terça-feira, 12 de junho de 2018

O Diário Secreto da Senhorita Demetria Cheever Capitlulo 8


Adam despertou à manhã seguinte com uma abrasadora dor de cabeça que não tinha nada que ver com o álcool.
Desejava que tivesse sido pelo brandy. O brandy teria sido um inferno muito mais simples que isto.
Demetria.
Em que diabos, ele esteve pensando?
Em nada. Obviamente não estava pensando absolutamente. Ao menos não com a cabeça.
Tinha beijado Demetria. Infernos, quase tinham machucadoa. E era difícil imaginar que poderia existir em qualquer parte da Bretanha uma jovem menos conveniente para seus cuidados que a Senhorita Demetria Cheever.
Ia arder em algum lugar por isso.
Se fosse um bom homem, supunha, casaria com ela. Uma jovem poderia perder sua reputação por bem menos que isso. Mas ninguém os viu, uma pequena voz em seu interior insistiu. Ninguém sabia além deles dois. E Demetria não diria nada. Não era desse tipo.
E ele não era um bom homem. Camille se ocupou disso. Ela matou o bom e amável que havia em seu interior. Mas ainda havia sensatez. E não permitiria se aproximar de Demetria outra vez. Um engano podia ser compreensível.
Dois seria sua perdição.
E três...
Bom Deus, não deveria estar pensando em três.
O que precisava era distanciarse. Distância. Estava longe de Demetria, não poderia tentar e ela poderia esquecer seu encontro ilícito e encontraria por si mesmo a algum moço jovial e agradável para casar. A imagem dela nos braços de outro homem de improviso era desagradável, mas Adam decidiu que era porque era muito cedo na manhã, e estava cansado e tinha beijadohá só fazia seis horas ou algo assim e...
E poderia haver umas cem razões diferentes, nenhuma delas importantes o bastante para examinar mais de perto.
Enquanto isso teria que evitála. Talvez devesse deixar a cidade. Escapar.
Poderia sair do país. Realmente não tinha pensado permanecer em Londres muito tempo de todos os modos.
Abriu os olhos e gemeu. Não possuía nenhum autocontrole? Demetria era uma jovenzinha inexperiente de vinte anos. Não era como Camille, conhecedora em todas as habilidades femininas e disposta a utilizálas para sua vantagem.
Demetria poderia ser tentadora, mas resistível. Adam era o suficiente homem para manter a cabeça quando estivesse perto dela. Em todo caso, provavelmente não deveria estar vivendo na mesma casa. E enquanto fazia as mudanças, talvez fosse hora de inspecionar as mulheres da alta sociedade este ano. Havia muitas discretas e jovens viúvas. Fazia muito tempo que não ficava em companhia feminina.
Se algo podia fazer esquecer uma mulher, era outra.
—Adam está de mudança.
—O que? —Demetria estava arrumando as flores em um vaso de porcelana. Foi só pelas ágeis mãos e a enorme boa sorte que a preciosa antiguidade não se estatelou contra o chão.
—Já foi — disse Selena com um encolhimento. — Seu ajudante de quarto está empacotando suas coisas agora mesmo.
Demetria pôs o vaso de volta sobre a mesa com doloridos e cuidadosos dedos.
Devagar, constante, inspira, espira. E então finalmente, quando esteve segura de que podia falar sem tremer, perguntou:
—Abandona a cidade?
—Não, não acredito — disse Selena, sentandose sobre o divã com um bocejo.
— Não tinha pensado permanecer na cidade tanto tempo, por isso irá alugar um apartamento.
—Irá alugar um apartamento? —Demetria lutou contra o horrível vazio que sentia estar afundando em seu peito. Alugava um apartamento. Tão somente para afastarse dela.
Teria se sentido humilhada se não estivesse tão triste. Ou talvez fossem ambas as coisas.
—Isto é provavelmente o melhor — continuou Selena, esquecendo a angústia de sua amiga. — Sei que diz que nunca voltará a casar outra vez...
—Ele disse isso? —Demetria congelou. Como era possível que não soubesse?
Sabia que havia dito que não procurava esposa, mas certamente não pensou que fosse para sempre.
—OH, sim — respondeu Selena. — Disse o outro dia. Foi bastante firme. Pensei que mamãe teria um ataque por isso. Por assim dizer, esteve muito perto de desmaiar.
—Sua mãe? —Demetria tinha dificuldade em imaginar.
—Bom, não, mas se seus nervos tivessem sido menos fortes, certamente teria feito.
A maior parte do tempo Demetria desfrutava das divagações da amiga, mas neste momento queria estrangulála.
—De todos os modos — disse Selena, suspirando enquanto se recostava, —
disse que não se casará, mas estou completamente segura de que reconsiderará.
Simplesmente deve passar o sofrimento sobre isso. — Fez uma pausa, olhando de soslaio Demetria com uma expressão sardônica. — Ou a falta dela.
Demetria sorriu tensamente. Tão tensamente, de fato, que estava segura o bastante de que outra pessoa era quem o fazia.
—Mas apesar do que diz — adicionou Selena, recostandose e fechando os olhos, — com certeza não encontrará uma noiva enquanto viva aqui. Céus como poderia alguém fazer a corte na companhia de uma mãe, um pai e duas irmãs mais jovens?
—Duas?
—Bem, uma, certamente, mas você poderia ser contada como uma segunda.
Com segurança não pode comportarse de nenhuma outra forma como gostaria de comportarse enquanto está em sua presença.
Demetria não sabia se devia rir ou chorar.
—E inclusive se não escolher uma noiva a qualquer momento, logo — acrescentou Selena, — deverá tomar uma amante. Certamente isto o ajudará a esquecer Camille.
Demetria não viu que podia dizer a isso.
—E certamente não pode fazêlo enquanto esteja vivendo aqui. —Selena abriu os olhos e se apoiou sobre os cotovelos. — Por isso realmente, é tudo para melhor.
Não está de acordo?
Demetria assentiu com a cabeça. Porque tinha que fazer. Porque se sentia muito aturdida para chorar.
19 de junho de 1819
Ele se foi faz uma semana e estou além de mim mesma.
Se simplesmente tivesse ido, poderia perdoálo, mas não retornou!
