segunda-feira, 17 de abril de 2017

Traição Capitulo 14

Demi tinha apenas uma vaga ideia do que se passava ao seu redor. Após aquele primeiro mergulho no esquecimento, percebeu estar sendo carregada para dentro de um carro. Ouviu a voz preocupada de Joseph murmurando-lhe palavras ao ouvido, mas se fechou em seu íntimo para tudo que vinha daquele homem.
Quando despertou outra vez, se encontrava deitada em uma cama. Olhando ao redor, reconheceu onde estava e, com isso, foi invadida por uma nova onda de agonia, quente como uma lava, que lhe percorreu todo o corpo e lhe tirou o ar.
Joseph não seria capaz. Certamente não poderia ser tão cruel a ponto de trazê-la para o lugar em que viveram e do qual a expulsara.
Esperou pelas lágrimas, mas curiosamente tudo que sentia era um estranho distanciamento, um vácuo sem fundo, com a necessidade de sair daquele lugar.
Quando se sentou, o olhar se fixou em uma cadeira, próxima à janela, onde Joseph estava adormecido. Encontrava-se tombado sobre o braço da cadeira, com a roupa amarfanhada e a barba de um dia lhe escurecendo a mandíbula.
Demi esperou pelo acesso de raiva, de fúria, porém mais uma vez, tudo que sentiu foi um entorpecimento sufocante e a necessidade de escapar.
Levantou-se da cama, sem perceber as próprias roupas amassadas. Ocorreu-lhe que deveria trocá-las, mas não poderia arriscar acordar Joseph. Não. Precisava sair dali. Não poderia encará-lo sabendo que ele lhe fizera tão terríveis acusações e depois a deixara à mercê dos sequestradores.
O polegar roçou a argola fina do anel de noivado e ela o retirou com um movimento brusco.
O metal era frio contra a palma de sua mão. Com um movimento suave, ela o pousou sobre o criado mudo, girou e saiu.
Com os pés descalços, se encaminhou ao elevador. Sentia o estômago revirar enquanto revivia a noite em que entrara naquele elevador, com o mundo desmoronando ao seu redor e as acusações de Joseph reverberando em seus ouvidos. Como ele fora capaz? Aquele era o único pensamento que espiralava em sua mente até fazê-la ter vontade de gritar para dispersá-lo.
Quando alcançou o saguão, estacou, percebendo que não só o pessoal da segurança de
Joseph estaria guardando a entrada da frente como o porteiro também não a deixaria sair naquelas condições.
Demi girou e se encaminhou, apressada, à entrada dos fundos. Para seu desapontamento, um dos homens que ela reconheceu como pertencente ao destacamento de Joseph se encontrava a postos. Rapidamente, desviou para a entrada de serviço e cruzou o corredor que levava à lavanderia e à sala de manutenção. Minutos depois, Demi abriu uma porta e saiu para a luz pálida que prenunciava o amanhecer.
Joseph acordou com a sensação de um monstro grudado em seu pescoço e mudou deposição na cadeira pequena para aliviar o desconforto. Quisera passar a noite com Demi em seus braços, mas mesmo entorpecida, ela resistira a cada toque seu, se mostrando incomodada até que não lhe restasse outra alternativa, a não ser deixá-la sozinha na cama.
Acatara o conselho do médico que estava no hotel e telefonara para uma terapeuta assim que retornara para o apartamento com Demi. Marcara uma sessão para aquela manhã.
Esperava apenas que ela estivesse em condições para iniciar a terapia.
Quando o olhar de Joseph se fixou na cama e a viu vazia, se levantou da cadeira de um salto. Começou a se precipitar para fora do quarto, mas o brilho de algo sobre o criado mudo lhe atraiu a atenção. Quando constatou que se tratava do anel de noivado, a garra do medo lhe apertou o peito. Sem esperar mais nada, disparou pelo apartamento, procurando de cômodo em cômodo, com pânico crescente. Demi não se encontrava em lugar algum.
Enquanto entrava no elevador, retirou o celular do bolso e começou a discar. Quando chegou ao saguão, correu em disparada, quase colidindo com Stavros.
Joseph segurou o homem pelo colarinho e o puxou para perto.
– Onde ela está?
O segurança pestanejou várias vezes surpreso.
– Nós não a vimos, senhor. Nenhum de nós. Ela estava com o senhor.
Joseph o empurrou para o lado com um xingamento violento.
– Ela fugiu. Chame todos os seus homens. Quero que a encontrem imediatamente – dizendo isso, se encaminhou à entrada para questionar o porteiro, mas o homem parecia tão perplexo quanto os seguranças.
Quando girou, Joseph se deparou com vários membros da equipe de sua escolta reunidos no saguão, sendo questionados por um Stavros furioso.
Theos! Para onde ela poderia ter ido? Demi não estava em condições de vagar por Nova York e as pessoas que a sequestraram ainda estavam soltas.
A preocupação lhe comprimia o peito como um trator. Girou, decidido a sair para procurá-la pessoalmente, quando viu Kevin entrar.
– Joseph – disse ele em saudação. – Estava subindo para visitá-lo. Como está Demi?
– Ela fugiu – respondeu Joseph com semblante austero.
Kevin ergueu uma das sobrancelhas.
– Fugiu? Mas como?
– Não sei – retrucou Joseph frustrado. – Desapareceu. Tenho de encontrá-la.
Kevin colocou a mão no ombro de Joseph e o segurou firme.
– Nós a encontraremos.
