quarta-feira, 15 de março de 2017

Traição Capitulo 9

Aos poucos, os dias do casal começaram a se acomodar em uma rotina, assim como as noites. Desde que se certificara de que estava tudo bem com a saúde dela e do bebê,
Joseph  fazia amor com ela todas as noites, possuindo-a com uma paixão que a deixava sem fôlego. Mas nas manhãs ele nunca se encontrava na cama quando Demi  acordava.
Tornara-se um hábito ela sair à procura de Joseph, aborrecida pelo fato de ele ter se levantado tão cedo. Na maioria das vezes, o encontrava na biblioteca falando ao telefone, trabalhando no computador ou analisando contratos e faxes. Quando entrava, ele erguia o olhar e, por um breve instante, Demi  percebia o fogo faiscar nos olhos âmbar, antes de ele conseguir controlar a expressão. Após murmurar um formal “bom-dia”, voltava a se concentrar no trabalho, dispensando-a sumariamente dessa forma.
Portanto, Demi  passava a maior parte das manhãs sozinha ou na companhia de Patrice e do Dr. Karounis, que parecia muito contente com o tempo que passavam juntos. Na hora do almoço, Joseph  aparecia, como se não tivesse passado horas encerrado na biblioteca.
Para seu crédito, ele lhe dedicava as tardes.
Demi  conseguira convencê-lo a fazer caminhadas na praia, embora ele reclamasse da possibilidade de ela tomar friagem e se cansar. Demi  ansiava por aqueles momentos porque só assim o tinha exclusivamente para si. E ao menos naquele tempo, ele parecia perder a atitude reservada e cautelosa da qual raramente abria mão.
Foi durante um desses passeios que Joseph  a puxou para que se sentasse no tronco onde ela sempre se acomodava para observar o oceano. Após fixar o olhar no mar por um instante, ele se virou para encará-la com expressão séria.
– Deveríamos nos casar logo. – Demi  girou o anel de noivado no dedo com a ponta do polegar e imaginou por que aquela não era uma conversa animada. – Queria lhe dar um tempo para que recuperasse as forças. O médico acha que sua saúde está ótima agora.
Demi  relaxou um pouco sob o escrutínio intenso dos olhos dourados.
– Para quando está planejando?
– Logo que conseguir providenciar os papéis. Não quero esperar mais. Não quero que nosso filho nasça bastardo.
Demi  franziu a testa e virou o rosto na direção dele. Aquela estava longe de ser uma declaração romântica de amor e devoção. Mas também não queria que o filho nascesse fora do casamento. De repente, sentiu-se egoísta por desejar um motivo mais sentimental para apressarem o casamento.
– Quer se casar comigo, pedhaki mou? Cuidarei de você e de nosso filho. Juro que não lhe faltará nada.
Demi  lutou para não franzir a testa mais uma vez. Quanto mais Joseph  falava, menos ela se empolgava com o casamento. Ele fazia aquilo parecer uma barganha. Não queria que aquela união fosse fria e racional.
Joseph  lhe ergueu o queixo com um dedo e a olhou nos olhos.
– Em que está pensando tão concentrada? – Demi  não queria lhe dizer a verdade.
Portanto, em vez disso, anuiu lentamente. Uma das sobrancelhas de Joseph  se ergueu em uma expressão questionadora. – Isso é um sim?
– Sim – sussurrou ela. – Eu me casarei com você tão logo possa providenciar os papéis.
Um brilho de satisfação iluminou os olhos âmbar enquanto ele se inclinava para roçar os lábios aos dela.
– Não se arrependerá disso, pedhaki mou.
Uma estranha escolha de palavras. Por que razão ela se arrependeria de se casar com o homem que amava, o pai de seu filho? Demi  imaginou se ele sempre fora tão enigmático e se havia aprendido a amá-lo apesar disso. Era óbvio que sim.
Enquanto se encaminhavam de volta a casa, Demi  escorregou a mão pela dele, necessitando de conforto. Após um breve segundo de hesitação, os dedos longos se fecharam contra os dela e os apertaram. Aquecida por aquele pequeno gesto, Demi  expulsou as dúvidas que a atormentavam.
Naquela noite, Demi  estava pronta para dormir quando ele surgiu por trás e lhe envolveu a cintura com os braços. As mãos grandes descansaram na curva avantajada do abdômen enquanto os lábios sensuais descreviam uma trilha de fogo do topo do ombro até a região logo abaixo da orelha de Demi , lhe fazendo a pele arrepiar e o corpo estremecer contra o dele.
– Prefiro você nua, pedhaki mou – disse ele, erguendo uma das mãos para puxar a fita que amarrava a camisola que ela acabara de vestir. As palavras lhe invadindo a mente e despertando uma distante similaridade. Por um instante, Demi  o viu parado diante dela encarando-a com olhar ardente e dizendo exatamente as mesmas palavras. Esforçou-se para evocar mais lembranças, mas a imagem se esvaiu tão rápido quanto aflorou.
A frustração a fez fechar os olhos, mesmo enquanto se entregava ao prazer do toque daquele homem.
Joseph  escorregou uma das alças da camisola pelo ombro delicado, seguindo  o movimento com o toque dos lábios até descê-la pelo braço de Demi . Em seguida, deu o mesmo tratamento ao outro lado. Enganchando os polegares nas alças finas continuou a baixá-las até que o tecido acetinado deslizasse pelo corpo de Demi  e formasse uma poça no chão.
A incerteza e a vulnerabilidade a assolaram enquanto permanecia nua, exceto pela calcinha de renda. Demi  se sobressaltou quando as mãos longas se espalmaram sobre seu abdômen volumoso mais uma vez e, em seguida, empreenderam uma jornada lenta, subindo por suas curvas, pelas laterais do corpo sensível e pousando sobre os seios firmes.
