma situação comprometedora, ou sim?
Demetria resmungou algo contra a mão dele e logo lhe deu murros no quadril até que a afastou. Mas não voltou a gritar chamando MacDownes. Por muito que resistisse a admitir, ele tinha um pouco de razão.
—Então, por que não me deixou gritar? — Provocou. — Hmmm? Não é um matrimônio o que deseja?
—Sim, mas pensei que poderia preferir entrar nele com um pouco de dignidade.
Demetria não tinha uma resposta a isso, assim que cruzou os braços.
—Agora quero que me escute — disse em voz baixa, tomando o queixo dela com a mão e forçandoa a olhálo. — E me escute com cuidado, porque só direi isto uma vez. Vai casar comigo antes que termine esta semana. Já que convenientemente fugiu para Escócia, não necessitamos uma licença especial. Tem sorte de que não a arraste a uma igreja neste preciso instante. Consiga um vestido e algumas flores porque, carinho, vai obter um novo nome.
Ela o fulminou com um olhar mordaz, incapaz de pensar em nenhuma palavra adequada para expressar toda sua fúria.
—E nem sequer pense em fugir outra vez — disse preguiçosamente. — Para sua informação, aluguei aposentos só a duas portas daqui e farei que vigiem a casa as vinte e quatro horas do dia. Não conseguirá chegar nem ao final da rua.
—Deus — suspirou. — Ficou louco.
Ele riu ante isto.
—Pense nessa declaração, se quiser. Se trouxesse dez pessoas a este recinto e lhes explicasse que tomei sua virgindade, e pedi que se casasse comigo e você recusou a quem acha que consideraria louca?
Estava tão encolerizada, que pensou que poderia explodir.
—Não a mim! — Disse ele vivamente. — Agora seja otimista menina e olhe o lado bom. Faremos mais bebês e o passaremos esplendidamente bem os fazendo, prometo nunca bater em você, nem proibila de fazer nada a não ser que seja algo absurdo e finalmente será irmã de Selena. O que mais poderia desejar?
Amor. Mas não pôde pronunciar a palavra.
—Considerando tudo, Demetria, poderia te encontrar em uma situação muito pior.
Continuou calada.
—Muitas mulheres estariam encantadas de trocar de lugar contigo.
Perguntouse se haveria alguma forma de apagar a expressão satisfeita de seu rosto sem lhe provocar um dano permanente.
Ele se inclinou para frente sugestivamente.
—E posso prometer que estarei muito, muito atento as suas necessidades.
Ela entrelaçou as mãos nas costas porque estavam começando a tremer pela frustração e ira.
—Algum dia me agradecerá por isso.
E isso foi muito.
—Aaaaargh! — Gritou incoerentemente, lançandose contra ele.
—Que demônios? — Adam se virou, tentando afastar ela e seus punhos dando golpes nele.
—Nunca, nunca volte a dizer, "Algum dia me agradecerá por isso" —demandou, golpeandoo furiosamente no peito.
—Acalmese, querida. Prometo que nunca voltarei a usar esse tom condescendente contigo.
—Está usando agora — asseguroua.
—Não, não é assim.
—Sim, estava.
—Não, não estava.
—Sim, estava.
Bom Deus, isto estava ficando entediante.
—Demetria, nós estamos agindo como crianças.
Ela pareceu crescer e seus olhos adquiriram um olhar selvagem que deveria ter lhe causado temor. Sacudindo a cabeça cuspiu:
—Não me importa.
—Bom, talvez se começar a agir como uma adulta deixará de falar no que você chama de tom condescendente.
Ela semicerrou os olhos, e grunhiu do fundo da garganta.
—Sabe de uma coisa, Adam? Às vezes age como um completo imbecil.
Dizendo isto, formou um punho com a mão, puxou o braço para trás e o deixou voar.
—Santo maldito inferno! —Adam levou a mão ao olho e tocou a ardente pele sem poder acreditar. — Quem demônio te ensinou a dar um soco?
Demetria sorriu satisfeita.