Não me procurou. Não me enviou uma carta, e embora ouça sussurros e intrigas de que reata suas atividades normais e está sendo visto em sociedade, é certo que nunca o vejo, se estiver em um evento, ele não está. Uma vez pensei têlo visto do outro lado de um recinto, mas não posso estar segura, porque só vi suas costas enquanto efetuava a saída.
Não sei o que fazer com tudo isto, não posso procurálo, poderia estar à altura do impróprio. Lady Rudland proibiu até Selena de visitálo; está em The Albany e é estritamente para cavalheiros. Nenhum familiar ou viúvas.
—O que planeja vestir para o baile desta noite dos Worthington? —Perguntou
Selena, jogando três torrões de açúcar em seu chá.
—É esta noite? — Os dedos de Demetria se apertaram ao redor da xícara de chá. Adam tinha prometido que iria ao baile dos Worthington e dançaria com ela.
Certamente não faltaria a uma promessa.
Ele estaria ali. E se não estivesse... Ela simplesmente teria que garantir de que não faltasse.
—Colocarei meu vestido de seda verde — disse Selena. — A não ser que queira usar o seu vestido verde. Fica realmente adorável com o verde.
—É o que pensa? —Demetria se endireitou.
De repente era imperativo que se, visse absolutamente bela.
—Mmmhmm. Mas seria bom não usarmos a mesma cor, por isso terá que se decidir logo.
—O que me recomenda? —Demetria não estava desesperada por andar na moda, mas nunca teria um olho tão perito como Selena.
Selena inclinou a cabeça para um lado enquanto examinava a amiga.
—Com sua tez, realmente sinto que não possa usar algo mais vivo, mas mamãe diz que ainda somos muito novatas. Mas talvez... — levantouse de um salto, arrebatando sabiamente um travesseiro verde pálido de uma cadeira próxima e a sustentou sob o queixo de Demetria. — Hmmm.
—Está planejando me redecorar?
—Segura isto — ordenou Selena, e deu vários passos para trás, soltando um elegante. Euf! Quando seu pé se enganchou em uma perna da mesa. — Sim, sim — murmurou, mantendo o equilíbrio com o braço do sofá. — É perfeito.
Demetria olhou para baixo. E logo para cima.
—Devo usar um travesseiro?
—Não, usar meu vestido de seda verde. Este é precisamente a mesma cor.
Annie vai buscálo hoje.
—Mas então, o que você irá vestir?
—OH, alguma outra coisa — disse Selena com um movimento de mão. — Algo rosa. Os cavalheiros parecem ficar loucos pelo rosa. Faz que me veja como um doce, dizem.
—Não te importa ser um doce? — Porque Demetria odiaria.
—Não me importa o que pensem — corrigiu Selena. — Ajudame. Há frequentemente uma vantagem na subestimação. Mas você... — Negou com a cabeça.
— Você necessita algo mais sutil. Sofisticado.
Demetria recolheu seu chá para tomar o último gole, então parou, alisando a suave musselina de seu vestido de dia.
—Deveria ir provar agora — disse ela. — Para dar tempo a Annie de fazer as modificações.
E, além disso, tinha um pouco de correspondência que atender.
Adam descobriu, enquanto atava a gravata da fantasia com dedos ágeis, que seu talento para o ataque verbal era mais amplo e profundo do que percebeu. Encontrou umas cem coisas malignas desde que recebeu, nessa mesma tarde, a maldita nota de Demetria. Mas, sobretudo, amaldiçoava, acontecesse o que acontecesse, o maldito sentido da honra que ainda possuía.
Ir ao baile dos Worthington era o cúmulo da insensatez, a coisa mais néscia que possivelmente poderia fazer. Mas é claro que sim que não poderia romper a promessa à jovenzinha, inclusive se era por seu bem.
Santo inferno. Isto não era o que necessitava agora mesmo.
Voltou a olhar a nota. Tinha prometido dançar com ela se lhe faltassem companheiro não foi? Bem, isto não deveria ser um problema. Simplesmente se asseguraria de que tivesse mais companheiros do que soubesse o que fazer com eles.
Seria a mais bela do baile.
Supôs que já que deveria ir á festa, devia seguir em frente e examinar às jovens viúvas. Com um pouco de sorte, Demetria veria exatamente onde planejava dedicar seus cuidados e compreenderia que devia olhar em outra direção.
Estremeceu. Não gostava do pensamento de contrariála. Infernos ele gostava da jovenzinha. Sempre gostou.
Moveu a cabeça. Não ia magoála. Não muito, de todos os modos. E, além disso, a ressarciria.
A bela do baile recordou enquanto entrava em sua carruagem e se preparava duramente para o que certamente seria uma velada extremamente difícil.
A. Bela. Do. Baile. Selena descobriu Adam no momento em que entrou.
—OH, olhe — disse, dando uma cotovelada em Demetria. — Meu irmão está aqui.
—Sim? —Respondeu Demetria ofegando.
—Mmmhmm. — Selena se endireitou, juntando as sobrancelhas. — Não o vejo há séculos, agora que penso nisso. E você?
Demetria negou com a cabeça distraidamente enquanto estirava o pescoço, tentando divisar Adam.
—Está falando com Duncan Abbott — informou Selena. — Perguntome do que estarão falando. O senhor Abbott é totalmente um político.
—É?
—OH, sim. Eu gostaria de ter um debate com ele, mas provavelmente não gostaria de falar de política com uma mulher. Isso sim que é molesto.
Demetria esteve a ponto de assentir com a cabeça quando Selena franziu o cenho e disse com voz irritada.
—Agora se dirige á lorde Westholme.
—Selena é permitida ao homem falar com quem quiser — disse Demetria, mas por dentro, ela também estava se irritando por Adam não ir em direção a elas.
—Sei, mas deveria vir e nos saudar primeiro. Somos sua família.
—Bem, você é ao menos.
—Não seja tola. Você também é família, Demetria. — A boca de Selena se abriu com um pequeno oh de indignação. — Está vendo isto? Vai em direção oposta.
—Quem é esse homem para quem se dirige? Não o reconheço.
—O Duque de Ashbourne. O tipo é infernalmente bonito, não é? Acho que esteve no estrangeiro. Estava de férias com a esposa. Pelo que sei, são muitos devotos um do outro.