Os lábios sensuais lhe encontraram o pescoço outra vez, fazendo-a estremecer incontrolavelmente quando submetida às carícias dos polegares nos mamilos rígidos e às mordidas leves no pescoço.
– Eu a desejo – sussurrou ele com voz gutural. – Você é tão linda, agape mou! Venha para acama comigo.
Era muito fácil esquecer as dúvidas e inseguranças no casulo seguro daqueles braços fortes.
Quando faziam amor, se conectavam verdadeiramente. Não havia barreiras, tensão ou relutância. Demi  vivia em função daqueles momentos, quando ele a possuiria e lhe mostraria com muito mais do que palavras qual era o significado dela em sua vida.
Demi  virou-se permitindo que as mãos longas escorregassem por sua pele. Quando estava de frente para ele, se ergueu nas pontas dos pés e envolveu o pescoço largo com os braços.
– Beije-me – sussurrou ela.
Com um gemido rouco, Joseph  a puxou contra o corpo e lhe capturou os lábios, mal conseguindo se conter. Seus movimentos estavam impacientes naquela noite, como se fosse incapaz de se saciar dela, como se não pudesse esperar para possuí-la. Demi  permitiu que ele a guiasse, apressado, para a cama, sentindo o corpo virilpressionado ao dela. Joseph  a deitou sobre o colchão, sem nunca desprender os lábiosdos dois. Em seguida, ergueu a cabeça, revelando as labaredas que inflamavam os olhosâmbar. Como movimentos bruscos, se livrou das próprias roupas, antes de pairar sobre ela outra vez.
– Faça amor comigo – pediu Demi , esticando a mão para lhe tocar o rosto.
Sem esperar por mais nada, ele se inclinou para lhe violar com beijos molhados e sôfregos a pele da mandíbula, pescoço e mais abaixo dos seios intumescidos. Com a língua descreveu carícias leves e eróticas nos mamilos rígidos, fazendo descargas elétricas se espalharem porto do o corpo de Demi , até se concentrarem no centro pulsante de sua feminilidade.
A jornada sensual prosseguiu com a exploração do abdômen abaulado, que ele emoldurou com ambas as mãos em um gesto tão reverente que trouxe lágrimas aos olhos de Demi. Em seguida, Joseph  pressionou os lábios contra a pele retesada com um beijo suave.
A emoção formou um nó na garganta de Demi , dificultando-lhe a respiração. Se ao menos pudessem ficar assim. Ali, onde não havia palavras nem defesas, se sentia amada e venerada.
Não existiam muralhas, barreiras ou segredos.
A boca experiente se moveu, fazendo-a ofegar quando Joseph  lhe afastou as pernas para lhe beijar o centro da feminilidade que pulsava com a excitação.
– Joseph ! – gritou ela enquanto a língua quente e ágil lhe estimulava o ponto mais sensível.
– Você é tão doce, agape mou – disse ele ao se mover para cima, roçando o corpo de
Demi .
Com um movimento preciso, Joseph  se posicionou contra o calor úmido e convidativo de Demi  escorregando para dentro daquele corpo excitante e acolhedor. Ela fechou os olhos e esticou os braços na direção dele com um suspiro de prazer. Os dedos se enterrando nos cabelos curtos da nuca de Joseph  e descendo pelo pescoço que acariciava enquanto ele se movia para a frente e para trás com extrema suavidade.
E então, os lábios exigentes se apossaram dos dela outra vez, absorvendo-lhe o grito abrupto quanto ele se enterrou dentro dela ainda mais.
– Mostre-me seu prazer – sussurrou ele contra os lábios intumescidos de Demi . – Apenas para mim.
Diante dos primeiros espasmos do clímax, ela arqueou os quadris, sentindo o corpo enrijecer, antes de explodir em milhões de partículas que se espalhavam em todas as direções.
O grito suave que Demi  deixou escapar cortou o silêncio da noite enquanto ele a puxava contra o corpo. A mão longa lhe acariciando a lateral do corpo, o quadril e a curva da barriga abaulada.
– Não consigo me saciar de você – admitiu ele com uma voz que soou estranhamente vulnerável.
Demi  descerrou as pálpebras para se deparar com os olhos dourados fixos nela. A expressão do belo rosto másculo feroz e assombrada. E então, ele começou a se mover com mais força e exigência. Sem dizer mais uma palavra, Joseph  a levou a indescritíveis alturas. Ela flutuou livre, o corpo envolto em um casulo de prazer.
E assim começou a noite. Demi  mal completava a jornada descendente de um pico para que ele a levasse a outro ainda mais alto. Joseph  a possuía de modo incansável, comandando seu corpo com uma facilidade que a deixava sem fôlego. Durante toda a noite, ele se mostrou insaciável e pouco antes da madrugada, os dois se rederam à exaustão e adormeceram.
Mesmo envolta na euforia do pós-sexo, o sono de Demi  era agitado. Havia uma familiaridade na forma exigente como Joseph  fazia amor. Era como se, pela primeira vez, tivesse lhe mostrado parte da vida que levavam no passado.
No sonho, Demi  lutava para abrir uma porta firmemente fechada, sabendo que do outro lado se encontrava sua história de vida. Ela a puxou com força e, em seguida, bateu desesperada, soluçando para que a porta se abrisse e lhe revelasse o que estava do outro lado.
Demi  unhou a superfície e, por fim, conseguiu entreabri-la alguns milímetros. Uma luz forte incidiu através da abertura e, em seguida, tão repentinamente quanto brilhara, se apagou diante do medo e do desespero. Sabia, sem a menor sombra de dúvida, que não queria ver o que se encontrava do outro lado.
Em choque, perdeu a força e a porta bateu com um estrondo, deixando-a recostada, ajoelhada e trêmula, contra a madeira fria.