– Há algo estranho nesta situação – disse Joseph com voz fraca. – Algo que não faz sentido. Não consegui ver nenhum sentimento de culpa estampado no rosto de Demi quando ela recuperou a memória. Apenas uma completa devastação, como se tivesse sido ela a ser traída. Ficou tão perturbada que teve de ser sedada e, mesmo em seu torpor, se mostrava extremamente irritada. Demi não está em seu normal. Tenho medo do destino que ela tenha tomado. Seu estado mental está alterado.
– Eu o ajudarei – Kevin afirmou em tom de voz tranquilizador. – Não se preocupe. Nós a encontraremos.
Demi estremeceu quando se sentou no banco de pedra frio e abraçou o corpo trêmulo.
Baixou o olhar aos próprios pés, mas não conseguia se repreender por ter saído no frio sem sapatos ou casaco. Seu único pensamento era se afastar o mais rápido possível. Não poderia encarar Joseph naquele momento.
Agora sabia por que fora atraída para aquele lugar. Seu ponto de reflexão. Horas antes daquela noite fatídica, havia se sentado ali, temendo a reação de Joseph à sua gravidez. E tinha razão em temer. Ele não acreditava nela. Não a amava. Abandonara-a à própria sorte com os sequestradores.
Demi se recusava a permitir que as lembranças lhe voltassem à mente. Eram muito dolorosas. Ao menos agora percebia por que escolhera esquecer. Todas aquelas semanas convivendo com o medo enquanto seus sequestradores esperavam que lhes atendessem as exigências haviam empalidecido comparadas à traição de Joseph recusando-se a atendê-las.
Como alguém podia ser tão frio? Não seria capaz de pagar uma quantia ínfima em dinheiro para soltar qualquer pessoa? Até mesmo um completo estranho? Nunca imaginara que ele fosse tão desalmado.
Entretanto aquele homem a mantivera à margem de sua vida, sem um mínimo de consideração. Fora apenas amante dele. Alguém com quem ele saciava sua luxúria e nada mais. Tola fora ela em se apaixonar por Joseph. Não uma, mas duas vezes.
Um gemido fraco lhe escapou dos lábios e Demi fechou os olhos quando a dor a assolou mais uma vez. Nunca se sentira tão ferida, tão completamente perdida.
As mãos se fecharam em torno do abdômen abaulado e lágrimas que ela julgara congeladas começaram a lhe rolar pelo rosto.
Como Joseph fora capaz de uma farsa tão desprezível? Deveria saber que em algum momento ela recuperaria a memória e, ainda assim, passara semanas a cortejando, fazendo com que se apaixonasse por ele outra vez. Fingindo lhe ter afeição. E paixão. A pergunta era: por quê?
Teria sido aquilo uma teia milimetricamente urdida para puni-la? Para fazê-la sofrer ainda mais? Nunca imaginara que Joseph pudesse ser tão cruel, mas aquilo provava apenas o pouco que conhecia do homem a quem se entregara.
Demi permaneceu lá, balançando-se para a frente e para trás. Os braços envolvendo o abdômen em um gesto protetor. O vento se tornou mais intenso, fazendo um arrepio lhe percorrer a espinha, mas ela ignorou o desconforto.
– Demi?
O nome foi dito com certa cautela e soou distante. Quando ela ergueu o olhar, um homem se encontrava parado a alguns metros de distância, com olhar preocupado. Demi o reconheceu.
Kevin. Não era de se admirar que ele tivesse sido tão resistente à ideia de Joseph se casar com ela. Julgava-a uma ladra, assim como o irmão. Aquilo era mais do que podia suportar.
Demi abraçou o próprio corpo com mais força ainda e baixou o olhar, determinada a esconder as lágrimas.
Kevin se agachou diante dela e pousou uma das mãos em seu punho.
– Preciso levá-la de volta, pedhaki mou. Não é seguro para você ficar aqui fora – disse ele com voz suave.
Demi se encolheu diante do tratamento carinhoso. Aquele era o apelido que Joseph usava para se referir a ela e não queria mais escutá-lo. Ela negou com um gesto de cabeça e ergueu a mão como se estivesse se protegendo.
Kevin baixou o olhar aos pés descalços de Demi e xingou baixo.
– Está frio e não deveria ter saído descalça. Deixe-me levá-la de volta para casa.
Demi se encolheu com um movimento brusco.
–Não – disse, balançando a cabeça vigorosamente. – Não quero voltar para lá –acrescentou, deslizando pelo banco de pedra. A superfície áspera atritando com o tecido da roupa.
Kevin esticou a mão para impedir que ela escapasse.
– Pense no bebê. Deixe-me levá-la de volta. Você está fria.
– Não voltarei para aquele apartamento – disse ela desesperada, levantando-se, pronta para sair em disparada.
Kevin a encarou com olhar tristonho.
– Não posso permitir que fuja. Você está obviamente perturbada e não está agasalhada.
Os olhos azuis se encheram de lágrimas.
– Por que se importa? Eu o roubei, lembra-se? Sou apenas a vagabunda que armou uma cilada para o seu irmão e tentou destruir sua empresa – disse ela amargurada.
O olhar de Kevin suavizou.
– Se eu prometer não a levar de volta ao apartamento, virá comigo? Não posso deixá-la aqui desse jeito.
Demi oscilou e ele a segurou quando seus joelhos cederam. Kevin a ergueu nos braços e se afastou dali.
Demi sentiu o corpo todo tenso.
– Por favor, deixe-me em paz – suplicou.
– Não posso fazer isso, irmãzinha.
– Sou apenas a prostituta do seu irmão – disse ela, permitindo que uma nova onda de angústia a invadisse.
Kevin a segurou ainda mais firme.
– Theos! Nunca mais repita isso.