Demetria pensou em que era um sinal positivo ouvir que ao menos um matrimônio da alta sociedade era feliz. De todos os modos, Adam certamente não pediria sua mão se não pôde se incomodar em atravessar o salão de baile para dizer olá. Ela franziu o cenho.
—Me perdoe Lady Selena. Acho que esta é minha dança.
Selena e Demetria levantaram a vista. Um belo jovem cujo nome nenhuma das duas podia recordar estava de pé ante elas.
—Certamente — disse Selena rapidamente. — Que tola sou por ter esquecido.
—Acho que tomarei um copo de limonada — disse Demetria com um sorriso.
Sabia que Selena sempre se sentia incômoda quando ia dançar e deixava
Demetria sozinha.
—Está segura?
—Vai. Vai.
Selena flutuou para a pista de dança e Demetria iniciou seu caminho para o lacaio que servia a limonada. Como sempre, tinha sido requerida só para aproximadamente a metade das danças. E onde estava Adam, poderia perguntarse, depois de que prometeu dançar com ela se carecia de companheiros?
Horrível, horrível homem.
De algum modo, sentiase bem o amaldiçoando em sua mente, inclusive se realmente não acreditasse.
Demetria tinha percorrido a metade do caminho para a limonada quando sentiu uma firme mão masculina sobre seu cotovelo. Adam? Virouse, mas se decepcionou ao encontrar um cavalheiro que não conhecia, mas cujo rosto lhe era vagamente familiar.
—Senhorita Cheever?
Demetria assentiu.
—Posso ter o prazer desta dança?
—Pois sim, é obvio, mas não acredito que tenhamos sido apresentados.
—OH, me perdoe, por favor. Sou Westholme.
Lorde Westholme? Não era o cavalheiro com quem Adam esteve conversando tão somente alguns instantes antes? Demetria sorriu, mas em sua mente franzia o cenho. Nunca tinha sido uma grande crente das coincidências.
Lorde Westholme demonstrou ser um bailarino excelente e o par girou sem esforço pelo piso. Quando a música se aproximou do final, ele se inclinou elegantemente e a escoltou ao perímetro do recinto.
—Obrigada pela adorável dança, Lorde Westholme — disse Demetria gentilmente.
—Sou eu quem deveria agradecer Senhorita Cheever. Espero que logo possamos repetir este prazer.
Demetria notou que Lorde Westholme tinha conseguido depositála tão longe da limonada como era possível. Foi uma mentira piedosa quando disse a Selena que tinha sede, mas agora realmente estava bastante sedenta. Com um suspiro, compreendeu que teria que abrir caminho de volta através da multidão. Não tinha dado dois passos para os refrescos quando outro extremamente elegante jovem elegível parou frente a ela. Reconheceuo imediatamente. Era o Senhor Abbott, o cavalheiro politicamente importante com quem Adam também esteve conversando.
No prazo de alguns segundos, Demetria estava de volta a pista de dança e certamente sua irritação crescia.
Não é que pudesse pôr falta os seus companheiros. Se Adam achou necessário subornar aos homens para que dançassem com ela, ao menos escolheu os belos e educados. Entretanto, quando o Senhor Abbott a tirava da pista de dança e viu o Duque de Ashbourne abrindo caminho para ela, Demetria se retirou rapidamente.
Pensou que ela não teria nenhum orgulho? Pensava que apreciaria que enrolasse a seus amigos pedindo que dançassem com ela? Isto era humilhante. E ainda pior era a implicação de que conseguia que aqueles homens dançassem com ela porque ele mesmo não podia se incomodar em fazêlo. As lágrimas começaram a se formar nos olhos e Demetria, aterrorizada por derramálas no salão do baile à vista da alta sociedade, saiu correndo para um corredor deserto.
Apoiouse contra uma parede e tomou grandes baforadas de ar. A rejeição dele não doía. Apunhalavaa. A feria como balas. E sua pontaria era precisa até certo ponto.
Isto não se parecia com todos aqueles anos quando a tinha visto como uma menina. Então ao menos ela podia se consolar dizendo que não sabia o que estava errado. Mas agora sabia. Agora sabia exatamente o que estava errado e ele não se preocupava nem um pouco.
Demetria não podia permanecer no vestíbulo toda a noite, mas não estava preparada para voltar para o baile, por isso saiu ao jardim. Era uma pequena zona verde, mas bem proporcionada e apresentada com bom gosto. Demetria se sentou sobre um banco de pedra no canto do jardim que estava em frente á parte de atrás da casa. Grandes portas de vidro se abriam no salão de baile, e durante alguns minutos olhou às damas e cavalheiros girarem com a música. Sorveu o nariz e tirou uma das luvas para poder limpar o nariz com a mão.
—Meu reino por um lenço — disse com um suspiro.
Talvez pudesse fingir que estava doente e ir para casa.
Provou com uma pequena tosse. Talvez estivesse realmente doente.
Realmente, não tinha nenhum sentido permanecer o resto do baile. O objetivo era ser bonita, sociável e cativante, não? Não havia nenhum modo que ela pudesse conseguir qualquer destas coisas nesta festa.
E então viu um brilho dourado.
Cabelo frisado de dourado, para ser mais exata.
Era Adam. Certamente. Como não seria ele quando estava sentada, pateticamente sozinha? Caminhava pelas portas francesas que conduziam ao jardim.
E havia uma mulher em seu braço.
Um estranho nó rodou por sua garganta e Demetria não sabia se ria ou chorava.
Não lhe economizaria nenhuma humilhação? O fôlego ficou preso na garganta, moveuse a toda pressa para a beira do banco onde ficaria mais oculta pelas sombras.
Quem era? Tinha visto antes. Lady Algo ou outra. Uma viúva escutou que era muito rica e independente. Não parecia uma viúva. E verdade seja dita, não parecia muito mais velha que Demetria.
Murmurando uma desculpa pouco sincera, Demetria aguçou os ouvidos para ouvir a conversa. Mas o vento levava as palavras em direção contrária, assim só se inteirou de pedaços vazios. Finalmente, depois do que soou como "não estou segura",
Adam se inclinou e a beijou.
O coração de Demetria se rompeu.