—MacDownes.



demorei mas postei
e entao o que acharam desse final?
bjemi

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O Diário Secreto da Senhorita Demetria Cheever Capitulo 13


Adam não estava seguro de por que permaneceu tanto tempo em Kent. A excursão de dois dias prontamente se prolongou quando Lorde Harry decidiu que na verdade queria adquirir a propriedade, e não só isso, mas também queria convidar alguns amigos imediatamente para realizar uma festa. Não havia forma de que Adam pudesse livrarse educadamente, e para ser honesto, na realidade não tinha desejo de partir, não quando isso significava retornar a Londres para enfrentar suas responsabilidades.
Não é que estivesse tramando uma forma de evitar casar com Demetria. De fato, era absolutamente o contrário. Uma vez que se resignou à ideia de voltar a se casar, já não parecia um destino tão horrendo.
Mas ainda assim, não se decidia a retornar. Se não se apressou a sair da cidade argumentando o mais corriqueiro das desculpas, poderia ter esclarecido o assunto imediatamente. Mas quanto mais tempo pospôs, mais desejava continuar pospondoo.
Como demônio ia explicar sua ausência?
Assim que a viagem de dois dias se converteu em uma festa campestre de uma semana de duração que a sua vez se transformou em uma festa sem restrições de nenhum tipo de três semanas de duração. Com caçadas, corridas e abundantes mulheres dissolutas a quem lhes deu rédea solta dentro da casa. Adam tomou cuidado de não envolverse com estas últimas. Podia ser que estivesse fugindo da responsabilidade para com Demetria, mas o mínimo que podia fazer era permanecer fiel.
Logo chegou Mikey a Kent e procedeu a unirse à festa com um desenfreio tão temerário que Adam se sentiu obrigado a ficar e oferecer alguns conselhos fraternais. Isto requereu outras duas semanas de seu tempo, que outorgou alegremente, já que mitigava algo da culpa que esteve sentindo. Não podia abandonar seu irmão, não é verdade? Se não vigiasse Mikey, o pobre moço provavelmente terminaria com um severo caso de sífilis.
Mas finalmente se deu conta que não podia adiar o inevitável por mais tempo, e retornou a Londres, sentindose um imbecil. Provavelmente Demetria estivesse xingando. Teria sorte se o recebesse. E com isso em mente e não sem sentirse um pouco agitado, subiu os degraus da casa de seus pais e sem esperar ser recebido entrou no vestíbulo principal.
O mordomo se materializou imediatamente.
—Huntley — disse Adam a modo de saudação. — Encontrase a Senhorita Cheever? Ou minha irmã?
—Não, milord.
—Hmmm. Quando são esperadas de volta?
—Não sei milord.
—Pela tarde? Na hora do jantar?
—Imagino que não voltarão até dentro de várias semanas.
—Várias semanas! —Adam não tinha previsto isto. — Onde demônios estão? Huntley ficou rígido ante a imprecação de Adam.
—Na Escócia, milord.
Escócia? Maldito inferno. Que demônios estavam fazendo lá? Demetria tinha amigos em Edimburgo, mas se tinha feito planos para visitálos, não o informou.
Espera um momento, não estaria Demetria prometida a algum cavalheiro escocês relacionado com seus avôs? Se esse fosse o caso certamente alguém teria informadoo. Demetria, antes de qualquer um. E Deus sabia que Selena era incapaz de manter um segredo.
Adam caminhou a longos passos para o pé das escadas e começou a vociferar.
—Mãe! Mãe! —virouse para Huntley. — Imagino que posso assumir que minha mãe não as seguiu até Escócia?
—Não, ela está residindo aqui, milord.
—Mãe!
Lady Rudland se apressou a descer.
—Adam, em nome do céu, o que acontece? E onde esteve? Partindo ao Kent sem nem sequer nos dizer isso.
—Por que Selena e Demetria estão na Escócia?
Ante seu interesse, Lady Rudland arqueou as sobrancelhas.