Demi girou o rosto, recostando-o ao ombro largo, enquanto grossas lágrimas lhe banhavam os olhos. Ela os fechou e se permitiu flutuar mais uma vez para a inconsciência. Era tão fácil fugir da realidade quando havia tanto do que queria escapar. Amaldiçoou o momento em que recobrou a memória. Aquilo a havia destruído.


desculpem demora, hoje nao estou muito legal (leia-se doente), mas ai esta.
e agora o que sera que vai acontecer com esses dois?
bom é isso bjemi 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Traição Capitulo 13

Demi  ajeitava e puxava o vestido enquanto admirava sua aparência no espelho. As safiras faiscavam em suas orelhas e no colar que fazia conjunto e lhe ornava o pescoço.
– Está linda, agape mou.
Quando ela girou, se deparou com Joseph . Demi  não pôde evitar um arquejo diante da aparência daquele homem. O terno preto de corte perfeito se ajustava com perfeição ao corpo forte, valorizando-lhe a estrutura muscular. A camisa branca contrastava com a pele bronzeada e compunha um conjunto arrebatador com os cabelos negros e os olhos dourados.
Para ser sincera, Demi  tinha de admitir que estava babando.
– Você também – conseguiu dizer por fim.
Joseph  soltou uma risada abafada e se aproximou.
– Lindo? Certamente pode achar adjetivo melhor.
– Estonteante? Devastadoramente belo? Tão deslumbrante que estou tentada a me atirar sobre você e arrancar suas roupas?
– Essa linha de pensamento me agrada.
– Não estava brincando – murmurou ela.
– Está pronta? O carro está nos aguardando.
Demi  deixou escapar um profundo suspiro e girou o anel de noivado no dedo com a pontado polegar.
– Na medida do possível.
Joseph  a tomou nos braços.
– Não será tão ruim assim. Ficarei ao seu lado a noite toda.
Demi  se colocou nas pontas dos pés para beijá-lo.
– Sou uma covarde. E não me importo em admitir.
Joseph se deteve lhe explorando os lábios, movendo-se com uma sensualidade que a deixou fraca e ofegante. Quando se afastaram, Demi percebeu que ele se encontrava igualmente afetado.
– Acho que devemos partir agora – disse ele com voz rouca. – Do contrário, não iremos a nenhum lugar.
Quando chegaram ao hotel, Demi viu várias limusines enfileiradas no caminho circular do lado de fora da entrada principal. Engoliu em seco, nervosa, ao observar as pessoas brilhantes e glamourosas que desciam dos carros e entravam no hotel. De repente, se sentiu mal vestida e despreparada.
Quando chegaram à entrada principal, a porta do veículo se abriu e Joseph saiu para ajudá-la a descer. Demi  encaixou o braço firmemente ao dele e os dois entraram no hotel.
Sentiu um frio congelante no estômago enquanto os dois adentravam o imenso salão. Uma banda de jazz executava os acordes suaves em um pequeno palco ao fundo. Garçons circulavam com bandejas repletas de taças de vinho e champanhe, enquanto outros ofereciam uma refinada seleção de hors d’ouvres.
Joseph murmurou algo para um dos garçons enquanto retirava uma taça de vinho da bandeja e, momentos depois, o homem retornou com um copo de água mineral para Demi.
Enquanto olhava ao redor, com o copo em uma das mãos, ela gemeu mentalmente ao avistar
Kevin, Nick e Taylor. Embora soubesse que eles estariam presentes, esperara sinceramente poder evitá-los o máximo possível. Mas aquilo não seria possível, pensou ao ver Kevin cruzar o salão na direção de Joseph.
Sua primeira reação foi se desculpar e se encaminhar ao toalete feminino, mas Joseph lhe segurou o braço com força como se previsse o que ela pretendia fazer.
– Joseph  – disse Kevin como forma de cumprimento. Varrendo Demi com o olhar, ele lhe ofereceu o mais breve dos acenos de cabeça. Ao menos, não era uma total reprovação ou o homem teria lhe oferecido uma carranca.
Demi ouviu enquanto os dois trocavam amabilidades e, em seguida, Kevin gesticulou na direção de Nick e um distinto senhor que se encontrava ao lado dele. Permaneceu parada quando Joseph se encaminhou na direção do outro irmão, mas ele a puxou para que o acompanhasse, aumentando-lhe o temor.
Nick franziu a testa quando eles se aproximaram. O homem mais velho exibiu um sorriso largo e cumprimentou Joseph de maneira polida. Uma mulher que Demi presumiu ser a esposa do homem, também ofereceu uma entusiasmada saudação.
Joseph  a puxou para frente.
– Sr.  e Sra. Vasquez, gostaria de lhes apresentar Demi Lovato. Demi , este é o Sr.
Vasquez e sua esposa. Vieram do Brasil em viagem de negócios.
Demi sorriu e trocou gentilezas com o casal mais velho, relaxando em seguida, contra o corpo de Joseph. Nick estava sendo educado, e Kevin se juntou ao grupo, deixando de lado a completa indiferença com que a tratara momentos antes. Talvez fosse capaz de suportar aquela noite, afinal.
Joseph lhe segurou a mão e a apertou, girando para os demais do grupo, em seguida, com uma estranha tensão no semblante.
– Demi  aceitou ser minha esposa. Planejamos nos casar durante nossa estadia em Nova
York. Ficaríamos honrados se pudessem comparecer.
Um arquejo alto soou às costas de Joseph , e Demi  virou-se para se deparar com
Taylor parada a alguns centímetros de distância, com uma expressão chocada no rosto. A assistente recobrou o controle rapidamente, mas não o suficiente para impedir Demi de imaginar por que ela parecia tão perplexa com a notícia. Quando tornou a virar-se, apenas os Vasquez pareciam felizes com a notícia.