A Lady murmurou algo que não pôde ouvir e retornou ao salão de baile. Adam permaneceu no jardim, as mãos sobre os quadris, olhando enigmaticamente para a lua.
Parte quis gritar Demetria. Vamos! Encontravase ali presa até que partisse e tudo o que queria era ir para casa e enroscarse em sua cama. Mas esta não parecia ser uma opção neste mesmo momento, estando na beira mais afastado do banco, tentando ocultarse inclusive mais nas sombras.
A cabeça de Adam virou bruscamente em sua direção. Maldição! Ouviu. A olhou de esguelha e deu um par de passos em sua direção. Então fechou os olhos e devagar negou com a cabeça.
—Maldita seja, Demetria! —Disse com um suspiro. — Por favor, me diga que não é você.
Até aqui a tarde tinha estado indo muito bem. Conseguiu evitar Demetria completamente, finalmente conseguiu ser apresentado à encantadora viúva Bidwell de só vinte e cinco anos e o champanhe não foi muito ruim tampouco.
Mas não, os deuses claramente não se inclinavam a lhe conceder alguns favores. Ali estava ela. Demetria. Sentada sobre um banco, olhandoo.
Presumivelmente vendoo beijar a viúva.
Por Deus!
—Maldita seja, Demetria! —Disse com um suspiro. — Por favor, me diga que não é você.
—Não sou eu.
Ela tentava soar orgulhosa, mas sua voz sustentou uma borda oca que o atravessou. Ele fechou os olhos um momento por que, maldição, supunhase que não estaria ali. Imaginava que ele não teria este tipo de complicações em sua vida. Por que algo por única vez não poderia ser simples e fácil?
—Por que está aqui? —Perguntou.
Ela deu um encolher de ombros.
—Queria um pouco de ar fresco.
Deu alguns passos para ela até que esteve profundamente encaixado nas sombras como estava ela.
—Estava me vigiando?
—Deve ter uma opinião muito alta de si mesmo.
—Fazia? —Exigiu.
—Não, certamente que não — replicou, retraindo o queixo com cólera. — Não me inclino para a espionagem. Deveria inspecionar os jardins com mais cuidado a próxima vez que planeje um encontro.
Ele cruzou os braços.
—Acho difícil de acreditar que estivesse aqui fora e que não tenha nada a ver com minha presença.
—Me diga, então — respondeu ela, — se te segui até aqui, como cheguei até o banco sem que você se dessa conta?
Ele ignorou a pergunta, sobretudo porque tinha razão. Passou a mão pelo cabelo, agarrando uma mecha e espremendo, a sensação de estar arrancando de seu couro cabeludo de algum modo ajudava a refrear seu gênio.
—Está puxando o cabelo — disse Demetria com irritabilidade na voz.
Ele suspirou. Dobrou os dedos. E sua voz foi quase estável quando exigiu.
—O que é isto Demetria?
—O que é isto? —Ela ecoou, ficando de pé. — O que é isto? Como se atreve!
Isto é sobre não falar comigo durante uma semana e me tratar como algo que tem que ser varrido para baixo de um tapete. É sobre você pensar que tenho tão pouco orgulho que apreciaria que subornasse seus amigos para dançarem comigo. É sobre sua grosseria, egoísmo e sua incapacidade para...
Ele colocou a mão sobre sua boca.
—Pelo amor de Deus, fala baixo. O que ocorreu a semana passada foi um equívoco, Demetria. E é uma idiota por exigir o pagamento das minhas promessas me obrigando a vir esta noite.
—Mas você atendeu — sussurrou ela. — Veio.
—Vim —cuspiu — porque procuro uma amante. Não uma esposa.
Ela se tornou para trás. E o olhou fixamente. Olhouo fixamente até que pensou que esvaziaria os olhos sobre ele. E logo finalmente com uma voz tão baixa que doía, disselhe:
—Eu não gosto de você neste momento, Adam.
Isto estava bem. Ele tampouco gostava muito a si mesmo nesse momento.
Demetria levantou o queixo, mas tremia enquanto dizia.
—Se me perdoar. Tenho uma dança. Graças a você, tenho um importante número de companheiros de dança e não quereria ofender nenhum deles.
Observoua enquanto partia furiosamente. E então olhou a porta. E logo partiu.
20 DE JUNHO DE 1819
Vi que a viúva estava outra vez esta noite depois de que retornei ao salão de baile.
Perguntei a Selena quem era e me disse que seu nome era Catherina Bidwell. É a condessa do Pembleton. Casouse com Lorde Pembleton quando ele tinha quase sessenta anos e rapidamente teve um filho, Lorde Pembleton passou desta para melhor há pouco tempo e agora ela tem o poder completo de sua fortuna até que o moço seja maior de idade. Uma mulher muito simpática. Tem muita independência.
Provavelmente não quer casar outra vez, como estou segura que convém ao Adam perfeitamente.
Tive que dançar com ele uma vez, Lady Rudland insistiu nisso, e depois, como se a tarde não pudesse piorar, ela me afastou para comentar minha repentina popularidade. O Duque de Ashbourne dançando comigo! (Sinal de admiração dela). Ele é casado, certamente e muito felizmente, mas de todos os modos, não esbanja seu tempo com pequenas senhoritas, Lady Rudland estava emocionada e muito orgulhosa de mim. Pensei que fosse começar a gritar.
Agora, entretanto, estou em casa e estou tentando decidir algum tipo de enfermidade para não sair durante alguns dias. Uma semana, se puder conseguir.
Sabe o que mais me incomoda? Lady Pembleton não é considerada como bonita, OH, não é desagradável de olhar, mas não é nenhum diamante de primeira categoria. Seu cabelo é simplesmente castanho e seus olhos também.
Justo como os meus.

domingo, 3 de junho de 2018

O Diário Secreto da Senhorita Demetria Cheever Capitulo 7


Tendo terminado uma vela e depois de três copos de brandy, Adam se encontrava sentado na penumbra do estúdio de seu pai, olhando através da janela, escutando o rangido das folhas de uma árvore próxima que, açoitadas pelo vento, golpeavam o vidro.
Aborrecido, talvez, mas justo nesse momento se apegava ao aborrecimento.
Um pouco aborrecido era precisamente o que desejava depois de um dia como o que teve.