Não! Precisava saber. Tinha de saber. Quem era ela e o que lhe acontecera?
– Demi . Demi ! – A voz ansiosa de Joseph  lhe penetrou o sonho. – Tem de acordar, pedhaki mou. É apenas um sonho. Você está segura. Está aqui comigo.
Demi  abriu os olhos para se deparar com Joseph  assomando sobre ela, os olhos arregalados de preocupação. Ele havia acendido a luz do abajur ao lado da cama, e Demi ficou grata por isso. Sentia-se sufocada pela escuridão que povoava seu pesadelo.
O rosto estava molhado, um sinal de que havia chorado no sonho. O coração ainda estava disparado por causa do pânico e ela não conseguia se livrar da tenebrosa sensação do mau presságio que a assolara. Tentou falar, dizer a Joseph  que estava bem, mas em vez disso deixou escapar um grito. Ele a envolveu com força nos braços e a segurou enquanto o corpo de Demi  sacudia com os soluços.
– Isso vai fazer mal à sua saúde. Tem de parar. – Durante um longo tempo, ela se agarrou aos braços musculosos para impedi-lo de se afastar. Quando, por fim, conseguiu recuperar o auto controle, Joseph  a recostou com cuidado aos travesseiros. – O que a assustou tanto, agape mou?
As imagens do sonho voltaram com força total, mas Demi  se forçou a entendê-las.
Felizmente, o pânico inicial se dissipara, possibilitando-lhe respirar com tranquilidade.
– Eu estava diante de uma porta – explicou, com voz trêmula. – Sabia que do outro lado estavam minhas lembranças, mas não conseguia abri-la por mais que tentasse. Por fim, consegui entreabri-la e então…
– E então, o quê? – perguntou Joseph  com voz suave.
– Medo – sussurrou ela. – Muito medo. Eu estava com medo, larguei a porta e ela se fechou com força.
Joseph  se deitou ao lado dela, puxando-a para seus braços.
– Foi apenas um sonho, pedhaki mou. Apenas um sonho. Não pode fazer mal algum a você. Está temendo o desconhecido. Isso é natural.
Lentamente, Demi  começou a relaxar contra o corpo quente e forte. Ele lhe afagava as costas, a palma da mão escorregando para cima e para baixo sobre toda a extensão da espinha de Demi.
– Está melhor agora? Quer que eu chame o Dr. Karounis?
Demi  negou com a cabeça contra o peito largo.
– Não. Eu estou bem. Sério. Estou me sentindo tão tola agora!
– Não é tola. E tente voltar a dormir. Receio tê-la deixado acordada por muito tempo essa noite.
A voz de Joseph  tinha um timbre rouco e grave e lhe fez o corpo enrijecer outra vez diante das lembranças do que a deixara acordada.
Com um bocejo, ela se enterrou com o máximo de força possível contra o corpo de
Joseph  e se entregou ao que dessa vez foi um sono sem sonhos.
Joseph se levantou com o raiar do dia. Não dormira desde que Demi  acordara devido ao pesadelo. Após tranquilizá-la, ela cedera a um sono reparador, mas ele permanecera acordado, com o olhar fixo no teto, refletindo sobre o absurdo da situação em que se encontravam.
Com cuidado para não acordá-la, tomou um banho e se vestiu. Após se certificar de que ela não fora incomodada, desceu a escada em silêncio e passou direto pelo escritório, embora fosse seu costume começar lá o dia de trabalho.
Naquela manhã, algo o impeliu para a praia, na direção do local que Demi  costumava visitar. O ar soprava frio, vindo do oceano, mas aquilo não o incomodava enquanto permanecia parado, observando as ondas quebrarem na areia e retornarem ao mar.
O passado de Demi , o passado de ambos, ameaçou visitá-la durante o sono. As lembranças travavam batalhas nos momentos em que ela estava mais vulnerável e o que ele faria se fossem recuperadas?
O terrível conflito que o corroía por dentro o estava desgastando. Podia sentir raiva e de vez em quando sentia, mas também era muito fácil esquecer. Ali na ilha, protegido do resto do mundo, era muito fácil fingir que existiam apenas Demi, ele e o filho que ainda não nascera.
Nenhuma traição do passado, nenhuma mentira ou falsidade.
Joseph  enfiou as mãos nos bolsos da calça e baixou a cabeça, resignado. Nunca antes, tanto na vida profissional quanto na pessoal, se sentira tão perdido, tão indeciso. Seria capaz de perdoá-la por ter tentado destruí-lo e aos seus irmãos? Aquela era a pergunta que valia um milhão de dólares, porque se não fosse capaz, não seria possível um futuro para os dois.
Quando Demi  recuperasse a memória, as coisas mudariam radicalmente. E a ele restaria se agarrar ao sabor amargo da traição ou seguir em frente e lhe conceder seu perdão.
Theos mou! Não tinha a resposta para aquele impasse. Não sabia se seria capaz de tanta generosidade. Não havia dúvida de que a desejava. Sentia-se atraído por Demi , mesmo ciente de seus pecados. Ela estava gerando um filho seu, mas poderia afirmar com toda a honestidade que, se não estivesse grávida, a dispensaria facilmente?
Um par de braços pequenos lhe envolveu a cintura e um corpo quente se recostou ao dele.
Joseph  baixou o olhar para ver as mãos de Demi  unidas em seu abdômen e as cobriu coma dele em um gesto automático.
O abraço era apertado e ele podia sentir a face macia pressionada contra sua espinha. Era uma sensação… de perfeição.
Lentamente, Joseph  lhe retirou as mãos para que pudesse girar no círculo dos braços delgados. Ela ergueu um olhar afetuoso e receptivo, antes de se atirar nos braços fortes e aconchegar o rosto ao peito largo.