As expressões de Nick e Kevin refletiam o mesmo choque de Taylor. Em seguida, a surpresa inicial deu lugar à patente desaprovação. Joseph lhes dirigiu olhares de repreensão, mas Demi se viu completamente perdida. Estremeceu ao lado dele, e a mão forte apertou a dela como se ele entendesse seu desejo sair correndo dali.
Como poderia o anúncio daquele casamento ser uma novidade? Estavam noivos antes do acidente e, ainda assim, todos agiam como se aquilo fosse um acontecimento inesperado. E desagradável.
Após as educadas congratulações dos Vasquez e de outras pessoas ao redor que escutaram o anúncio, a conversa mudou para assuntos triviais. Demi permaneceu em silêncio, alheia ao falatório ao seu redor. Joseph afrouxou a força com que lhe segurava a mão, mas lhe envolveu a cintura com um dos braços a ancorando firme contra o próprio corpo. Não havia como escapar, não importava o quanto ela desejasse.
A conversação mudou para a possibilidade da construção de um hotel no Rio de Janeiro e, embora Demi permanecesse em silêncio, apenas observando os outros, o braço forte nunca lhe abandonou a linha da cintura.
À medida que a noite se prolongava, mais pessoas se aproximavam para oferecer suas congratulações pelo iminente casamento e logo o salão fervilhava com a notícia. O sorriso permanente que Demi estampava no rosto estava começando a enfraquecer. Como se lhe sentisse o desânimo, Joseph a guiou para a pista de dança enquanto o lento jazz flutuava melodiosamente pelo ambiente.
Demi  suspirou, derretendo-se no círculo seguro daqueles braços fortes.
– Obrigada. Precisava de uma pausa.
Joseph  sorriu e inclinou a cabeça para lhe morder de leve um dos cantos dos lábios.
– É a mais bela mulher neste salão. Todos os homens a observam com olhares apetitosos, o que basta para eu querer nocauteá-los.
– Hummmm, por mais que goste dessa atitude viril, prefiro que me leve para casa e exercite essa arrogância masculina de outra forma.
– Está me tentando.
Demi  lhe dirigiu um sorriso sedutor.
– Estou falando sério.
Joseph  suspirou.
– Por mais que essa ideia me agrade, acho que terei de permanecer aqui durante toda a recepção. Se for muito cansativo para você, posso pedir que Stavros a leve de volta ao apartamento.
Como se ela fosse deixá-lo ali com Taylor, a “Miss Super Assistente”!
Apesar do fato de os irmãos de Joseph e de Taylor estarem decididos tratá-la como uma pária, havia muitos outros que lhe eram gentis e a incluíam em suas conversas. Demi  sedescobriu gostando da atmosfera festiva, apesar do início de noite desfavorável.
Estava ficando tarde quando Joseph  se inclinou para lhe falar ao ouvido.
– Tenho de conversar com meus irmãos. Ficará bem sozinha por alguns instantes?
– Claro, seu bobo – retrucou ela com um sorriso. – Vou ao toalete feminino. Pode ficar à vontade.
Joseph  lhe depositou um beijo nos lábios e se encaminhou na direção dos irmãos.
Demi  se demorou no toalete. O lugar lhe proporcionou um excelente descanso do falatório interminável e dos olhares animosos que lhe eram lançados pelos membros do clã Jonas.
– Não pode se esconder aqui para sempre – disse a si mesma. Aprumando os ombros, saiu do toalete e retornou ao salão. Quando passou por uma sala de reuniões pequena, ouviu a voz de Joseph pela porta entreaberta. Hesitou e estacou, decidindo se devia prosseguir ou esperar por ele ali.
As palavras que ouviu a seguir tomaram a decisão por ela.
– Droga, não há necessidade de se casar com ela. Coloque-a em um apartamento qualquer até que a criança nasça. Não se case com essa mulher e permita que ela tenha acesso a tudo que possui.
Demi  entreabriu a boca em choque diante do discurso irado de Nick.
– Ela está esperando um filho meu – retrucou Joseph  em tom frio. – Se optei por me casar com ela, não é problema de nenhum dos dois.
Demi  se aproximou da porta, não se importando se a vissem. Que direito tinha Nick de falar com Joseph daquela forma?
– Não pode se casar com ela! – Soou o grasnido alto de Taylor. – Esqueceu-se de como ela o roubou? De que ela tentou arruinar sua empresa? Se precisa de alguma justificativa, basta olhar para os hotéis que estão sendo construídos em Paris e Roma. Seus hotéis, Joseph. Agora estão sendo erguidos sob o nome de seu concorrente.
Uma neblina varou a mente de Demi. Fervente. Como uma colmeia de abelhas ferozes, fragmentos de informação zumbiam em seu cérebro. E, de repente, era como se uma represa se abrisse. A porta trancada que se esforçara tanto para abrir, se escancarou e o passado a transpôs como uma enchente de velocidade assustadora.
Demi oscilou e se agarrou ao batente da porta com força. A náusea lhe revirando o estômago enquanto cada momento espocava em sua mente como um filme avançando rapidamente.
A acusação de roubo que Joseph  lhe atirara no rosto. A expulsão de seu apartamento, de sua vida. O sequestro, os meses que ela passou em um temor esperançoso, aguardando que Joseph atendesse à exigência do resgate. Exigências que ele ignorara.
Oh, Deus! Iria vomitar.
Joseph a deixara. A descartara como um lixo. Meio milhão de dólares, uma quantia ínfima para um homem com aquelas posses, fora a soma que ele se negara a pagar para que ela fosse libertada.
Tudo não passara de uma mentira. Ele lhe mentira sem parar desde que acordara naquele leito de hospital. Ele não a amava ou a desejava, mas sim a desprezava.