—Uma enfermidade na família. Quero dizer na família de Demetria.
Adam evitou assinalar que isso era óbvio, já que os Bevelstoke não tinham parentes na Escócia.
—E Selena foi com ela?
—Bom, já sabe como são unidas.
—Quando retornam?
—Não posso dizer nada a respeito da Demetria, mas já escrevi a Selena, insistindo em que retorne. A esperamos em poucos dias.
—Bem — murmurou Adam.
—Estou segura que se sentirá feliz por sua devoção fraternal.
Adam semicerrou os olhos. Havia certa nota de sarcasmo na voz de sua mãe?
Não podia estar seguro.
—A verei logo, mãe.
—Estou segura de que o fará. OH, e Adam?
—Sim?
—Por que não tenta passar mais tempo com seu ajudante de quarto? Parece um pouco maltrapilho.
Quando Adam se foi estava grunhindo.
Dois dias depois, Adam foi informado que sua irmã tinha retornado a Londres.
Adam se apressou a sair para sua casa imediatamente. Se havia uma coisa que odiava era esperar. E se havia algo que odiava ainda mais, era sentirse culpado.
E se sentia malditamente culpado por ter feito Demetria esperar pelo que agora se converteu em um período de mais de seis semanas.
Quando chegou, Selena estava em seu quarto. Em vez de esperála na sala de estar, Adam subiu a escada e bateu na porta.
—Adam! —Exclamou Selena. — Valhame Deus! O que está fazendo aqui?
—Sinceramente, Selena, costumava viver aqui. Recorda?
—Sim, sim, é obvio. —Sorriu e se voltou a sentar. — A que devo este prazer?
Adam abriu a boca, e logo a fechou, sem estar seguro do que queria perguntar. Não podia simplesmente sair com, "Seduzi sua melhor amiga e agora preciso endireitar as coisas, assim consideraria apropriado que fosse procurála à casa de seus avôs enquanto um deles está doente?"
Voltou a abrir a boca.
—Sim, Adam?
Fechoua, sentindo um tolo.
—Queria me perguntar algo?
—O que achou da Escócia? —Balbuciou.
—Linda. Esteve lá alguma vez?
—Não. E Demetria?
Selena duvidou antes de responder.
—Está bem. Manda saudações.
De alguma forma, isso parecia duvidoso a Adam. Tomou fôlego. Devia proceder com cautela.
—Está de bom ânimo?
—Her, sim. Sim, está.
—Não estava desanimada ao perder o resto da temporada?
—Não, é obvio que não. Para começar nunca desfrutou muito. Você sabe.
—Correto. —Virouse para ficar de frente à janela, tamborilando com a mão contra uma de suas pernas em sinal de impaciência. — Retornará logo?
—Imagino que não o fará até dentro de alguns meses.
—Então, sua avó está bastante doente?
—Bastante.
—Deveria enviar minhas condolências.
—Não chegou a isso ainda. —Apressouse a dizer Selena. — O doutor diz que levará algum tempo, ehh, ao menos meio ano, talvez um pouco mais, mas pensa que se recuperará.
—Já vejo. E exatamente, que enfermidade padece?
—Uma doença feminina — disse Selena, sua voz soou talvez um pouquinho petulante em excesso.
Adam arqueou uma sobrancelha. Uma doença feminina em uma avó.
Extremamente intrigante. E suspeito. Voltou a se virar.
—Espero que não seja contagioso. Eu não gostaria que Demetria adoecesse.
—OH, não. A, er, enfermidade que há nessa casa definitivamente não é contagiosa. —Quando viu que Adam não desviava o olhar penetrante de seu rosto, acrescentou. — Olhe para mim. Estive ali uma quinzena e estou sã como um cavalo.
—Sim, está. Mas devo dizer que estou preocupado com Demetria.
—OH, mas não deveria estar — insistiu Selena. — Ela está bem é sério.
Adam semicerrou os olhos. As bochechas de sua irmã se puseram um pouco rosadas.
—Há algo que não está me dizendo.