– Bom dia – disse ele, incapaz de impedir a onda de desejo que invadiu cada célula de seu corpo.
– Passei em seu escritório e não o encontrei. Fiquei preocupada – disse ela recuando.
Joseph  inclinou a cabeça para o lado.
– Preocupada?
– Está sempre em seu escritório a esta hora – retrucou Demi  em um tom de voz leve. –
Quando não consegui encontrá-lo em mais nenhum lugar da casa, pensei… pensei que talvez tivesse partido.
As mãos longas pousaram nos ombros de Demi  e os apertaram em um gesto tranquilizador.
– Não partiria sem avisá-la, pedhaki mou. – Estivera tão distante, tão arraigado em seus esforços em evitá-la que a fizera esperar uma atitude como aquela da parte dele? Se esse fosse o caso, não poderia culpá-la. Incluindo a Srta. Cahill e o Dr. Karounis, havia colocado um verdadeiro arsenal de pessoas entre eles.
– Gostaria de fazer uma caminhada comigo? – perguntou ela. – Sempre passeio de manhã pela praia enquanto você está trabalhando. Isto é, se não estiver muito ocupado?
Joseph  lhe segurou a mão e a levou aos lábios.
– Nunca estou muito ocupado para você e para o nosso filho. Mas não deveria descansar?
Um suspiro exasperado escapou dos lábios de Demi  enquanto ela soltava a mão e levav aos dois punhos cerrados aos quadris.
– Pareço estar precisando de descanso? – A raiva e o desapontamento lhe faziam brilhar os olhos. – Ouça, se não quiser me fazer companhia, é só dizer, mas pare de repetir o mantra “você precisa descansar” – dizendo isso, ela se virou e saiu pisando duro pela areia, deixando-o parado lá, como se tivesse recebido um soco no peito.
Joseph  passou uma das mãos pelos cabelos e a observou se afastar, apressada, para só então a seguir. Os pés espalhando areia para todos os lados na tentativa de fechar a distância entre os dois.
– Demi ! Espere. – Ele chamou, segurando-lhe o cotovelo. Quando a girou, foi atingindo em cheio pelas lágrimas que rolavam pelo rosto delicado. Demi  virou a cabeça para o lado, limpando as lágrimas às cegas com a outra mão.
– Por favor, vá embora – disse ela com voz engasgada. – Vá fazer o que quer que faça como seu tempo. Aguardarei minha hora marcada com você à tarde.
As palavras soaram amargas, repletas de mágoa e deixaram claro que ele não conseguira enganá-la com toda aquela distância que colocara entre os dois.
Joseph  esticou o braço e lhe tocou o queixo, erguendo-o até que ela o encarasse. Com aponta do polegar, limpou uma lágrima que corria pelo rosto delicado.
– Não temos hora marcada.
– Não? – Demi  se soltou e recuou até colocar uma respeitável distância entre eles. –
Tenho tentado ser paciente e compreensiva, embora não consiga entender nada do que está acontecendo. Nem a você nem mesmo a mim. Não consigo decifrá-lo, Joseph, e estou cansada de tentar. Esforcei-me para ser forte e tolerante, mas não posso continuar assim. Estou apavorada. Não sei quem sou. Acordei e me descobri grávida, com um estranho em minha cama que afirma ser meu noivo e pai do meu filho. Qualquer um pensaria que isso seria o suficiente para me julgar amada e tratada com carinho, mas todas as suas ações só conseguiram me deixar ainda mais confusa. Você alterna entre quente e frio e nunca sei qual dos dois esperar. Não posso suportar isso.
Um frio aterrorizante se espalhou pelo peito de Joseph, comprimindo-o até lhe dificultar a respiração.
– O que está dizendo? – Ele quis saber.
Demi  lhe dirigiu um olhar cansado.
– Por que está se casando comigo? É apenas por causa da criança?
Linhas profundas vincaram a testa de Joseph . Não o agradava ser pressionado daquela forma.
– Está cansada e transtornada. É melhor voltarmos para casa e continuarmos essa conversa em um lugar mais aqueci…
Demi  o cortou com um gesto brusco de mão.
– Não estou cansada. Não estou transtornada e quero que pare com essa superproteção.
Nem mesmo acredito que se preocupe tanto. Isso não passa de uma conveniente barreira atrás da qual se esconde quando começo a lhe fazer perguntas.
Joseph  abriu a boca para refutar aquelas palavras, mas paralisou. Não poderia negar a verdade. Ainda assim, não queria que ela se aborrecesse. Certamente aquilo não faria bem para o bebê.
– O que há no meu passado que tanto me assusta? – sussurrou ela. – A noite passada me aterrorizou. Acordei esta manhã com a sensação daquele medo e não por não poder me lembrar, mas por ter medo de me lembrar. – Demi  o encarou, ansiosa, com uma súplica estampada no olhar. – Conte-me. Preciso saber. Como era nossa relação antes? Como nos conhecemos? Estávamos de fato apaixonados?
Joseph  virou-se na direção do mar e enfiou as mãos nos bolsos de trás da calça.
– Você trabalhava para mim – disse em tom áspero.
Demi  se moveu até se posicionar ao lado dele, sem tocá-lo, mas perto o suficiente para que ele lhe escutasse a respiração alterada.
– Trabalhava? No hotel?
Joseph  negou com um gesto de cabeça.
– Nos escritórios da empresa. Era minha assistente.
Demi  o encarou chocada.
– Mas Taylor é sua assistente e parece muito adaptada ao cargo. Como se o ocupasse há anos.
Um sorriso breve curvou os lábios de Joseph .
– Não foi minha assistente por muito tempo. Eu estava determinado a tê-la em minha cama. Convenci a pedir demissão e ir morar comigo. Você significava uma distração à minha concentração no trabalho.