Não valera sequer meio milhão de dólares para ele.
Uma dor intensa comprimia o peito de Demi  enquanto ela se sentia despedaçar. Tudo que acreditara ser verdade de repente eclipsou. Sentia o coração rachar e se desmantelar aos seus pés. Joseph nem ao menos tentara salvá-la.
O grito angustiado que lhe escapou da garganta ecoou na sala. Demi levou a mão aos lábios, mas era tarde demais. Todos giraram na direção dela. Kevin se encolheu e um estranho desconforto se estampou no rosto de Nick. Os olhos de Demi encontraram os de Joseph e a verdade se estampou nas íris douradas quando se deu conta de que ela havia recuperado a memória.
Quando ele começou a cruzar a sala na direção dela, Demi  recuou, cambaleando para trás.
Oh, Deus! Não podia enfrentar aquilo. Lágrimas lhe embaçavam a visão. A imagem do rosto pálido de Joseph apenas a estimulou a dar o próximo passo. Ela saiu em disparada pelo corredor na direção do saguão. Joseph  gritou seu nome, mas ela não parou. Soluços emergiam do peito de Demi  e explodiam sem que os controlasse. Ela tropeçou, mas recobrou o equilíbrio e se projetou para a frente. Atrás dela, Joseph  praguejava e a chamava.
Demi  corria na direção da saída sem um destino definido na mente. Estava quase lá quando colidiu contra uma montanha. Stavros se interpôs diante dela e a segurou. Demi explodiu em fúria, chutando e socando. Seu único pensamento era escapar dali para o mais longe que pudesse.
Conseguiu se soltar e cambaleou para a frente, caindo ao chão. No mesmo instante, Stavros se ajoelhou ao lado dela, lhe perguntando se estava bem e Demi  soube que não havia como escapar.
Uma dor intensa lhe varou o corpo como se inundada por um córrego interminável de agonia. Ela fechou os olhos no momento em que as mãos fortes de Joseph escorregavam sob seu corpo. Em tom de voz ansioso, ele lhe perguntava se havia se machucado, mas Demi se viu incapaz de responder. Dobrou o corpo, enroscando-se no chão sem se importar com o fato de estar no meio do saguão do hotel.
Joseph a ergueu e ela o ouviu chamar seu nome. Xingamentos irritados lhe escapavam dos lábios, antes de ele bradar ordens para que alguém chamasse um médico. Em seguida, se afastou do saguão barulhento e, instantes depois, entrou em um quarto vazio do hotel.
Tão logo Joseph  a pousou na cama, ela voltou a se enroscar, afastando-se dele.
Encolheu-se quando Joseph  lhe pousou uma das mãos sobre o corpo, com um toque suave.
– Tem de parar de chorar, agape mou, ou acabará passando mal.
Demi  já estava passando mal, pensou entorpecida. Seu coração havia adoecido. Ela fechou os olhos, mas ainda assim, grossas lágrimas lhe rolaram pelo rosto e Joseph as limpava com os dedos.
Sua única vontade era escapar. Ir para algum lugar em que não sentisse tanta dor. Através de uma névoa, ouviu Joseph  conversar com um médico. Instantes depois, sentiu uma picada no braço, mas não reagiu. Não se importava. E então, começou a flutuar, agradecida pela suavização da dor. A mente se tornou indistinta enquanto o véu do esquecimento pousava sobre ela. Esquecimento. Ansiava por esquecer. Mergulhar no vazio e despencar para um lugar onde não havia dor nem traição.
Joseph caminhava de um lado para outro ao pé da cama de Demi enquanto o médico do hotel lhe aplicava um sedativo. Ela se encontrava sob forte estresse, e o médico agiu rapidamente para prevenir maiores danos.
Quando terminou de administrar a medicação, se afastou da cama e o encarou com expressão severa.
O medo era como uma garra esmagando o peito de Joseph .
– Ela está bem? A criança está bem?
O médico gesticulou para que se afastassem da cama, onde Demi  permanecia imóvel agora.
– Os danos que ela sofreu não são físicos. Se fossem, eu poderia ser de alguma utilidade.
Mas o estresse de Demi  é mental. Se é verdade o que disse e ela recuperou memória, foi isso que lhe causou uma dor imensurável.
Joseph  se remexeu impaciente.
– O que pode ser feito? Ela não pode ficar como está. Deve haver algo que possamos fazer.
A visão do rosto pálido de Demi , com os olhos arregalados pela devastação tinha o efeito de uma facada em suas entranhas.
– Deve levá-la de volta para casa, para um lugar que lhe seja mais familiar. Ela precisa de um médico, não para seu bem-estar físico, mas que possa ajudá-la no aspecto psiquiátrico.
– Está se referindo a um terapeuta? – Joseph  perguntou com semblante sombrio.
– Este é um momento muito delicado – preveniu o médico. – Demi está muito frágil. A recordação de eventos extremamente traumáticos pode lhe causar um colapso. – Com expressão compassiva, o homem apertou o ombro de Joseph. – Isso vai ser difícil, mas talvez seja melhor. É bom que ela tenha recuperado a memória, mesmo que isso lhe cause um grande estresse.
Joseph  não tinha tanta certeza disso. O fato de Demi ter recuperado a memória, implicava em saber que ele a expulsara de seu apartamento, colocando-a praticamente nas mãos dos sequestradores. Também se lembraria das palavras ofensivas que lhe atirara ao rosto. E recordaria o papel que ela desempenhara em toda aquela confusão.
Joseph  passou uma das mãos pelos cabelos. Parte dele desejava que Demi nunca tivesse recobrado a memória. Haviam construído um novo relacionamento, sem as mentiras e traições do passado. Algo o intrigava ao mesmo tempo em que aqueles pensamentos lhe preenchiam a mente.