—Eu... Eu não sei do que está falando — gaguejou. — E por que você está me fazendo tanta pergunta a respeito de Demetria?
—Também é uma boa amiga minha — respondeu em um tom suave como a seda. — E sugiro que trate de me dizer a verdade.
Enquanto ele se aproximava a grandes passos, Selena se deslizou velozmente por cima da cama, atravessandoa.
—Não sei do que está falando.
—Está envolvida com um homem? —Demandou. — Está? É por isso que inventou esta história tão óbvia a respeito de um familiar doente?
—Não é uma história — protestou.
—Me diga a verdade!
Fechou a boca com força.
—Selena — disse ameaçadoramente.
—Adam! —Sua voz adquiriu um tom histérico. — Eu não gosto do olhar que tem nos olhos. Vou chamar a mamãe.
—Mamãe é da metade de meu tamanho. Não será capaz de evitar que te estrangule, pirralha.
Ela arregalou os olhos.
—Adam, ficou louco.
—Quem é ele?
—Não sei! — Estalou. — Não sei.
—Assim sim há alguém.
—Sim! Não! Já não mais!
—Que demônio está acontecendo? — O ciúme, puro e ardentemente violento, percorreuno por inteiro.
—Nada!
—Me diga o que aconteceu com Demetria. — Rodeou a cama até que abandonou a Selena. Um sentimento de temor muito primitivo brincava de correr por seu corpo. Medo ante a possibilidade de perder Demetria e medo de que de alguma forma estivesse ferida. E se tinha acontecido algo com ela? Nunca teria imaginado que o bemestar de Demetria poderia lhe causar esse tipo de preocupação que fechava sua garganta, mas ali estava, e Cristo, era espantoso. Nunca quis preocuparse tanto por ela.
A cabeça de Selena se disparava de direita à esquerda procurando um meio de escape.
—Ela está bem, Adam. Juro.
Ele colocou as grandes mãos sobre os ombros da irmã.
—Selena — disse em voz muito baixa, com os olhos azuis cintilando de fúria e de temor. — Vou dizer isto só uma vez. Quando éramos crianças, nunca te batia, apesar, poderia acrescentar, de ter tido suficientes razões. — Fez uma pausa, inclinandose ameaçadoramente. — Mas não tenho inconvenientes em começar a fazêlo nesse mesmo instante. — O lábio inferior dela começou a tremer. —Se não me disser neste mesmo instante em que tipo de confusão Demetria se meteu, posso assegurar que se arrependerá profundamente.
Cem emoções diferentes cruzaram o rosto de Selena, a maioria delas relacionadas de certa forma com o pânico e o medo.
—Adam — suplicou — é minha melhor amiga. Não posso trair sua confiança.
—O que está acontecendo? — Pressionou.
—Adam...
—Me diga!
—Não, não posso, eu... — Selena ficou pálida. — OH, Meu Deus.
—O que?
—OH, Deus — resfolegou. — É você.
Uma expressão que Adam nunca tinha visto antes, não em sua irmã, nem dado o caso, em ninguém mais, apoderouse de seu rosto, e então...
—Como pôde! —Gritou, esmurrando a parte superior de seu corpo com seus pequenos punhos. — Como pôde? É uma besta! Escutou? Um animal! E é certamente ruim de sua parte deixála assim.
Adam permaneceu imóvel durante toda a enxurrada, tratando de encontrar sentido as palavras e a fúria da irmã.
—Selena — disse pausadamente. — Do que está falando?
—Demetria está grávida — vaiou. — Grávida.
—OH, Meu Deus. —As mãos de Adam caíram, afastaramse dos braços dela e se deixou cair afundandose na cama, atordoado.
—Presumo que você seja o pai — disse com frieza. — Isso é repugnante. Por amor de Deus, Adam. Virtualmente é seu irmão.
Ele jogou fumaça pelo nariz.
—Dificilmente.
—É mais velho que ela e mais experiente. Não deveria ter se aproveitado.
—Não vou justificar minhas ações ante você — cuspiu friamente. Selena bufou.