Demi  não pareceu lisonjeada com a revelação. A testa se encontrava enrugada em uma expressão preocupada e os lábios se curvavam para baixo.
– Então, tornou um hábito me colocar onde lhe era mais conveniente – murmurou ela.
Joseph  xingou em silêncio, porém, mais uma vez, não podia negar que sempre tivera a sedução em mente no que se relacionava a ela.
– E eu permiti isso? – Demi  perguntou. – Simplesmente pedi demissão e fui morar com você?
Joseph  deu de ombros.
– Parecia tão feliz em estar em minha companhia quanto eu em estar ao seu lado.
As linhas que vincavam a testa de Demi  se aprofundaram enquanto ela envolvia o abdômen saliente com as mãos em um gesto protetor.
– Nosso bebê foi planejado?
Joseph  inspirou profundamente. Aquele era um ponto nevrálgico que tinha de contornar com cuidado.
– Não diria planejado, mas a notícia de sua gravidez certamente não foi mal recebida.
Se aquilo era possível, a resposta a deixara ainda mais entristecida. Os ombros de Demi se curvaram para a frente enquanto ela virava de costas, mas não sem que antes ele percebesse a nova leva de lágrimas que lhe banhava os olhos.
Com um suspiro, Joseph  a puxou e a envolveu nos braços.
– Por que está tão triste esta manhã, pedhaki mou? O que posso fazer ou dizer para fazê-la se sentir melhor?
Demi  ergueu os olhos úmidos pelas lágrimas.
– Pode parar de me evitar, de usar a preocupação com minha saúde e a do bebê como desculpa para me tratar como uma inválida. Pode parar de tratar o meu passado como se fosse algo do qual não tenho direito de saber.
Os lábios sensuais se comprimiram.
– Tentarei ser menos zeloso com sua… saúde, embora me reserve o direito de me preocupar.
E então, um sorriso curvou os lábios de Demi , atingindo-o como um golpe certeiro que quase o fez cambalear para trás. Não havia percebido o quanto a felicidade de Demi  era importante para ele. Seria louco por se preocupar tanto, quando ela não se importara nem um pouco com sua felicidade no passado?
Inclinando-se para beijá-lo, ela se viu pressionada ao corpo forte enquanto os lábios eram devorados pelos dele.
– Obrigada – disse ela quando recuou. – Só quero… – Demi  se calou sem conter a ansiedade no olhar, antes de desviá-lo.
– O que quer, pedhaki mou?
Demi  voltou a encará-lo.
– Quero que sejamos felizes – respondeu com voz rouca. – Quero ter certeza do lugar que ocupo em sua vida. Quero me lembrar, porém mais do que isso, quero sentir que tenho mais do que uma pequena porção de você e do seu tempo.
Joseph  a observou pensativo. Demi  nunca fora tão direta antes da amnésia. Mostrava-se tímida e hesitante em dar voz a seus desejos e anseios. Mas teria ela se sentido assim antes? Teria se ressentido de suas longas ausências? Do modo como a encaixava em sua vida como lhe conviesse? Teria sido aquele o motivo que a levara a agir de forma tão leviana? Fora aquele ato uma forma de lhe chamar atenção?
– Também quero muito que você seja feliz, Demi . E embora não possa convencê-la do lugar que ocupa em minha vida com meras palavras, talvez possa provar isso ao longo do tempo.
O sorriso de Demi  o aqueceu por inteiro. Era como ver o sol surgir no horizonte. Ela esticou as mãos para segurar as dele.
– Venha caminhar comigo – convidou.

Incapaz de lhe negar qualquer coisa naquele momento, ele a puxou para perto e os dois começaram a passear pela praia.


sorry demora, eu nao estava muito legal segunda. bjemi
meu otp oriental fave.amoooooo

quarta-feira, 8 de março de 2017

Traição Capitulo 8

Lábios quentes deixavam uma trilha ardente de beijos sobre seus ombros e braços. Demi se mexeu e abriu os olhos para ver a cabeça escura de Joseph  se movendo sensualmente por seu corpo.
– Essa é uma maneira maravilhosa de acordar – murmurou ela.
As palavras o fizeram erguer a cabeça e ela se deparou com o ouro líquido dos olhos de
Joseph .
– Como está se sentindo, pedhaki mou?
Demi  rolou para se deitar de costas e ergueu uma das mãos para escorregá-la pela massa espessa de cabelos pretos.
– Muito melhor. Enchi o estômago e tirei um cochilo. O que mais uma mulher grávida poderia desejar?
– Nosso filho não dormiu muito – disse Joseph  escorregando uma das mãos pelo abdômen abaulado.
Demi  sorriu.
– Não, ele tem estado muito ativo ultimamente. O obstetra disse que os bebês se mexem mais no segundo trimestre.
Joseph observava o abdômen avantajado, não contendo a fascinação no olhar.
– Não se mexem no último trimestre?
– Sim, mas não tanto. Não há muito espaço. No último mês, quase não se mexem devido ao confinamento em que se encontram.
– Acho que então será mais fácil para você descansar. – Demi  bocejou, cobrindo a boca com uma das mãos, quando a mandíbula quase estalou com o esforço. – Ainda está cansada –acrescentou ele em tom de reprovação.
– Estou grávida. Suponho que estarei cansada pelos próximos dezoito anos. Mas estou me sentindo bem melhor. Sério. Vamos nos levantar.
Joseph  montou sobre ela, apoiando um joelho de cada lado de seu corpo e baixou o olhar para encará-la com um brilho predador.
– Está muito ansiosa para se levantar. Por quê? – Demi  corou e fingiu socá-lo no peito.