Primeiro foi Selena, acusandoo de desejar Demetria. Em seguida foi Demetria, e ele havia...
Deus querido tinha desejadoa.
Sabia o momento exato que compreendeu. Não foi quando se chocou contra ele. Não foi quando lhe rodeou com as mãos a parte superior dos braços para estabilizála. Havia se sentido bem, sim, mas não levou em conta. Não dessa forma.
O momento... O momento que muito provavelmente foi sua perdição ocorreu meio segundo mais tarde, quando ela levantou a cabeça.
Foram os olhos dela. Sempre foram seus olhos. Simplesmente tinha sido muito estúpido para darse conta disso.
E enquanto permaneciam ali, durante o que pareceu uma eternidade, sentiu como mudava. Sentiu que seu corpo se enrolava e que sua respiração cessava tudo ao mesmo tempo, e logo apertou os dedos e os olhos dela... Aumentaram mais ainda.
E a desejou. Desejoua como nunca pôde imaginar de uma forma que não era nem apropriada nem boa.
Nunca ficou tão zangado consigo mesmo.
Não a amava. Não podia amála. Estava bastante seguro que não poderia amar ninguém, não depois da morte que Camille tinha gravado em seu coração. Era luxúria, pura e simples, e era luxúria pela mulher que provavelmente seria a menos conveniente de toda a Inglaterra.
Serviuse outro gole. Diziam que o que não matava um homem o fortalecia, mas isto...
Isto ia matálo.
E então, quando estava ali sentado, pensando em sua própria debilidade, a viu.
Era uma prova. Só podia tratarse de uma prova. Alguém em algum lugar estava decidido a provar seu temperamento como cavalheiro, e ele ia falhar. Tentaria, se conteria tanto tempo quanto fosse possível, mas muito profundamente em seu interior, em um pequeno canto de sua alma que não tinha um interesse particular em examinar, sabia. Falharia.
Moviase como um fantasma, quase brilhando vestida com algum tipo de ondulante camisola branca. Era lisa e de algodão e estava seguro que era recatada, apropriada e perfeitamente virginal.
Fez que se desesperasse por ela.
Agarrou os lados da poltrona e se sustentou com todas suas forças.
Quando Demetria entrou no estúdio de Lorde Rudland, sentiase um pouco intranquila, mas não tinha encontrado o que estava procurando no salão rosa, e sabia que havia uma garrafa em uma prateleira próxima à porta. Em menos de um minuto poderia entrar e sair; com certeza que alguns meros segundos não constituíam uma invasão à privacidade.
—Então, onde estão esses copos? — murmurou, deixando a vela na mesa. —
Aqui estão. — Encontrou a garrafa de xerez e se serviu um pouco.
—Espero que não esteja habituandose a isto — disse uma voz pausada.
O copo se deslizou de seus dedos e aterrissou no chão com um forte estrépito.
—Tsk, tsk, tsk.
Seguiu a voz até que o viu, sentado em uma poltrona, com as mãos estranhamente agarradas aos braços da mesma. A luz era tênue, mas ainda assim, podia ver a expressão de seu rosto, sarcástica e seca.
—Adam? — sussurrou tolamente, como se fosse possível que se tratasse de outra pessoa.
—O próprio.
—Mas, o que está... Por que está aqui? —Avançou um passo. — Ai! —Uma lasca de cristal perfurou a pele da sola do pé.
—Pequena tola. Desceu descalça. — levantouse da poltrona e atravessou o aposento a grandes passos.
—Não tinha planejado quebrar um copo — respondeu Demetria à defensiva, se inclinando e tirando a lasca.
—Não importa. Pegará um resfriado de morte brincando de correr por aí dessa forma. — Levantoua nos braços e a separou dos vidros quebrados.
Nesse momento cruzou pela mente de Demetria que estava mais perto do céu do que jamais esteve em sua curta vida. O corpo dele era quente e podia sentir o calor fluindo através da camisola. Fazialhe cócegas a pele por sua proximidade e o fôlego começou a sair em pequenos e anômalos ofegos.
Era o aroma dele. Devia ser isso. Nunca antes ficou tão perto dele, nunca o suficientemente perto para cheirar sua essência extraordinariamente masculina.
Cheirava como madeira quente e brandy, e um pouco de algo mais, algo que não podia precisar exatamente. Algo que era simplesmente Adam. Agarrando o pescoço dele, permitiuse aproximar a cabeça ao seu peito só o suficiente para poder inalar profundamente seu aroma uma vez mais.
E então, quando estava convencida de que a vida era a mais perfeita que se podia pedir, a jogou bruscamente no sofá.
—Por que fez isso? —Perguntou, lutando para sentarse reta.
—O que está fazendo aqui?
—O que você está fazendo aqui?
Sentouse em uma mesa baixa na frente dela.
—Eu perguntei primeiro.
—Parecemos um par de crianças — disse, sentandose sobre as pernas. Mas não obstante, respondeu. Parecia absurdo discutir sobre semelhante assunto. — Não podia dormir. Pensei que um copo de xerez poderia me ajudar a conseguir.
—Porque chegou madura e anciã idade de vinte anos — disse ele de brincadeira.
Mas ela não mordeu o anzol. Só inclinou a cabeça com um gracioso movimento de reconhecimento e disse:
—Exatamente.
Ele riu.
—Pois, não faltaria mais, me permita assistila em sua queda. —Ficou de pé e caminhou para o próximo móvel. — Mas se for beber, então, Por Deus, façao adequadamente. Um brandy é o que necessita, preferentemente do francês que se obtém de contrabando.
Demetria o observou enquanto pegava duas taças da prateleira e as punha sobre a mesa. Suas mãos eram firmes e... As mãos podiam ser bonitas? Ao servir duas consideráveis medidas.
—Quando era pequena, minha mãe, ocasionalmente, me dava brandy. Quando pegava chuva — explicou. — Só um golinho para me esquentar.
Adam se virou a olhála, embora estivesse escuro sentia que seus olhos a perfuravam.
—Tem frio agora?
—Não. Por quê?
—Está tremendo.
Demetria desceu a vista a seus braços traidores. Estava tremendo, mas não era o frio o que o causava. Abraçou a si mesma, com a esperança de que não seguisse com o tema.