—Por que não me disse isso?
—Se por acaso não lembra, estava em Kent. Bebendo, fornicando e...
—Não estava fornicando — disse bruscamente. — Não estive com outra mulher depois de ter estado com Demetria.
—Me desculpe se acho difícil de acreditar, irmão mais velho. É desprezível. Saia do meu quarto.
—Grávida. — Voltou a pronunciar a palavra como se repetila fizesse mais fácil de acreditar. — Demetria. Um bebê. Deus.
—É um pouco tarde para rezar — disse Selena glacialmente. —Seu comportamento foi do pior, vai além do reprovável.
—Não sabia que estava grávida.
—Acaso importa?
Adam não respondeu. Não podia responder, não quando sabia que tinha atuado tão absolutamente mal. Deixou cair à cabeça entre as mãos, sua mente ainda retrocedia ante a comoção. Deus querido, quando pensava em quão egoísta tinha sido... Adiou enfrentar Demetria simplesmente devido a que era muito indolente.
Imaginou que quando retornasse, estaria aqui o esperando. Por que... Por que... Porque isso era o que ela fazia. Não o esperou durante anos? Não lhe disse...
Era um idiota. Não podia haver outra explicação nem outra desculpa.
Simplesmente tinha assumido... E logo se aproveitou... E...
Nunca, nem em seus sonhos mais selvagens imaginou que ela poderia ter ido umas trezentas milhas para o norte, aguentando uma gravidez inesperada que logo se converteria em um filho ilegítimo.
Disse a ela que o notificasse se algo assim ocorresse. Por que não lhe escreveu?
Por que não lhe disse algo?
Baixou a vista e olhou as mãos. Viamse estranhas, alheias e quando flexionou os dedos, sentiu os músculos tensos e torpes.
—Adam?
Pôde ouvir sua irmã sussurrar seu nome, mas por algum motivo não pôde responder. Podia sentir sua garganta movendose, mas não podia falar, nem sequer podia respirar. Tudo o que pôde fazer foi permanecer ali sentado sentindo um tolo, e pensando em Demetria.
Sozinha.
Estava sozinha e provavelmente aterrada. Estava sozinha, quando deveria ter estado casada e confortavelmente instalada em seu lar em Northumberland com ar fresco, comendo comida saudável e onde ele pudesse vigiála.
Um bebê.
Era gracioso, sempre pensou que deixaria que Mikey continuasse o sobrenome da família. E agora o que desejava mais que qualquer outra coisa era tocar o ventre inchado de Demetria, sustentar seu filho nos seus braços. Esperava que fosse uma menina. Esperava que tivesse olhos marrons. Podia ter um herdeiro mais a frente.
Com Demetria em sua cama, já não o preocupava o tema da concepção.
—O que vai fazer a respeito? — Demandou Selena.
Lentamente Adam levantou a cabeça. Sua irmã estava de pé como um militar, na sua frente, com as mãos nos quadris.
—O que pensa você que farei a respeito? — Rebateu.
—Não sei Adam — e por uma vez a voz de Selena carecia de fio.
Adam se deu conta que não era uma réplica mordaz. Não era uma provocação.
Era certo que Selena não estava convencida de que tivesse a intenção de fazer o correto e que fosse casar com Demetria.
Adam nunca se sentiu menos homem.
Com um profundo e tremente suspiro, ficou de pé e clareou a garganta.
—Selena, seria tão amável de me dar o endereço de Demetria na Escócia?
—Com prazer. — Foi para a escrivaninha e arrancou um pedaço de papel no qual rapidamente rabiscou umas poucas linhas. — Aqui está.
Adam tomou o pedaço de papel, dobrouo e o pôs no bolso.
—Obrigado.
Selena muito intencionadamente, não respondeu.
—Acredito que não a verei por algum tempo.
—Tenho esperanças de que ao menos seja por sete meses — replicou ela.