Ele se inclinou e lhe capturou a boca em um beijo, mordendo de leve o lábio inferior carnudo até ela o sentir intumescido e pulsante. – Tinha pensado em mantê-la na cama até amanhã de manhã – murmurou.
Liquefeita. Tornava-se completamente liquefeita nas mãos daquele homem. Bastava
Joseph  tocá-la para que ela virasse um mingau. Demi envolveu o pescoço largo com os braços e correspondeu o beijo com avidez. Podia sentir a ereção lhe comprimir os quadris.
Era bom constatar que o desejo de Joseph se igualava ao dela.
Com óbvia relutância, ele recuou e saiu da cama. Demi o observou com olhar confuso.
Por que ele estaria recuando? Mas Joseph esticou a mão e lhe afastou os cachos macios do rosto.
– Teve um dia difícil, agape mou. Não quero cansá-la ainda mais.
Joseph  pareceu tão surpreso quanto ela quando o tratamento carinhoso lhe escapou dos lábios. Os olhos de Demi  se arregalaram e ele pareceu tenso, antes de virar de costas e se encaminhar ao closet.
Demi  o observou se vestir e, em seguida, sair do quarto. Ele a havia chamado de “meuamor” e, embora aquilo a tivesse enchido de excitação, era óbvio que ele não desejara dizer aquelas palavras.
Entretanto as dissera. Demi  se agarrou àquela verdade enquanto se levantava da cama. Ofato de não saber o que Joseph  sentia por ela e por que se esforçava tanto para se manter distante a deixara intrigada desde o princípio. Seria por causa de sua amnésia? Temeria não poder levar seus sentimentos por ele em consideração já que não passava de um estranho para ela?
Estava muito focada nas dificuldades resultantes de sua perda de memória, mas era óbvio que Joseph  também tinha problemas em relação àquela situação.
Se ao menos pudesse se lembrar. Se pudesse fazê-lo entender que seu amor por ele independia do fato de poder se lembrar de amá-lo no passado…
Tudo que podia fazer era demonstrar seus sentimentos e esperar recuperar logo a memória.
Joseph  estava em seu escritório, olhando além da janela que dava vista para a praia.
Demi  se encontrava próxima à água. Os pés descalços e o vestido de gestante que usava ondulando ao vento. Ele a mantinha sob cuidadosa vigilância e instruíra seus seguranças afazerem o mesmo. Não queria correr nenhum risco após o desmaio de Demi  no dia anterior.
Minutos atrás, desligara o telefone depois de falar com o investigador do caso de Demi .
Ainda não havia sido efetuada nenhuma prisão. Não dispunham de nenhuma pista. O homem que a sequestrara ainda estava solto e, portanto, ainda significava uma ameaça a Demi  e ao filho deles. Aquilo era inaceitável. O detetive prometera manter contato e informá-lo assim que houvesse alguma novidade no caso, mas Joseph  ainda estava insatisfeito. Queria resultados. Fazer com que o homem que ousara tocá-la pagasse por isso.
Focou a atenção mais uma vez em Demi , que ainda observava o mar. De vez em quando,ela erguia uma das mãos para afastar os cachos do rosto, apenas para voltarem soprados pelo vento. Erguendo o queixo, Demi  soltou uma risada, e ele sentiu o impacto atingi-lo no lugarem que se encontrava.
Estava linda e descontraída. Descuidada no momento. Joseph  vasculhou em sua memória procurando pelos momentos em que estiveram juntos. Felizes. Na época, não dera importância ao fato, mas o relacionamento que agora admitia ter tido com ela fora aberto e complacente.
O que a teria levado a lhe trair a confiança? Quase preferia que Demi  o tivesse traído com outro homem. Mas não, ela atacara sua família, seus irmãos. E isso não poderia perdoar… ou poderia?
A indecisão lhe atormentava o cérebro. Uma grande parte de Joseph ainda se encontrava conflituosa e revoltada. Mas outra, uma pequena fatia de seu ser, se encontrava pronta para seguir em frente. Esquecer o que Demi  fizera e abraçar um recomeço ao ladodela. Talvez ela nunca recuperasse a memória e, para ser sincero, aquilo tornaria tudo mais fácil.Joseph  continuou a observá-la e moveu o olhar até onde um de seus seguranças se encontrava, a alguma distância. Demi  continuava a desafiá-lo, e ele se fingia aborrecido,mas tudo que fazia era se certificar de que seus homens a seguissem para todas as partes. A determinação de Demi  em lhe contrariar as vontades o divertia porque não sentia nenhuma irritação sincera nela. Apenas gostava de provocá-lo. Joseph  sabia que estava sendo superprotetor, mas o fato de os sequestradores de Demi  estarem soltos e ainda oferecerem perigo a ela e ao filho deles, fazia com que o medo lhe corresse como uma lava negra pelas veias. Ela lhe pertencia. Falhara com ela uma vez. Não importava que Demi  o tivesse traído.
Ele a havia atirado, grávida de um filho seu e desprotegida, nas mãos dos sequestradores porque deixara as emoções lhe embotarem o bom senso.
Joseph  girou, irritado, quando ouviu o toque do telefone. Desviando o olhar de Demi ,encostou o fone ao ouvido.
– Sr. Jonas. – A voz de Taylor soou clara do outro lado da linha.
– Conversou com Nick sobre a situação dos negócios no Rio de Janeiro?
– Sim, senhor. Ele pediu para que lhe dissesse que, se o senhor atendesse seu telefone, o teria colocado a par das negociações.
Joseph soltou uma risada abafada.
– Depois me entenderei com meu irmão.
– Se for possível, o senhor terá de participar de uma conferência telefônica no fim da tarde de amanhã, sete horas daqui. Eu lhe enviarei um e-mail com os detalhes. Kevin e Nick estarão disponíveis, mas o Sr.  Diego gostaria de falar diretamente com o senhor.