Ele voltou para seu lado e lhe entregou o brandy, seu corpo imbuído de uma enxuta elegância masculina.
—Não o vire de um gole.
Antes de tomar um gole, Demetria lhe lançou um olhar extremamente irritado pelo tom de condescendência que havia em sua voz.
—Por que está aqui? — Perguntou.
Sentouse na frente dela e preguiçosamente apoiou um tornozelo sobre o joelho oposto.
—Tinha que discutir uns assuntos da fazenda com meu pai, assim convidei a mim mesmo a compartilhar um gole com ele depois da refeição. E não fui embora.
—E esteve aqui sentado sozinho na escuridão?
—Eu gosto da escuridão.
—Ninguém gosta da escuridão.
Riu com vontade, fazendoa sentir terrivelmente imatura e jovem.
—Ah, Demetria — disse, ainda rindo. — Obrigado por isso.
Ela semicerrou os olhos.
—Quanto bebeu?
—Uma pergunta muito impertinente.
—Há, por isso deve ter bebido muito.
Ele se inclinou para frente.
—Parece que estou bêbado?
Ela se afastou involuntariamente, não estando preparada para a intensidade de seu olhar.
—Não — disse lentamente. — Mas você é muito mais experiente que eu, e imagino que sabe como beber. Provavelmente possa beber oito vezes mais que eu sem que pareça absolutamente que bebeu.
Adam riu asperamente.
—Muito certo tudo o que disse. E você, querida menina, deveria aprender a permanecer afastada de homens que são "muito mais experimentes" que você.
Demetria tomou outro gole de sua bebida, resistindo apenas o impulso de engoli uma vez. Mas a queimaria, e certamente engasgaria, e logo ele começaria a rir.
E ela quereria morrer de vergonha.
Tinha estado de mau humor toda a noite. Cortante e zombador quando estavam a sós, e silencioso e desanimado quando não estavam. Amaldiçoou seu traiçoeiro coração por amálo tanto; teria sido muito mais fácil adorar Mikey, cujo sorriso era alegre e aberto, e que se mostrou encantador com ela toda a noite.
Mas não, desejava ele. Adam, cujos humores eram como o mercúrio e em um instante estava rindo e brincando com ela, e no seguinte a tratava como se a odiasse.
O amor era para os idiotas. Os tolos. E ela era a maior tola de todos.
—Em que está pensando? — demandou ele.
—Em seu irmão — disse, só para ser perversa. De todas as formas, era um pouco verdade.
—Ah — disse ele, acrescentando mais brandy a sua taça. — Mikey. Boa pessoa.
—Sim — respondeu. — Um pouco desafiante.
—Alegre.
—Encantador.
—Jovem.
Ela deu um encolher de ombros.
—Eu também sou. Talvez sejamos um bom par.
Não disse nada. Ela terminou sua bebida.
—Não está de acordo? —perguntou.
Ele continuou sem falar.
—A respeito do Mikey — pressionou. — É seu irmão. Quer que seja feliz, não é? Pensa que seria boa para ele? Pensa que poderia fazêlo feliz?
—Por que está me perguntando isso? — perguntou ele, com a voz baixa e quase alheia no silêncio da noite.
Demetria deu um encolher de ombros, logo deslizou o dedo dentro da taça para recolher as últimas gotas. Depois de lamber a pele, levantou a vista.
—Ao seu serviço — murmurou ele, e lhe serviu dois dedos mais de brandy na taça.
Demetria assentiu em forma de agradecimento e logo respondeu sua pergunta.
—Quero saber —disse simplesmente, — e não sei a quem mais perguntar.
Selena está tão ansiosa de me ver casada com Mikey, que dirá qualquer coisa que pense que me levará mais rapidamente ao altar.
Esperou, contando os segundos até que ele falou. Um, dois, três... E logo tomou fôlego entrecortadamente.
Foi quase como uma rendição.
—Não sei Demetria. — Soava cansado, aflito. — Não vejo razão para que não o faça feliz. Faria feliz a qualquer homem.
Até você? Demetria morria por dizer essas palavras, mas em troca perguntou.
—Pensa que ele me fará feliz?
Tomou ainda mais tempo responder essa pergunta. E logo finalmente, em um tom lento e moderado disse:
—Não estou seguro.
—Por que não? Que tem que errado com ele?
—Não tem nada de errado. É simplesmente que não estou seguro de que vá te fazer feliz.
—Mas, por quê? — Estava sendo impertinente, sabia, mas se pudesse fazer que Adam lhe dissesse por que Mikey não a faria feliz, talvez se dessa conta de que ele sim conseguiria.
—Não sei Demetria. — Passou a mão pelo cabelo até que as mechas douradas ficaram em um ângulo desajeitado. — É necessário que tenhamos esta conversa?
—Sim — disse ela com intensidade. — Sim.
—Muito bem. — Ele se inclinou para frente, entrecerrando os olhos para preparála para lhe dar notícias desagradáveis. — Não entra nos modelos de beleza que a sociedade estima atualmente para ser considerada bela, é muito sarcástica para não dizer mais e não gosta particularmente de sustentar uma conversa educada.
—Francamente, Demetria eu não posso imaginála desejando um típico casamento social.
Ela engoliu com força.
—E?
Ele afastou a vista por um longo minuto antes de voltar finalmente a olhála de frente.
—E a maioria dos homens não a apreciariam. Se seu marido tratar de moldála a algo que não é, será espetacularmente infeliz.
Houve uma corrente elétrica no ar, e Demetria foi bastante incapaz de tirar os olhos de cima dele.
—E você acha que aí fora haverá alguém capaz de me apreciar? —Sussurrou.
A perguntaa pendurou pesadamente no ar, hipnotizando os dois até que Adam finalmente respondeu.
—Sim.
Mas seus olhos desceram para a taça, e logo acabou o resto do brandy. Seu olhar era o de um homem satisfeito pela bebida, não o de um homem concentrado no amor e o romance.
Ela afastou a vista. O momento se alguma vez houve um, se não foi só produto de sua imaginação tinha passado, e o silêncio que seguiu não foi um silêncio cômodo.