Não teria Demi  motivos para se sentir culpada ao recuperar a memória? Tudo que vira refletido naqueles olhos azuis fora mágoa. Uma profunda e terrível mágoa. Não havia culpa, nenhuma vergonha pelo fato de tê-lo roubado. Apenas um sofrimento tão extremado que ele ainda podia sentir a faca que parecia ter sido enterrada em seu peito ao ouvi-la gritar e fugir dele.
Uma sensação incômoda o invadiu. Não conseguia afastar o pensamento de que havia coisas que não o agradariam enterradas na memória de Demi.




e a felicidade do casal acabou, a memoria dela voltou, e agora?
bjemi




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Traição Capitulo 12

Na manhã seguinte, Joseph  se levantou cedo. Deu um beijo suave na testa de Demi e lhe disse que ao meio-dia viria buscá-la. Ela bocejou, sonolenta, murmurou uma despedida e se virou para o lado para voltar a dormir. A risada baixa de Joseph lhe verberou nos ouvidos enquanto escorregava para o esquecimento do sono.
Quando despertou outra vez, apertou os olhos contra a luz do sol e consultou o relógio no criado mudo. Ainda dispunha de algumas horas até o compromisso com Joseph e não tinha nenhuma intenção de passá-las sentada naquele apartamento.
Com tantos seguranças de Joseph disponíveis, deveria haver algum que lhe oferecesse um meio de transporte. Poderia requisitar um deles e sair sozinha, embora não tivesse ideia para onde ir.
E então, outro pensamento lhe ocorreu. A julgar pela obstinação de Joseph com segurança, duvidava que tivesse ido a qualquer lugar sem seus guarda-costas durante todo aquele tempo em que estavam juntos. Se esse fosse o caso, certamente um deles teria ideia dos lugares que ela costumava visitar e das coisas que gostava de fazer.
Animada com aquela ideia, apressou-se a entrar debaixo do chuveiro. Trinta minutos depois, desceu pelo elevador até o saguão para sair. Avistou um homem parrudo, parado à porta e o reconheceu como sendo o homem que Joseph chamava de Stavros.
No mesmo instante, o segurança se colocou em alerta ao vê-la se aproximar.
– Srta. Lovato – disse com acentuado sotaque grego. – Em que posso ajudá-la?
Demi percebeu a forma como homem se interpôs na porta, de modo que ela não pudesse sair e quase soltou uma risada.
– Tenho certeza de que Joseph lhe contou que eu… perdi a memória. – O homem anuiu e sua expressão se suavizou. – O que estava imaginando era se poderia me informar se eu dispunha de segurança antes do acidente.
– Eu cuidava pessoalmente de sua proteção – disse Stavros.
– Ah, que bom! Então, talvez possa me ajudar. Gostaria de sair, mas não sei ao certo para onde. Quero dizer, não sei a quais lugares eu gostava de ir e já que, sem dúvida, me seguia para todos os lugares, talvez possa me levar a alguns deles hoje.
O homem hesitou por alguns instantes, como se considerasse o pedido. Em seguida, retirou o telefone celular do bolso, apertou um botão e o encostou ao ouvido. Falou algumas palavras rápidas em grego, concordou algumas vezes e lhe estendeu o telefone.
– O Sr.  Jonas gostaria de falar com a senhorita.
– Ah, pelo amor de Deus! – Demi resfolegou enquanto aceitava o aparelho. – Não perdeu tempo em me trair, certo? – perguntou ela encarando com olhar acusatório o segurança, que não parecia nem um pouco arrependido.
A risada de Joseph lhe soou ao ouvido.
– Que tipo de problema está causando, agape mou?
Demi deixou escapar um suspiro que soou meio ridículo de tão sonhador. Depois que utilizara aquele tratamento carinhoso pela primeira vez, Joseph  o repetia com crescente frequência. E toda vez aquelas palavras afetuosas e vibrantes tinham a capacidade de fazê-la se derreter.
– Quero sair um pouco. Estarei de volta a tempo de nosso almoço. Prometo.
– Aproveite sua manhã, mas tome cuidado e não se canse muito. Se achar que vai se atrasar, peça a Stavros que me telefone, e eu a encontrarei onde estiver, para que não tenha de voltar ao apartamento.
Demi sorriu e murmurou uma concordância. Em seguida, desligou e devolveu o telefone a Stavros.
– Precisamos ter uma conversa sobre falar mais do que se deve.
O homem nem sequer pestanejou.
– Posso assegurá-la, Srta. Lovato, que já tivemos essa conversa no passado.
Demi sorriu e viu o segurança levar a mão ao pequeno dispositivo que trazia na orelha e disparar várias ordens em grego.
Em alguns instantes, um carro estacionou em frente à calçada e outro segurança saltou para lhe abrir a porta. Stavros a guiou para fora do prédio e a acomodou confortavelmente no carro, antes de ocupar o banco da frente, com o outro segurança.
O vidro que separava os bancos traseiro e dianteiro baixou e Stavros girou para lhe lançar o olhar por sobre o ombro.
– Para onde gostaria de ir, Srta. Lovato?
– Não sei – retrucou ela com uma risada. – Poderia fazer um tour pelos lugares que eu costumava ir.
O segurança anuiu, e o carro se juntou ao tráfego intenso das ruas de Nova York. A primeiraparada foi em uma cafeteria a poucos quarteirões de distância do apartamento. Era óbvio queStavros não esperava que ela descesse do veículo, porque, quando ela comunicou suaintenção, ele comprimiu os lábios em uma linha desaprovadora. Porém, acompanhado do outrohomem, a escoltou para dentro do pequeno estabelecimento.