– Participarei – respondeu ele.
– E como vão as coisas com o senhor? – perguntou Taylor hesitante. Joseph  franziu atesta e relanceou o olhar de volta à praia, onde Demi  permanecia, observando as ondas se chocarem com a areia. – Ela já recuperou a memória? – continuou.
–Não – respondeu Joseph  conciso. Seguiu-se um momento de silêncio em que ele pôde ouvir a respiração suave de Taylor, como se estivesse relutando em dizer o que lhe passava na mente. – Se isso é tudo – disse ele, em uma tentativa de pôr um fim ao telefonema.
– Considerou a possibilidade de ela estar fingindo a amnésia? – disparou Taylor.
– O quê?
– Pense bem – retrucou a assistente, impaciente. – Que melhor maneira de contornar sua raiva do que fingindo ter se esquecido de tudo? Nem ao menos pode ter certeza de que esse filho é seu. Demi  esteve em cativeiro durante meses. Quem pode dizer o que aconteceu durante esse tempo?
Um arrepio gelado percorreu a espinha de Joseph .
– Basta – disse ele conciso.
– Mas…
– Já disse o suficiente…
– Como queira. Eu lhe telefonarei se houver qualquer novidade.
Joseph desligou o telefone e voltou o olhar mais uma vez à praia. Porém, não conseguiu ver Demi. Poderia Taylor estar certa? Estaria Demi  fingindo aquela amnésia? O pensamento lhe passara pela mente quando ainda estavam em Nova York e ela acabara de ter alta do hospital. Os instintos lhe diziam que não, mas se enganara em todos os sentidos sobre aquela mulher. Se seis meses atrás alguém lhe tivesse dito que Demi  seria capaz de traí-lo como fizera, teria debochado de tal acusação.
A raiva e a dúvida se alternavam em sua mente. Joseph  passou a mão no rosto e fechou os olhos em um gesto cansado. Não importava o que pensasse no momento. Demi estava grávida de um filho seu, e isso se sobrepunha a tudo mais. Era capaz de relevar muita coisa em nome do filho.
Um som à porta o fez erguer o olhar. Demi  se encontrava dentro do escritório, com o semblante iluminado por um sorriso. Os olhos brilhavam de… felicidade.
Joseph  se descobriu relaxando, o redemoinho de minutos atrás se dissipando.
– Cansou-se do passeio pela praia?
Os lábios de Demi  se retorceram, tristonhos, enquanto ela se aproximava.
– Deveria saber que estava ciente do meu paradeiro.
Joseph  gesticulou na direção da janela.
– Tenho uma vista privilegiada daqui. Parece ter se divertido. Está se sentindo bem hoje?Não se cansou demais?
Demi parou diante da mesa, e Joseph quase gesticulou para que ela a contornasse e se sentasse em seu colo, mas se refreou, necessitando se manter um pouco distante enquanto se sentia tão volátil e inseguro. Não queria vê-la como uma farsante, nada além de uma atriz experiente devotada a escapar da vingança.
– Estou bem. Você se preocupa muito. Não preciso ser mimada. Parece pensar que sou a primeira mulher a ficar grávida.
– É a primeira a gerar um filho meu – argumentou ele.
Demi  soltou uma risada.
– Está bem. Então farei algumas concessões a seu excesso de zelo por ser esse o seu primeiro filho. Quando tivermos o próximo, espero que aja de maneira sensata.
Joseph  sentiu cada músculo do corpo retesar e lutou contra a escuridão que se estampou diante de seus olhos. Outro filho. Aquilo sugeria permanência. Um relacionamento duradouro. Sim, planejava pedir… não, insistir… para que Demi  se casasse com ele, mas não refletira no que aquilo implicaria. Um lugar permanente para Demi  em sua vida. Mais filhos.
Os irmãos teriam razão? Deveria tê-la instalado em um apartamento, contratado profissionais competentes para cuidar dela até o nascimento do bebê e depois expulsá-la de sua vida?
– Joseph ? Há algo errado?
Ao erguer o olhar, ele se deparou com a expressão preocupada de Demi . E, mais uma vez,como em muitos momentos em que ela o encarava, lá estava o traço de insegurança. Ou quase medo. Joseph xingou em silêncio. Não tivera a intenção de assustá-la ou aborrecê-la.
Estendeu os braços na direção dela.
– Não, pedhaki mou, não há nada errado.
Demi hesitou por breves instantes, antes de finalmente contornar a mesa e sentar em seus joelhos. Ele a observou morder o lábio inferior.
– Não quer ter mais filhos?
Joseph  inclinou a cabeça para o lado, tentando adotar uma expressão casual.
– Acho que ainda não pensei nessa possibilidade. Nosso primeiro filho ainda nem nasceu.
Demi  concordou.
– Eu sei. Acho que presumi que, como tem irmãos, quisesse ter mais de um filho. Havíamos discutido isso antes? Eu queria ter mais do que um filho? Pensando no futuro agora, sinto que quero vários outros. Talvez quatro. Mas não sei se esse foi sempre o meu desejo.
Incapaz de resistir à testa franzida de preocupação de Demi , ele lhe pressionou os lábios às rugas que a vincavam.
– Não vamos nos preocupar com isso agora. Temos muito tempo para pensar em outros filhos. Primeiro, tem de se casar comigo – disse ele em tom provocador. – Vamos esperar até o nascimento de nosso filho para depois pensar em aumentar a família.
Um sorriso lindo e cativante iluminou o rosto de Demi  o fazendo perder o fôlego no mesmo instante.
– Parece tão adorável quando você menciona isso – disse ela ofegante.
– O quê?