Era embaraçoso e torpe, e ela se sentiu envergonhada e torpe, e assim, ansiosa por encher a distância entre eles, balbuciou a primeira coisa corriqueira que lhe passou pela mente.
—Pensa assistir ao baile dos Worthington na próxima semana?
Ele se virou uma de suas sobrancelhas arqueada a modo de interrogação pela inesperada pergunta.
—É provável.
—Eu gostaria que o fizesse. Sempre tem a amabilidade de dançar comigo duas vezes. Se não fosse assim me faltariam muitos pares. —Estava balbuciando, mas não estava segura de que importasse. Em qualquer caso, não parecia capaz de deterse. —
Se Mikey pudesse ir, não o necessitaria, mas ele teria que retornar a Oxford pela manhã.
Adam a olhou estranhamente. Não era um verdadeiro sorriso, e não era uma brincadeira, e nem sequer era um gesto irônico. Demetria odiava que fosse tão inescrutável; não lhe dava absolutamente nenhum sinal de como proceder. Mas de todas as formas continuou. A essas alturas, o que tinha a perder?
—Irá? —Perguntou. — Apreciaria muito.
Olhoua por um momento, e logo disse:
—Lá estarei.
—Obrigada. Fico muito agradecida.
—É um prazer ser de utilidade — disse ele com secura.
Ela assentiu seus movimentos guiados mais por uma energia nervosa que por qualquer outra coisa.
—Só deve dançar comigo uma vez, se isso for tudo o que pode tolerar. Mas se o fizesse a princípio, apreciaria. Os outros homens parecem seguir seu exemplo.
—Estranho como posso parecer — murmurou ele.
—Não é tão estranho — disse Demetria lhe dedicando o encolhimento de um só ombro. Estava começando a sentir os efeitos do álcool. Ainda não estava desequilibrada, mas se sentia bastante quente, talvez um pouco atrevida. — Você é bastante bonito.
Adam pareceu não saber o que responder. Demetria se felicitou. Era muito estranho engenhar para desconcertálo.
O sentimento foi impetuoso, assim tomou outro gole de seu brandy, e desta vez tomou cuidado de deixálo deslizarse lentamente pela garganta, e disse:
—É bastante parecido ao Mikey.
—Desculpeme.
Seu tom foi escarpado, e provavelmente ela deveria ter tomado como uma advertência, mas parecia não ser capaz de sair do poço que estava cavando rapidamente a seu redor.
—Bom ambos têm olhos azuis e cabelo loiro, embora suponha que o dele é um pouco mais claro. E também sua postura é similar, embora...
—É suficiente, Demetria.
—Oh, mas...
—Disse que é suficiente.
Calouse ante o tom cáustico, logo murmurou:
—Não há necessidade de sentirse ofendido.
—Bebeu muito.
—Não seja tolo. Não estou nada bêbada. Estou segura que você tomou dez vezes mais que eu.
Ele a olhou com um enganoso olhar indolente.
—Isso não é de tudo certo, mas como disse antes, tenho muita mais experiência que você.
—Eu disse isso, verdade? Acredito que tinha razão. Não acho que esteja nem um pouquinho bêbado.
Ele inclinou a cabeça e disse com suavidade.
—Bêbado não. Só um pouquinho atordoado.
—Atordoado, hein? —Murmurou ela, provando a palavra na língua. — Que descrição mais interessante. Acredito que eu também estou atordoada.
—Certamente deve estar, ou teria ido de volta para o andar de cima no momento que me viu.
—E não deveria têlo comparado com Mikey.
Seus olhos brilharam com uma cor azul resistente.
—Definitivamente não deveria ter feito isso.
—Não o incomoda, não é?
Houve um longo e mortal silêncio, e por um momento Demetria pensou que tinha ido muito longe. Como podia ter sido tão tola, tão presunçosa para pensar que ele poderia desejála? Por que em nome de Deus importaria a ele que ela o comparasse com seu irmão menor? Para ele, não era mais que uma menina, a pequena menina rústica com a qual tinha feito amizade porque sentia pena. Nunca deveria ter sonhado que talvez algum dia chegasse a afeiçoarse a ela.
—Desculpeme — murmurou, ficando desajeitadamente de pé — passei dos limites. —E logo, como ainda estava ali, terminou o resto do brandy e saiu correndo para a porta.
—Aaaah!
—Que demônios? —Adam ficou de pé de um salto.
—Esqueci dos vidros — choramingou. — Os vidros quebrados.
—OH, Cristo, Demetria, não chore. —Caminhou rapidamente atravessando o aposento e pela segunda vez essa noite a levantou nos braços.
—Sou tão estúpida. Tão condenadamente estúpida — disse com um soluço.
As lágrimas se deviam mais à perda da dignidade que à dor, e por essa razão eram mais difíceis de controlar.
—Não amaldiçoe. Nunca a escutei amaldiçoar antes. Terei que lavar sua boca com sabão — brincou, levandoa de volta para o sofá.
Seu tom gentil a afetou mais do que as palavras severas poderiam fazer jamais, e tomou dois profundos fôlegos, tratando de controlar os soluços que se abatiam em algum lugar no fundo de sua garganta.
Deixoua suavemente de volta no sofá.
—Agora me deixe ver esse pé, o que acha?
Ela negou com a cabeça.
— Posso arrumar isso sozinha.
—Não seja tola. Está tremendo como uma folha. — Foi para a prateleira onde estavam os licores e recolheu a vela que ela tinha deixado antes.
Demetria o observou enquanto cruzava o aposento para retornar a seu lado e deixar a vela no extremo da mesa.
—Bem, aqui temos um pouco de luz. Deixeme ver o pé.
Relutantemente, deixou que ele segurasse seu pé e colocálo sobre o colo.
—Sou tão estúpida.
—Quer deixar de dizer isso? É a mulher menos estúpida que conheço.
—Obrigada. Eu... Ai!
—Fique quieta e deixe de se retorcer.
—Quero ver o que está fazendo.
—Bom, a não ser que seja contorcionista, não tem como, assim terá que confiar em mim.
—Falta pouco?
—Pouco. — Colocou o dedo ao redor de outra lasca de vidro e atirou.
Ela se esticou pela dor.
—Ficam só uma ou duas.
—O que acontece se não tira todas?
—Farei.
—E se não?