O ambiente era aconchegante e fervilhava com conversas e risadas. Parecia convidativo eDemi podia facilmente se imaginar em um lugar como aquele. Ainda assim, não lhe suscitounenhuma recordação. Com um suspiro profundo, ela girou e disse a Stavros que estava prontapara partir.
O próximo lugar foi um pequeno mercado e Demi  dirigiu um olhar surpreso ao segurança.
– A senhorita gostava de cozinhar para o Sr.  Jonas, especialmente depois que ele retornava de uma longa viagem internacional. Nós vínhamos aqui para comprar os ingredientes necessários. E a senhorita me fazia carregar todas as sacolas – acrescentou comum breve sorriso.
– Eu era tão desagradável? – provocou ela.
– Era um prazer acompanhá-la em suas saídas – afirmou Stavros.
– Ora, parece que você gostava de mim. – Demi sorriu para o homem atarracado, tentando captar qualquer vestígio de reconhecimento, algum lampejo daquele tipo de brincadeira no passado. – Para onde vamos agora?
Visitaram a biblioteca e uma pequena loja de artes e, embora tais lugares refletissem seu estilo, Demi nada conseguiu se recordar. Quando o carro estacou em frente a um parque, um momento de pânico a fez sentir um aperto no peito.
– A senhorita está bem? – Stavros perguntou. Demi ergueu o olhar para encontrá-lo parado ao lado da porta aberta, esperando que ela saísse do carro. – Talvez seja melho rretornarmos agora. Está quase na hora de seu almoço com o Sr. Jonas.
– Não. – Demi se apressou em dizer, saindo do carro. Não. Queria ficar ali. Precisava estar ali. Algo naquele lugar lhe causara uma agitação na mente, mesmo que desagradável.
Demi caminhou pelo parque, ajustando a capa ao corpo. Na verdade, não estava frio. O sol da tarde brilhava quente, mas ainda assim, calafrios lhe percorriam o corpo e se propagavam até sua alma.
Stavros e o outro segurança a flanqueavam alguns passos atrás e lhe veio à mente o breve pensamento de que ela parecia mais importante do que realmente era. O olhar de Demi se fixou em um banco de pedra diante de uma estátua e ela se dirigiu para lá, sem saber o que a atraía para aquele ponto.
Sentou-se e espalmou as mãos sobre a superfície fria de pedra. Olhou para a frente e sentiu um lampejo de tristeza. Aquilo não fazia sentido, mas sabia que havia se sentado ali antes, temendo alguma coisa. Insegura.
Ergueu as mãos para cobrir o rosto e se inclinou para a frente, encolhendo-se no banco.
No mesmo instante, sentiu a mão forte lhe tocar o ombro e a voz preocupada de Stavros ecoar em seus ouvidos.
– A senhorita está se sentindo bem? É necessário telefonar para o Sr. Jonas? Talvez seja melhor levá-la para um hospital.
Demi negou com a cabeça e ergueu o olhar.
– Não. Estou bem. É que tenho certeza de que estive aqui antes. Posso sentir isso.
Stavros anuiu, embora o olhar ainda refletisse preocupação.
– Sempre dizia que este era seu ponto de reflexão.
– Parece que eu tinha muito em que pensar – murmurou ela.
O segurança consultou o relógio de pulso.
– Deixe-me telefonar para o Sr. Jonas e lhe dizer para nos encontrar no restaurante.
Assim, não perderemos tempo retornando ao apartamento quando poderia estar se alimentando.
Demi não objetou quando ele a ajudou a se erguer do banco. Em vez de caminhar atrás dela, segurou-lhe o cotovelo no trajeto até o carro.
– Por favor, não preocupe Joseph – pediu ela enquanto o segurança a acomodava no carro. – Senão, ele me obrigará a voltar para o apartamento me deitar na cama.
– Lugar onde provavelmente deveria estar.
Demi fez uma careta.
– Você não é nada divertido. Tenho de fazer compras e escolher meu vestido de noiva. Não posso fazer isso na cama.
Stavros parecia estar se esforçando para disfarçar um sorriso enquanto fechava a porta.
Instantes depois, o vidro que separava os bancos desceu e o segurança a encarou.
– Se o Sr. Jonas perguntar, direi simplesmente que tivemos uma manhã tranquila na cidade.
– Eu sabia que havia uma razão para eu gostar de você – disse ela animada, recuperando o bom humor.
Quando chegaram ao restaurante, Joseph os encontrou ao lado do carro. Dispensou
Stavros prontamente, dizendo-lhe que o motorista o levaria às compras com Demi.
Durante o almoço, Joseph a questionou sobre o passeio matutino e ela relatou todos os lugares que visitaram. Porém, quando perguntou como sua foi a manhã no trabalho, ele se mostrou vago e reservado. Não desejando estragar o dia, Demi mudou de assunto, referindo-se às compras que fariam.
– Essa recepção a que compareceremos é muito sofisticada? – perguntou ela, saboreando outra garfada da excelente massa.
Joseph ergueu uma das sobrancelhas.
– Depende de sua definição de sofisticação.
– Ah, então posso usar meu jeans e blusa de gestante – brincou ela com doçura na voz.
Joseph soltou uma risada.
– Embora não tenha nada contra você usar calça jeans, não gostaria que os outros a vissem em algo que exibe os contornos de seu gracioso traseiro.
– Então, devo ir bem vestida? – perguntou com um suspiro.
– Não se preocupe com isso, pedhaki mou. Escolherei o vestido perfeito para você.
– Não usarei sapatos de salto alto – disse ela resoluta. – Não há a menor chance de eu ficar vagando pela festa empoleirada sobre dois palitos de dente.