Adam cruzou a Inglaterra até Edimburgo correndo, completando a viagem em um incrível lapso de quatro dias e meio. Quando chegou à capital escocesa, estava cansado e poeirento, mas isso não parecia importar. Cada dia que Demetria passava sozinha era outro dia em que poderia... Infernos, não sabiam o que era capaz de fazer, mas tampouco queria averiguar.
Antes de começar a subir os degraus voltou a comprovar o endereço. Os avôs de Demetria viviam em uma casa relativamente nova em um setor elegante de
Edimburgo. Uma vez ouviu que eram pessoas ricas e que tinham propriedades mais ao norte. Suspirou aliviado de que estivessem passando o verão aqui embaixo perto da fronteira. Não teria ficado satisfeito ter que continuar a viagem internandose nas
Highlands. Já tendo chegado até ali estava exausto.
Golpeou a porta com firmeza. Um mordomo abriu a porta e o saudou com o acento nasal que alguém poderia encontrarse na residência de um Duque.
—Vim ver a Senhorita Cheever — disse Adam com um tom cortante.
O mordomo olhou desdenhosamente a roupa enrugada de Adam.
—Não está em casa.
—Não está? — O tom de Adam implicava que não acreditava. Não o surpreenderia que tivesse dado sua descrição a toda a casa com instruções de que proibissem sua entrada.
—Terá que retornar mais tarde. Entretanto, ficaria encantado de transmitir uma mensagem, se você...
—Esperarei — Adam passou ao lado do mordomo, entrando em um pequeno salão do vestíbulo principal.
—Como se atreve, senhor! — Protestou o mordomo.
Adam tirou um de seus cartões e entregou. O mordomo olhou seu nome, o olhou, e logo voltou a olhar seu nome outra vez. Obviamente não esperava que um
Visconde tivesse uma aparência tão desgrenhada. Adam sorriu com secura. Havia vezes em que um título podia resultar malditamente conveniente.
—Se deseja esperar, milord — disse o mordomo em um tom algo mais contido.
— Farei que uma criada traga o chá.
—Por favor.
Quando o mordomo saiu, Adam começou a vagar pelo recinto, examinando lentamente os arredores. Obviamente os avôs de Demetria tinham bom gosto. Os móveis eram simples e de estilo clássico, estilo que nunca parecia desconjuntado nem irremediavelmente passado de moda. Enquanto examinava ociosamente o quadro de uma paisagem, refletiu como fez umas mil vezes desde que deixou Londres, a respeito do que diria a Demetria. O mordomo não chamou a guarda ao escutar seu nome. Isso era um bom sinal, ou isso supunha.
Alguns minutos depois chegou o chá e quando Demetria não apareceu em seguida, Adam decidiu que o mordomo não estava mentindo a respeito de seu paradeiro. Não importava. Esperaria o que fosse necessário. Ao final sairia com a dele... Não tinha nenhuma dúvida a respeito.
Demetria era uma moça sensível. Sabia que o mundo era um lugar frio e desumano para uma criança ilegítima. E para a mãe. Sem importar quão zangada estivesse com ele e estaria disso não restava dúvida não desejaria relegar o filho a uma vida tão difícil.
Também era seu filho. Merecia o amparo de seu sobrenome. Tanto como
Demetria. Realmente não o agradava a ideia de que ela permanecesse muito mais tempo liberada a sua sorte, mesmo que seus avôs tivessem aceitado acolhêla neste difícil momento.
Adam permaneceu ali sentado com seu chá por meia hora, arrasando ao menos seis bolachas das quais haviam lhe trazido. Tinha sido uma longa viagem de
Londres, e não se deteve muito frequentemente para comer. Estava se maravilhando com o fato de que o sabor destas fosse muito melhor que qualquer coisa que tivesse provado na Inglaterra quando ouviu que se abria a porta principal.
—MacDownes!
A voz de Demetria. Adam ficou de pé, com uma bolacha ao meio comer entre os dedos. Soaram passos no vestíbulo, presumivelmente pertencentes ao mordomo.