—Bom Deus, mulher, alguma vez lhe disse que é muito insistente?
Ela quase sorriu.
—Sim.
Ele quase devolveu o sorriso.
—Se deixar uma, provavelmente sairá sozinho em poucos dias. As lascas geralmente são assim.
—Não seria lindo que a vida fosse tão simples como uma lasca? — disse ela tristemente.
Adam elevou a vista.
—Encontrando seu próprio caminho em poucos dias?
Assentiu.
Sustentoulhe o olhar outro instante, e logo voltou para seu trabalho, arrancando uma última lasca de vidro de sua pele.
—Aí tem. Estará como nova em pouco tempo.
Mas não fez nenhum movimento para retirar o pé de seu colo.
—Sinto ter sido tão desajeitada.
—Não sinta. Foi um acidente.
Era sua imaginação ou ele estava sussurrando? E seus olhos se viam tão tenros.
Demetria se retorceu e se dobrou para poder sentarse mais perto dele.
—Adam?
—Não diga nada — disse ele roucamente.
—Mas eu...
—Por favor!
Demetria não entendia a urgência de sua voz, não reconhecia o desejo entrelaçado em suas palavras. Só sabia que estava perto, que podia sentilo, que podia cheirálo... E que desejava saboreálo.
—Adam, eu...
—Não diga mais — disse asperamente e a atraiu para ele, esmagando os seios contra seu firme e musculoso torso. Seus olhos brilhavam com ferocidade, e subitamente se deu conta, subitamente soube, que nada ia impedir a lenta descida de seus lábios para os dela.
E então a beijou, sentia seus lábios quentes e famintos contra a boca. Seu desejo era intenso, cru e devorador. Desejavaa. Não podia acreditar, mal conseguia reunir a presença de ânimo para pensar, mas sabia. A desejava.
Fez sentirse atrevida. A fez sentir feminina. Resgatou algum tipo de conhecimento secreto que tinha estado enterrado nela, talvez desde antes de nascer, e lhe devolveu o beijo, movendo os lábios com ingênua incerteza, a língua disparando para provar o quente sabor salgado de sua pele.
As mãos do Adam lhe pressionaram as costas, aprisionandoa contra ele, e então já não puderam permanecer erguidos e se afundaram nas almofadas, Adam cobrindo o corpo de Demetria com o dele.
Tornouse selvagem. Estava enlouquecido. Essa era a única explicação, mas parecia que não se saciava dela. Suas mãos vagaram por todos os lados, provando, apalpando, apertando, e em tudo o que podia pensar — quando era capaz de pensar— era em que a desejava. Desejavaa de todas as maneiras possíveis. Desejava devorála.
Desejava adorála.
Desejava perderse dentro dela.
Sussurrou seu nome, gemeu contra sua pele. E quando ela respondeu sussurrando o dele sentiu que suas mãos se moviam por vontade própria para os pequenos botões da gola da camisola. Cada um parecia derreterse debaixo da ponta dos dedos até que abriram todos, e tudo o que faltava era que deslizasse o tecido sobre sua pele. Podia sentir o inchaço de seus seios debaixo da camisola, mas desejava mais.
Desejava seu calor, seu aroma, seu sabor.
Percorreulhe a garganta para baixo com os lábios, seguindo a elegante curva da clavícula, justo onde a borda da camisola se encontrava com a pele. Correu a borda para baixo, saboreando uma nova polegada dela, explorando a suave e salgada doçura, e estremecendose de prazer quando a lisa parte do colo deu lugar à suave turgidez de seu seio. Deus querido desejavaa.
Cavou a mão sobre ela através da roupa, pressionandoa para cima, aproximandoa de sua boca. Ela gemeu, e ele mal pôde conterse, quase não pôde forçar seu desejo a avançar lentamente. Aproximou a boca, aproximandose para o prêmio mais cobiçado, ao mesmo tempo em que deslizava a mão por debaixo da ponta da camisola, deslizandoa sobre a sedosa pele da panturrilha.
Quando sua mão alcançou a coxa, ela quase lançou um grito.
—Shhh — cantarolou, silenciandoa com um beijo. — Despertará os vizinhos.
Despertará meus...Pais.
Foi como se lhe jogassem um, balde de água fria.
—OH, Deus.
—O que acontece, Adam? —Sua respiração saía em ofegos entrecortados.
—OH, Deus. Demetria. —Disse o nome com toda a agitação que lhe alagava a mente. Foi como se tivesse estado adormecido, sonhando e tivesse despertado e...
—Adam, eu...
—Silêncio — sussurrou ele bruscamente, e rodou para sair de em cima dela com tanta força que aterrissou no tapete a seu lado. — OH, Deus querido — disse. E logo outra vez, porque merecia ser repetido. — OH. Deus. Querido.
—Adam?
—Levantese. Tem que levantarse.
—Mas...
Baixou a vista para ela, o que foi um grande engano. A camisola ainda estava enrolada perto dos quadris e as pernas dela — Deus querido, quem teria pensado que seriam tão adoráveis e longas — e ele só desejava...
Não.
Estremeceu com a força de sua própria negativa.
—Agora, Demetria — grunhiu.
—Mas eu não...
Deulhe um puxão e a pôs de pé. Não tinha nenhum desejo de tomar a mão; francamente, não confiava em si mesmo para tocála, por muito pouco romântico que fosse o puxão. Mas tinha que pôla em movimento. Deveria tirála dali.
—Vai — ordenou. — Pelo amor de Deus, se tiver um pouco de sentido comum, vai.
Mas ela simplesmente ficou ali de pé, olhandoo atordoada, com o cabelo desordenado, os lábios inchados e ele desejandoa.
Deus querido, ainda a desejava.
—Isto não voltará a ocorrer — disse, com a voz tensa.
Ela não disse nada. Observouo com cautela. Por favor, por favor, não permita que comece a chorar.
Mantevese ferozmente imóvel. Moviase, era provável que a tocasse. Não seria capaz de evitar.
—Será melhor que suba — disse em voz baixa
Ela assentiu com uma sacudida de cabeça e fugiu para seu quarto.
Adam ficou olhando fixamente a porta. Maldito inferno sagrado. O que ia fazer?
12 de Junho de 1819
Estou sem palavras. Absolutamente.