– Claro que não – concordou Joseph em um tom que sugeria ter sido uma insanidade tal ideia. – Estou certo de que não é aconselhável mulheres grávidas se sujeitarem a tamanha tortura. E se caísse?
– Talvez fosse melhor eu ir descalça – sugeriu com expressão travessa.
Joseph  soltou uma risada.
– E talvez seja melhor mantê-la trancada a chave em casa.
Demi  engoliu a última garfada da massa e, relutante, afastou o prato para o lado.
– Estava maravilhosa e acabei comendo demais.
– Precisa ganhar peso. Está muito magra. É bom que se alimente adequadamente.
– E se eu comer mais do que isso, não entrarei em nenhum traje que esteja planejando me comprar. – Demi baixou o olhar ao ventre abaulado. – Existem roupas muito sofisticadas para gestantes?
Joseph a observou com olhar paciente.
– Acredite-me. Encontraremos algo adequado.
– Por que entende tanto sobre comprar vestidos? – resmungou ela enquanto Joseph a guiava na direção do carro que os aguardava.
– Certamente não espera que eu responda a essa pergunta? – retrucou, mal conseguindo suprimir o divertimento na voz.
Demi lhe dirigiu um olhar contrariado e se acomodou no assento do carro.
De fato, Joseph tinha extrema habilidade em escolher o vestido perfeito. Encontrou o que queria no segundo modelo que ela experimentou. Um traje de seda branco de um modelo simples. As alças eram finas, o corpete conservador e o tecido se ajustava ao ventre avantajado, atraindo a atenção para a gravidez.
– Este me faz parecer… bem, muito grávida – disse ela, virando-se para permitir  a avaliação de Joseph.
– Está absolutamente deslumbrante – murmurou ele. – Acho que todas as grávidas deveriam gostar de ter essa aparência.
O olhar apreciativo a fez se decidir por aquele vestido. Não precisava experimentar mais nenhum. O traje foi cuidadosamente dobrado e colocado de lado, com os sapatos de salto baixo que ela escolhera.
– Diga-me, agape mou, você quer um vestido de noiva tradicional?
Demi comprimiu os lábios e fez um movimento negativo com a cabeça.
– Não. Prefiro algo mais simples.
A vendedora dispôs vários modelos deslumbrantes diante deles e Demi observou
Joseph atentamente para lhe captar a reação.
O que a encantou foi um vestido comprido até os pés, cor de pêssego, que caía em ondas suaves a partir da cintura. O modelo lhe acentuava a gravidez e a fazia parecer bela e feminina.
A aprovação ficou evidente pela expressão de Joseph. Para surpresa de Demi, em vez de voltarem para o carro, ele a levou a uma joalheria para escolherem um estonteante par de brincos de diamante que fazia conjunto com um colar para serem usados com o vestido de noiva. Demi se encontrava sem palavras, mas ficou completamente atônita quando, em seguida, ele escolheu outro conjunto de colar e brincos de safira o qual sugeriu que usasse com o vestido de seda branco, na recepção.
– Combinarão com seus olhos, agape mou – murmurou próximo ao seu ouvido. – E mais tarde, adorarei vê-la usando essas joias e nada mais.
Demi sentiu o rosto ferver e olhou ao redor para se certificar de que ninguém estivesse vendo o escarlate de seu rosto.
– Está me mimando – disse ela quando deixaram a joalheria.
– Tenho direito de mimar minha mulher – retrucou Joseph dando de ombros.
– Acho que gosto disso – concedeu ela com um sorriso.
– Isso é bom, porque seria uma pena não gostar de algo que pretendo fazer sempre.
Em um gesto impulsivo, Demi se colou ao corpo forte e lhe capturou os lábios com um beijo apaixonado. Um suspiro trêmulo escapou da garganta de Joseph e as mãos fortes se fecharam em torno dos braços delicados. Quando interrompeu o beijo, ela escorregou a lateral do rosto até encaixá-lo no vão do pescoço largo enquanto o envolvia em um abraço apertado.
– Obrigada pelo dia de hoje. Foi muito divertido.
Joseph enterrou uma das mãos nos cachos macios e lhe acariciou a cabeça.
– O prazer foi meu.
Demi ergueu a cabeça e começou a recuar, mas ele a manteve segura contra o peito.
– Sou uma boa cozinheira? – perguntou ela, erguendo a cabeça para encará-lo.
A surpresa se estampou no belo rosto de Joseph.
– Não entendi.
– Cozinheira. Stavros me disse que eu gostava de cozinhar para você e que ia com frequência ao mercado comprar ingredientes. Fiquei imaginando se eu era boa na cozinha.
Uma expressão peculiar iluminou o semblante de Joseph.
– Ele tem razão. Você fazia isso. Não havia pensando nisso, mas, sim, você costumava cozinhar para mim na primeira noite em que eu voltava para casa.
– Você se ausentava com muita frequência?
Joseph ficou parado por um instante e, em seguida, anuiu com um gesto lento de cabeça.
– Sim. Estava sempre viajando para o exterior a negócios. Às vezes, ficávamos semanas sem nos ver.
– Não consigo imaginar isso – retrucou ela com voz suave. – Senti sua falta nas poucas horas em que esteve ausente esta manhã.
Joseph a beijou outra vez.
– E eu senti a sua, pedhaki mou.
Demi se aninhou contra o corpo quente e forte, durante o restante do trajeto. Sentia-se um pouco cansada, mas não havia a menor possibilidade de revelar isso a ele. O dia fora quase perfeito e ainda tinham o restante dele para desfrutar juntos.


logo essa paz acaba, oh tristeza, mas enquanto isso, que curtam esse momento de romance. bjemi