—Poderia me ajudar com alguns destes pacotes? Sei que deveria ter pedido que fosse enviada a casa, mas estava muito impaciente.
Adam ouviu o som de pacotes trocando de mãos, seguido da voz do mordomo.
—Senhorita Cheever, devo lhe informar que tem um visitante esperandoa no salão.
—Um visitante? Eu? Que estranho. Deve ser um dos MacLean. Sempre fui amistosa com eles quando estou na Escócia, devem ter se informado que estou na cidade.
—Não acredito que seja de origem escocesa, senhorita.
—Realmente, então quem...
Adam quase sorriu quando sua voz se alargou pela comoção. Quase podia ver como ficava boquiaberta.
—Foi do mais insistente, senhorita — continuou MacDownes. — Tenho seu cartão justo aqui.
Houve um longo silencio depois do qual Demetria disse finalmente:
—Por favor, diga que não estou disponível. —Sua voz tremeu na última palavra, e logo se lançou escada acima.
Adam saiu ao vestíbulo a pernadas bem a tempo para se chocar com MacDownes, que provavelmente estava desfrutando com a ideia de jogálo para fora.
—Ela não deseja vêlo, milord — cantarolou o mordomo, não sem o mais leve indício de um sorriso.
Adam o empurrou para abrirse caminho.
—Maldição se não o fará.
—Não acredito milord. — MacDownes o agarrou pela jaqueta.
—Olhe amigo — disse Adam, tratando de soar friamente simpático, se tal coisa fosse possível. — Não tenho inconveniente em golpeálo.
—E eu não tenho inconveniente em golpeálo.
Adam examinou o homem mais velho com desdém.
—Saia de meu caminho.
O mordomo cruzou os braços e manteve sua posição.
Adam franziu o cenho e tirou a jaqueta das mãos de um puxão, logo caminhou a pernadas até o pé da escada.
—Demetria! — Gritou. — Desça agora mesmo! Agora mesmo! Temos coisas a disc...
Thwack!
Bom Deus, o mordomo lhe deu um murro na mandíbula. Aturdido, Adam acariciou a pele.
—Está louco?
—Não, nenhum pouco milord. Levo meu trabalho com muita seriedade.
O mordomo tinha adotado uma posição de luta com a soltura e a graça de um profissional. Podia contar com Demetria para contratar um mordomo treinado para boxear.
—Olhe — disse Adam em tom conciliador. — Preciso falar com ela imediatamente. É de suma importância. A honra da dama está em jogo.
Thwack!
Adam cambaleou por um segundo murro.
—Isso, milord, é por implicar que a Senhorita Cheever é algo menos que honorável.
Adam semicerrou os olhos ameaçadoramente, mas decidiu que não teria nem a menor oportunidade contra o mordomo louco de Demetria, não quando já estava no extremo oposto a dois golpes atordoantes.
—Diga à Senhorita Cheever — disse em tom mordaz — que retornarei e será melhor que me receba. — Saiu da casa e desceu os degraus dando furiosas pernadas.
Absolutamente furioso porque a garota se negou categoricamente a vêlo, se virou para olhar para a casa. Ela estava de pé em uma janela aberta do andar superior, cobrindo a boca nervosamente com os dedos. Adam a olhou com o cenho franzido e então se deu conta que ainda estava sustentando a bolacha meio comida. A lançou com força através da janela, e bateu totalmente no meio do peito.
Encontrou certa satisfação nisso.
24 DE AGOSTO DE 1819
OH, céus.
Nunca enviei a carta, é obvio. Passei um dia inteiro redigindoa e justo quando estava pronta para enviála, fezse desnecessária.
Não soube se me regozijar ou se começava a chorar.
E agora Adam está aqui. Deve ter tirado a verdade — ou melhor, dizendo, o que costumava a ser a verdade — de Selena à força. De outra forma ela nunca teria me traído. Pobre Livvy. Podia ser aterrador quando ficava furioso.
Coisa que, aparentemente, ainda estava. Atirou uma bolacha em mim. Uma bolacha! É algo difícil de compreender.