– Família. Não tenho família, ou assim você me disse. Saber que você e eu formaremos  significa muito para mim. Às vezes, me sinto tão solitária, como se estivesse só há uma eternidade.
Demi  estremeceu de leve contra o peito largo enquanto as palavras assombrosas lhe escapavam dos lábios.
– Não está sozinha – disse ele em tom de voz suave. – Tem a mim e nós temos nosso filho.
Aquela era uma promessa. Uma que se sentiu apenas levemente desconfortável em fazer.
Parte dele se admirava com a facilidade com que se comprometia com uma mulher que lhe causara tanto mal, mas a outra era tão incapaz de se afastar dela quanto seria de cortar fora o próprio braço.
– Deveria descansar – disse ele em tom de voz firme, mais por necessitar colocar alguma distância entre ambos do que propriamente por preocupação sobre o estado de saúde de Demi . O médico lhe garantira que ela estava muito bem e que o desmaio não passara da consequência da falta de alimentação. – Chamarei a Srta. Cahill para ajudá-la a subir a escada.
Os lábios carnudos de Demi  se curvaram em uma expressão desanimada. Ela se esforçou para se levantar do colo de Joseph , mas ele segurou seu braço.
– Estou muito descansada. A caminhada pela praia foi revigorante.
– Ainda assim, seria sensato repousar um pouco – contrapôs. – Tenho algum trabalho a concluir. Quando terminar, me juntarei a você e poderemos jantar.
Demi  não conseguiu ocultar o desapontamento, antes de desviar o olhar. Ela anuiu, mas não disse nada enquanto deixava o escritório.
Fechou a porta com suavidade e ergueu o olhar quando Patrice se aproximou. Demi  tentou dirigir um olhar simpático à mulher, afinal gostava da enfermeira e ela estava apenas fazendo seu trabalho.
– Está pronta para subir? – Patrice perguntou com um sorriso.
Demi  suspirou.
– Sinceramente? Gostaria de atirar em Joseph  o travesseiro onde ele quer que eu repouse.
Patrice tentou suprimir uma risada, mas não conseguiu.
– Em vez disso, posso lhe servir uma xícara de chá no terraço?
A expressão de Demi  se iluminou no mesmo instante.
– É uma ideia maravilhosa.
Caminhando lado a lado, as duas transpuseram as portas de vidro na direção do terraço.
Uma brisa fresca, impregnada do cheiro do oceano, afagou o rosto de Demi  quando saíram.
– Espero que não se incomode que o Dr. Karounis venha nos fazer companhia. – Demi percebeu que enquanto a enfermeira falava, as maçãs do rosto iam adotando uma leve coloração avermelhada. – Nós dois tomamos chá aqui todas as tardes.
– Claro que não. – retrucou Demi  enquanto se acomodava em uma das cadeiras dispostas em torno da mesa que dava vista para os jardins.
Quando Patrice retornou para dentro da casa para preparar o chá, Demi  ficou sozinha.
Inclinando-se para a frente, observou os gramados. Mesmo com a companhia agradável de
Patrice e do Dr. Karounis, a solidão a envolvia como uma capa. Sem mencionar a frustração.
Todas as vezes que Joseph  relaxava ao seu lado e desfrutavam de algum tipo de intimidade, imediatamente ele se retraía como se percebesse o que estava acontecendo e se apressasse em corrigir aquilo.
Demi  estava convencida de que a presença de Patrice e do Dr. Karounis naquela casa era mais uma barreira do que uma preocupação de Joseph  com sua saúde. Não que ele não se importasse. Não era mesquinha o suficiente para pensar que os temores do noivo com sua saúde e a da criança não fossem genuínos. Mas, ao mesmo tempo, não podia deixar de pensarem como era conveniente para Joseph  atirá-la aos cuidados de Patrice toda vez que as coisas se tornavam muito íntimas entre os dois.
Parecia que enquanto ela de fato começava a relaxar, Joseph  apenas se tornava tenso.
Nada em seu suposto relacionamento com aquele homem fazia sentido. Se ao menos pudesse se recordar!
Se ao menos conhecesse alguém a quem pudesse perguntar. Teria se fechado tanto para o resto do mundo durante seu relacionamento com Joseph ?
– Certamente as coisas não são tão ruins assim – disse Patrice ao pousar a bandeja sobre a mesa diante de Demi . – Está parecendo carregar o peso do mundo em seus ombros.
Demi  conseguiu conjurar um sorriso hesitante.
– Ah, não. Não é nada sério. Estava apenas pensando.
O Dr. Karounis, que surgiu atrás de Patrice, cumprimentou Demi  com um gesto de cabeça.
A enfermeira exibiu um sorriso largo e se apressou a gesticular para que ele se sentasse,enquanto servia o chá.
Apesar do turbilhão emocional, Demi  não pôde deixar de sorrir diante do casal mais velho. Era óbvio que estavam flertando um com o outro e a agradava ver alguém feliz e animado. Daria qualquer coisa para desfrutar de um momento de paz.
Com um suspiro, Demi  ergueu a xícara e a levou aos lábios, observando mais uma vez  obelo jardim. Talvez estivesse alimentando muitas expectativas em um curto período de tempo.
Talvez estivesse pressionando muito, o que resultava no afastamento de Joseph . Tanta coisa seria solucionada se ao menos pudesse se lembrar! Porém, não podia esperar que um milagre acontecesse da noite para o dia. Devia haver alguma forma de penetrar as defesas de
Joseph. Tinha apenas de descobrir como.



desculpem demora, estava sem acesso.
acho que o Joe vai se ferrar bonito jaja
bjemi
(Honoka querendo o sorvete do Yuki kkkk amo ela... eles #honoki4ever)

ps: ganhei selinho mas estou com preguiça de comentar sobre ele. outro dia faço isso, mas obrigada Amanda